Beyond Fordlândia

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Beyond Fordlândia (Muito Além da Fordlândia) é um documentário estadunidense produzido, dirigido e filmado pelo professor e pesquisador Marcos Colón, sobre o legado da experiência fordista e o agronegócio na Amazônia. Através de uma série de depoimentos e imagens passadas e atuais, Colón faz uma ligação entre o passado da borracha e o presente da monocultura de soja, com uma crítica aos impactos dessas atividades na sociedade, na cultura e no meio ambiente da região do planalto de Santarém, no Pará.

Com cerca de um ano de exibições em festivais e debates, o documentário já ganhou diversos prêmios e foi tema de discussão em uma série de renomadas instituições de pesquisa pelo mundo.[1]

Beyond Fordlândia
Beyond Fordlândia (Estados Unidos)
Muito além da Fordlândia (PT/BR)
 Estados Unidos
2017 •  cor •  75 min 
Direção Marcos Colón
Produção Amazônia Latitude
Roteiro Marcos Colón
Gênero Documentário
Lançamento 14 de novembro de 2017, no Filmambiente
Idioma Inglês
Orçamento US$ 50.000
[Website oficial Site oficial]


Sinopse[editar | editar código-fonte]

A Amazônia é a página do Gênesis que ainda está para ser escrita. Assim foi vislumbrada, entre diversas obras e autores, por Euclides da Cunha e Alberto Rangel – que também cunhou o apelido Inferno Verde. No cenário exuberante e caótico da maior floresta tropical do mundo, há um ator agonizante: o homem. Centrado nas tensões políticas, econômicas, culturais e ambientais e seus impactos na sociedade e na vida locais no seio da Amazônia, Beyond Fordlândia faz uma ligação entre o passado da borracha e o presente da monocultura de soja como atividade de alta relevância econômica na região do planalto de Santarém, no Pará.[2]

O espectador é transportado para o ano de 1928 através de depoimentos, memórias e imagens de arquivo da própria Ford. Com o aval do governo brasileiro, o milionário Henry Ford executou seu projeto mais ambicioso: plantar uma vasta quantidade de seringueiras na Amazônia para garantir autossuficiência de látex, necessário para os pneus dos automóveis. Os Estados Unidos enfrentavam a formação de um cenário de monopólio de borracha comandado pela coroa inglesa. Afinal, na época, o produto inglês havia invadido o mercado mundial e atirado ao fundo do poço a pujança e o luxo do ciclo amazônico da borracha.

O ambicioso projeto de Ford, cuja tarefa consistia numa cadeia de seringueiras na Amazônia, habitat natural da espécie, foi instalado na localidade que rapidamente recebeu o nome de Fordlândia, hoje distrito do município de Aveiro, no Pará, às margens do Rio Tapajós. Estima-se que cerca de 1 milhão de hectares de floresta foram derrubados, a maior parte da área destinada ao plantio e os 20% restantes para a construção de uma cidade propriamente dita, com escolas, hospitais, armazéns, vilas residenciais, ruas, praças e toda a estrutura. O professor e escritor Greg Grandin(https://en.wikipedia.org/wiki/Greg_Grandin), integrante do elenco, explorou a conturbada trajetória da cidade e destaca um objetivo um pouco mais abstrato do que a autossuficiência em látex: “Ele estava tentando alcançar e conquistar algo maior do que a Amazônia. Queria impor lógica ao modo de produção capitalista”, diz o pesquisador.

A narrativa do filme avança com depoimentos do jornalista Lúcio Flávio Pinto, único brasileiro na lista da ONG Repórteres sem Fronteiras com os 100 repórteres mais influentes do mundo[3], que destaca que o ciclo da borracha ainda é uma memória viciosa, que lembra dos tempos de suntuosidade e ofusca a fragilidade de um ciclo econômico que se repete agora nos modelos do minério e da soja. Belterra, a segunda cidade fundada pelas companhias de Ford na floresta, foi o laboratório de experimentos com a soja. O empresário pretendia utilizar derivados do grão em maquinários diversos e determinou o desenvolvimento de pesquisas e projetos com este fim.[4]

A falência da iniciativa fordista na Amazônia veio com fracassos acumulados por 18 anos. As seringueiras, protegidas em seu habitat natural pela diversidade animal e vegetal da floresta, foram vítimas indefesas para os fungos quando plantadas em série, juntas umas das outras. A soja, porém, estabeleceu-se com uma vigorosa e irrefreável velocidade. O professor Marcus Barros, ex-diretor do Ibama, conta que o impacto da produção de soja na fauna, nas comunidades tradicionais e na saúde pública é grave, e faz um apelo para que “não deixemos a soja avançar por cima de mais uma árvore sequer dentro da Amazônia”, em entrevista.

Com um elenco que inclui indígenas, quilombolas, poetas, professores, pesquisadores, jornalistas, agentes de saúde e produtores de soja, Beyond Fordlândia investiga as raízes do fenômeno da soja que hoje compromete a memória, o presente e o futuro da floresta e do homem amazônicos.

O Caminho para Fordlândia[editar | editar código-fonte]

Diretor Marcos Colón na mostra Green Film, no 8° Fórum Mundial da Água, em Brasília. Março/2018

O diretor de Beyond Fordlândia, Marcos Colón, é americano de mãe brasileira, professor do Departamento de Espanhol e Português da Universidade do Wisconsin-Madison e associado ao Centro de Cultura, História e Meio Ambiente do Instituto Nelson de Estudos Ambientais[5]. O pesquisador estuda a representação da Amazônia na literatura brasileira do século XX, com foco na obra de Mário de Andrade e uma abordagem ecocrítica. Ao encontrar uma nota em um diário de viagem do modernista, intitulado “O turista aprendiz”, Colón resolveu fazer a visita até o local[6], através da etapa de campo de sua pesquisa. Daí foi travado o contato da investigação acadêmica com a memória da experiência fordista na bacia do Tapajós, que hoje também é impactada pela cultura em larga escala de soja, sendo o Brasil líder de exportação mundial do grão, tendo superado os Estados Unidos[7].

Circulação[editar | editar código-fonte]

Beyond Fordlândia foi apresentado formalmente nos Estados Unidos no Beloit International Film Festival, em  Março de 2018, nos Estados Unidos. O lançamento oficial ocorreu no Rio de Janeiro, em sessão especial do Festival Filmambiente, ocorrida em 14 de novembro de 2017. Durante seu ano de lançamento, o filme foi exibido em prestigiados festivais e instituições de pesquisa, incluindo a programação de cinema do 8º Fórum Mundial da Água[8], deixando em todos os lugares uma sensação de assombro e surpresa dada a gravidade dos impactos atuais na porção de floresta amazônica no estado do Pará[9].

Estreia de Beyond Fordlândia no Festival Filmambiente, no Rio de Janeiro, em 14 de novembro de 2017

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Prêmio de Cineasta Estreante, Princeton Environmental Film Festival, Abril de 2018.

Prêmio Green Image, Green Image Film Festival, Tóquio, Japão, Março de 2018.

Melhor Cineasta Estreante, Geneva Film Festival, Março de 2018.

Melhor Documentário de Conscientização - World Wildlife Fund (WWF), International Environmental Film Festival [FICMA-Barcelona], Novembro de 2017.

Golden Sun WWF-Espanha - International Environmental Film Festival [FICMA-Barcelona], Novembro de 2017.

Melhor Documentário - Cabo Verde International Film Festival, Outubro de 2017.

Referências Externas[editar | editar código-fonte]