2060 Quíron

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Quíron Chiron symbol.svg
Número 2060
Data da descoberta 18 de outubro de 1977
Categoria Centauro,[1] asteroide/cometa
Elementos orbitais[2]
Perélio 8,5114 UA
Afélio 18,891 UA
Excentricidade 0,37911
Período orbital 18 539 d (50,76 a)
Velocidade orbital 7,75 km/s
Inclinação 6,9311º
Características físicas
Dimensões 233 ± 14 km[3]
132–152[4] km
Massa ≈1 × 1019 kg
Densidade média  ? g/cm3
Gravidade à superfície 0,037–0,040 m/s2
Velocidade de escape 0,070–0,075 km/s
Período de rotação 0,2466[2] d
Classe espectral B,Cb[2]
Magnitude absoluta 6,5[2]
Albedo 0,075 ± 0.01[3]

0,11 ± 0,02 [4]

Temperatura -198,15 ºC

2060 Quíron[5][6] é um corpo menor do Sistema Solar externo. Foi descoberto em 1977 por Charles T. Kowal (em imagens precovery o objeto foi identificado e o seu movimento aparente possível de ser acompanhado recuando até 1895).[7]

Embora Quíron tenha sido originalmente classificado como um asteroide, descobriu-se que possui um comportamento típico de cometas. Foi o primeiro membro conhecido de uma classe de objetos actualmente denominados centauros, que têm órbitas entre Saturno e Úrano e que partilham características com asteroides e cometas. Por essa razão, alguns destes corpos possuem uma designação oficial de asteroide e outra relativa aos cometas; no caso de Quíron, 2060 Quíron e 95P/Quíron, respectivamente. O nome próprio associado à sua designação oficial refere-se ao centauro Quíron da mitologia grega e foi mais tarde sugerido que nomes de centauros mitológicos passassem a ser atribuídos exclusivamente a objetos desta classe.[8]

Mike Brown lista esse objeto em seu site como um possível planeta anão com um diâmetro medido de 206 quilômetros.[9] Outros centauros com diâmetros medidos listados como possíveis planetas anões incluem 10199 Chariklo e 65489 Ceto.[9]

Descoberta e nomeação[editar | editar código-fonte]

Quando Quíron foi descoberto, em 18 de outubro de 1977, por Charles T. Kowal a partir de imagens tiradas duas semanas antes no Observatório Palomar, encontrava-se perto do seu afélio e tornou-se no asteroide mais distante conhecido,[8][10] chegando a ser considerado, pela imprensa da época, o décimo planeta do Sistema Solar.[11] Recebeu a designação temporária 1977UB[10] e, depois de ter sido identificado em diversas imagens mais antigas - foi possível, através do método precovery, acompanhar a sua posição até 1895 - a sua órbita foi determinada com precisão.[8] Apesar de ter atingido o afélio em 1945, não havia sido descoberto por nessa altura não existirem pesquisas dedicadas a procurar asteroides, nem os modernos métodos usados para detectar, de forma automática, objetos que se movem tão lentamente na esfera celeste.

Características físicas[editar | editar código-fonte]

O espectro visível e de infravermelho próximo de Quíron é neutro,[10] e similar ao dos asteroides tipo C e ao núcleo do cometa Halley.[12]

O tamanho estimado de um objeto desta natureza depende da sua magnitude absoluta e do seu albedo. Em 1984 Lebofsky calculou o diâmetro de Quíron em 180 km[4] mas estimativas da década de 1990 sugeriram um diâmetro próximo de 150 km.[2][4] Dados da ocultação de um asteroide em 1993 pareciam confirmar os estudos de Lebofsky[4] mas em 2007, a partir de registos efectuados com o Telescópio Espacial Spitzer calculou-se que o diâmetro de Quíron se aproxime de 233 ± 14 km, pelo que pode ser maior que 10199 Chariklo.[3]

O período de rotação de Quíron é de 5,917813 horas, um valor determinado observando sua curva de luz.[10]

Comportamento cometário[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1988, a 12 UA do Sol, o seu brilho aumentou em 75%,[13] uma característica típica dos cometas, mas não de asteroides. Outras observações em abril de 1989 mostraram que desenvolveu uma coma,[13] e uma cauda foi detectada em 1993.[10] Quíron difere dos outros cometas pelo fato de a água não ser um dos principais componentes da sua coma, por se encontrar demasiado longe do Sol para a água sublimar.[12]

Órbita[editar | editar código-fonte]

Órbita de Quíron comparada com as órbitas de Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.

A órbita de Quíron é bastante excêntrica (0.37), atingindo o periélio numa área interior à de Saturno e afélio no limite interior à de Úrano. Não chega a ser afectado por este último, visto que se aproxima da órbita de Úrano quando o planeta se apresenta na metade oposta da sua trajectória à volta do Sol, mas sofre interacções ocasionais com Saturno quando passa mais próximo deste.

Tal como Quíron, pensa-se que a maioria dos centauros é originária da Cintura de Kuiper; possuem órbitas instáveis, sendo afectados pela gravidade dos gigantes gasosos do Sistema Solar exterior, pelo que a previsão das suas órbitas num futuro distante apresenta incertezas, podendo mudar radicalmente de posição, serem capturados pelos planetas exteriores, colidirem com estes ou com o Sol, ou chegarem até a ser lançados para fora do Sistema Solar.[14]

Referências

  1. Marc W. Buie (18 de agosto de 2007). «Orbit Fit and Astrometric record for 2060». SwRI (Space Science Department). Consultado em 13 de outubro de 2008 
  2. a b c d e «JPL Small-Body Database Browser: 2060 Chiron (1977 UB)». 28 de novembro de 2008. Consultado em 15 de março de 2009 
  3. a b c John Stansberry, Will Grundy, Mike Brown, Dale Cruikshank, John Spencer, David Trilling, Jean-Luc Margot (2007). «Physical Properties of Kuiper Belt and Centaur Objects: Constraints from Spitzer Space Telescope». University of Arizona, Lowell Observatory, California Institute of Technology, NASA Ames Research Center, Southwest Research Institute, Cornell University. Consultado em 18 de outubro de 2008 
  4. a b c d e Groussin (janeiro de 2004). «Properties of the nuclei of Centaurs Chiron and Chariklo». Astronomy and Astrophysics, v.413, p.1163–1175 (2004). Consultado em 18 de outubro de 2007 
  5. Jean-Pierre Penot, Philippe de la Cotardière, Santos Tavares, José Augusto Matos (2003). Dicionário de Astronomia e do Espaço. 1. vide verbete «Quíron» 1ª ed. [S.l.]: Didáctica Editora. p. 377. 512 páginas. ISBN 978-9726506188 
  6. Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (1987). Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. vide verbete «Quíron». Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. p. 664 
  7. Grayzeck, Ed (11 de dezembro de 2003). «The Chiron Perihelion Campaign». NASA Goddard Space Flight Center. Consultado em 18 de outubro de 2007 
  8. a b c Kowal, C. T.; Liller, W.; Marsden, B.G. (1979). «The Discovery and Orbit of (2060) Chiron». Tokyo: Reidel Publishing Co. Dynamics of the solar system; Proceedings of the Symposium, Tokyo, Japan, May 23–26, 1978.: 245–250. Bibcode:1979IAUS...81..245K 
  9. a b «How many dwarf planets are there in the outer solar system? (updates daily)» (em inglês). Consultado em 30 de dezembro de 2014 
  10. a b c d e Campins, H.; Telesco, C. M.; Osip, D. J.; Rieke, G. H.; Rieke, M. J.; Schulz, B. (dezembro de 1994). «The Color Temperature of (2060) Chiron: A Warm and Small Nucleus». The Astronomical Journal. 108 (6): 2318–2322. Bibcode:1994AJ....108.2318C. doi:10.1086/117244. Consultado em 15 de março de 2009 
  11. Collander-Brown, S.; Maran, M.; Williams, I.P. (2000). «The effect on the Edgeworth-Kuiper Belt of a large distant tenth planet». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 318 (1): 101–108. doi:10.1046/j.1365-8711.2000.t01-1-03640.x. Consultado em 22 de fevereiro de 2010 
  12. a b Luu, Jane X.; Jewitt, David C. (setembro de 1990). «Cometary activity in 2060 Chiron». The Astronomical Journal. 100: 913–932. Bibcode:1990AJ....100..913L. doi:10.1086/115571. Consultado em 15 de março de 2009 
  13. a b Ken Croswell (Harvard University) (25 de agosto de 1990). «The changing face of Chiron». New Scientist issue 1731. Consultado em 13 de outubro de 2008 
  14. Jewitt, David C.; A. Delsanti (2006). «6». The Solar System Beyond The Planets (em inglês). [S.l.]: Springer-Praxis Ed. p. 21. ISBN 3-540-26056-0  (Versão pré-impressa (pdf))