Casa de Malhoa

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Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves - Casa de Malhoa.
Prémio Valmor 1905

A Casa de Malhoa ou Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, localizada em Lisboa na freguesia de São Sebastião da Pedreira, foi projectada pelo arquitecto Norte Júnior nos anos 19041905. Foi construída com a finalidade de servir de habitação e atelier de trabalho, ao pintor José Malhoa. Esta edificação foi agraciada com o Prémio Valmor em 1905, devido à sua beleza arquitectural.

O Edifício[editar | editar código-fonte]

A autorização para a construção da referida casa – inicialmente chamada “Oficina Pró-Arte” e depois “Casa Malhoa” – foi dada pela Câmara Municipal de Lisboa em 1904, tendo a obra ficado ao encargo do construtor Frederico Ribeiro. Tratou-se, assim, da primeira casa-de-artista da capital.

É uma casa constituída na sua fachada por três corpos bem distintos, mas que se integram de uma forma harmoniosa no seu conjunto. Destaca-se na zona central um grande janelão, correspondente à zona que servia de atelier ao pintor. À esquerda desse janelão pode-se ver um pequeno alpendre sobre a escada que dá acesso à porta de entrada. O lado direito da fachada corresponde à zona da sala de jantar.

A Casa Malhoa integrou-se urbanisticamente no plano de crescimento da cidade de Lisboa, o qual não enunciava princípios normativos em matéria de desenho urbano: “cada promotor, construindo para si mesmo, para venda ou arrendamento, pôde optar entre prédio ou moradia, pela ocupação de toda a frente do lote ou não, pelo isolamento do edifício ou pela disposição em banda. As cérceas não foram impostas, muito menos exigências de materiais ou de resoluções estilísticas”. [1] Assim, Norte Júnior projetou um edifício de gaveto, isolado, com uma planta irregular, mas com uma implantação harmónica, distribuído por cave e dois pisos, incluindo espaços ajardinados e muro à volta. A decoração das fachadas assume grande importância, não só pelo cuidado com os pormenores, mas também pelo ritmo empregue, de forma coerente, entre os vários elementos empregues: “eles articulam-se com o jogo de janelas e vazamentos que pululam por todo o edifício entre elementos neo-românicos, persistências da “casa à portuguesa”. [2]

O vitral na sala de jantar e sala anexa ao atelier do pintor é de origem francesa. De destacar também, no exterior do edifício, o portão em ferro forjado, estilo Arte Nova. No conjunto dos elementos decorativos da fachada, destacam-se o friso de azulejos que marca a passagem do primeiro para o segundo piso, embora também existam vários outros registos figurativos e florais, com predomínio das cores de fundo azul e branco (embora também exista o amarelo), que se vão articulando com uma fenestração que é irregular e variada: no corpo central do primeiro piso contam-se quatro janelas de vão retangular; no segundo piso observa-se uma ampla janela de sacada sobre mísulas, com guarda de ferro, sendo que todo o vão é preenchido por uma quadrícula de ferro e vidro. [3] Em suma, “este edifício, que lembra uma original reinterpretação da Casa Portuguesa, traduz uma síntese das correntes estéticas da época, evidenciando um ecletismo patente na utilização do vitral, do azulejo e do ferro forjado, assim como num gosto neo-românico, visível em alguns vãos, associado a uma estética Arte Nova, nomeadamente ao nível da decoração dos vitrais no interior, do ferro forjado no portão e do luxo no programa ornamental”. [4] No período de sucedeu à conclusão das obras de construção, José Malhoa realizou inúmeras viagens, acompanhado pela mulher, exibindo as suas obras nas mais conceituadas exposições de todo o mundo. Contudo, em 1917 verifica-se a morte do seu irmão, seguida pela da sua mulher em 1919, o que, segundo os historiadores, o fez mergulhar numa depressão. Ainda em 1919, o pintor resolve vender a sua casa, instalando o seu atelier na Rua do Rosário, também em Lisboa, já a partir de 1920. A Casa Malhoa foi então adquirida pelo comerciante Dionísio Vasques. Em 1932, por aquisição em hasta pública, a mesma foi comprada pelo médico oftalmologista Anastácio Gonçalves, grande colecionador de arte, que nela residiu até à sua morte, em 1965. [5]

Origem do museu[editar | editar código-fonte]

O Dr. Anastácio Gonçalves adquiriu a Casa de Malhoa em 1932 utilizando-a como sua residência e principalmente como arquivo da sua vasta colecção de arte. A estrutura da casa nessa altura foi alvo de algumas alterações, como a mudança da cozinha para a cave.

Com o falecimento do Dr. Anastácio em 1965, a Casa-Museu passa, por vontade expressa do falecido, para o estado português em 1969.

O edifício abre as suas portas ao público, já como museu, em 1980, depois de ter sofrido algumas alterações de adaptação às suas novas funções. Entretanto, devido à exiguidade de espaço para o espólio existente, sofreu novas alterações em 1996, de acordo com o projecto arquitectónico elaborado pelos arquitectos Frederico George e Pedro George, em que foi anexado ao museu a moradia que existia ao lado. Esta moradia tinha sido projectada pelo arquitecto Norte Júnior.

A Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, está classificada pelo IGESPAR, como Imóvel de Interesse Público (Dec. 28/82 Diário da República de 26 de Fevereiro de 1982).

Colecção permanente[editar | editar código-fonte]

1 - Obras coleccionadas pelo Dr. Anastácio Gonçalves (cerca de 2000) de variadíssimos tipos e podendo destacar-se desse acervo:

2 - Obras que não faziam parte do espólio do Dr. Anastácio Gonçalves, como diversas pinturas portuguesas contemporâneas, assim como diversos objectos do espólio de Silva Porto.

Exposições temporárias[editar | editar código-fonte]

  • Azul e Branco da China - 2 de Dezembro de 1997 a Setembro de 1998.
  • Pintura na colecção Amaral Cabral – 9 de Dezembro de 1998 a Setembro de 1999.
  • António Firmo da Costa. Um ourives de Lisboa através da sua obra – 26 de Janeiro de 2000 a Maio de 2000.
  • Uma família de coleccionadores. Poder e Cultura. Antiga colecção Palmela – 21 de Fevereiro de 2001 a 30 de Setembro de 2001.
  • Da Flandres e do Oriente. Escultura Importada. Colecção Miguel Pinto – de 10 de Julho de 2002 a Março de 2003.
  • Henri Burnai: De Banqueiro a Coleccionador – 27 de Novembro de 2003 a 7 de Novembro de 2004.
  • Colecção Dr. Anastácio Gonçalves. Peças em Reserva – 30 de Novembro de 2004 a 27 de Março de 2005.
  • João Vaz. Um Pintor do Naturalismo – 31 de maio de 2005 a 30 de Novembro de 2005.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. Silva, R. H. (2010). Das Avenidas Novas à Avenida de Berna Cidadania LX. Visitado em 10 de 04 de 2015.
  2. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (2014). A Casa Blog da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Visitado em 13 de 04 de 2015.
  3. Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (2014). Casa do Pintor José Malhoa Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Visitado em 11 de 04 de 2015.
  4. Câmara Municipal de Lisboa (2014). Casa Malhoa (Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves) Câmara Municipal de Lisboa. Visitado em 16 de 04 de 2015.
  5. Morgado (2012). Contributos para um Programa de Interpretação e Comunicação na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves Repositório Universidade Nova. Visitado em 14 de 04 de 2015.