Thomas Bernhard

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Campa de Thomas Bernhard em Viena

Niclaas Thomas Bernhard (Heerlen, Países Baixos, 9 de fevereiro de 1931Gmunden, Áustria, 12 de fevereiro de 1989) foi um escritor austríaco e é considerado um dos mais importantes escritores germanófonos da segunda metade do século XX. Deixou uma obra considerável que inclui dezanove novelas, dezassete obras teatrais entre outros livros breves ou autobiográficos.

Vida[editar | editar código-fonte]

Bernhard foi filho ilegítimo de Herta Bernhard (1904-1950) e do carpinteiro Alois Zuckerstätter (1905-1940). Ele passou grande parte de sua infância com seus avós maternos em Seekirchen am Wallersee no estado Salzburgo. O matrimônio de sua mãe em 1936 com Emil Fabjan levou-o a Traunstein na Baviera. Herta morreu de câncer no útero em 1950.

Seu avô, o escritor Johannes Freumbichler, apoiou sua educação artística, incluindo o ensino musical dando aulas de violino ao neto. Bernhard estudou na escola elementar em Seekirchen am Wallersee e, mais tarde, devido conflitos familiares, foi mandado a uma escola nacional-socialista em Saalfeld na Turíngia, o que foi uma experiência traumatizante para o jovem. A partir de 1943, ele frequentou o internato NS-Johanneum em Salzburgo. Após o bombardeamento de Salzburgo porém, Bernhard voltou a casa do avô, voltando novamente ao agora católico internato Johanneum em 1945. Em 1946, toda família de Bernhard muda-se para Salzburgo, morando no bairro Maxglan. Apesar da pobreza, o avô continua a apoiar o jovem na sua educação artística.

Em 1947, Bernhard deixa o internato Johanneum e começa a trabalhar como aprendiz um comércio de gêneros alimentícios. É ali que contrai uma séria tuberculose pulmonar intratável, chegando ao ponto de lhe ser dada o equivalente a extrema-unção, estando de 1949 a 1951 no sanatório Grafenhof perto de Salzburgo, onde começou a escrever. Recuperado, estudou música e teatro no Mozarteum Academy de Salzburgo de 1955 a 1957. Ainda estudante, começou a trabalhar como repórter no Socialist Demokratisches Volksblatt e a contribuir para o jornal Die Furche. Desde então, começou sua carreira como escritor.[1]

Sempre foi considerado um escritor polêmico, mantendo uma relação de amor e ódio com a Áustria. Seu ressentimento é refletido pelo testamento, no qual proíbe a encenação das suas peças teatrais em território austríaco. Mesmo após sua morte, suas obras foram objeto de controvérsia, especialmente o trabalho "Heldenplatz" (Praça dos Heróis) de 1988, no qual Bernhard denuncia o ressentimento anti-semita ainda latente na Áustria pós-guerra. Durante a década de 1950, dedicou-se à poesia, centrando-se nos temas da morte e da injustiça social. Já na década de 1960 o escritor produz textos teatrais provocadores, como "Die Jagdgesellschaft" (Grupo de Caça) de 1973, no qual é criticado o espírito pequeno-burguês.[2]

Bernhard morreu aos 58 anos de idade, em sua casa em Gmunden na Alta Áustria, onde havia-se instalado em 1965. Sua casa em Ohlsdorf é atualmente um museu.

Prêmios (seleção)[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

No Brasil:

  • Meus prêmios [Meine preise]. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. Tradução Sergio Tellaroli. 112 p. ISBN 9788535919394
  • O imitador de vozes [Der Stimmenimitator]. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Tradução Sergio Tellaroli. 160 p. ISBN 9788535915044
  • Origem. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. Tradução Sergio Tellaroli. 504 p. ISBN 9788535907797. OBS.: Publicação conjunta dos volumes originalmente lançados separados na Alemanha Die Ursache. Eiene Andeutung; Die Keller. Eiene Entziehung; Der Atem. Eiene Entscheidung; Die Kälte. Eine Isolation; e Ein Kind
  • Extinção. Uma derrocada [Auslöschung. Ein Zerfall]. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. Tradução José Marcos Mariani de Macedo. 480 p. ISBN 9788571649842
  • Perturbação [Verstörung]. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. Tradução Hans Peter Welper e José Laurenio de Melo. 234 p. ISBN 9788532510426
  • O náufrago [Der Untergeher]. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Tradução Sergio Tellaroli. 144 p. ISBN 9788535908510. OBS: a primeira edição tinha capa e formato diferentes, com projeto gráfico de Victor Burton.
  • Árvores abatidas. Uma provocação [Holzfällen. Eine Erregung]. Rio de Janeiro: Rocco, 1991. Tradução Lya Luft. 168 p. ISBN 8532500560
  • O sobrinho de Wittgenstein. Uma amizade [Wittgensteins Neffe. Eine Freundschaft]. Rio de Janeiro: Rocco, 1992. Tradução Ana Maria Scherer. 124 p. ISBN 9788532501264

Em Portugal:

  • Perturbação. Lisboa: Relógio D’Água e Planeta DeAgostini. Tradução Leopoldina Almeida. 226 p. ISBN 9727081150 (Relógio d'Àgua) e 9727475922 (Planeta deAgostini)
  • O sobrinho de Wittgenstein. Uma amizade. Lisboa: Assírio & Alvim, 2000. Tradução José A. Palma Caetano. 137 p. ISBN 9789723706031
  • O náufrago. Lisboa: Relógio D’Água. Tradução Leopoldina Almeida. 144 p. ISBN 9727084060
  • Na terra e no inferno. Lisboa: Assírio & Alvim. Tradução José A. Palma Caetano. Ed. bilíngue. 256 p. ISBN 9789723706093
  • HOFMANN, Kurt. Em conversa com Thomas Bernhard. Lisboa: Assírio & Alvim. Tradução José A. Palma Caetano. Fotografias de Sepp Dreissinger e Emil Fabjan. 144 p. ISBN 9789723710175
  • O fazedor de teatro. Lisboa: Assírio & Alvim. Tradução José A. Palma Caetano. 144 p. ISBN 9789723708639
  • Antigos mestres. Lisboa: Assírio & Alvim. Tradução José A. Palma Caetano. 256 p. ISBN 9789723708172
  • Extinção. Uma derrocada. Lisboa: Assírio & Alvim. Tradução José A. Palma Caetano. 528 p. ISBN 9789723709254
  • Derrubar árvores. Uma irritação. Lisboa: Assírio & Alvim. Tradução José A. Palma Caetano. 208 p. ISBN 9789723712087

Referências

  1. Wikipedia. La enciclopedia libre.<http://es.wikipedia.org/wiki/Thomas_Bernhard>. Acessado em 19 de março de 2007
  2. Teatro Municipal da Guarda. <http://teatromunicipaldaguarda.blogspot.com/2007/08/thomas-bernhard.html>. Acessado em 29 de dezembro de 2007.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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