Bala (projétil)

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Diferentes tipos de balas: uma simples de ponta redonda e três de ponta cônica, uma parcialmente jaquetada e duas totalmente jaquetadas.

Bala, em armas de fogo é um tipo específico de projétil, e um componente da munição que é expelido do cano da arma durante o disparo. O termo advém do "francês médio" e se originou como o diminutivo da palavra "boulle" ("boullet"), que significa "bolinha".[1]

Anatomia de uma bala[editar | editar código-fonte]

Bullet parts.png

Estas são as principais partes constiruintes de uma bala:[2]

  • A - "ogiva"
    • 1 - "anel de vedação"
  • B - "corpo"
    • 2 - "sulco serrilhado" (canelura)
    • 3 - "anel de forçamento"
  • C - "base"

Obs 1: a "ogiva" da bala pode ser subdividida em: "ponta" e "ombro" (parte onde o "corpo" da bala se inicia).

Obs 2: as balas são, muitas vezes, chamadas coloquialmente no Brasil de "pontas".[3]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Embora o primeiro registro de uso de pólvora na Europa tenha sido em 1247, ela foi inventada na China durante o século IX. O canhão apareceu em 1327. Mais tarde, em 1364, o canhão de mão apareceu. Os primeiros projéteis eram feitos de pedra. Eventualmente, foi descoberto que a pedra não penetraria nas fortificações de pedra, o que levou ao uso de metais mais densos como projéteis. Projéteis de canhão de mão foram desenvolvidos de maneira semelhante. A primeira ocorrência registrada de uma bola de metal disparada de um canhão de mão ter penetrado uma armadura foi em 1425.[4] Balas recuperadas dos destroços do Mary Rose (naufragado em 1545, içado em 1982) são de tamanhos diferentes, e algumas são de pedra, enquanto outras são de ferro fundido.[5]

O desenvolvimento da colubrina manual e do arcabuz de fecho de mecha possibilitou o uso de bolas de chumbo fundidas como projéteis. A bala de mosquete redonda original era menor do que o cano. No início, ela era colocada no cano apenas apoiada sobre a pólvora. Posteriormente, algum tipo de material foi usado como "enchimento" entre a bala e a pólvora e também sobre a bala para mantê-la no lugar,[6] para segurar a bala firmemente no cano e contra a pólvora. Balas não firmes sobre pólvora corriam o risco de fazer explodir o cano, devido ao efeito conhecido como "short start" ("início curto").[7]

A primeira metade do século XIX viu uma mudança distinta na forma e na função da bala. Em 1826, Henri-Gustave Delvigne, um oficial de infantaria francês, inventou uma culatra com "ombros" acentuados na qual uma bala esférica era cravada até atingir as ranhuras do cano. O método de Delvigne, entretanto, deformava a bala e era impreciso.

Características[editar | editar código-fonte]

As balas são feitas de uma variedade de materiais, como cobre, chumbo, aço, polímero, borracha e até cera. As balas estão disponíveis isoladamente, para armas de "antecarga" como mosquetes ou armas de espoleta de percussão[8] - ou estão disponíveis como componentes dos cartuchos de papel,[9] e mais recentemente dos cartuchos metálicos.[10] As balas são feitas em várias formas e construções, dependendo das aplicações pretendidas, incluindo funções especializadas como caça, tiro ao alvo, treinamento e combate.

Embora a palavra bala seja freqüentemente usada em linguagem coloquial para se referir ao cartucho, uma bala não é um cartucho, mas um dos componentes dele.[11] Um cartucho é um pacote combinado composto de: estojo (que mantém os demais componantes unidos), espoleta (que inflama o propelente), propelente (que fornece a maior parte da energia para lançar o projétil) e a bala (que é um tipo de projétil).[12] O uso do termo bala quando se pretende descrever um cartucho geralmente causa confusão quando os componentes de um cartucho são referenciados de maneira específica.

Os tamanhos das balas são expressos por seus pesos e diâmetros (denominados "calibres") nos sistemas de medição imperial[13] e métrico. Por exemplo: balas de 55 grãos ("grains") de calibre .222 podem ser identificadas como sendo balas de 3,56 gramas e calibre 5,56 mm.

As balas usadas em muitos cartuchos são disparadas a velocidades de saída mais rápidas que a velocidade do som[14][15] - cerca de 343 metros por segundo (1.130 pés/s) em ar seco a 20° C (68° F) - e, portanto, pode percorrer uma distância substancial até um alvo antes que um observador próximo ouça o som do tiro. O som de um tiro (que sai do cano) é frequentemente acompanhado de um estalo alto como uma chicotada, enquanto a bala supersônica atravessa o ar, criando um estrondo sônico. As velocidades da bala nos vários estágios do voo depende de fatores intrínsecos, como: densidade seccional, perfil aerodinâmico e coeficiente balístico; e fatores extrínsecos, como pressão barométrica, umidade, temperatura do ar e velocidade do vento.[16][17] Os cartuchos subsônicos disparam balas a velocidades menores que a do som, para que não haja um estrondo sônico. Isso significa que um cartucho subsônico, como o .45 ACP, pode ser substancialmente mais silencioso do que um cartucho supersônico, como é o caso do .223 Remington, mesmo sem o uso de um silenciador.[18]

As balas normalmente não contêm explosivos,[19] mas danificam o alvo pretendido transferindo energia cinética mediante impacto e penetração (consulte balística terminal).

Galeria[editar | editar código-fonte]

Históricas[editar | editar código-fonte]

Contemporâneas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Merriam-Webster Dictionary (em inglês) 5.ª ed. Springfield, Massachusetts: Merriam-Webster Incorporated. 1994. ISBN 0-87779-911-3. Consultado em 23 de julho de 2020 
  2. «Qual a melhor munição a ser usada?». Instrução Bélica III. SINDESPE. 9 de dezembro de 2014. Consultado em 16 de setembro de 2020 
  3. Luiz Mergulhão (13 de julho de 2019). Pontas Morigi. YouTube. Em cena em 3:11. Consultado em 16 de setembro de 2020 
  4. «Important Dates in Gun History». armscollectors.com. Consultado em 29 de janeiro de 2017 
  5. «A Cannon from the Mary Rose». teachinghistory100.com. The British Museum 
  6. «Precision Shooting Patches for round ball – Track of the Wolf». www.trackofthewolf.com 
  7. «How to load a musket». tamu.edu. The Second Flying Company of Alamo de Parras. Consultado em 29 de janeiro de 2017 
  8. «Hornady Lead Round Ball Black Powder Bullets» (em inglês). Sportsman's Warehouse. 22 de fevereiro de 2014. Consultado em 23 de julho de 2020. Arquivado do original em 2 de setembro de 2017 
  9. «Paper Cartridge Kit, .58cal rounds, 20 Count with Minie Balls» (em inglês). The Regimental Quartermaster. 23 de dezembro de 2016. Consultado em 23 de julho de 2020. Arquivado do original em 2 de fevereiro de 2017 
  10. Jim Supica (20 de maio de 2016). «A Brief History of Firearms: The Self Contained Cartridge» (em inglês). NRABlog. Consultado em 23 de julho de 2020 
  11. CTD Blogger (12 de março de 2010). «Bullet Types: A Reference Guide» (em inglês). Cheaper Than Dirt. Consultado em 23 de julho de 2020 
  12. Office of the Attorney General (Junho de 2020). «Firearm SafetyCertificate - STUDY GUIDE» (PDF) (em inglês). California Department of Justice. 25 páginas. Consultado em 23 de julho de 2020 
  13. «What is Caliber? Bullet Sizes Explained» (em inglês). The Firearms Guide. 25 páginas. Consultado em 23 de julho de 2020 
  14. «Handgun Ballistics» (PDF). Hornady® Product Lines (em inglês). Hornady®. 24 de março de 2012. Consultado em 23 de julho de 2020. Cópia arquivada (PDF) em 21 de abril de 2015 
  15. «Rifle Ammunition Product Lines» (PDF). Hornady® Ballistics (em inglês). Hornady®. 13 de dezembro de 2016. Consultado em 23 de julho de 2020. Cópia arquivada (PDF) em 2 de fevereiro de 2017 
  16. «HOW fast bullet travels» (em inglês). INSPIREME. 2 de janeiro de 2016. Consultado em 23 de julho de 2020 
  17. «Dodge a Bullet». MythBusters: The Explosive Exhibition (em inglês). MythBusters - Exhibition. 18 de março de 2012. Consultado em 23 de julho de 2020. Cópia arquivada (PDF) em 18 de novembro de 2016 
  18. «Can You Suppress Supersonic Ammo?» (em inglês). Silencer Shop. 28 de janeiro de 2016. Consultado em 23 de julho de 2020. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2017 
  19. Swift, B.; Rutty, G. N. (Janeiro de 2004). «The exploding bullet». Journal of Clinical Pathology. 57: 108. PMC 1770159Acessível livremente. PMID 14693853. doi:10.1136/jcp.57.1.108. Consultado em 23 de julho de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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