Barrete frígio

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Suas boinas frígias identificam os Três reis magos como "vindos do leste" em um mosaico do final do século VI em São Apolinário Novo, Ravena
Brasão do Rio Grande do Sul com o Barrete Frígio

O barrete frígio ou barrete da liberdade é uma espécie de touca ou carapuça, originariamente utilizada pelos moradores da Frígia (antiga região da Ásia Menor, onde hoje está situada a Turquia). Foi adotado, na cor vermelha, pelos republicanos franceses que lutaram pela tomada da Bastilha em 1789, que culminou com a instalação da primeira república francesa em 1792. Por essa razão, tornou-se um forte símbolo do regime republicano.

História[editar | editar código-fonte]

No século 4 a.C. (início do período helenístico), o foi associado com o frígio Átis, o consorte de Cibele, cujo culto se tornou então graecificado. Por volta da mesma época, o barrete aparece em representações do lendário rei Midas e outros frigões em cerâmicas e esculturas.[1]

Em vasos pintados e outras artes gregas, o barrete frígio serve para identificar o herói troiano Páris como um não grego; poetas romanos habitualmente utilizam o epíteto "frígio" para se referir a troianos. Pode ser encontrado também nas esculturas da Coluna de Trajano, vestida pelos dácios, e sobre o Arco de Septímio Severo vestida pelos Espartanos. Os elmos militares dos macedônios, trácios, dácios e normandos do século XII possuíam a ponta virada para frente para se assemelharem ao barrete frígio.

O barrete frígio era utilizado pelos sincretistas helenistas e romanos para representar o deus salvador de origem persa Mitra. Ele era usado durante o Império Romano pelos antigos escravos que tinham conseguido emancipação de seus mestres e cujos descendentes eram, por esta razão, considerados cidadãos do império. Este uso é frequentemente considerado a origem de seu significado como um símbolo de liberdade.

Durante o século XVIII, o barrete frígio vermelho ganhou a significação de símbolo da liberdade, segurado acima do mastro da liberdade durante a guerra da independência dos Estados Unidos da América. Ela também foi adotada durante a revolução francesa e faz parte, atualmente, do emblema nacional da França: Marianne vestindo uma boina frígia.

O barrete aparece no brasão de armas de diversas repúblicas latino-americanas, nomeadamente da Argentina, Nicarágua e El Salvador, bem como na bandeira do Paraguai, do estado de Nova Iorque e no selo oficial do Exército dos Estados Unidos. No Brasil, o barrete frígio surge no desenho da bandeira dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (lei n.º 975, de 23 de outubro de 1953); nos brasões dos estados do Acre, do Amazonas, da Bahia, da Paraíba, das cidades do Rio de Janeiro e de Viamão (Rio Grande do Sul).

O barrete frígio é também mostrado em certas moedas mexicanas (mais notadamente na antiga moeda de oito reales) durante o fim do século XIX até meados do século XX e escudos portugueses da primeira metade do século XX. Também é uma denominação utilizada na medicina para uma variação anatômica da vesícula biliar, devido à semelhança da sua forma.

Referências

  1. Lynn E. Roller, "The Legend of Midas", Classical Antiquity, 2.2 (October 1983:299–313) p. 305.
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