Carme Riera

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Carme Riera
Carme Riera (Paris 2013)
Nome completo Carme Riera Guilera[1]
Nascimento 12 de janeiro de 1948 (69 anos)
Palma, Ilhas Baleares
Nacionalidade espanhola
Ocupação Escritor, roteirista e membro da Real Academia Espanhola
Principais trabalhos Dins el darrer blau ; La meitat de l'ànima
Prémios Prémio Nacional de Narrativa (1995)

Prémio Sant Jordi de romance (2003)
Prémio Nacional das Letras Espanholas (2015)

Género literário Romance, narrativa e ensaio
Página oficial
http://www.escriptors.cat/autors/rierac/pagina.php?id_sec=1376

Carme Riera Guilera (Palma de Maiorca, 12 de janeiro de 1948)[2] é um escritora em catalão e castelhano, roteirista, ensaísta, professora e membro do Real Academia Espanhola.[3][4] Foi conhecida em 1975 com a publicação do livro Te deix, amor, la mar com a penyora, considerado um best-seller da literatura catalã.[5]

Além da produção narrativa, a extensa atividade literária de Carme Riera, paralelamente à atividade docente e investigadora na UAB, compreende obras em gêneros tão diversos como o ensaio e a crítica literária. Riera escreveu importantes estudos sobre os poetas da escola de Barcelona Carlos Barral, Jaime Gil de Biedma e José Agustín Goytisolo, roteiros de rádio e televisão, literatura infantil e juvenil e dietarismo.[6]

Também destaca como tradutora ao espanhol das suas próprias obras, toda uma amostra de autoexigência e rigor literário, que lhe permeteu se converter, ao mesmo tempo, em leitora crítica da obra original, graças ao distanciamento do texto de partida.[6] "Teria gostado ser jornalista" diz a autora numa entrevista na La Vanguardia, jornal onde se incorpora como articulista com periodicidade quinzenal desde o 2 de fevereiro de 2014.[7]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e inícios[editar | editar código-fonte]

Carme Riera nasceu em 1948 na cidade de Palma de Maiorca, capital das Ilhas Baleares. Tem vínculos familiares com o engenheiro maiorquim Eusebi Estada e o general Valerià Weyler.[8] Com 18 anos começou a escrever narrações que lhe explicava a avó Caterina quando Carme era menina.[6]

Passou a infância e a adolescência na sua cidade natal, e 1965 se deslocou a Barcelona para estudar filologia hispânica na Universidade Autónoma de Barcelona (UAB), onde se licenciou 1970 e da qual é catedrática (a sua especialidade é a literatura do Século de Ouro Espanhol). Riera participou nas mobilizações estudantis contra o franquismo, contra a guerra do Vietnã e no incipiente movimento feminista.[6] Todo este acervo criou o seu olhar sobre a realidade, um olhar que questionava as normas, sob a influência do maio de 68 francês, e que abria uma janela a um mundo radicalmente diferente.[6]

Primeira etapa[editar | editar código-fonte]

O seu primeiro livro de contos, Te deix, amor, la mar com a penyora, teve uma grande repercussão, um grande sucesso de público. Riera aportava um estilo novo e fresco, e utilizava a variante maiorquina coloquial para sugerir e criar uma narrativa que punha sobre a mesa temas que até o momento eram tabus, como o amor entre as mulheres, e ao mesmo tempo era bastante crítica com a sociedade da época.[6] Com a seguinte coletânea de contos, Jo pos per testimoni les gavines, um conjunto de narrações que seguem os mesmos princípios narrativos da obra anterior, fecha-se esta primeira etapa da produção literária da autora.[6]

Segunda etapa[editar | editar código-fonte]

A estreia como romancista com a publicação 1980 de Una primavera per a Domenico Guarini abre a segunda etapa da obra de Riera, que compreende a produção literária da década de 80. Este primeiro romance não só representa uma mudança de gênero, mas também de objetivo, aquele de formular um modelo de romance culto alterno com elementos coloquiais e o de experimentar com a simbiose de registros e de gêneros (a narrativa policial e o ensaio, a linguagem culta e a jornalística). Esta vontade experimentadora e investigadora da autora, e uma atitude de jogo, com um olhar às vezes lúdica e irônica, são os componentes principais deste período, como a coletânea de narrações Epitelis tendríssims e os romances Qüestió d'amor propi e Joc de miralls.[6]

Terceira etapa[editar | editar código-fonte]

Com os romances históricos Dins el darrer blau e Cap al cel obert, com boa recepção por parte da crítica, inicia-se a terceira etapa. Ambos os dois romances constroem a identidade dupla de judeus e maiorquins dos protagonistas, baseada em duas histórias relacionadas: a primeira, ambientada na Maiorca de fim do século XVII, explica a perseguição de um grupo de judeus condenados à fogueira pela inquisição; a segunda tem como protagonistas os descendentes dos judeus do século XVII estabelecidos na ilha de Cuba durante o conflito colonial. Com estas duas ambiciosas narrações, Riera reconstruiu com detalhe e rigor os cenários históricos da época. A escritora constrói histórias de ficção e traça com muito talento o caráter e o perfil das diferentes personagens. Ambas as duas obras têm um grande valor literário e testemunham uma excelente trajetória literária, que se consolida definitivamente na segunda metade da década de 90.[6]

Influências[editar | editar código-fonte]

A vasta bagagem leitora de Carme Riera, consequência de uma atitude apaixonada e erudita pela literatura, configura um amplo marco de referências. Safo, Petrarca, Goethe e Virginia Woolf passeiam pelas suas páginas, mas também os autores da literatura castelhana da formação acadêmica: Cervantes, Clarín, Laforet, Valle-Inclán, Gil de Biedma... Contudo, a autora tem situado as raízes da sua narrativa nas rondalles maiorquinas e na obra de duas escritoras fundamentais na construção da narrativa catalã contemporânea: Caterina Albert e Mercè Rodoreda.[6]

Trabalho publicado[editar | editar código-fonte]

Romance[editar | editar código-fonte]

Prosa[editar | editar código-fonte]

  • 1980: Els cementiris de Barcelona
  • 1998: Temps d'una espera

Infantil[editar | editar código-fonte]

  • Gairebé un conte o la vida de Ramon Llull, biografia para crianças. Barcelona: Câmara Municipal, 1980
  • 1981 Epitelis tendríssims, contos, Edições 62
  • 1988 La molt exemplar història del gos màgic i de la seva cua. Barcelona: Ampúrias
  • 2002 Petita història de Carlos Barral. Barcelona: Mediterrâneo
  • 2005 El gos màgic. Barcelona: Destino, 2003 / Barcelona: Planeta & Oxford
  • 2003 El meravellós viatge de Maria al país de les tulipes. Barcelona: Destino

Os scripts[editar | editar código-fonte]

  • 1989 Es diu Maria Puig la meva mare?, rádio. Barcelona
  • 1994 Quotidiana quotidianitat, televisão, Barcelona
  • 1997 Dones d'aigua (com outros) televisão, Barcelona

Prêmios e reconhecimentos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Ficha de Carme Riera na RAE» (em espanhol). RAE. Consultado em 10 de abril de 2015 
  2. «La escritora y académica Carme Riera recibe el Premio Trajectòria» (em espanhol). El País. 12 de setembro de 2014. Consultado em 10 de abril de 2015 
  3. «Carme Riera» (em inglês). escriptors.cat. Consultado em 10 de abril de 2015 
  4. «Elegida la escritora Carme Riera para ocupar la silla n de la Real Academia Española». Cf. rae.es (em espanhol). Consultado em 20 de abril de 2012 
  5. «Carme Riera i Guilera». Enciclopèdia Catalana, SAU. Consultado em 18 abril 2016 
  6. a b c d e f g h i j «Carme Riera». Culturacat. Generalidade da Catalunha. Consultado em 10 outubro 2012 
  7. Massot, Josep (2 fevereiro 2014). «Carme Riera escriu per a "La Vanguardia"» 
  8. Manresa, Andreu (27 novembro 2004). «La mallorquina que creó un estilo». El País. Consultado em 18 abril 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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