Bernardete Falcão

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Bernardete Falcão
Bernardete Falcão (centro)
Nascimento 1924
Angra do Heroísmo
Morte 8 de junho de 2017 (93 anos)
Funchal
Cidadania Portugal
Ocupação poeta, escritor

Maria Bernardete Freitas Simões Falcão, mais conhecida como Bernardete Falcão (Angra do Heroísmo, 1924 - Funchal, 8 de Junho de 2017) foi uma poetisa portuguesa.

Terminou os estudos liceais aos dezassete anos, no Liceu de Angra do Heroísmo. Aluna exemplar, foi colaboradora e diretora do periódico académico "Vida Académica."

Com dezasseis anos, participou nos "Jogos Florais do Liceu de Angra", tendo sido premiados quatro textos seus, exprimia-se nesses textos em prosa e em poesia, escrevendo contos e reportagens, o que demonstra bem a sua extraordinária versatilidade. O seu lado feminista emergia logo aos 16 anos quando proferiu uma palestra sobre a vida Madame Curie aos escuteiros de Angra explicando que tinha escolhido o tema por ser mulher e pretender enaltecer o seu sexo.

Casou com um madeirense, tendo-se radicado na Ilha da Madeira onde, também, se dedicou ao ensino. Continuou, no entanto, a publicar em jornais nos Açores, Madeira e Continente.

Publicou o seu primeiro livro de poesia em 1961, intitulado O Mar é que teve a culpa, recebendo laudatórias críticas da imprensa regional e nacional. Este livro foi prefaciado por Maria Lamas, escritora com quem manteve correspondência ao longo da vida, iniciada aquando da colaboração de Maria Bernardete Falcão na revista Modas e Bordados, com a publicação de uma novela intitulada "História dos Humildes, Paulina".[1] Alguma da correspondência entre Bernardete Falcão e Maria Lamas foi publica na Revista Islenha nº49, por Ana Margarida Falcão e Ana Isabel Moniz.[2]

Sobre o O Mar é que teve a culpa, Maria Lamas escreveu no prefácio, "Cada palavra destes poemas tão belos, escritos ao ritmo das marés, tem a marca dos horizontes marítimos sem fim, ora calmos, ora tempestuosos, agora claros e luminosos, logo velados pela bruma."[3]

Em 9 de junho de 1962, apresentou uma conferência no Ateneu Comercial do Funchal intitulada "A Poesia da Mulher e a Mulher na Poesia".[4] Nesta conferência participou as mais altas individualidades da Ilha da Madeira e dos Açores, sendo a poetisa apresentada por Horácio Bento de Gouveia que escreveu, "Bem que Orfeu só tivesse existência da sua imaginação dos helenos na vida real há descendentes dele. D. Bernardete Falcão pertence à sua estirpe."

Esta conferência recebeu o aplauso geral na imprensa açoriana e madeirense, e a pedido da Estação Rádio da Madeira e da Direcção de Rádio Clube de Angra, a conferência foi gravada e posteriormente retransmitida, tendo sido publicada pela mão do Centro Açoriano em livro.

Publicou mais um livro de poesia, em 1963, intitulado Nada Mais que o Momento. E em 1983, uma obra dramática para crianças intitulada Andorinha e as árvores falantes. Teve alguns das suas poesias e textos publicados na Revista Margem. Participou com um texto no livro de homenagem de João Pestana ao escultor Ricardo Veloza.[5]

Uma das temáticas recorrentes na sua poesia está associada à ideia de insularidade. Maria Bernardete Falcão explora a Ilha e o Mar na sua dupla condição de filha das Ilhas, e a própria afirmou ser "uma açoriana com coração de madeirense." O partido madeirense Juntos Pelo Povo (JPP) homenageou-a com um voto de pesar.[6]

Referências

  1. Falcão, Bernardete (3 março de 1943). «História dos Humildes, Paulina». Revista Modas e Bordados 
  2. Ana Margarida Falcão e Ana Isabel Moniz (julho–dezembro de 2011). «Maria Lamas a Bernardete Falcão: Correspondência inédita.». Revista Islenha 
  3. Falcão, Bernardete (1961). O Mar é que teve a culpa. [S.l.]: Editorial Eco do Funchal. 2 páginas 
  4. Falcão, Bernardete (1962). A poesia da mulher e a mulher na poesia: conferência proferida no Ateneu Comercial do Funchal, a 9 de junho de 1962. s.l: Centro Açoriano, Eco do Funchal 
  5. Pestana, João (1999). Ricardo Veloza por João Pestana. Funchal: D.L 
  6. «Voto de Pesar, Maria Bernardete Freitas» (PDF). Consultado em 5 de março de 2018