Wendy McElroy

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Wendy McElroy

Wendy McElroy (nascida em 1951) é uma autora e colunista canadense que se intitula feminista individualista (individualist feminist) e anarquista individualista. Ela escreve artigos semanalmente para a FoxNews e mantém um site intitulado ifeminists, no qual diariamente divulga notícias e artigos, alguns de sua autoria, majoritariamente sobre política e justiça e seu contexto nas interações entre os sexos.

Ela vive com seu marido numa fazenda no Canadá.

Idéias[editar | editar código-fonte]

Enquanto anarcocapitalista, Wendy McElroy é uma tenaz defensora do mercado livre e da diminuição da participação e do poder do Estado em todas as esferas da vida pública. Enquanto feminista, ela se alinha, juntamente a personalidades como Camille Paglia e Cathy Young, na corrente individualista e moderada, opondo-se a organizações que representam a corrente principal do feminismo contemporâneo, como a National Organization for Women, as quais, segundo McElroy, trabalham, através da dilatação do campo estatal, para estabelecer privilégios legais para as mulheres, que seriam vítimas carentes da proteção estatal de uma opressão patriarcal. McElroy, uma advogada da diminuição do poder do Estado, argumenta que este não deve conceder status de vítima baseado em características externas e classes.

Embora não haja uma quebra historicamente documentada no movimento feminista desde sua origem, tornou-se hoje freqüente distinguir correntes dentro do rótulo, de acordo com certas posições filosóficas e políticas. Wendy McElroy, em particular, inicialmente distinguia três tipos: o feminismo individualista (ou libertário), o feminismo liberal e o feminismo radical. Mais tarde, porém, ela absorveu a nomenclatura criada pela professora Christina Hoff Sommers em Who Stole Feminism?, a qual divide o movimento em equity feminism e gender feminism.

Equity feminism (identificado por McElroy como o feminismo individualista) limita a sua atuação ao combate a distinções sexuais cristalizadas na lei que impeçam aos indivíduos, baseado no sexo, a busca, mesmo que pacífica, da realização dos atos e vontades e individuais. Diz-se basear-se no preceito individualista de que o poder de um indivíduo sobre si e sobre suas ações só deve ser limitado pelo direito de outrem à segurança e à justiça, e, atualmente, pode ser considerado um braço da filosofia libertária. Gender feminism, por sua vez, de acordo com os adeptos da nomenclatura supracitada, não necessariamente defende a eliminação da distinção legal entre os sexos, mas pode calcar-se nela para adquirir e oferecer tratamento que pode ser visto como especial para as mulheres, em nome da suposta opressão e desigualdade da qual ainda são vítimas enquanto classe, quais programas governamentais fundos e ação afirmativa. Segundo os teóricos da corrente libertária, o gender feminism utiliza, em sua visão da sociedade, a análise marxista de classes. Enquanto Karl Marx utilizara a relação de grupos de indivíduos com os meios de produção para estabelecer a classe à qual pertencem—e, através desta última, prever qual o comportamento e os interesses dos membros de cada classe --, as feministas radicais alegadamente utilizam a análise de classes baseada no sexo e, através dela, determinam que homens e mulhers, como membros de classes distintas, possuem interesses intrinsicamente diversos e sempre conflitantes.

Também contrariando a visão de parte do estabelecimento feminista hoderino de que a pornografia heterossexual e a prostituição são ofensivas às mulheres e as oprimem ou evidenciam sua opressão, Wendy McElroy advoga que a produção e a divulgação da pornografia são meramente uma questão de liberdade de expressão, e a prostituição nada mais é que uma forma de exercer liberdade de decisão sobre o próprio corpo (self-ownership).

Suas maiores influências são os trabalhos filosóficos de anarquistas individualistas do século XIX.

Tipos de feminismo[editar | editar código-fonte]

  • O feminismo individualista, inspirado pelo trabalho e pela atuação das primeiras feministas, define igualdade como tratamento igual perante as leis e advoga a remoção das palavras homem e mulher da redação destas, promovendo, assim, reformas - opondo-se a revoluções - que permitam uma igual participação da mulher na vida pública. O feminismo individualista se opõe ao paternalismo estatal com relação às mulheres e, arrostando o feminismo radical e retomando as reclamações das primeiras feministas, afirma que as mulheres, por serem, tanto quanto os homens, indivíduos pensantes e morais, devem ser responsabilizadas pelos seus próprios atos. O feminismo individualista crê que o que determina a classe a que um indivíduo pertence é a relação deste com o Estado, e não o seu gênero. Intelectuais libertários abolicionistas do século XIX exerceram uma grande influência sobre o feminismo americano da época - que traçou um paralelo entre a situação dos escravos negros e das mulheres - e sobre a corrente individualista atual. Representantes famosos de feministas individualistas são, além de Wendy McElroy, a professora e escritora Camille Paglia, a jornalista Cathy Young, Sharon Presley e Joan Kennedy Taylor.
  • O feminismo liberal atua sobre a sociedade para integrar a mulher à sua estrutura e calca sua ação sobre a teoria do contrato social do governo instituído pela Revolução Americana. Normalmente, contrariando as colegas radicais, as feministas liberais, ao menos aquelas ainda ligadas ao liberalismo clássico, se opõem à censura como um todo (que poderia ser usada para abafar a voz das mulheres) e também no caso particular da pornografia, embora algumas delas adotem as posições extremistas do feminismo radical sobre a pornografia. Aqui, a igualdade é definida não apenas como tratamento indistinto perante a lei, mas também como equivalência de poder socio-econômico entre homens e mulheres. Desta forma, as feministas liberais não descartam o intervencionismo estatal como um meio para que tal paridade seja atingida. Segundo McElroy, esta corrente é um misto de feminismo libertário e feminismo radical. Grandes exemplos de feministas liberais são a moderada Betty Friedan, a dita mãe do feminismo moderno e co-fundadora da National Organization for Women (da qual foi mais tarde expulsa), a escritora Naomi Wolf e a jornalista Susan Faludi.
  • O feminismo radical, seguindo a teoria da desconstrução sob a perspectiva de Foucalt, defende a criação de uma arena, desligada da tirania do discurso político e filosófico de caráter masculino, onde as mulheres poderiam expressar seus sentimentos e experiências, os quais adquiririam universalidade intelectual e cultural. Algumas feministas radicais argumentam que diferenças sexuais no que respeita ao comportamento são fruto unicamente da influência e das interações sociais. Na perspectiva deste tipo de feminismo, a igualdade só pode ser atingida estabelecendo novas legislações que cerquem as mulheres de proteção e medidas compensatórias pelas alegadas injustiças passadas e presentes às quais foram e, segundo as ativistas desta corrente, ainda são submetidas enquanto classe. Em contraste com a corrente individualista, o feminismo radical apóia revoluções e grossas transformações no sistema político e legal—em vez de reformas que busquem a inclusão --, já que é este o sistema que oprime as mulheres. Tão forte é a sua negação da filosofia e da intelectualidade tradicionais que algumas pensadoras desta corrente objetam ao uso da lógica e da dialética e à revolução tecnológica como formas da atuação patológica e do pensamento masculinos. Apesar de algumas feministas desenvolverem raiva, ou receio aos homens de forma pessoal e individual, há muitos que defendem e argumentam como reação do oprimido, ou seja, um sentimento negativo motivado pelo preconceito passado antes sob ação do opressor, neste caso, os homens, que em condições de privilégio e influências de seu próprio sistema desenvolvem a misoginia institucionalizada culturalmente em relação às mulheres de forma gratuita. Conclui-se que as relações de ódio são iniciadas ou estimuladas por princípios distintos, enquanto um como reação, o outro institucionalização opressora do ódio.
Notáveis neste meio são a advogada Catherine MacKinnon, a filósofa Mary Daly, a escritora Andrea Dworkin e seu marido e o também escritor John Stoltenberg.

Obras[editar | editar código-fonte]

  1. Sexual Correctness: The Gender-Feminist Attack on Women (2001).
  2. The Reasonable Woman: A Guide to Intellectual Survival (1998).
  3. Liberty for Women: Freedom and Feminism in the 21st Century (2002).
  4. Xxx: A Woman's Right to Pornography (1997).
  5. Queen Silver: The Godless Girl (1999).
  6. The Debates of Liberty : An Overview of Individualist Anarchism, 1881-1908 (2002).
  7. Individualist Feminism of the Nineteenth Century: Collected Writings and Biographical Profiles (2001).
  8. Neither Bullets nor Ballots: Essays on Voluntaryism (1983).
  9. Freedom, Feminism and the State (1983).

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