Bipedismo

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Uma avestruz, o mais rápido bípede vivo[1] (70 km/h)[2]

Bipedalismo ou bipedismo é uma forma de locomoção terrestre, onde um organismo se move por meio de seus dois membros posteriores ou pernas. Um animal ou máquina que normalmente se move desta forma é conhecido como bípede, que significa "dois pés" (do latim bi para "dois" e ped para "pé").[3] Entre os tipos de movimentos bípedes estão caminhar, correr ou pular.

Poucas espécies modernas são bípedes habituais, quando método de locomoção normal é sobre duas pernas. Dentro dos mamíferos, o bipedalismo habitual evoluiu várias vezes, como entre os Macropodidae (que inclui os cangurus), Dipodomyinae, Notomys, Hominina (humanos) e pangolins, assim como em vários outros grupos extintos que evoluíram esta característica de forma independente. No período Triássico alguns grupos de arcossauros (um grupo que inclui os antepassados dos crocodilos) desenvolveram o bipedalismo; entre os descendentes dos dinossauros, todas as primeiras espécies e muitos grupos posteriores eram bípedes habituais ou exclusivos; as aves descendem de um grupo de dinossauros que eram exclusivamente bípedes.

Um número maior de espécies modernas utilizam movimento bípede por curtos períodos de tempo. Várias espécies de lagartos movem-se de maneira bípede quando estão correndo, geralmente para escapar de ameaças. Muitas espécies de primatas e de urso adotam o bipedalismo para alcançar alimentos ou explorar o ambiente. Várias espécies de primatas arborícolas, como gibões e indrídeos, utilizam exclusivamente a locomoção bípede durante os breves períodos que passam no chão. Muitos animais também apoiam-se sobre as patas traseiras, enquanto lutam, copulam, tentam alcançar a comida ou para ameaçar um concorrente ou predador, mas não conseguem se mover de forma bípede.

Animals bípedes[editar | editar código-fonte]

A grande maioria dos vertebrados terrestres vivos são quadrúpedes, com o bipedismo exibido apenas por um punhado de grupos vivos. Seres humanos, gibões e grandes pássaros caminham levantando um pé de cada vez. Por outro lado, a maioria dos macrópodes, pássaros menores, lêmures e roedores bípedes se movimenta pulando nas duas pernas simultaneamente. Os cangurus de árvores são capazes de andar ou pular, geralmente alternando os pés quando se movem de forma arbórea e pulando simultaneamente em ambos os pés quando estão no chão.

Répteis existentes[editar | editar código-fonte]

Muitas espécies de lagartos se tornam bípedes durante a locomoção a alta velocidade, incluindo o lagarto mais rápido do mundo, a iguana-de-cauda-espinhosa (gênero Ctenosaura)[4][5].

Fósseis de répteis e lagartos[editar | editar código-fonte]

O primeiro bípede conhecido é o Bolosauridae[6][7] Eudibamus[8] cujos fósseis datam de 290 milhões de anos atrás.[9][10] Seus longos membros posteriores, pernas dianteiras curtas e articulações distintas sugerem o bipedismo. A espécie foi extinta no início do Permiano.

Arquinossauros (inclui pássaros, crocodilos e dinossauros)[editar | editar código-fonte]

  • Aves

Todas as aves são bípedes quando estão no chão, uma característica herdada de seus ancestrais dinossauros.

  • Outros arcossauros

O bipedismo evoluiu mais de uma vez nos arcossauros, o grupo que inclui dinossauros e crocodilianos. Todos os dinossauros são descendentes de um ancestral totalmente bípede, talvez semelhante a Eoraptor.[11]

Mamíferos[editar | editar código-fonte]

Vários grupos de mamíferos existentes desenvolveram independentemente o bipedalismo como sua principal forma de locomoção - por exemplo, humanos, pangolins gigantes, as preguiças gigantes terrestres extintas, numerosas espécies de roedores saltadores e macrópodes. Os seres humanos, como seu bipedalismo tem sido extensivamente estudado, estão documentados na próxima seção.[12]

  • Primatas

A maioria dos animais bípedes se movimenta com as costas próximas à horizontal, usando uma cauda longa para equilibrar o peso de seus corpos. A versão primata do bipedalismo é incomum porque as costas estão próximas da posição vertical (completamente eretas nos humanos), e a cauda pode estar completamente ausente. Muitos primatas podem ficar de pé nas patas traseiras sem qualquer apoio. chimpanzés, bonobos, gibões[13] e babuínos[14] exibem formas de bipedalismo.

  • Indivíduos feridos

Ursos, chimpanzés e bonobos feridos têm sido capazes de sustentar o bipedismo.[15]

Humanos[editar | editar código-fonte]

Existem pelo menos doze hipóteses distintas sobre como e por que o bipedismo evoluiu em humanos, e também algum debate sobre quando. O bipedismo evoluiu bem antes do grande cérebro humano ou o desenvolvimento de ferramentas de pedra.[16] Na história da evolução humana, andar ereto remonta pelo menos 6 milhões de anos ao Sahelanthropus, uma espécie antiga com características de humanas e de macacos descoberta a partir de restos fósseis encontrados em Sahel. Uma teoria proeminente é que a mudança climática transformou a paisagem, criando savanas onde as árvores e florestas se encontravam.

Cientistas norte-americanos apontam para uma intervenção cósmica para a evolução do bipedismo humano. A Via Láctea explodiu em milhares de supernovas que começou há cerca de 7 milhões de anos e continuou por milhões de anos. As supernovas detonaram raios cósmicos em todas as direções. Na Terra, a radiação que chegou das explosões atingiu o pico de cerca de 2,6 milhões de anos atrás. Quando os raios cósmicos atingiram o planeta, eles ionizaram a atmosfera e a tornaram mais condutiva. Isso poderia ter aumentado a frequência dos raios, enviando incêndios florestais através das florestas africanas e abrindo caminho para as pastagens.[17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Stewart, D. (1 de agosto de 2006). «A Bird Like No Other». National Wildlife. National Wildlife Federation. Consultado em 30 de maio de 2014. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2012 
  2. Davies, S.J.J.F. (2003). «Birds I Tinamous and Ratites to Hoatzins». In: Hutchins, Michael. Grzimek's Animal Life Encyclopedia. 8 2 ed. Farmington Hills, MI: Gale Group. pp. 99–101. ISBN 0-7876-5784-0 
  3. Priberam (ed.). «Bipedalismo». Consultado em 20 de janeiro de 2015 
  4. Garland, T., Jr. (1984), «Physiological correlates of locomotory performance in a lizard: an allometric approach» (PDF), American Journal of Physiology, 247 (5 Pt 2): R806–R815, PMID 6238543 
  5. Malfatti, Mark (2007), «A Look at the Genus Ctenosaura: Meet the World's fastest lizard and its kin», Reptiles Magazine, 15 (11): 64–73 
  6. Marcello Ruta; Juan C. Cisneros; Torsten Liebrect; Linda A. Tsuji; Johannes Muller (2011). «Amniotes through major biological crises: faunal turnover among Parareptiles and the end-Permian mass extinction». Palaeontology. 54 (5): 1117–1137. doi:10.1111/j.1475-4983.2011.01051.x 
  7. Jocelyn Falconnet (2012). «First evidence of a bolosaurid parareptile in France (latest Carboniferous-earliest Permian of the Autun basin) and the spatiotemporal distribution of the Bolosauridae». Bulletin de la Société Géologique de France. 183 (6): 495–508. doi:10.2113/gssgfbull.183.6.495 
  8. David S. Berman; Robert R. Reisz; Diane Scott; Amy C. Henrici; Stuart S. Sumida; Thomas Martens (2000). «Early Permian Bipedal Reptile». Science. 290 (5493): 969–972. PMID 11062126. doi:10.1126/science.290.5493.969 
  9. «Upright lizard leaves dinosaur standing». cnn.com. 3 de novembro de 2000. Consultado em 17 de outubro de 2007. Cópia arquivada em 31 de outubro de 2007 
  10. Berman, David S.; et al. (2000). «Early Permian Bipedal Reptile». Science. 290 (5493): 969–972. Bibcode:2000Sci...290..969B. PMID 11062126. doi:10.1126/science.290.5493.969 
  11. Hutchinson, J.R. (2006). «The evolution of locomotion in archosaurs». Comptes Rendus Palevol. 5 (3–4): 519–530. doi:10.1016/j.crpv.2005.09.002. Cópia arquivada em 1 de dezembro de 2008 
  12. Burk, Angela; Michael Westerman; Mark Springer (September 1988). «The Phylogenetic Position of the Musky Rat-Kangaroo and the Evolution of Bipedal Hopping in Kangaroos (Macropodidae: Diprotodontia)». Systematic Biology. 47 (3): 457–474. PMID 12066687. doi:10.1080/106351598260824  Verifique data em: |data= (ajuda)
  13. Aerts, Peter; Evie E. Vereeckea; Kristiaan D'Aoûta (2006). «Locomotor versatility in the white-handed gibbon (Hylobates lar): A spatiotemporal analysis of the bipedal, tripedal, and quadrupedal gaits». Journal of Human Evolution. 50 (5): 552–567. PMID 16516949. doi:10.1016/j.jhevol.2005.12.011. Arquivado do original em 15 de setembro de 2012 
  14. Rose, M.D. (1976). «Bipedal behavior of olive baboons (Papio anubis) and its relevance to an understanding of the evolution of human bipedalism». American Journal of Physical Anthropology. 44 (2): 247–261. PMID 816205. doi:10.1002/ajpa.1330440207 [ligação inativa]Predefinição:Cbignore
  15. Bauer, Harold (1976). «Chimpanzee bipedal locomotion in the Gombe National Park, East Africa». Primates. 18 (4): 913–921. doi:10.1007/BF02382940 
  16. Lovejoy, C.O. (1988). «Evolution of Human walking». Scientific American. 259 (5): 82–89. Bibcode:1988SciAm.259e.118L. PMID 3212438. doi:10.1038/scientificamerican1188-118 
  17. Exploding stars led to humans walking on two legs, radical study suggests por Ian Sample (2019)