Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

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Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
Nascimento 25 de maio de 1935
Rio de Janeiro
Morte 25 de julho de 2014 (79 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade  Brasileiro
Prêmios Prêmio José Reis de Divulgação Científica (1978/79)
Causa da morte Natural
Campo(s) Astronomia

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (Rio de Janeiro, 25 de maio de 1935 — Rio de Janeiro, 25 de julho de 2014) foi um astrônomo brasileiro.

Fundador do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), na cidade do Rio de Janeiro, pesquisador e sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IGHB). No Observatório Nacional, descobriu uma série de asteroides.

Carreira acadêmica[editar | editar código-fonte]

Publicou os primeiros artigos de divulgação científica na revista Ciência Popular em 1952. Entrou, em 1956, para Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ), onde obteve, em 1960, os títulos de Bacharel e Licenciado em Física pela Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras. Em 1967, recebeu o título de doutor pela Universidade de Paris, na França, com menção "Très Honorables". Seus estudos se concentraram nas estrelas duplas e em corpos distantes do Sistema Solar.[1]

Na década de 1970, foi convidado pelo Projeto Minerva para produzir a série "O Céu do Brasil". Entre novembro de 1978 e junho de 1979, foram ao ar, no rádio, trinta programas com roteiros escritos por Mourão e gravados com a locução do jornalista Eliakim Araújo e outros locutores não identificados. Estes programas foram organizados e se encontram disponíveis on-line.[2]

De 1975 e 1986, Mourão elaborou todos os verbetes sobre astronomia e astronáutica do Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda.[1]

Em março de 1997, foi eleito membro correspondente da Sociedade Geográfica de Lisboa. No dia 6 de novembro desse ano foi agraciado com a Medalha Tiradentes, por sugestão do Deputado Estadual Luiz Carlos Machado, da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. No mesmo mês, foi eleito sócio honorário do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.

Em 26 de julho de 1998, foi nomeado membro da Comissão Cruls, criado pelo decreto n.º 19.348 do Governo do Distrito Federal, quando foi agraciado com a medalha Luis Cruls.

Em 16 de março de 1999, tomou posse na Academia Luso-Brasileira de Letras, na cadeira n.º 38 que tem como patrono Gregório de Matos. Em junho desse ano também foi eleito membro da Academia Brasileira de Filosofia, na cadeira n.º 41 que tem como patrono Roberto Marinho de Azevedo.

Participou, de 8 a 12 de fevereiro de 2000, do III Encontro Luso-brasileiro da História da Matemática, em Coimbra. No período de 22 a 26 de maio de 2000, ministrou no Congresso Internacional Encontros e Desencontros de Culturas, realizado em Sobral, Ceará, um mini-curso: "500 anos de Ciência no Brasil".

Em 5 de junho de 2000, foi agraciado com o Prêmio Cultural: Medalha Austregésilo de Athayde do Lions Club.

Em 19 de abril de 2001, ganhou o Prêmio Jabuti 2001 na categoria de Ensaios com o livro Astronomia na época dos descobrimentos da Lacerda Editores.

Em 15 de junho de 2001, foi agraciada pelo Governador Francisco de Assis de Moraes Souza com o título de Grande Oficial da Ordem Estadual do Mérito Renascença do Piauí, a mais alta condecoração do Estado do Piauí.

Em 4 de julho de 2001, foi eleito membro titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Em 23 de outubro de 2001, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura, na cadeira n.º 16 que tem como patrono Fagundes Varela. Um semana depois, tomou posse na Academia Carioca de Letras, na cadeira nº 14, que tem como patrono Pedro II.

Em 31 de março de 2003, foi homenageado pela Câmara Municipal de Curitiba com o título Voto de Louvor pelos relevantes serviços prestados à comunidade na área da astronomia por sugestão do Vereador Jorge Bernardi.

Em 25 de maio de 2005, recebeu o título “Suprema Honra ao Mérito” da Universidade Soka, Tóquio, em reconhecimento "aos notáveis empreendimentos realizados, em prol da ciência, educação e do bem estar da humanidade, do verdadeiro testemunho de uma vida exemplar dedicada às causas públicas e humanitárias". No dia seguinte recebeu o Prêmio de Cultura e Paz da SGI – Soka Gakkai International, Tóquio, "em reconhecimento pela sua grande contribuição a realização de uma paz duradoura e a promoção da cultura baseado nos nobres ideais do humanismo".

Mourão se tornou conhecido como um dos maiores céticos em relação à Ufologia [3], tendo manifestado essa sua opinião inclusive no programa de TV Linha Direta[4] em agosto de 2006. Por outro lado, o astrônomo foi um grande entusiasta e participante do Projeto SETI[5].

Morreu no dia 25 de julho de 2014, aos 79 anos, vitimado por um acidente vascular cerebral hemorrágico. Ele estava internado no Hospital Quinta D'or, em São Cristóvão, desde o dia 19 de Julho de 2014 com pneumonia.[6]


Carreira política[editar | editar código-fonte]

Mourão também se aventurou na carreira política, tendo se filiado ao PSDC nos anos 90, partido pelo qual concorreu ao cargo de deputado. Em 2002, se candidatou a deputado federal pelo PMDB, conseguindo somente 9 votos [7]. Em 2006, foi novamente candidato, dessa vez pelo PDT, onde obteve 692 votos,[8], ainda assim longe do suficiente para conseguir a eleição.

Principais contribuições científicas[editar | editar código-fonte]

Mourão publicou seus primeiros artigos de divulgação científica na revista Ciência Popular, em 1952. Desde entào, possui quase cem livros publicados e mais de mil ensaios publicados em livros, revistas e jornais. Suas principais contribuições científicas foram:

  • 1956- Observações de Marte durante a oposição de 1956 no ON;
  • 1961- Apresentação de um trabalho sobre Estrelas Duplas Visuais no Simpósio da IAU de 11/12 de agosto em Berkeley, EUA;
  • 1962- Apresentação em julho de 1962 na Assembléia Geral da IAU, trabalho sobre a periodicidade das faixas do planeta Júpiter e a transparência dos anéis de Saturno, que mereceu elogios dos renomados astrônomos A. Dollfus de Paris E V. Moroz da Academia de Ciências de Moscou;
  • 1964- Apresentou um trabalho no “Colloque d’ Calcul Numérique e Mathématique Appliqué de Sille, estabelecendo novas relações a serem utilizadas na aplicação do método de Thiele-Innes;
  • 1966- Apresentação de um trabalho sobre novo método de cálculo de órbitas circulares de estrelas duplas visuais no Colloque d’ Calcul Numérique e Mathématique Appliqué de Rouen;
  • 1968- Foi indicado pela Dra. Barbara Middlehurst, da Smithsonian Institution como Coordenador no Brasil do Programa LION (Lunar International Observers Network) para colaborar com observações lunares no Projeto Apollo da NASA-JPL. Envolvendo 23 profissionais e amadores o Programa foi um sucesso e muito elogiado pelos participantes;
  • 1969- Constatação da existência de um companheiro invisível da estrela dupla Aitken 14 que foi confirmada pelo astrônomo Baize do Observatório de Paris. Na ocasião, Mourão levantou a hipótese de que poderia ser um novo sistema solar;
  • 1971- Em junho apresentou dois trabalhos na reunião anual da SBPC em Curitiba, PR, sobre estrelas duplas visuais;
  • 1972- Neste ano de 3 a 7 de abril, participou do Colloque nº 18 da IAU sobre Asteroides, Cometas e Matéria Meteorítica em Nice, França, ocasião em que apresentou um trabalho sobre os efeitos dos erros de medidas no método das dependências utilizado em astrometria fotográfica;
  • 1974- Participou neste ano do Colloque nº 33 da IAU em em Oaxtepec, México, onde apresentou duas comunicações sobre os sistemas múltiplos Hussey 1339 e Córdoba 197;
  • 1980- Em seu estágio no Observatório em La Silla, Chile, Mourão descobriu nada menos que 72 novos asteroides. Seu nome está imortalizado no asteroide nº 2590 descoberto em 22 de maio de 1980 pelo astrônomo belga H. Debehogne.

Prêmios e honrarias[editar | editar código-fonte]

Comentários de algumas de suas obras[editar | editar código-fonte]

  1. Carta Celeste do Brasil - Editora Francisco Alves. Trata-se de um planisfério celeste que cobre as principais latitudes do Brasil. Com ele é possível observar as posições das principais constelações em qualquer hora e época do ano.
  2. Atlas Celeste- Editora Vozes, 1981. Um manual que descreve as principais constelações, considerações sobre estrelas duplas e variáveis, nome das principais estrelas, e objetos celeste observáveis ao longo do ano. Uma obra imprescindível a todo aquele que se dedica ao estudo da Astronomia.
  3. Da Terra às Galáxias, Editora Vozes, 1982. Um tratado simples e ao alcance de todos de uma Introdução à Astrofísica. Ronaldo Mourão introduz o leitor num mundo fascinante e cheio de surpresas e encantamento, guiando pelo mundo mágico da astronomia.
  4. O Universo Inflacionário, Editora Francisco Alves, 1983. Este livro é uma coletânea das colunas publicadas no Jornal do Brasil, e trata de assuntos que vão do limite do Universo ao Big Bang. Faz especulações sobre o Universo aberto ou fechado, e muitos outros tópicos que até hoje estão sem resposta.
  5. Astronomia e Astronáutica, Editora Francisco Alves,2a Ed. A História da Astronáutica e a grande aventura da humanidade pelo espaço. Desde o lançamento da primeira sonda Sputnik ao Projeto Apollo. Aborda tópicos sobre os planêtas e as possibilidades de vida fora da Terra. Um livro interessante, tanto do ponto de vista do autor, como dos grandes avanços do homem.
  6. Em Busca de Outros Mundos, Francisco Alves, 1982. O grande apelo popular as Astronomia deve-se em grande parte à curiosidade que o homem experimenta em relação ao desconhecido. Ronaldo aborda os aspectos políticos que envolvem as pesquisas e os projetos de exploração do espaço.
  7. Universo- As Inteligências Extraterrestres, Editora Francisco Alves,1982. As colunas publicadas no Jornal do Brasil, ao longo dos anos, foram cuidadosamente selecionadas e transcritas para este livro. É relatado desde supostos Objetos Voadores não Identificados, comportamento de animais frente à terremotos ao retorno do Laboratório Skylab à atmosfera terrestre.
  8. Buracos Negros - Universos em Colapso, Editora Vozes, 1981. Em uma abordagem popular, Ronaldo Rogério tenta explicar a evolução estelar frente às descobertas recentes da época. Este livro é uma tentativa de explicar o que até hoje é um enigma. Serão os buracos negros e buracos de minhoca uma passagem entre universos?
  9. Anuário de Astronomia, Editora Bertrand Brasil, 2002. Este era um livro precioso para os Astrônomos Amadores. Muito embora o Observatório Nacional lançava anualmente o Anuário Astronômico, dedicado mais aos pesquisadores do que o público leigo, Ronaldo Rogério resolveu editar o Anuário Astronômico, que descrevia todos os principais fenômenos que iriam ocorrer durante o ano, desde eclipses solares e lunares até ocultação dos satélites de Júpiter, ou passagem de cometas periódicos.
  10. Astronáutica, do sonho à realidade, História de Conquista Espacial, Editora Bertrand Brasil, 1999. Como começou o sonho da conquista espacial? Qual a verdadeira história desta grande aventura? Muitos dos jovens da atualidade, que nasceram pós-descida do homem à Lua, desconhecem como foi a grande aventura. São quase 700 páginas de Histórias reais da Astronáutica, e segundo os críticos, um dos títulos mais completos já publicados no Brasil.
  11. Manual do Astrônomo, Editora Jorge Zahar, 1995. Uma introdução à astronomia observacional e a à construção de telescópios. É um livro fantástico que orienta os amadores na realização das observações e o que observar desde sem instrumento algum, até a possibilidade de construção de um telescópio.
  12. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Editora Nova Fronteira,1995. É o maior compêndio de verbetes de astronomia e astronáutica publicado no Brasil. Organizado em ordem alfabética,em quase 1000 páginas, abrange desde verbetes simples aos mais complexos.
  13. O que é ser Astrônomo, Editora Record, 2004. Memórias do autor em que além das experiências pessoais, ele relata o mundo secreto dos pesquisadores, onde nem sempre reina a paz e colaboração, mas a vaidade também é uma característica dos cientistas, afinal eles também são humanos.
  14. Astronomia a Budismo, Editora Brasil Seikyo, 2010. Esta é uma das últimas publicações de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão. Publicado a partir de diálogos entre Ronaldo Rogério e Daisaku Ikeda. Cientista e outro Budista, fornecem diferentes visões de um mesmo assunto: o Universo.

Referências

  1. a b c folha.uol.com.br/ Astrônomo Ronaldo Mourão morre aos 79 anos no Rio
  2. [1]
  3. http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=3996
  4. http://ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&offset=2520&id=1424
  5. Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, 16 de outubro de 2002
  6. diarioonline.com.br/ Morre no Rio o astrônomo Ronaldo Mourão
  7. http://noticias.terra.com.br/eleicoes/apuracao/1turno/6/RJ/58289.htm
  8. http://eleicoes.folha.uol.com.br/folha/especial/2006/eleicoes/rj1df-6.html
  9. odia.ig.com.br/ Morre o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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