Calide ibne Ualide

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Calide ibne Ualide
Nascimento 585
Meca
Morte maio de 642
Homs, Bilade Axam
Nacionalidade Califado Ortodoxo
Progenitores Mãe: Lubaba Alçugra binte Alarite
Pai: Ualide ibne Almogira
Ocupação General
Religião Islamismo

Abu Soleimão Calide ibne Ualide ibne Almogira Almaczuni (em árabe: أبو سليمان خالد بن الوليد بن المغيرة المخزومي; transl.: Abū Sulaymān Khālid ibn al-Walīd ibn al-Mughīrah al-Makhzūmī), melhor conhecido apenas como Calide ibne Ualide/Alvelide[1] (em árabe: خالد بن الوليد; transl.: Khalid/Khaled ibn al-Walid), mas também chamado Caledo (em latim: Chaledus; em grego medieval: Χάλεδος, Cháledos) por Teófanes, o Confessor e Calebo (em latim: Chalebus; em grego medieval: Χάλεβος, Chálebos) por Jorge Cedreno e designado Ceife Alá Almaslul (em árabe: سيف الله المسلول; transl.: Sayf-Allāh al-Maslūl , lit. "Espada Embainhada de Deus"), foi um companheiro de Maomé. É reconhecido por suas táticas e proeza militar, comandando as forças de Medina sob Maomé e as dos sucessores imediatos do Califado Ortodoxo, Abacar e Omar. Foi sob sua liderança militar que a Arábia, pela primeira vez, foi unida sob uma única entidade política. Comandando forças do nascente Estado islâmico, foi vitorioso numa centena de batalhas, contra tropas do Império Bizantino, Império Sassânida e seus aliados, além de outras tribos árabes. Suas realizações estratégicas incluíram a conquista da Arábia nas Guerras Rida, o Assoristão (Mesopotâmia) e Síria entre 632 e 636. Também é lembrado por suas vitórias decisivas em Jamama, Ulais e Firaz e seus sucessos táticos em Ualaja e Jarmuque.

Calide era de uma tribo mecana dos coraixitas, de um clã inicialmente opositor de Maomé. Desempenhou papel vital na vitória mecana na Batalha de Uude contra os muçulmanos. Converteu-se ao islamismo, e juntou-se a Maomé após o Tratado de Hudaibia e participou em várias expedições, como a Batalha de Muta, que foi a primeira batalha entre bizantinos e muçulmanos. Calide relatou que a luta foi tão intensa que, enquanto lutava, quebrou nove espadas. Isso lhe rendeu o título de "Espada de Alá". Calide assumiu o comando após Zaide, Jafar e Abdalá serem mortos. Após a morte de Maomé, desempenhou papel chave na chefia das tropas medinenses a Abacar nas Guerras Rida, conquistando a Arábia Central e subjugando as tribos árabes. Capturou o Estado cliente do Império Sassânida dos lacmidas de Hira e derrotou as forças sassânidas na conquista do Assoristão. Foi depois transferido ao fronte ocidental para capturar a Síria e o Estado cliente do Império Bizantino dos gassânidas.

Embora Omar depois retirou-o do alto comando, Calide permaneceu um líder efetivo das forças enviadas contra o Império Bizantino durante os primeiros estágios das guerras bizantino-árabes. Sob seu comando, Damasco foi capturada em 634 e a vitória árabe chave na Batalha de Jarmuque de 636 permitiu a conquista do Bilade Axam (Levante). Em 638, foi removido de seus serviços militares. Calide lutou cerca de 200 batalhas, tanto grandes batalhas como pequenas escaramuças e duelos individuais, durante sua carreira militar. Ao permanecer invicto, alguns alegam que foi um dos melhores generais na história.

Vida[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Calide nasceu cerca de 585 em Meca. Seu pai era Ualide ibne Almogira, xeique dos Banu Maczum, um clã árabe dos coraixitas, e sua mãe era Lubaba Alçugra binte Alarite, uma irmã paterna de Maimuna binte Alarite.[2] Também era primo de Omar, o futuro segundo califa, e pareciam muito.[3] Logo após nascer, segundo as tradições coraixitas, foi mandado a uma tribo beduína no deserto, onde uma mãe adotiva cuidou dele no ar limpo, seco e não poluído do deserto. Aos cinco ou seis anos, retornou para seus pais em Meca. Durante sua infância, sofreu de varíola, a qual sobreviveu, mas ficou com marcas na bochecha esquerda,[4] e era conhecida na cidade pelo título de al-Waheed ("o Solitário").[5]

Os três principais clãs dos coraixitas à época eram os Banu Hixam, Banu Abdadar e Banu Maczum, com o último sendo responsável pela guerra. Como membro dos Maczum, que estavam entre os melhores cavaleiros na Arábia, Calide aprendeu a cavalgar e usar armas como lança, arco e espada. Na juventude, foi admirado como um renomado guerreiro e lutador entre os coraixitas.[6]

Tempo de Maomé[editar | editar código-fonte]

Antes da conversão ao islamismo[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe sobre Calide nos primeiros dias e pregação de Maomé. Seu pai era conhecido por sua hostilidade ao profeta. Após a migração de Maomé de Meca a Medina, muitas batalhas foram travadas entre a nova comunidade muçulmana em Medina e a confederação dos coraixitas.[7] Calide não participou na Batalha de Badr — a primeira batalha travada entre muçulmanos e coraixitas — mas seu irmão Ualide ibne Ualide foi pego e feito prisioneiro. Calide e seu irmão mais velho Haxam ibne Ualide foram a Medina pagar resgate de Ualide, mas logo depois que foi libertado, Ualide, em meio a viagem para Meca, escapou e voltou para Maomé para se converter.[8] A liderança de Calide foi instrumental para virar a sorte da guerra e garantir uma vitória mecana na Batalha de Uude (625).[9] Em 627, fez parte na campanha coraixita contra os muçulmanos, resultando na Batalha da Trincheira, sua última contra os muçulmanos.[10]

Conversão ao islamismo[editar | editar código-fonte]

Um acordo de paz de dez anos foi concluído entre os muçulmanos e coraixitas de Meca no Tratado de Hudaibia em 628. Foi registrado que Maomé disse ao irmão de Calide, Ualide ibne Ualide, que: "Um homem como Calide, não pode se manter longe do Islã por muito tempo".[11] Ualide escreveu cartas a Calide persuadindo-o a se converter. Calide, que não foi indevidamente atraído para os ídolos da Caaba, decidiu se converter ao Islã e diz-se que compartilhou este assunto com seu amigo de infância Icrima ibne Abi Jal, que se opôs. Calide foi ameaçado por Abu Sufiane ibne Harbe com consequências terríveis, mas foi contido por Icrima, que teria dito: "Firme, ó Abu Sufiane! Sua raiva pode me levar também a se juntar a Maomé. Calide está livre para seguir qualquer religião que escolhe".[12] Em maio de 629, Calide partiu para Medina. No caminho, conheceu Amir ibne Alás e Otomão ibne Talha, que também estavam indo para Medina para se converter ao Islã. Chegaram a Medina em 31 de maio de 629 e foram à casa de Maomé. Calide foi recebido por seu irmão e foi o primeiro entre os três homens a entrar no Islã.[13] Saudou respeitosamente o profeta e assumiu a promessa de lealdade a ele. Então Maomé, muito afetivamente lhe disse:

Tinha certeza, levando em consideração seu brilhantismo, sabedoria e previsão, que certamente um dia você aceitaria o Islã como sua religião.[14]

Referências

  1. Alves 2014, p. 203; 841.
  2. Maomé ibne Saíde 1995, p. 195-196.
  3. Akram 2004, p. 4.
  4. Akram 2004, p. 3.
  5. Akram 2004, p. 2.
  6. Akram 2004, p. 5.
  7. Akram 2004, p. 9.
  8. Akram 2004, p. 14.
  9. Weston 2008, p. 41.
  10. Akram 2004, p. 70.
  11. Akram 2004, p. 75.
  12. Uaquidi século VIII, p. 321.
  13. Walton 2003, p. 208.
  14. Ghadanfar 2001, p. 31.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Akram, Agha Ibrahim (2004). The Sword of Allah: Khalid bin al-Waleed – His Life and Campaigns. Oxônia: Oxford University Press. ISBN 0-19-597714-9 
  • Alves, Adalberto (2014). Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa. Lisboa: Leya. ISBN 9722721798 
  • Ghadanfar, Mahmood Ahmad (2001). The Commanders of Muslim Army. Riade: Darussalam Publishers 
  • Maomé ibne Saíde (1995). The Women of Madina Vol. 8. Traduzido por Bewley, A. Londres: Ta-Ha Publishers 
  • Weston, Mark (2008). Prophets and Princes: Saudi Arabia from Muhammad to the Present. Hoboken, Nova Jérsei: John Wiley and Sons. ISBN 0-470-18257-1