Augustus Earle

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Augustus Earle (Londres, 1793 — Londres, 10 de dezembro de 1838) foi um pintor e desenhista inglês especializado em paisagens, cenas de gênero e retratos. Filho do pintor norte-americano James Earl que modificou o sobrenome do filho para Earle.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Em 1807 iniciou seus estudos na Royal Academy de Londres onde teve como colegas Turner e Charles Landseer.

Primeira passagem pelo Brasil[editar | editar código-fonte]

Expôs algumas vezes em Londres antes de partir, em 1815, para uma demorada viagem pelo Mediterrâneo até Gibraltar. Visitou a Sicília, a ilha de Malta, a Tunísia e a Líbia. Voltou em 1817 para, logo no ano seguinte, empreender mais e maiores viagens pelo mundo em satisfação ao seu espírito curioso e aventureiro. Começou pelos Estados Unidos, onde expos seus trabalhos na Pennsylvania Academy of Fine Arts. Em 1820 já estava no Rio de Janeiro em sua primeira permanência na cidade, que teve a duração de dois meses.

Segunda passagem pelo Brasil[editar | editar código-fonte]

Seguiu sua viagem visitando o Chile e o Peru. Porém, no ano seguinte retornou ao Rio de Janeiro onde permaneceu até 1824. Durante essa estada, conheceu e tornou-se amigo ("a close friend", segundo Ana M. Belluzzo) da escritora e artista Maria Graham a quem presenteou com três ilustrações destinadas para o livro que ela estava escrevendo - Journal of a Voyage to Brazil.

Produziu várias aquarelas durante esse período, muitas ligadas à escravidão e aos costumes dos brasileiros: Punição de negros no Calabouço, Cena de fandango de negros-Campo de Santana, Brincadeiras (games) durante o Carnaval e uma curiosa e engraçadíssima aquarela intitulada Extração de bicho-de-pé (Extracting a jigger). Pintou, ainda, paisagens (Coqueiro, Vista da baía do Rio de Janeiro, Vista dos arredores do Rio de Janeiro) e uma série de retratos, destacando-se Rita, uma célebre beleza negra no Rio de Janeiro.

Em Tristão da Cunha[editar | editar código-fonte]

Após três anos de permanência na capital do Império, Earle partiu em direção à África do Sul e Índia a bordo de um velho veleiro, o Duke of Gloucester. Fortes tempestades em alto-mar obrigaram o navio a procurar abrigo em Tristão da Cunha. Curioso por explorar aquela ilha tão remota perdida no Atlântico, Augustus Earle desceu à terra acompanhado de seu cãozinho brasileiro e de um tripulante chamado Thomas Gooch. Após três dias, enquanto os dois homens percorriam a ilha à procura de seus locais mais pitorescos, o velho barco, inexplicavalmente, levantou velas deixando o passageiro, o tripulante e o cão abandonados no meio do oceano.

Tristão da Cunha contava com apenas seis habitantes adultos e Earle precisou morar entre eles, ocupando uma precária cabana à espera de resgate. Enquanto isso, pintava aquarelas, ensinava as crianças e redigia suas anotações de viagem. O nosso aventureiro teve que aguardar oito longos meses até que por ali passasse outro barco para retirá-lo daquele pedaço de terra perdido no meio do oceano. Embarcou no primeiro navio que ali aportou e cujo destino era a cidade de Hobart na Tasmânia que, na época, ainda tinha o nome de Terra de Van Diemen.

Na Oceania[editar | editar código-fonte]

Chegando na Tasmânia no final do ano de 1824, Earle permaneceu na Oceania até 1828, percorrendo vários pontos da Austrália e da Nova Zelândia. Em todos os lugares em que esteve documentou paisagens, costumes e personalidades através de inúmeros óleos e aquarelas, hoje verdadeiras preciosidades para os estudiosos do início da colonização daquele longinquo continente.

Deixando para trás a Austrália, os seus degredados, aborígenes, animais exóticos e a maior parte de sua produção artística, inclusive o melhor do que pintou ou desenhou no Brasil, hoje esquecidos nos escaninhos de museus e bibliotecas públicas das principais cidades australianas, Earle finalmente chegou à Índia ainda em meados de 1828. No caminho para Madras fez escalas em Guam, Carolinas, Filipinas e Cingapura, sempre colocando no papel, através do seu pincel privilegiado, as cenas pitorescas de tais paragens.

Não foi feliz na Índia, pois no ano seguinte à sua chegada, acometido de uma febre ou doença tropical semelhante, foi obrigado a retornar à Inglaterra.

No Brasil pela terceira vez[editar | editar código-fonte]

Em 1831, o comandante Robert FitzRoy preparava seu navio, o HMS Beagle, para mais uma viagem de pesquisas hidrográficas, topográficas e científicas. Ao compor seu corpo de auxiliares, procurou um naturalista e um artista plástico. Quanto a este foi facil conseguir a adesão de Augustus Earle, sempre sedento por aventuras e por conhecer lugares exóticos.

Em relação ao especialista em ciências naturais a busca de FitzRoy não foi tão facil. Os cientista mais renomados não se dispunham a passar anos no mar em pesquisas. Por ser um aristocrata de conceituada família e por ter muitas e importantes amizades na alta sociedade inglesa, o comandante recebeu de seus amigos a indicação de um jovem teólogo, mais inclinado a estudos de geologia, biologia e zoologia, que se propunha a enfrentar a longa e demorada viagem. Chamava-se Charles Darwin, futuro criador da teoria da evolução das espécies.

Depois de contornar a resistência do pai que não via com bons olhos aquela longa permanência em viagem a perambular por terras exóticas e pouco conhecidas, finalmente Darwin pode aceitar o convite de FitzRoy.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • JAMES, David.Um pintor ingles no Brasil do primeiro reinado in Revista do Patrimonio Historico e Artistico Nacional. Rio de Janeiro, n. 12, 1955, p. 155-69.
  • CAVALCANTI, Carlos e AYALA, Valmir (coord.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: Mec/Instituto Nacional do Livro, 1973.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. The voyager's Brazil. São Paulo: Metalivros; Salvador: Fundação Emílio Odebrecht, 1995.
  • MENEZES, Pedro da Cunha e. O Rio de Janeiro na rota dos mares do sul. Rio de Janeiro: Andréa Jacobsson Estúdio, 2007, 2ª edição.


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