Estação Ferroviária do Cais do Sodré

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Cais do Sodré
Fachada da estação, em 2010.
Inauguração 4 de Setembro de 1895
Linha(s) Linha de Cascais (PK 0,000)
Coordenadas 38° 42′ N 9° 8′ W
Concelho Lisboa
Coroa L
Serviços Ferroviarios Urbano
Serviços Ligação a autocarros Serviço de táxis Ligação a barcos Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Lavabos Caixas Multibanco Bar ou cafetaria Zona Comercial Parque de estacionamento Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Informações - Gabinete de Apoio ao Cliente Guarda de bagagem Posto de perdidos e achados Linha Verde do Metropolitano de Lisboa
Localização
CP-USGL + Soflusa + Fertagus

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços: BSicon uBHFq.svg Sado (CP+Soflusa)BSicon fBHFq.svg Sintra (CP)
BSicon uexBHFq.svg FertagusBSicon BHFq.svg Azambuja (CP)BSicon BHFq yellow.svg Cascais (CP)


(n) Azambuja 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Head station
Urban head station
 Praias do Sado-A (u)
(n) Esp. Azambuja 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Urban station on track
 Pç. do Quebedo (u)
(n) V. N. Rainha 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexKBHF-Ra"
 Setúbal (u)
(n) Carregado 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Palmela (u)
(n) Cast. Ribatejo 
Unknown route-map component "vKBHFa-BHF" Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
Unknown route-map component "vBHF" Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
Unknown route-map component "vBHF" Urban station on track Unused straight waterway
 Penteado (a)
(n) Alverca 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdKBHF-La" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Moita (a)
(n) Póvoa 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
Unknown route-map component "fvKBHFa-BHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Unknown route-map component "uTRAJEKT" Unused straight waterway
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban End station Unused straight waterway
 Terreiro do Paço (a)
(n) Santa Apolónia 
Unknown route-map component "fvSTR" Unknown route-map component "vSTRgl" Unknown route-map component "KBHFeq" Unknown route-map component "uexBHF"
 Penalva (u)
(z) Marvila 
Unknown route-map component "fvSTR" Station on track Unknown route-map component "uexBHF"
 Coina (u)
 
Unknown route-map component "fvSTR" Unknown route-map component "KRWl" Unknown route-map component "KRW+r" Unknown route-map component "uexBHF"
 Fogueteiro (u)
(z) Roma - Areeiro 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexKBHF-Ma" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Pragal (u)
 
Unknown route-map component "fvSTR"
Unknown route-map component "uexSTRl" + Unknown route-map component "fvSTR+l-"
Unknown route-map component "fSTRq" + Interchange on track
Unknown route-map component "uexSTRr" + Unknown route-map component "fSTR+r"
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "fKBHFe"
 Rossio (s)
(s) Sta. Cruz / Damaia 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "KBHFa yellow"
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "BHF yellow"
 Santos (c)
**(z) Alcântara - Terra 
Unknown route-map component "fvSHI1l"
Unknown route-map component "fSHI1c3" + Unknown route-map component "fSHI1+r"
End station + Unknown route-map component "HUBaq"
Unknown route-map component "BHF yellow" + Unknown route-map component "HUBeq"
 Alcântara - Mar (c)**
(s) Amadora 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Belém (c)
(s) Queluz - Belas 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Paço de Arcos (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
Unknown route-map component "fKBHFe" + Unknown route-map component "fSHI1c1"
Unknown route-map component "fvSHI1+r" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Santo Amaro (c)
(s) Rio de Mouro 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Oeiras (c)
(s) Mercês 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Carcavelos (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Parede (c)
(s) Portela de Sintra 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 S. Pedro Estoril (c)
(s) Sintra 
Unknown route-map component "fvKBHFe" Unknown route-map component "BHF yellow"
 S. João Estoril (c)
 
Unknown route-map component "BHF yellow"
 Estoril (c)
(c) Cascais 
Unknown route-map component "KBHFaq yellow" Unknown route-map component "BHFq yellow" Unknown route-map component "STRr yellow"
 Monte Estoril (c)

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaisz L.ª Cintura
n L.ª Norteo L.ª Oestes L.ª Sintrau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A (**) vd. Pass. Sup. Alcântara

Fonte: Página oficial, 2013.02
(nomes das estações de acordo com a fonte)
Disambig grey.svg Nota: Para a estação de metropolitano com o mesmo nome, veja Estação Cais do Sodré.

A Estação Ferroviária do Cais do Sodré é uma interface ferroviária da Linha de Cascais, situada na cidade de Lisboa, em Portugal; foi inaugurada em 4 de Setembro de 1895.[1] Está classificada desde 7 de novembro de 2012 como Monumento de Interesse Público.[2]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

A estação situa-se junto à Praça Duque de Terceira, na freguesia de Misericórdia (São Paulo), em Lisboa.[3]

Vias e plataformas[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2011, tinha 6 vias de circulação, com 287 a 298 m de comprimento; as plataformas tinham 206 a 220 m de extensão, e apresentavam todas 110 cm de altura.[4]

Edifício[editar | editar código-fonte]

O edifício da estação do Cais do Sodré apresenta um estilo modernista.[5] Foi desenhado pelo arquitecto Pardal Monteiro, e inaugurado em 1928.[6]

Enquadramento[editar | editar código-fonte]

A Estação é uma dos mais movimentados interfaces da cidade, permitindo a articulação da Linha de Cascais, da qual é terminal, com:

Situa-se no centro de Lisboa, a 10 minutos (a pé) da Praça do Comércio.

Faz parte de um conjunto de quatro terminais no Centro de Lisboa, terminais das ligações radiais:

Os quatro terminais não se encontram ligados directamente entre si por intermédio de uma rede ferroviária, originando uma descontinuidade da rede ferroviária de Lisboa. Para colmatar esta descontinuidade, existem linhas de transportes urbanos que permitem a ligação directa entre os quatro terminais. Estas linhas são operadas pela Carris ou pelo Metropolitano de Lisboa:

Ponte-Bus Santa Apolónia ⇄ Cais do Sodré. Assinala o conjunto de autocarros que, funcionando 24 horas por dia e com elevadas frequências, permitem a articulação entre as estações de Santa Apolónia, Sul e Sueste e Cais do Sodré

As ligações do Metropolitano de Lisboa são operadas pela Linha Verde e as da Carris através da Ponte-Bus Cais do Sodré ⇄ Santa Apolónia. Ressalva-se ainda a possibilidade de fazer a articulação entre Cais do Sodré e Rossio através das carreiras 15E, 207, 208, 732, 736 e 760 da Carris.

Serviços[editar | editar código-fonte]

Transporte ferroviário[editar | editar código-fonte]

Urbanos de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Logo CP 2.svg   CP Urbanos de Lisboa
Logo lc.png
Cais do Sodré ↔ Cascais
Logo lc.png
Cais do Sodré ↔ Oeiras
(excepto fins-de-semana e feriados)

Padrão de serviços de comboio[editar | editar código-fonte]

Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
Terminal   CP Lisboa
Linha de cascais
  Santos
Direção Oeiras1 / Cascais
    Alcântara - Mar
Direção Cascais1

1Excepto fins-de-semana e feriados

Comboios de Portugal Estações ferroviárias servidas dentro de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Transportes urbanos[editar | editar código-fonte]

Logo ccfl.png Carris[editar | editar código-fonte]

Metropolitano de Lisboa Metropolitano de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Logo aerobus lx.jpg Aerobus[editar | editar código-fonte]

Transportes fluviais[editar | editar código-fonte]

Transtejo.svg Transtejo[editar | editar código-fonte]

História[editar | editar código-fonte]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

Antecedentes e planeamento[editar | editar código-fonte]

Em 1855, o conde Clarange du Lucotte apresentou um programa para a urbanização da margem do Tejo na zona Ocidental de Lisboa, que incluía a construção de um caminho de ferro do Cais do Sodré até Sintra.[7] No entanto, este projecto não conseguiu avançar devido à oposição encontrada, tendo o contrato sido anulado em 1861.[7] Posteriormente, surgiram outras propostas para a requalificação da margem do Tejo, como uma de 1876 pelo empresário Moser, da qual também fazia parte um caminho de ferro, mas que foi igualmente anulada.[7] Os trabalhos só se iniciaram definitivamente nos finais do Século XIX, já englobando a construção da Linha de Cascais.[7] Em 9 de Abril de 1887, um alvará autorizou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses a construir uma linha férrea da Estação de Santa Apolónia a Cascais, passando por Belém.[8] O principal objectivo deste projecto era melhorar o acesso de Lisboa às praias, que já eram então muito procuradas pela população da capital, e que então era feito por uma estrada costeira e por uma carreira de vapores, que demoravam cerca de 75 minutos na viagem do Cais do Sodré até Cascais.[8]

Zona do Cais do Sodré na Década de 1890, vendo-se à esquerda a estação original.

Inauguração e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Em 30 de Setembro de 1889, entrou ao serviço o primeiro lanço da Linha de Cascais, de Pedrouços a Cascais, sendo a ligação entre Pedrouços e a capital feita através de barcos que partiam da ponte do Cais do Sodré.[9]

Em 6 de Dezembro de 1890, a Linha de Cascais chegou a Alcântara-Mar, e em 4 de Setembro de 1895, foi prolongada até ao Cais do Sodré, concluindo aquele caminho de ferro.[10] A estação original do Cais do Sodré era apenas composta por um edifício modesto, construído em madeira.[11] Embora este edifício tenha sido construído apenas de forma provisória, os sucessivos atrasos na construção da estação definitiva levaram a que tenha sido utilizado durante muitos anos, situação que também se verificou noutros pontos do país.[12]

Em 1 de Fevereiro de 1897, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que já estava terminada a segunda via entre o Cais do Sodré e Alcântara Mar, e que em breve iria entrar ao serviço, ficando assim concluída a duplicação de toda a Linha de Cascais.[13] Reportou igualmente que ainda não estava concluída a terraplanagem da zona entre a estação e a ponte dos vapores, onde estava prevista a construção da estação definitiva.[13] A via dupla entrou ao serviço em 4 de Julho desse ano.[14]

Horários dos comboios em 1905, incluindo a Linha de Cascais.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Décadas de 1900 e 1910[editar | editar código-fonte]

Em 16 de Abril de 1902, a Gazeta informou que a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses já tinha ordenado a construção de vários abrigos para passageiros no Cais do Sodré,[15] tendo esta obra sido incluída no orçamento para 1902 da companhia.[16]

Em 16 de Fevereiro de 1903, a Gazeta reportou que na sessão da Câmara dos Pares do dia 3 de Fevereiro o sr. Dantas Baracho tinha criticado o facto da gare ferroviária do Cais do Sodré ainda funcionar num edifício provisório, tendo-a classificado como «uma estação vergonhosa para a capital do paiz».[17] A construção da gare definitiva, que então estava planeada no eixo da Rua do Alecrim, só podia iniciar-se após a conclusão das obras do porto, que no entanto estavam paralisadas devido a uma questão no tribunal arbitral.[17]

Em 1 de Dezembro de 1914, a Gazeta informou que a Companhia Real tinha recentemente apresentado um projecto de tarifa especial para o transporte de cortiça, que abrangia as principais estações onde se fabricava ou exportava aquele produto, como o Cais do Sodré.[18]

Durante muitos anos a hora legal de Portugal era marcada a partir de um relógio instalado junto ao Cais do Sodré, tendo o primeiro sido colocado em 1914; foi substituído, em 2001, por um relógio digital, sendo o original exposto na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Alcântara.

Em 1918, a Companhia Real subarrendou a exploração da Linha de Cascais à Sociedade Estoril, ficando esta empresa responsável por instalar a tracção eléctrica na linha.[19][20] No entanto, nessa altura ainda se faziam sentir os efeitos económicos da Primeira Guerra Mundial, o que, em conjunto com outros factores, forçaram ao adiamento das obras até aos meados da Década de 1920.[8]

Comboio do Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro no Cais do Sodré, em 1935.

Décadas de 1920 e 1930[editar | editar código-fonte]

Numa entrevista publicada na Gazeta de 1 de Agosto de 1926, o engenheiro Manuel Belo, dos serviços de tracção da Sociedade Estoril, falou sobre o programa de modernização e electrificação da Linha de Cascais, tendo informado que já tinha sido concluído o projecto para uma nova estação no Cais do Sodré.[21] Revelou que as obras ainda não se tinham iniciado, uma vez que que o espaço destinado para a nova estação ainda estava ocupado por barracões da Câmara Municipal de Lisboa e da Alfândega, prevendo-se que estaria construída dentro de um ano.[21] O projecto, elaborado pelo arquitecto Pardal Monteiro,[22] orientava para uma traça sóbria mas monumental do edifício,[21] utilizando linhas arquitectónicas no estilo modernista.[8] A nova estação deveria ser capaz de garantir a continuidade do serviço e atender às necessidade do público,[8] e ao mesmo tempo melhorar a zona em que se inseria a estação, dando uma imagem renovada à Linha de Cascais, reforçando a sua reputação como uma linha turística internacional.[6]

Também estava previsto que a nova estação iria incluir uma oficina para reparações de material circulante.[21] A 15 de Agosto desse ano, deu-se a cerimónia de inauguração da tracção eléctrica na Linha de Cascais, tendo o primeiro comboio a tracção eléctrica partido da estação do Cais do Sodré às 11.30, com destino ao Estoril.[23] A inauguração deu-se ainda na antiga estação do Cais do Sodré, que nessa altura era composta por um velho barracão, rodeado de quiosques e pontos de venda de hortaliças, e onde se acumulavam canastras de peixe.[8] Já se tinha procedido anteriormente a modificações nas plataformas, de forma a ficarem mais elevadas.[8] Pouco depois da cerimónia, a Sociedade Estoril iniciou a demolição da antiga estação e da limpeza do largo em frente, e a construção do novo edifício.[8] Além do Cais do Sodré, a Sociedade Estoril também reconstruiu outras estações na Linha de Cascais, no âmbito do programa de modernização.[8] No caso da estação de Cascais, a composição geral das vias e das plataformas foi construída de forma a ser idêntica à do Cais do Sodré.[8]

Um decreto publicado no Diário do Governo de 26 de Agosto de 1926 aprovou um projecto da Sociedade Estoril para várias alterações na divisão interior do primeiro andar, no edifício da estação do Cais do Sodré.[24]

A nova estação do Cais do Sodré foi inaugurada em 18 de Agosto de 1928.[25]

Entretanto, na Década de 1920 continuou a intenção de ligar o Cais do Sodré a Santa Apolónia por uma linha marginal, tendo o engenheiro António Belo idealizado uma estação ferroviária e marítima em frente do torreão da Alfândega, sendo a linha até ao Cais do Sodré subterrânea.[26] Este projecto foi cancelado quando foi reconstruída a Estação do Sul e Sueste.[26]

Em 1931, foi instalado no Cais do Sodré um posto eléctrico de comando central de agulhas e encravamentos, com os correspondentes sinais, tendo sido o primeiro deste género em Portugal.[8]

Em 1934, a Sociedade Estoril fez obras de calcetamento nas plataformas do Cais do Sodré.[27]

Em 14 de Fevereiro de 1937, foi organizado um comboio especial do Cais do Sodré até Cascais para inaugurar cinco novas carruagens, viagem que contou com a presença do presidente Óscar Carmona e de outras altas individualidades do governo e dos caminhos de ferro.[28]

Horários da Linha de Cascais em 1943.

Década de 1940[editar | editar código-fonte]

Um despacho da Direcção Geral dos Caminhos de Ferro, publicado no Diário do Governo n.º 114, II Série, de 19 de Maio de 1949, aprovou um projecto da Companhia dos Caminhos de Ferro portugueses para uma tarifa especial de grande velocidade, em acordo com a Sociedade Estoril, para o transporte de fruta fresca de mesa, hortaliças e legumes verdes desde a região do Algarve até à estação do Cais do Sodré.[29]

Décadas de 1950 e 1960[editar | editar código-fonte]

Em 1950, foi anunciado um novo projecto para uma gare marítima, que se deveria situar no alinhamento da estação do Cais do Sodré, nos terrenos do Arsenal da Marinha e do Terreiro do Paço.[26] Teria ligação ferroviária por um ramal que sairia da Linha de Cascais junto à Estação de Santos e seguiria em perfil interior até à gare marítima, onde teria plataformas para passageiros e mercadorias, continuando depois até Santa Apolónia.[26]

Em 1 de Fevereiro de 1951, a Gazeta noticiou que um comboio de passageiros tinha chocado contra uma composição de mercadorias no interior da estação do Cais do Sodré, fazendo uma vítima mortal e mais de 40 feridos.[30] Nessa altura, pensava-se que este acidente tinha sido provocado por erro de um agulheiro.[30]

Um diploma do Ministério das Comunicações de 24 de Novembro de 1951, publicado no Diário do Governo n.º 246, Série I, de 24 de Novembro, alterou as condições do imposto ferroviário para a Linha de Cascais, de forma a permitir a realização de várias obras no sentido de melhorar as condições de segurança na linha, incluindo a remodelação da sinalização na estação do Cais do Sodré.[31]

Em 25 de Janeiro, 23 de Fevereiro e 14 de Julho de 1952, ocorreram três acidentes nas agulhas da estação do Cais do Sodré.[32] A Sociedade Estoril realizou dois inquéritos, um deles por técnicos especializados, onde foram apontadas as causas dos acidentes, e em 23 de Julho publicou uma nota de imprensa onde afirmou que tinham sido tomadas várias precauções, e que tinha sido encomendada uma instalação complementar ao sistema de agulhas, que deveria embarcar antes do final do mês e ser montada logo que fosse possível.[32] Informou igualmente que tinha ordenado a realização de um terceiro inquérito devido ao acidente de 14 de Julho, estando à espera dos resultados.[32]

Em 16 de Agosto de 1955, iniciaram-se os trabalhos de modernização da via férrea no lanço entre Belém e Alcântara-Mar, esperando-se que logo em seguida se iniciariam as obras entre Alcântara-Mar e o Cais do Sodré.[33] Em finais desse ano, o jornal Diário Popular publicou um artigo onde exigiu a construção de uma passagem inferior de acesso à estação do Cais do Sodré, devido aos problemas de segurança que existiam no atravessamento da avenida, especialmente nas horas de ponta, quando se verificava um grande movimento de passageiros.[34]

Em 28 de Maio de 1963, a cobertura interior da estação, construída no fim da Década de 1950, desabou sobre a gare fazendo 49 mortos e cerca de 40 feridos.[35]

Década de 1990[editar | editar código-fonte]

Nos princípios da Década de 1990, o Gabinete do Nó Ferroviário de Lisboa e a empresa Caminhos de Ferro Portugueses iniciaram um programa de modernização das vias férreas suburbanas da capital, que incluiu a remodelação da estação do Cais do Sodré, e as suas interfaces com os serviços do Metropolitano de Lisboa, da Carris e da Transtejo.[36]

Em 29 de Maio de 1998, esta interface foi temporariamente encerrada, devido a uma greve dos trabalhadores da empresa Caminhos de Ferro Portugueses.[37]

Plataformas da estação do Cais do Sodré, em 2002.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Ao longo dos primeiros anos do século XXI a estação foi ampliada e construídos novos cais de embarque de acordo com projeto de arquitetura de Pedro Botelho e Nuno Teotónio Pereira (Prémio Valmor 2008).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. MARTINS et al, 1996:251
  2. Lusa (7 de novembro de 2012). «Estação de comboios do Cais do Sodré, em Lisboa, classificada monumento de interesse público». Público. Consultado em 18 de Novembro de 2012 
  3. «Cais do Sodré». Comboios de Portugal. Consultado em 11 de Julho de 2017 
  4. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  5. NUNES, José de Sousa (16 de Junho de 1949). «A Via e Obras nos Caminhos de Ferro de Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1476). p. 418-422. Consultado em 19 de Julho de 2017 
  6. a b REIS et al, 2006:62
  7. a b c d PERESTRELO, Afonso de Mello Cid (1 de Fevereiro de 1938). «O Porto de Lisboa e as suas obras» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 50 (1203). p. 72-75. Consultado em 15 de Julho de 2017 
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  10. TORRES, Carlos Manitto (16 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1682). p. 61-64. Consultado em 11 de Julho de 2017 
  11. MARTINS et al, 1996:31
  12. «O nosso director, engenheiro Fernando de Sousa, concedeu uma sensacional entrevista ao "Jornal de Notícias" sôbre os serviços da rêde ferroviária do Norte de Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1183). 1 de Abril de 1937. p. 180-183. Consultado em 11 de Julho de 2017 
  13. a b «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1179). 1 de Fevereiro de 1937. p. 88-89. Consultado em 11 de Julho de 2017 
  14. NONO, Carlos (1 de Julho de 1948). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1453). p. 362-363. Consultado em 15 de Julho de 2017 
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
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Leitura recomendada[editar | editar código-fonte]

  • ANTUNES, J. A. Aranha; et al. (2010). 1910-2010: o caminho de ferro em Portugal. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e REFER - Rede Ferroviária Nacional. 233 páginas. ISBN 978-989-97035-0-6 
  • CERVEIRA, Augusto; CASTRO, Francisco Almeida e (2006). Material e tracção: os caminhos de ferro portugueses nos anos 1940-70. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. 5. Lisboa: CP-Comboios de Portugal. 270 páginas. ISBN 989-95182-0-4 
  • SALGUEIRO, Ângela (2008). A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses: 1859-1891. Lisboa: Univ. Nova de Lisboa. 145 páginas 
  • VARANDA, Paulo (2001). Estação de Caminhos de ferro do Cais do Sodré. Col: Lisboa porta a porta. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa. 31 páginas. ISBN 972-8672-12-8 
  • VILLAS-BOAS, Alfredo Vieira Peixoto de (2010) [1905]. Caminhos de Ferro Portuguezes. Lisboa e Valladollid: Livraria Clássica Editora e Editorial Maxtor. 583 páginas. ISBN 8497618556 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]