Camille Saint-Saëns

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Charles-Camille Saint-Saëns fotografado por Nadar.

Charles-Camille Saint-Saëns (Francês: [ʃaʁl kamij sɛ̃sɑ̃s]; 9 de outubro de 1835 – 16 de dezembro de 1921) foi um compositor francês, organista, maestro e pianista da Era Romântica. Seus trabalhos mais conhecidos incluem Introdução e Rondo Capriccioso (1863), o Concerto Segundo Piano (1868), o Primeiro Concerto para Violoncelo (1872), Danse Macabre (1874), a ópera Sansão e Dalila (1877), o Terceiro Concerto para Violino (1880), a Terceira Sinfonia (órgão) (1886) e o Carnaval dos Animais (1887).

Saint-Saëns era um prodígio musical, fazendo seu próprio concerto com 10 anos de idade. Depois de estudar no Paris Conservatoire, ele seguiu uma carreira convencional como organista de Igreja, primeiro em Saint-Merri, Paris e, em 1858, La Madeleine, a Igreja oficial do império Francês. Depois de deixar o cargo vinte anos depois, ele atuou como um livre pianista e compositor, na França, Europa Continental, Império Britânico, e Américas.

Quando jovem, Saint-Saëns se entusiasmava com as músicas atuais do seu tempo, particularmente obras de Schumann, Franz Liszt e Richard Wagner, e por isso suas próprias composições eram geralmente compostas no estilo tradicional clássico. Ele era estudante de história da música, e continuou bastante interessado na estrutura trabalhada pelos compositores franceses. Isso o levou a conflitos nos seus últimos anos com compositores  das Escolas Impressionistas e Dodecafônicos; Além disso, haviam elementos neoclássicos nas suas músicas, prenunciando trabalhos de Stravinsky e Les Six, ele foi comumente considerado como um reacionário anos antes e depois de sua morte.

Saint-Saëns trabalhou apenas uma vez como professor, na École de Musique Classique et Religieuse em Paris, e continuou durante menos que cinco anos. Foi muito importante para o desenvolvimento da música francesa: dos seus estudantes estão incluidos Gabriel Fauré, entre cujos alunos mais tarde esteve Maurice Ravel. Ambos fortemente influenciados por Saint-Saëns, a quem reverenciavam como um gênio.

Saint-Saens - Introdução ao Rondo Capriccioso
O Carnaval dos Animais
Dança Macabra, Opus 40


Vida e carreira
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Início de sua vida[editar | editar código-fonte]

Retrato de Françoise Collin (1809-1888), mãe de Camille Saint-Saëns

Saint-Saëns nasceu em Paris, filho único de Jacques-Joseph-Victor Saint-Saëns (1798–1835), um funcionário do Ministério do Interior Francês, e sua esposa, Françoise-Clémence. Victor Saint-Saëns tinha uma ancestralidade da família Norman, e sua esposa da Haute-Marne, o filho deles nasceu na Rue du Jardinet no 6º arrondissement of Paris, e foi batizado na igreja Saint-Sulpice, e sempre se considerou um verdadeiro parisiense. Em menos de dois meses após o batismo, Victor Saint-Saëns morreu de tuberculose no seu primeiro aniversário de casamento. O jovem Camille foi levado para a cidade para tratar de sua saúde, e por dois anos viveu com uma enfermeira em Corbeil, 29 quilômetros do sul de Paris.

Quando Saint-Saëns foi trazido de volta a Paris, ele viveu com sua mãe e sua tia viúva, Charlotte Masson. Antes dos três anos ele mostrou uma perfeita afinação e adorava as músicas e sons vindos do piano. Sua tia-avó o ensinou o básico do pianismo, e por volta dos sete anos ele se tornou aluno de Camille-Marie Stamaty, um ex-aluno de Friedrich Kalkbrenner. Stamaty ensinava seus estudantes a tocar enquanto apoiavam seus antebraços numa barra em frente ao teclado, de modo em que todo poder do pianista saia das mãos e dedos mais do que dos braços, treinamento o qual Saint-Saëns descreveu mais tarde como um bom treinamento. Clémence Saint-Saëns, tinha conhecimento do talento precoce do seu filho, mas não queria que ele se tornasse muito famoso enquanto criança. O crítico de música Harold C. Schonberg escreveu sobre Saint-Saëns em 1969, "Não se percebeu que era uma das crianças mais notáveis da história, incluindo também Mozart." O garoto dava ocasionalmente suas performances para pequenas plateias na idade de cinco, porém foi apenas aos dez que ele fez seu concerto oficial, no Salle Pleyel, numa programação que incluia o Concerto de piano em Si bemol maior de Mozart (K450), e o Terceiro Concerto de Piano de Beethoven. Através da influência de Stamaty, Saint-Saëns foi introduzido na composição do professor Pierre Maleden e o professor de orgão Alexandre Pierre François Boëly. Em pouco tempo ele adquiriu na sua vida uma história de amor com a música de Bach, que na época era pouco conhecido na França.

Saint-Saëns em 1858

Como um colegial Saint-Saëns foi excelente em muitos assuntos. Além de seu talento musical, ele distinguiu-se no estudo da literatura francesa, mitologia grega e romana e matemática. Seus entusiasmos incluem filosofia, arqueologia e astronomia, dos quais, especialmente a última, ele permaneceu como um amador talentoso mais tarde na vida.

Em 1848, aos 13 anos, Saint-Saëns foi aceito no Paris Conservatoire, a mais importante academia de música da França. O diretor, Daniel Auber, sucedeu Luigi Cherubini em 1842, e implantou um regime mais relaxado que o seu predecessor, porém o curriculo da escola permaneceu conservador. Estudantes, até os mais notáveis pianistas como Saint-Saëns, foram encorajados a se especializar em estudos de orgão, pois a carreira como organista de igreja oferecia mais oportunidades que um pianista solo. Seu professor de orgão foi François Benoist, quem Saint-Saëns considerava um mediocre organista porém um professor de alto nível. Seus alunos incluiam Adolphe AdamCésar Franck, Charles AlkanLouis Lefébure-Wély e Georges Bizet. Em 1851 Saint-Saëns ganhou o prêmio máximo do Conservatório para organistas, e no mesmo ano ele começou estudos formais de composição. Seu professor era bastante íntimo de Cherubini e Fromental Halévy, cujos alunos incluem Charles Gounod e Bizet.

Dentre as composições como estudante de Saint-Saëns estão uma sinfonia em Lá Maior (1850) e uma peça de coral, e Les Djinns (1850), para um poema de Victor Hugo. Ele competiu para premier musical da França, o Prix de Rome, em 1852, mas não teve sucesso. Daniel Auber acreditava que o prêmio deveria ter ido para Saint-Saëns, considerando-se que ele era mais promissor que o vencedor, Léonce Cohen, que fez uma pequena marca durante sua carreira. No mesmo ano, Saint-Saëns teve grande sucesso em uma competição organizada pela Société Sainte-Cécile, Paris, com a Ode à Sainte-Cécile, para os quais os juízes votaram nele por unanimidade, conquistando o seu primeiro prêmio. A primeira peça do compositor reconhecida como uma obra madura que recebeu o número um do Opus foi a Trois Morceaux para harmônio (1852).

Início da Carreira[editar | editar código-fonte]

Ao deixar o Conservatório em 1853, Saint-Saëns aceitou o cargo de organista na antiga Igreja parisiense de Saint-Merri perto do Hôtel de Ville. A paróquia foi significativa, com 26.000 paroquianos; em um ano típico, haviam mais de duas centenas de casamentos. Os honorários como organista, juntamente com as taxas para funerais e seu salário básico modesto, deu a Saint-Saëns uma renda confortável. O órgão, obra de François-Henri Clicquot , tinha sido muito danificado na sequência da Revolução Francesa e imperfeitamente restaurado. O instrumento foi adequado para os serviços da igreja, mas não para os recitais ambiciosos que muitas Igrejas parisienses de alto nível ofereciam. Com tempo livre suficiente para prosseguir a sua carreira como pianista e compositor, Saint-Saëns compôs o que se tornou seu Opus 2, o Sinfonia em Mi bemol (1853). Este trabalho possuia fanfarras militares, seções de metais e percussão aumentada, conseguiu pegar o estado de espírito da época, na sequência do levantamento popular ao poder de Napoleão III e a restauração do Império Francês. O trabalho trouxe o compositor outro primeiro prémio do Société Sainte-Cécile. [28]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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