Óleo canola

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Canola)
Ir para: navegação, pesquisa

O termo canola (Brassica napus L., Brassica rapa L., e Brassica juncea) se refere a variedades de plantas de três espécies da família das crucíferas, pertencentes ao gênero Brassica, que produzem um óleo comestível, adequado ao consumo humano. Os grãos de canola produzidos no Brasil possuem em torno de 24 a 27% de proteína e de 34 a 40% de óleo.

O óleo de canola é um termo genérico internacional, não uma marca registrada industrial, cuja descrição oficial é "...um óleo que deve conter menos de 2% de ácido erúcico e cada grama de componente sólido da semente seco ao ar deve apresentar o máximo de 30 micromoles de glucosinolatos " (Canola Council of Canada, 1999).

O farelo de canola possui 34 a 38% de proteínas, sendo um excelente suplemento proteico na formulação de rações para bovinos, suínos, ovinos e aves.[1]

Sementes de canola usada na produção do óleo

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome canola foi escolhido pela diretoria da Associação de colza do Canadá na década de 1970. No entanto, uma série de fontes, incluindo The Free Dictionary, continuam a afirmar que ele representa Can(adian) + o(il) + l(ow) + a(cid). Uma contração que significa "azeite canadense de baixo teor de ácido" erúcico, diferente do óleo de colza natural..

História[editar | editar código-fonte]

Plantação de Canola

Variedades de canola com baixos níveis de ácido erúcico foram desenvolvidas através de melhoramento genético convencional de variedades de B. napus e B. rapa, e posteriormente de B. juncea. O nabo, a couve, a couve de bruxelas, a mostarda, e vários outros vegetais são relacionadas às duas variedades de canola naturais comumente cultivados. A mudança de nome serviu para distingui-lo do óleo natural das variedades disponíveis até o ínicio dos anos 70, que tinham um teor muito mais elevado de ácido erúcico.

Variedades oleaginosas do gênero Brassica são algumas das plantas cultivadas há mais tempo, com relatos do seu uso na Índia há 4.000 anos, e na China e Japão há 2.000 anos.[9]:55 Há relatos do seu uso no norte da Europa em lamparinas no século XIII.[9] Seu uso era limitado até o desenvolvimento de máquinas a vapor, quando foi constatado que o óleo de colza era um melhor lubrificante para superfícies de metal deste tipo de máquina. A Segunda Guerra Mundial trouxe uma grande aumento na demanda deste óleo como lubrificante para o crescente número de máquinas a vapor em embarcações navais e mercantes. Quando a guerra limitou o acesso às fontes européias e asiáticas de óleo de colza, sua consequente escassez levou à expansão da produção no Canadá.

Depois da Segunda Guerra Mundial, houve uma queda drástica da demanda, e agricultores começaram a procurar outros usos para a colza. Extratos de óleo de colza foram colocadas no mercado em 1956-1957 como produtos alimentares, mas estes possuíam várias características desfavoráveis, como um sabor distinto e uma cor esverdeada indesejável, devido à presença de clorofila. O óleo também continha uma concentração elevada de ácido erúcico. Experimentos em animais apontaram para a possibilidade de que o ácido erúcico, consumido em grandes quantidades, pudesse causar danos ao coração, apesar de pesquisadores indianos terem publicado resultados que questionavam estas conclusões, além da implicação de que o consumo de mostarda ou óleo de colza seja perigoso. Foi tentando seu uso em ração de gado, o que também não foi particularmente atraente, por causa dos altos níveis de compostos de sabor ácido chamados glicosinolatos.

A canola foi desenvolvida por melhoramento genético convencional a partir da colza no início da década de 1970, na Universidade de Manitoba, no Canadá, por Keith Downey e Baldur R. Stefansson, possuindo um perfil nutricional muito diferente, além de quantidades muito menores de ácido erúcico.

Valor nutricional[editar | editar código-fonte]

O grão apresenta em média:

O óleo é composto predominantemente por ácido oleico com teor de 58% comparável ao azeite de oliva e 10% de ácido linolênico, comparável ao encontrado no óleo de soja. Seu teor de ácidos graxos é maior do que o dos óleos de amendoim e dendê e menor do que o dos óleos de soja, girassol, milho e algodão.[2]

O óleo de Canola é considerado um dos óleos mais saudáveis que existe no mercado por causa do baixo conteúdo de gordura saturada e alto (quase 60%) conteúdo de gorduras monoinsaturadas.[3] Ele tem um sabor muito leve e é bom para cozinhar ou como tempero para saladas.[4]

O óleo de Canola contém ácidos graxos, ômega 6 e ômega 3---numa proporção de dois por um---, e perde só para o óleo de linhaça em ômega 3. O óleo de Canola é um dos óleos mais saudáveis para o coração e há registro que ele reduz níveis de colesterol, níveis de Triacilglicerol, e mantém as plaquetas saudáveis. Alguns agricultores britânicos, como Hillfarm Oils[1] e Farrington Oils[2] começaram a produzir azeite de colza por prensagem a frio para óleo de cozinhar e de tempero.

De acordo com a BBC Trust Me, Quando usados para fritura, o azeite e o óleo de canola produzem muito menos aldeídos, assim como a manteiga e a banha animal. O motivo é que esses óleos são ricos em ácidos graxos monoinsaturados e saturados, que são muito mais estáveis quando submetidos ao calor. Na verdade, gorduras saturadas raramente passam pelo processo de oxidação.[5]

Biodiesel[editar | editar código-fonte]

O azeite de colza (ou, "óleo de colza"), em estado natural, contém níveis mais altos de ácido erúcico e glucosinolatos que são tóxicos e podem causar queimaduras, bolhas no corpo e lesões nos tecidos internos, podendo até ser fatal.[6] Foi o caso, por exemplo, do azeite envenenado, na Espanha, em 1981, em que introduziram no mercado azeite de colza para usos industriais como se fosse de oliva - morreram 650 pessoas e 20.000 ficaram feridas.[7]

Azeite de colza natural é usado na fabricação de biodiesel para veículos motorizados. O óleo de colza pode ser usado na sua forma pura em motores novos sem causar danos e este é o óleo preferido para a produção de biodiesel na Europa desde 2005, parcialmente porque a colza produz mais óleo por unidade de área de solo comparada com outras fontes de óleo como a soja. Devido ao alto custo do cultivo, prensagem e refinação do óleo de colza, este custa mais caro do que o diesel tradicional. Mas, mesmo assim, este vem sendo oferecido ao público em uma rede de postos com incentivo a preços entre 5 e 10% abaixo do diesel tradicional.[8]

Contudo, pesquisas feitas por especialistas e publicadas na revista Chemistry & Industry, em 2007, e por várias outras fontes, revelam que biodiesel gerado da colza emite a mesma quantia de gases (CO2) que diesel convencional e não faz diferença na redução do aquecimento global. A matéria também diz que se a área de terra usada para plantar colza fosse usada para plantar árvores, o diesel do petróleo iria emitir somente o equivalente de um terço do CO2 emitido por biodiesels.[9]

Precauções[editar | editar código-fonte]

Estudos feitos e mencionados no Scottish Medical Journal ("Jornal médico da Escócia," (em português)) indicam que plantações de colza induzem sintomas adversos, alérgicos e respiratórios, em proporção significativa, em indivíduos que moram nas cidades e vilas nos arredores das plantações e que, do contrário, não estariam saudáveis[10] Os sintomas podem resultar da associação com o pólen, ou fungos, causando alergia, febre, conjuntivite e asma, em jovens e idosos asmáticos e naqueles com o sistema imune enfraquecido por causa de uma doença ou um medicamento. O autor sugere que mais pesquisas devem continuar seguramente em plantações estabelecidas a mais do que cinco quilômetros de distância das áreas residenciais e ainda adverte que os riscos dependem do nível de aceitação da comunidade que confronta o problema.[11]

Outros usos[editar | editar código-fonte]

Óleo de colza natural também pode ser aplicado no uso industrial de:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Embrapa Trigo www.cnpt.embrapa.br. Visitado em 2015-08-15.
  2. a b Regitano-d'Arce, Marisa A. B. (25 de fevereiro de 2008). GRÃOS E ÓLEOS VEGETAIS: MATÉRIAS PRIMAS (Online) (em Português) esalq.usp.br. Visitado em 9 de Abril de 2008.
  3. Canola Council of Canada. Canola Oil: The truth! (Online) (em Inglês) canola-council.org. Visitado em 9 de abril de 2008.
  4. Jegtvig, Shereen (23 de outubro de 2007). Your Guide to Nutrition - Canola Oil (Online) (em Inglês) nutrition.about.com. Visitado em 9 de Abril de 2008.
  5. Azeite, milho ou canola? Pesquisa identifica óleos mais saudáveis para cozinhar - BBC Brasil. Visitado em 2015-08-15.
  6. Armitage (2007). Parliament Publications & Records 1990 (Online) (em Inglês) oilseedrape.org.uk. Visitado em 9 de Abril de 2008.
  7. Gomes, J. C. C.; M. F. S. Borba (2000). "A moderna crise dos alimentos: oportunidade para a Agricultura Familiar?" (Online) (em Português) Agroecologia - Revista da EMATER/RS. Visitado em 9 de Abril de 2008.
  8. Almeida Neto, José Adolfo de; Jeferson C. do Nascimento; Luiz A. G. Sampaio; Jorge Chiapetti; Reinaldo S. Gramacho; Cilene N. Souza e Valéria A. Rocha. (2002). "projeto Bio-Combustível: processamento de óleos e gorduras vegetais in natura e residuais em combustíveis tipo diesel" (Online) (em Português) uesc.br. Visitado em 9 de Abril de 2008.
  9. sciencedaily.com; sci.mond.org (23 de abril de 2007). Biodiesel Won't Drive Down Global Warming (Online) (em Inglês) sciencedaily.com. Visitado em 8 de abril de 2008.
  10. Parratt D, Macfarlane Smith WH, Thomson G, Cameron LA, Butcher RD. Scottish Medical Journal. 1995; 40: 074-76.(em inglês)
  11. Armitage; sci.mond.org (2007). Oilseed rape and the precautionary principle (Online) (em Inglês) oilseedrape.org.uk. Visitado em 8 de abril de 2008.
  12. Do you need a pesticide? Try Canola Oil
  13. Less Toxic Insecticides
  14. canola oil