Angela Schanelec

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Angela Schanelec
Angela Schanelec na exibição de Eu estava em casa, mas na Berlinale de 2019.
Nascimento 14 de fevereiro de 1962 (58 anos)
Aelen, Baden-Württemberg, Alemanha
Nacionalidade  Alemanha
Educação Universidade de Frankfurt de Música e Artes Cênicas (HfMDK) Academia de Cinema e Televisão de Berlim (dffb)
Ocupação Diretora, roteirista, atriz, produtora, montadora
Cônjuge Jürgen Gosch (? - 2009)
Filho(s) 2
Festival de Berlim
2019 - Urso de Prata de Melhor Diretora
Outros prêmios
2019 - Ástor de Prata de Melhor Diretora
Indicações
1998 - Un Certain Regard
2004 - Un Certain Regard
2016 - Leopardo de Ouro
Página oficial

Angela Schanelec (14 de fevereiro de 1962) é uma diretora, roteirista e atriz alemã. Associada à Escola de Berlim, seus filmes retratam a Alemanha contemporânea, depois de sua reunificação. Seus filmes Plätze in Städten[1] e Marselha[2] foram exibidos na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes. Em 2019, no 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim recebeu o Urso de Prata pela direção de Eu estava em casa, mas[3].

Desde a queda do Muro, é constante tanto em obras literárias, quanto cinematográficas alemãs que a ausência, o isolamento ou os problemas de comunicação persigam a trama principal como um fantasma[4]. A partir de uma observação concisa, Schanelec transporta a seus filmes a fragilidade do contemporâneo. Há em seus filmes a inconstância e a solidão, assim as personagens aparecem em trânsito lento, perdidas. É nesse vazio e nesse constante desconforto que moldam seu comportamento.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Entre os anos de 1982 a 1984, estudou teatro na Universidade de Frankfurt de Música e Artes Cênicas (HfMDK). De 1984 a 1991, esteve vinculada ao Schauspielhaus Köln do Teatro Thalia, de Hamburgo.

Entre 1990 e 1995, estudou direção cinematográfica na Academia de Cinema e Televisão de Berlim (dffb). Durante seus estudos na dffb conheceu Christian Petzold e Thomas Arslan e foi aluna dos "mestres do documentário e filme-ensaio Harun Farocki e Hartmut Bitomsky, que eram professores na instituição[5]. Seu filme Das Glück meiner Schwester foi seu trabalho de conclusão[6].

Atualmente é professora de Narrativa Cinematográfica na Universidade de Belas Artes de Hamburgo[7].

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Filmes[editar | editar código-fonte]

Ano Filme Diretora Roteirista Atriz Outras
1994 Ich bin den Sommer über in Berlin geblieben (I stay in Berlin all summer) Sim Nadine
1995 Das Glück meiner Schwester (My sister's good fortune) Isabel Montadora
1998 Plätze in Städten (Places in Cities) Não Montadora
2001 Mein langsames Leben (A minha vida lenta) Ex-esposa de Thomas Montadora
2004 Marseille (Marselha) Não
2007 Nachmittag (Uma tarde qualquer) Irene Produtora
2010 Orly Não
2016 Der traumhafte Weg (O caminho dos sonhos) Não Montadora
2019 Ich war zuhause, aber (Eu estava em casa, mas) Não Produtora e Montadora
TBA Music[8]

Curtas[editar | editar código-fonte]

Em diálogo com O Desprezo, do Godard, Schöne gelbe Farbe, seu segundo curta-metragem, sobrepõe a história de seu insuportável colega de moradia com imagens do apartamento vazio e uma narração que se estendem até a porta fechar como o disparo de um tiro. Em preto-e-branco, Weit entfernt retrata uma conversa telefônica, em que uma amiga desabafa a outra sobre seu sentimento de solidão, afastada das pessoas que ama, deseja apenas uma vez mais ter contato com seus amados. Com excertos dum ensaio de Bohumil Hrabal, Prag, März 92 inicia com um grito: "existe apenas um tempo oficial/there is only one’s own time" enquanto acompanha as ruas vazias de Praga logo após a queda da União Soviética. Ich bin den Sommer über in Berlin geblieben acompanha um casal com dificuldades de confiança e um editor que demanda de uma escritora "mais disposição e abertura para ser compreendida/more willingness to make himself understood"[9].

  • Weit entfernt (1991, 9 min)
  • Schöne gelbe Farbe, Beautiful yellow color (1991, 5 min)
  • Prag, März 92, Prague March '92 (1992, 15 min)
  • Über das Entgegenkommen (1992, 4 min)

Linguagem[editar | editar código-fonte]

O amadurecimento da trama de Schanelec acontece conforme suas estruturas cinematográficas diluem e escondem causas e motivações para os momentos de existência capturados. Fazendo com que a mera palavra dita sirva como aproximação fragmentária de acontecimentos omissos e não recriados pela narração cinematográfica. É assim em Plätze in Städten que sem construir um retrato psicológico ou social da protagonista do filme, Mimi, compõe apenas na parcela final do filme um resíduo de enredo[10].

E ainda em A minha vida lenta onde a justaposição de diálogos, com a constante entrada e saída de personagens em diferentes espaços, ocasiona a perda de referências narrativas. E é através da montagem e da orquestração dessas vozes desacordadas que mesmo assim o filme se ramifica e constrói um retrato de um grupo de pessoas. Assim, é através de enquadramentos e de uma montagem que esconde tanto quanto revela, que seus filmes atingem uma tensão propriamente cinematográfica feita de um suspense não narrativo, que decorre do próprio processo perceptivo, retendo coisas que gostaríamos de ver ou saber nos deixando presos entre a expectativa e a frustração[10].

Desenhando um cinema que oscila entre uma presença saturada da palavra e um mutismo dos personagens, as palavras são observadas na sua opacidade, tal como os corpos e microações das personagens, através de longas cenas dialogadas. Essa oscilação entre a abundância de informação linguística e a ausência de mudanças visuais reflete num trabalho de experimentação sobre as possibilidades de desdramatização da narrativa cinematográfica e das suas estruturas convencionais[10].

Crítica[editar | editar código-fonte]

No lançamento de seu oitavo filme, O caminho dos sonhos, Patrick Holzapfel, do Cineuropa escreve que Angela Schanelec observa as nuances do cotidiano e a pressão do tempo em movimentos episódicos. Regularmente, em seus filmes, passamos um tempo com um grupos de pessoas: em Uma tarde qualquer, inspirada e baseada na peça de Tchekhov, A gaivota, passamos uma tarde com uma família entre seu lago e sua casa; enquanto em Orly, observamos uma série de personagens à espera de seu avião no aeroporto de Orly. A esse tipo de dramaturgia, o cineasta Thom Andersen classificou como 'filmes de passeio e companhia/hanging-out films', porém o proposto por Schanelec não se enquadra ao aconchego e relaxamento. Ao oposto, seus personagens vasculham suas incertezas e dúvidas e o tempo gasto pela diretora nesse modelo de personagem abre a oportunidade de descobrirmos uma esfera pouco vista do cotidiano. A sua direção e roteiro, acrescidas à fotografia de Reinhold Vorschneider, enviam o público a locais onde aparentemente nada acontece e a partir daí, revelam pequenas feridas que eles coletaram por toda uma vida[11].

Na retrospectiva sobre o trabalho da diretora alemã, Laura Davis, do British Film Institute, diz que os filmes de Schanelec são construídos envolta de um texto composto de fissuras que permitem as múltiplas interpretações e especulações do público. A recusa da diretora em comentar e conceder interpretações sólidas sobre seu trabalho faz com que seu estilo seja difícil de ser copiado. Assim, nos seus filmes, a tensão fala mais alto que a história[12].

Como ocorre em todos os filmes de Schanelec, a “ação” real não está no enredo, mas sim em seus modos de representação cinematográfica. Rostos e paisagens urbanas são apresentados em composições luminosas e com tomadas sutilmente enquadradas que deliberadamente ocultam na mesma medida em que revelam[5].

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Filme Categoria Prêmio Ano Situação
Das Glück meiner Schwester Melhor Filme Associação Alemã de Críticos de Cinema (Preis der deutschen Filmkritik)[13] 1996 Vencedor
Plätze in Städten Melhor Filme Un certain Regard em Cannes[1] 1998 Indicado
Marselha Melhor Roteiro Associação Alemã de Críticos de Cinema (Preis der deutschen Filmkritik)[14] 2004 Vencedor
Melhor Filme Un certain Regard em Cannes[2] Indicado
Orly Melhor Filme Festival de Cinema Alemão em Ludwigshafen (Filmkunstpreis)[15] 2010 Vencedor
O caminho dos Sonhos Melhor Filme Leopardo de Ouro no Festival de Locarno[16] 2016 Indicado
Melhor Filme Associação Alemã de Críticos de Cinema (Preis der deutschen Filmkritik)[17] 2018
Eu estava em casa, mas Melhor Filme Prêmio Zabaltegi-Tabakalera no Festival de San Sebastián[18] 2019 Vencedor
Melhor Filme Prêmio Masters do Festival de Toronto (tiff)[19] Indicado
Melhor Filme Associação Alemã de Críticos de Cinema (Preis der deutschen Filmkritik)
Melhor Roteiro
Melhor Edição
Melhor Filme Urso de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Berlim
Melhor Direção Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema de Berlim[3] Vencedor
Melhor Filme Prêmio Ástor de Ouro no Festival Mar del Plata Indicado
Melhor Direção Prêmio Ástor de Prata no Festival Mar del Plata[20] Vencedor

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Platze in staden, Un certain regard». Consultado em 9 de agosto de 2020 
  2. a b «Marseille, Un certain regard». Consultado em 9 de agosto de 2020 
  3. a b «Despedida, controvérsias e alguns filmes dignos de Ursos». @GI_weltweit. Consultado em 9 de agosto de 2020 
  4. Dornbusch, Claudia S. (2011). «1989 e as consequências: as representações da ausência no cinema pós-muro». Pandaemonium Germanicum (17): 25–49. ISSN 1982-8837. doi:10.1590/S1982-88372011000100003. Consultado em 9 de agosto de 2020 
  5. a b Knörer, Ekkehard (2013). «Dias luminosos: notas sobre o novo cinema alemão». Escola de Berlim (PDF). Rio de Janeiro: [s.n.] p. 25 
  6. «HFBK: Angela Schanelec». hfbk-hamburg.de. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  7. «HFBK: Angela Schanelec». hfbk-hamburg.de. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  8. «Angela Schanelec's Music and 11 other projects receive FFA support». Cineuropa - the best of european cinema (em inglês). Consultado em 9 de agosto de 2020 
  9. «I STAYED IN BERLIN ALL SUMMER». FIDMarseille (em inglês). Consultado em 12 de agosto de 2020 
  10. a b c Duarte, Susana (2013). Saturação e rarefação da palavra no cinema de Angela Schanelec (PDF). Rio de Janeiro: [s.n.] 
  11. Holzapfel, Patrick (4 de outubro de 2018). «Angela Schanelec, director: "To understand a film means committing yourself to a process that leads beyond it"». Cineuropa. Consultado em 12 de agosto de 2020 
  12. Davis, Laura (18 de fevereiro de 2019). «Where to begin with Angela Schanelec». British Film Institute 
  13. Das Glück meiner Schwester - IMDb, consultado em 10 de agosto de 2020 
  14. «Angela Schanelec | Viennale». www.viennale.at (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2020 
  15. «Orly takes off at Ludwigshafen». Cineuropa - the best of european cinema (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2020 
  16. «A fresh new wind blows towards the Locarno Film Festival». Cineuropa - the best of european cinema (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2020 
  17. «Nominierungen für den Preis der deutschen Filmkritik 2017 stehen fest». Verband der deutschen Filmkritik e.V. (em alemão). 12 de janeiro de 2018. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  18. «Brazil's Pacified takes home the Golden Shell from San Sebastián». Cineuropa - the best of european cinema (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2020 
  19. «Toronto announces its Contemporary World Cinema selection». Cineuropa - the best of european cinema (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2020 
  20. Festival, Mar del Plata International Film. «34th Mar del Plata International Film Festival». www.mardelplatafilmfest.com (em inglês). Consultado em 10 de agosto de 2020 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

Reportagens[editar | editar código-fonte]

Entrevistas[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]