Bachianas brasileiras

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Bachianas brasileiras é uma série de nove composições de Heitor Villa-Lobos escrita em 1922. Nesse conjunto, escrito para formações diversas, Villa-Lobos fundiu material folclórico brasileiro (em especial a música caipira) às formas pré-clássicas no estilo de Bach, intencionando construir uma versão brasileira dos Concertos de Brandemburgo. Ressalta-se, aqui, que os sufixos "-iana", "-eana" ou "-ana" é frequentemente usado nos títulos de obras musicais, como uma forma de um compositor prestar homenagem a um compositor anterior ou a um intérprete famoso. Esta homenagem a Bach também foi feita por compositores contemporâneos como Stravinski. Todos os movimentos das Bachianas, inclusive, receberam dois títulos: um bachiano, outro brasileiro.

São trechos famosos de Bachianas a Tocata (O Trenzinho do Caipira), quarto movimento das n° 2; a Ária (Cantilena), que abre as de n° 5; o Coral (O Canto do Sertão) e a Dança (Miudinho), ambos nas n° 4.

Obras[editar | editar código-fonte]

Bachianas brasileiras n° 1 para oito violoncelos (1932)[editar | editar código-fonte]

Foi composta em 1930, tendo sua primeira audição em 22 de setembro de 1932. Contém três movimentos:

  • Introdução (Embolada) - Animato
  • Prelúdio (Modinha) - Andante
  • Fuga (Conversa) - Un poco animato

Bachianas brasileiras n° 2 para orquestra de câmara (1933)[editar | editar código-fonte]

Assim como a n° 1, foi composta em 1930 e estreada em Veneza por Alfredo Casella. Existem quatro movimentos, cada um re-explorando alguma peça mais antiga para piano ou para violoncelo e piano.

  • Prelúdio (O Canto do Capadocio) - Adagio - Andantino
  • Ária (O Canto da Nossa Terra) - Largo
  • Dança (Lembrança do Sertão) - Andantino moderato
  • Tocata (O Trenzinho do Caipira) - Un poco moderato
  •  : Este movimento se caracteriza por imitar o movimento de uma locomotiva com os instrumentos da orquestra. A melodia recebeu letra composta por Ferreira Gullar.

Bachianas brasileiras n° 3 para piano e orquestra (1934)[editar | editar código-fonte]

Estreou em 1947, tendo como pianista José Vieira Brandão e como regente o próprio Villa-Lobos. Esta obra contém quatro movimentos:

  • Prelúdio (Ponteio) - Adagio
  • Fantasia (Devaneio) - Allegro moderato
  • Ária (Modinha) - Largo
  • Toccata (Picapau) - Allegro

Bachianas brasileiras n° 4 para piano (1930-1941, tendo sido orquestrada em 1942)[editar | editar código-fonte]

Foi composta para piano a partir de 1930, mas estreada somente em 1939. Recebeu novo arranjo para orquestra em 1941, estreando em meados do ano seguinte. Esta obra contém quatro movimentos:

  • Prelúdio (Introdução) - Lento
  • Coral (Canto do Sertão) - Largo
  • Ária (Cantiga) - Moderato
  • Dança (Miudinho) - Muito animado

Bachianas brasileiras n° 5 para soprano e oito violoncelos (1938-1945)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Bachianas Brasileiras n.º 5

Provavelmente o trabalho mais popular do compositor, tendo sido a mais gravada fora do Brasil, é dividida em dois movimentos:

  • Aria (Cantilena) - Adagio
  •  : Foi dedicada a Arminda Villa-Lobos. A letra deste movimento é de Ruth Valadares Corrêa, e a composição possui semelhanças com obras como a "Ária" de Bach e o "Vocalise" de Rachmaninov. Ruth Valadares também foi a cantora do movimento durante sua estréia em 1939, sob condução do próprio Villa-Lobos[1].
  • Dança (Martelo) - Allegretto
  •  : A letra deste movimento é de Ruth Valadares Corrêa[2], apresentada em 1945. Dois anos mais tarde, estreou em Paris.

Bachianas brasileiras n° 6 para flauta e fagote (1938)[editar | editar código-fonte]

Esta obra contém dois movimentos:

  • Ária (Chôro) - Largo
  • Fantasia - Allegro

Bachianas brasileiras n° 7 para orquestra (1942)[editar | editar código-fonte]

Esta obra contém quatro movimentos:

  • Prelúdio (Ponteio) - Adagio
  • Giga (Quadrilha Caipira) - Allegretto scherzando
  • Toccata (Desafio) - Andantino quasi allegretto
  • Fuga (Conversa) - Andante

Bachianas brasileiras n° 8 para orquestra (1944)[editar | editar código-fonte]

Esta obra contém quatro movimentos:

  • Prelúdio - Adagio
  • Ária (Modinha) - Largo
  • Toccata (Catira Batida) - Vivace (Scherzando)
  • Fuga - Poco moderato

Bachianas brasileiras n° 9 para coro ou orquestra de cordas (1945)[editar | editar código-fonte]

Esta obra contém dois movimentos:

  • Prelúdio
  • Fuga

Acusação de Plágio[editar | editar código-fonte]

A partitura que se conhece das Bachianas Nº 5 dá crédito a letra para Ruth Valladares Corrêa, que cantou na primeira audição. Ao jornal A Noite, em 20 de março de 1939, o baiano Altamirando de Souza afirmou que Villa-Lobos ouvira um de seus poemas em 1938 e, um mês depois, o procurara dizendo que “aproveitaria” um deles numa peça. Mas, por não ter recebido o devido crédito, acusou Villa-Lobos de plágio[3].

O caso foi julgado em abril de 1939, mas Villa-Lobos já havia providenciado uma outra letra para esta composição, a de Ruth Valladares Corrêa[3].

Para Marisa Gandelman, advogada especialista em direitos autorais na música, “poetas musicados por Villa-Lobos, parece, se sentiram honrados ou não se preocupavam com isso. Era uma informalidade criativa. Há pelo menos outro caso com Villa-Lobos, a querela com o poeta Catulo da Paixão Cearense pelo uso de ‘Rasga o Coração’ nos ‘Choros n° 10’.”[3]

Mais tarde, Altamirando de Souza também seria acusado de plágio pelo alagoano Jayme de Altavilla, que apontou a “apropriação indébita” de seu soneto “Você” – publicado por Altavilla na revista Fon-Fon em 1926, e foi reproduzido por Altamirando em fevereiro de 1939[3].

Em 2019, a partitura original foi descoberta, e nela pode ser percebido que Villa-Lobos dava sim os devidos créditos a Altamirando de Souza, mas, pelo que parece, eles não foram prensados nos discos de vinil[4].


Referências

  1. «Um pouco da música de Villa-Lobos». Museu Villa-Lobos. Consultado em 16 de dezembro de 2007 
  2. «Villa-Lobos: Bachianas Brasileiras nº5 | Euterpe - Blog de Música Clássica». euterpe.blog.br. Consultado em 2 de julho de 2016 
  3. a b c d folha.uol.com.br/ Partitura que fez Villa-Lobos ser acusado de plágio é descoberta
  4. Jornal da Band (25/05/2019) Manuscrito desmente suposto plágio de Villa-Lobos

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