Bernardete Falcão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Bernardete Falcão
Bernardete Falcão (centro)
Nascimento 1924
Angra do Heroísmo
Morte 8 de junho de 2017 (93 anos)
Funchal
Cidadania Portugal
Ocupação poetisa, escritora

Maria Bernardete Freitas Simões Falcão, mais conhecida como Bernardete Falcão (Angra do Heroísmo, 1924Funchal, 8 de Junho de 2017) foi uma poetisa portuguesa.

Terminou os estudos liceais aos dezassete anos, no Liceu de Angra do Heroísmo. Aluna exemplar, foi colaboradora e diretora do periódico académico "Vida Académica."

Com dezasseis anos, participou nos "Jogos Florais do Liceu de Angra", tendo sido premiados quatro textos seus, exprimia-se nesses textos em prosa e em poesia, escrevendo contos e reportagens, o que demonstra bem a sua extraordinária versatilidade. O seu lado feminista emergia logo aos 16 anos quando proferiu uma palestra sobre a vida de Madame Curie aos escuteiros de Angra explicando que tinha escolhido o tema por ser mulher e pretender enaltecer o seu sexo.

Casou com um madeirense, tendo-se radicado na Ilha da Madeira onde, também, se dedicou ao ensino. Continuou, no entanto, a publicar em jornais nos Açores, Madeira e Continente.

Publicou o seu primeiro livro de poesia em 1961, intitulado O Mar é que teve a culpa, recebendo laudatórias críticas da imprensa regional e nacional. Este livro foi prefaciado por Maria Lamas, escritora com quem manteve correspondência ao longo da vida, iniciada aquando da colaboração de Maria Bernardete Falcão na revista Modas & Bordados, com a publicação de uma novela intitulada "História dos Humildes, Paulina".[1] Alguma da correspondência entre Bernardete Falcão e Maria Lamas foi publicada na Revista Islenha n.° 49, por Ana Margarida Falcão e Ana Isabel Moniz.[2]

Sobre o O Mar é que teve a culpa, Maria Lamas escreveu no prefácio, "Cada palavra destes poemas tão belos, escritos ao ritmo das marés, tem a marca dos horizontes marítimos sem fim, ora calmos, ora tempestuosos, agora claros e luminosos, logo velados pela bruma."[3]

Em 9 de junho de 1962, apresentou uma conferência no Ateneu Comercial do Funchal intitulada "A Poesia da Mulher e a Mulher na Poesia".[4] Nesta conferência participou as mais altas individualidades da Ilha da Madeira e dos Açores, sendo a poetisa apresentada por Horácio Bento de Gouveia que escreveu, "Bem que Orfeu só tivesse existência da sua imaginação dos helenos na vida real há descendentes dele. D. Bernardete Falcão pertence à sua estirpe."

Esta conferência recebeu o aplauso geral na imprensa açoriana e madeirense, e a pedido da Estação Rádio da Madeira e da Direcção de Rádio Clube de Angra, a conferência foi gravada e posteriormente retransmitida, tendo sido publicada pela mão do Centro Açoriano em livro.

Publicou mais um livro de poesia, em 1963, intitulado Nada Mais que o Momento. E em 1983, uma obra dramática para crianças intitulada Andorinha e as árvores falantes. Teve alguns das suas poesias e textos publicados na Revista Margem. Participou com um texto no livro de homenagem de João Pestana ao escultor Ricardo Veloza.[5]

Uma das temáticas recorrentes na sua poesia está associada à ideia de insularidade. Maria Bernardete Falcão explora a Ilha e o Mar na sua dupla condição de filha das Ilhas, e a própria afirmou ser "uma açoriana com coração de madeirense."

A 14 de junho de 2017, a Assembleia Legislativa da Madeira aprovou por unanimidade um voto de pesar pela sua morte proposto pelo partido Juntos Pelo Povo (JPP).[6][7]

Referências

  1. Falcão, Bernardete (3 março de 1943). «História dos Humildes, Paulina». Revista Modas e Bordados 
  2. Ana Margarida Falcão e Ana Isabel Moniz (julho–dezembro de 2011). «Maria Lamas a Bernardete Falcão: Correspondência inédita.». Revista Islenha 
  3. Falcão, Bernardete (1961). O Mar é que teve a culpa. [S.l.]: Editorial Eco do Funchal. 2 páginas 
  4. Falcão, Bernardete (1962). A poesia da mulher e a mulher na poesia: conferência proferida no Ateneu Comercial do Funchal, a 9 de junho de 1962. s.l: Centro Açoriano, Eco do Funchal 
  5. Pestana, João (1999). Ricardo Veloza por João Pestana. Funchal: D.L 
  6. «Relatório de Votações da Reunião Plenária do dia 14 de Junho de 2017» (PDF). Assembleia Legislativa da Madeira. Consultado em 29 de novembro de 2019 
  7. «Voto de Pesar, Maria Bernardete Freitas» (PDF). Consultado em 5 de março de 2018