Estação Ferroviária do Rossio

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Rossio
EstacaoRossioLisboa.JPG
Inauguração 18 de Maio de 1890
Linha(s) Linha de Sintra (PK 0,000)
Coordenadas 38° 42′ N 9° 8′ W
Concelho Lisboa
Coroa L
Serviços Ferroviarios Urbano
Serviços Ligação a autocarros Linha Azul do Metropolitano de Lisboa Serviço de táxis Informações - Gabinete de Apoio ao Cliente Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Pessoal de apoio na estação Lavabos Telefones públicos Caixas Multibanco Bar ou cafetaria Zona Comercial Elevadores Escadas rolantes Guarda de bagagem Posto de perdidos e achados Estacionamento para bicicletas
Localização
Complexo da Estação do Rossio, visto do Castelo de São Jorge

A Estação Ferroviária do Rossio, originalmente conhecida como Estação do Rocio ou Estação Central de Lisboa, é gerida pela Infraestruturas de Portugal, SA, é uma das principais estações da Linha de Sintra, que serve o centro da cidade de Lisboa, em Portugal. Foi inaugurada em 18 de maio de 1890, mas só entrou ao serviço em 11 de junho de 1891.[1]

Descrição[editar | editar código-fonte]

CP-USGL + Soflusa + Fertagus

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços: BSicon uBHFq.svg Sado (CP+Soflusa)BSicon fBHFq.svg Sintra (CP)
BSicon uexBHFq.svg FertagusBSicon BHFq.svg Azambuja (CP)BSicon BHFq yellow.svg Cascais (CP)


(n) Azambuja 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Head station
Urban head station
 Praias do Sado-A (u)
(n) Esp. Azambuja 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Urban station on track
 Pç. do Quebedo (u)
(n) V. N. Rainha 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexKBHF-Ra"
 Setúbal (u)
(n) Carregado 
Unknown route-map component "c"
Unknown route-map component "cd" + Station on track
Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Palmela (u)
(n) Cast. Ribatejo 
Unknown route-map component "vKBHFa-BHF" Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
Unknown route-map component "vBHF" Unknown route-map component "uBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-R"
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
Unknown route-map component "vBHF" Urban station on track Unused straight waterway
 Penteado (a)
(n) Alverca 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdKBHF-La" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Moita (a)
(n) Póvoa 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "fdBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
Unknown route-map component "fvKBHFa-BHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Unknown route-map component "uTRAJEKT" Unused straight waterway
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "vBHF-R" Urban End station Unused straight waterway
 Terreiro do Paço (a)
(n) Santa Apolónia 
Unknown route-map component "fvSTR" Unknown route-map component "vSTRgl" Transverse terminus from right Unknown route-map component "uexBHF"
 Penalva (u)
(z) Marvila 
Unknown route-map component "fvSTR" Station on track Unknown route-map component "uexBHF"
 Coina (u)
 
Unknown route-map component "fvSTR" Unknown route-map component "KRWl" Unknown route-map component "KRW+r" Unknown route-map component "uexBHF"
 Fogueteiro (u)
(z) Roma - Areeiro 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexKBHF-Ma" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Pragal (u)
 
Unknown route-map component "fvSTR"
Unused waterway turning left + Unknown route-map component "fvSTR+l-"
Unknown route-map component "fSTRq" + Interchange on track
Unused waterway turning right + Unknown route-map component "fSTRlg"
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "fKBHFe"
 Rossio (s)
(s) Sta. Cruz / Damaia 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "KBHFa yellow"
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "BHF yellow"
 Santos (c)
**(z) Alcântara - Terra 
Unknown route-map component "fvSHI1l"
Unknown route-map component "fSHI1c3" + Unknown route-map component "fSHI1+r"
End station + Hub
Unknown route-map component "BHF yellow" + Hub
 Alcântara - Mar (c)**
(s) Amadora 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Belém (c)
(s) Queluz - Belas 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "fvBHF-L" Unknown route-map component "fdBHF-R" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Paço de Arcos (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
Unknown route-map component "fKBHFe" + Unknown route-map component "fSHI1c1"
Unknown route-map component "fvSHI1+r" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Santo Amaro (c)
(s) Rio de Mouro 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Oeiras (c)
(s) Mercês 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Carcavelos (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Parede (c)
(s) Portela de Sintra 
Unknown route-map component "fvBHF" Unknown route-map component "BHF yellow"
 S. Pedro Estoril (c)
(s) Sintra 
Unknown route-map component "fvKBHFe" Unknown route-map component "BHF yellow"
 S. João Estoril (c)
 
Unknown route-map component "BHF yellow"
 Estoril (c)
(c) Cascais 
Unknown route-map component "KBHFl yellow" Unknown route-map component "BHFq yellow" Unknown route-map component "STRrf yellow"
 Monte Estoril (c)

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaisz L.ª Cintura
n L.ª Norteo L.ª Oestes L.ª Sintrau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A (**) vd. Pass. Sup. Alcântara

Fonte: Página oficial, 2013.02
(nomes das estações de acordo com a fonte)

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

Situa-se na cidade de Lisboa, tendo acesso pela Rua 1º de Dezembro.[2]

Vias e plataformas[editar | editar código-fonte]

Esta interface contava, em janeiro de 2011, com 5 vias de circulação, com comprimentos entre os 147 e 196 metros; as plataformas tinham 132 a 208 metros de extensão, e apresentavam todas 90 centímetros de altura.[3]

Edifício[editar | editar código-fonte]

Interior da estação do Rossio, em 2012

Edificado em estilo manuelino, e do risco do arquitecto José Luís Monteiro, o edifício está classificado desde 1971 como imóvel de interesse público,[4] estando igualmente integrado numa zona de protecção conjunta dos imóveis classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente.[5]

Originalmente, o complexo incluía o edifício da estação com a cobertura metálica, um prédio anexo que albergava o hotel, o Túnel do Rossio, e as rampas de acesso ao Largo do Carmo.[6] A nave da gare, de grandes dimensões, é coberta por um alpendre de ferro e vidro e tem 130 metros de comprimento e 21 metros de altura, albergando, em 1989, 9 vias.[7]

O complexo da estação compreende-se por vários níveis, vencendo, através de pisos intermédios, o grande desnível entre a altura das vias férreas e a cota do Rossio e dos Restauradores.[8] Este tipo de estação é raro em Portugal, sendo o Rossio o principal exemplo no país.[8]

Enquadramento[editar | editar código-fonte]

Faz parte de um conjunto de quatro terminais no Centro de Lisboa, terminais das ligações radiais:

Os quatro terminais não se encontram ligados directamente entre si por intermédio de uma rede ferroviária, originando uma descontinuidade da rede ferroviária de Lisboa. Para colmatar esta descontinuidade, existem linhas de transportes urbanos que permitem a ligação directa entre os quatro terminais. Estas linhas são operadas pela Carris ou pelo Metropolitano de Lisboa:

  • Santa Apolónia ⇄ Sul e Sueste - Carris ou Metropolitano de Lisboa
  • Santa Apolónia ⇄ Rossio - Metropolitano de Lisboa
  • Santa Apolónia ⇄ Cais do Sodré - Carris

As ligações do Metropolitano de Lisboa são operadas pela linha azul e as da Carris através da Ponte-Bus Santa Apolónia ⇄ Cais do Sodré. Ressalva-se ainda a possibilidade de fazer a articulação entre Santa Apolónia e Rossio através da carreira 759 da Carris.

Serviços[editar | editar código-fonte]

Esta interface foi frequentemente servida pelo Sud Expresso, ao longo do Século XX.[9][10]

Também recebeu comboios de mercadorias, dispondo em 1940 de um serviço de despacho próprio para este tipo de transporte.[11] A estação do Rossio também serviu como um entreposto para o correio transportado por via ferroviária, tendo albergado um serviço de triagem com carimbos próprios.[12]

Transporte ferroviário[editar | editar código-fonte]

Serviço Municípios Servidos
CP Urbano
Linha de Sintra
Lisboa, Amadora, Oeiras e Sintra

Urbanos de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Logo CP 2.svg   CP Urbanos de Lisboa
Logo Linha Sintra.png
Sintra ↔ Oriente
Logo Linha Sintra.png
Sintra ↔ Alverca
Logo Linha Sintra.png
Sintra ↔ Rossio
Logo Linha Sintra.png
Mira Sintra - Meleças ↔ Rossio

Comboios de Portugal Estações ferroviárias servidas dentro de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Padrão de serviços de comboio[editar | editar código-fonte]

Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
Campolide
Direção Sintra / Mira Sintra-Meleças
  CP Lisboa
Linha de Sintra
  Terminal

Transportes urbanos[editar | editar código-fonte]

Carris (autocarros e eléctricos)Carris[editar | editar código-fonte]

Metropolitano de Lisboa Metropolitano de Lisboa[editar | editar código-fonte]

Airplane.png AeroBus[editar | editar código-fonte]

Entrada do Túnel do Rossio, visto a partir da gare

Túnel do Rossio[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Túnel do Rossio

O acesso dos comboios à estação faz-se, a partir da estação de Campolide, por um túnel em via dupla com 2613 m de comprimento e com um perfil abobadado de 8 m de largura por 6 m de altura até ao fecho da abóbada.

Entre a boca do túnel em Campolide e o seu final na Estação do Rossio este desce 24,26 m, o que corresponde a um declive de aproximadamente 1%.

Entre 2004 e 2008 o túnel esteve encerrado para obras de reabilitação, levando também à desativação da Estação Ferroviária do Rossio por igual período. Com esta reabilitação todo o túnel passou a estar dotado de uma plataforma de via em betão com carris embebebidos, possibilitando assim um acesso mais facilitado a veículos de serviço ou de socorro.

Possui um poço de escapatória para a superfície a meio do percurso, com saída próxima do cruzamento com a Rua Alexandre Herculano.

Estação em construção no século XIX (1886)

História[editar | editar código-fonte]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

Planeamento e construção[editar | editar código-fonte]

Um alvará de 7 de julho de 1886 autorizou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses a construir uma ligação ferroviária entre a Linha do Leste, em Xabregas, à Linha do Oeste, em Benfica; outro alvará, datado de 9 de abril do ano seguinte, autorizou a Companhia Real a construir e explorar um ramal urbano, em via dupla, que ligasse a Linha do Oeste a uma interface no centro de Lisboa, que serviria para passageiros e mercadorias.[13] Um terceiro alvará, publicado no dia 23 de julho, autorizou a Companhia a construir dois ramais na futura Linha de Cintura, de forma a ligar à Estação Central de Lisboa (posteriormente Estação do Rossio).[13]

A nave da Estação foi planeada, entre 1886 e 1887[14], pelo arquitecto José Luís Monteiro[15], tendo a construção sido executada pelas firmas DuParcly & Bartissol, Papot & Blanchard, e E. Beraud.[7] Nesse ano, começou a demolição de vários prédios, para construir a estação; planeou-se que o edifício teria cerca de 43,5 por 23 metros, e o corpo lateral, 45 por 19 metros.[16]

Em 1888, já estava em construção a linha até ao Rossio[17], em Abril de 1889 já tinham sido concluídos o Túnel do Rossio e a Estação Central, e a primeira composição atravessou o túnel em Maio.[13]

Obras de construção da Estação do Rossio.

Inauguração[editar | editar código-fonte]

A cerimónia de inaugurada foi realizada em 18 de Maio de 1890, mas a abertura à exploração só se deu em 11 de Junho do ano seguinte[1]

Um despacho de 6 de Junho de 1890 ordenou que fosse instalado um sistema de sinalização na estação do Rossio, no esquema Saxby & Farmer.[1] Em Setembro desse ano, já tinha sido concluída a construção da fachada da estação.[18] Em 16 de Maio de 1891, já tinha sido anunciado que os comboios correios do Norte e Leste iriam passar para o Rossio.[19]

Em Novembro de 1893, já tinha sido aberto o concurso para o fornecimento e instalação de iluminação eléctrica na estação e no túnel, com equipamentos próprios para a geração de electricidade.[20] Em Junho de 1894, já tinham entrado ao serviço os sistemas de iluminação eléctrica.[21]

Em Fevereiro de 1895, os elevadores foram suspensos para manutenção, tendo os serviços de venda de bilhetes e despacho de bagagens, que normalmente se realizavam no vestíbulo inferior, sido passados para o vestíbulo superior, ao nível da gare.[22] Em Maio de 1896, estava a ser construída uma cabina, para a venda de bilhetes para o elevador e acesso à gare.[23]

Acidente no Rossio, em 1922.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em 1902, previa-se a instalação de novos relógios, de grandes dimensões, da casa Garnier, na gare e nos vestíbulos superior e inferior.[24] No mesmo ano, a Companhia Real contratou com a firma francesa Hallé & Cie, para substituir os permutadores hidráulicos nesta estação, por uns eléctricos; nesta altura, esperava-se que também os elevadores, monta-cargas, sinais e os aparelhos de mudança de via também fossem adaptados à energia eléctrica.[25] Em Setembro de 1903, já tinham entrado ao serviço os novos permutadores.[26]

Em 4 de Dezembro de 1909, o rei D. Manuel II chegou à estação do Rossio, depois de uma viagem ao Reino Unido.[27]

Nos princípios de 1914, ocorreu uma das maiores greves de ferroviários em Portugal; no primeiro dia da greve, em 14 de Janeiro, foram destacados soldados para guardar a estação do Rossio, onde se encontrava a administração da empresa, e não circularam comboios na Linha de Sintra devido a actos de sabotagem por parte dos trabalhadores.[28] No dia seguinte, as forças militares e policiais estabeleceram a sua base de operações no Rossio, e saiu um comboio da estação, carregado de soldados e polícias, que no entanto foi forçado a parar em Campolide devido aos protestos dos grevistas.[29] Nos dias seguintes, a greve começou a dar sinais de abrandar, mas voltou a acender-se no dia 22 de Janeiro, quando a polícia dispersou uma multidão que se tinha juntado na estação do Rossio para apoiar a greve.[30] No dia 23, voltaram a ser feitos vários actos de sabotagem, e a presença policial e militar voltou a ser reforçada nas estações da Linha de Sintra; ainda assim, na madrugada do dia 24, rebentaram duas bombas na gare do Rossio, e uma terceira foi encontrada junto à boca do túnel.[31]

Em 14 de Dezembro de 1918, Sidónio Pais foi assassinado na estação do Rossio.[32]

Em 1919, esta foi uma das estações em que foi utilizado o vagão fantasma, um sistema de segurança utilizado para impedir actos de sabotagem por parte dos grevistas.[33] Em Julho de 1926, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses já tinha iniciado um concurso para a electrificação da Linha de Sintra, incluindo o troço até a Estação do Rossio.[34] Em 1932, parte desta estação o primeiro Comboio Mistério, um comboio especial promovido pelo Serviço de Turismo.[35] Em 1934, a Companhia realizou obras parciais de reparação nesta estação.[36]

Exposição de novas carruagens da CP no Rossio, em 1940.

Remodelação da estação[editar | editar código-fonte]

Em 1934, o arquitecto Cottinelli Telmo foi premiado num concurso para a renovação estética do Rossio.[37] Em 1938, foi projectada a modernização da estação, cujas obras iniciaram-se em 1948[38], e em 1939 foi elaborado o projecto para a torre de sinalização.[39] Nessa altura, a estação do Rossio ainda era considerada como a gare central de Lisboa e a mais importante do país, com ligação aos principais comboios internacionais, embora já se tivesse começado a tornar desadequada para esta função.[38] Um dos principais problemas era o aspecto interior, muito pobre em relação ao exterior, e pouco adequado à imagem do Rossio como a gare internacional de Lisboa.[38] Assim, Cottinelli Telmo debruçou-se especialmente às áreas públicas, tendo o átrio inferior sido profundamente modificado, e os pavimentos, as paredes e as colunas de ferro foram revestidos com placas de mármore.[38] As antigas cabanas de madeira onde estavam instaladas as bilheteiras foram substituídas por grandes vidraças com perfis metálicos cromados, e no vestíbulo superior, de acesso às plataformas, foi instalada uma bateria de cabinas de controle com torniquetes metálicos, que criou um cenário de movimento, apropriado para o grande tráfego de passageiros no interior da estação.[38]

Em 1943, foi a partir do Rossio que se fez a viagem inaugural do Lusitânia Expresso.[35]

A estação do Rossio em Julho de 1956, antes da electrificação.

Electrificação[editar | editar código-fonte]

Em 18 de Novembro de 1954, foi determinada a interrupção da circulação no Túnel do Rossio, de forma a proceder a obras de electrificação.[40][41] O tráfego foi desviado para as estações de Sete Rios, Entrecampos e Santa Apolónia[42], tendo esta última retomado a sua função como a principal gare para os serviços de longo curso em Lisboa.[11] Esta modificação criou, no entanto, graves inconvenientes à população, que utilizava o Rossio devido à sua localização no centro da cidade, e que passou a ter de utilizar outros meios de transporte para aceder aos comboios.[42] Embora inicialmente tivesse sido previsto um prazo de 3 meses para as obras[40], este foi prolongado para 4 meses, tendo a estação sido reaberta em Julho de 1955.[42] No dia 11 de Julho, o Ministro das Comunicações, Manuel Gomes de Araújo, em conjunto com várias autoridades do estado e da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, visitou as obras na estação e no túnel do Rossio.[42] Entre as modificações na estação, foi alterada a iluminação, que passou a ser feita com lâmpadas fluorescentes, foram instalados novos pavimentos com novas vias, melhoradas as curvas de entrada e a sinalização, e removidas as gruas de fornecimento de água às locomotivas, que deixaram de ser necessárias com a introdução da tracção eléctrica.[42] No dia seguinte, foram reiniciados os serviços de passageiros no Rossio, com os dois primeiros comboios a sair de manhã com destino a Sintra e Estação de Vila Franca de Xira.[42]

A inauguração da tracção eléctrica na Linha de Sintra foi marcada para o dia 28 de Outubro de 1956[40], mas devido ao atraso das obras, só foi realizada em 28 de Abril de 1957.[43] Foi organizado um comboio especial entre Lisboa e Sintra, tendo o tipo de tracção sido mudado nessa noite.[43] Com a electrificação, passaram a circular diariamente 75 comboios entre o Rossio e Sintra, cumprindo 119 marchas por dia, tendo o tempo de viagem sido reduzido de 59 para 36 minutos.[43]

Ainda em 1956, os serviços de mecanografia da CP passaram de Santa Apolónia para o Rossio, tendo sido adquirido material electromecânico Bull de cartões perfurados.[44] Em 9 de Julho desse ano, foi inaugurada uma biblioteca técnica para uso do pessoal da Companhia.[45]

Cartazes eleitorais na fachada da Estação do Rossio, em 1975.

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

Em 15 de Abril de 1970, entraram ao serviço novas máquinas automáticas, para a venda de bilhetes, e, em meados dos Anos 70, esta interface foi alvo da primeira experiência em Portugal de rentabilização de espaços ferroviários, através da instalação do Centro Comercial do Rossio.[46] Na manhã do dia 25 de Abril de 1974, os comboios na Linha de Sintra não circularam até ao Rossio, tendo sido parados nas estações intermédias da linha.[47]

Em 1 de Julho de 1975, os passageiros organizaram um protesto nesta estação, contra os aumentos das tarifas.[48]

Estação do Rossio, em 1984.

Modernização[editar | editar código-fonte]

Na Década de 1990, a companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses iniciou um programa de modernização da Linha de Sintra, onde se encontrava prevista a remodelação de todas as estações[49]; no caso do Rossio, estas obras contemplavam a supressão de 5 vias no interior, e a construção de uma ligação ao Metropolitano de Lisboa.[50]

Em 29 de maio de 1998, a estação do Rossio esteve encerrada, devido a uma greve dos trabalhadores dos Caminhos de Ferro Portugueses.[51]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Em 3 de maio de 2016, a estátua do rei D. Sebastião que se encontrava à porta da estação, ficou totalmente destruída depois de um jovem subir ao local para tirar fotografias.[52]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. a b c MARTINS et al, p. 251
  2. «Rossio». Comboios de Portugal. Consultado em 27 de Novembro de 2014. 
  3. (6 de Janeiro de 2011) "Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque". Directório da Rede 2012: 71-85. Rede Ferroviária Nacional.
  4. Classificação do edifício como imóvel de interesse público (Decreto 516/71)
  5. Integração em zona de protecção conjunta de imóveis classificados (Portaria 529/96)
  6. REIS et al, p. 37
  7. a b SANTOS, p. 329
  8. a b MARTINS et al, p. 139
  9. SOUSA, José. (1 de Outubro de 1905). "De Buenos Aires a Paris". Gazeta dos Caminhos de Ferro 18 (427): 289-291. Visitado em 6 de Setembro de 2014.
  10. REIS et al, p. 36
  11. a b REIS et al, p. 109
  12. MARTINS et al, p. 54
  13. a b c TORRES, Carlos. (16 de Janeiro de 1958). "A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário". Gazeta dos Caminhos de Ferro 70 (1682): 61-64. Visitado em 6 de Setembro de 2014.
  14. PEREIRA, p. 365
  15. VITERBO, p. 385
  16. MARTINS, Rocha. (1 de Novembro de 1932). "Como Nasceu a Estação do Rossio". Gazeta dos Caminhos de Ferro 45 (1077): 513-514. Visitado em 6 de Setembro de 2014.
  17. MARTINS et al, p. 29
  18. (1 de Novembro de 1933) "Há Quarenta Anos". Gazeta dos Caminhos de Ferro 46 (1101): 582. Visitado em 21 de Junho de 2016.
  19. (1 de Janeiro de 1939) "Efemérides 1888 - 1938". Gazeta dos Caminhos de Ferro 51 (1225): 43-48. Visitado em 21 de Junho de 2016.
  20. (1 de Novembro de 1933) "Há Quarenta Anos". Gazeta dos Caminhos de Ferro 46 (1101): 582. Visitado em 6 de Setembro de 2014.
  21. (16 de Janeiro de 1939) "Efemérides 1888 - 1938". Gazeta dos Caminhos de Ferro 51 (1226): 81-85. Visitado em 21 de Junho de 2016.
  22. (1 de Fevereiro de 1935) "Há Quarenta Anos". Gazeta dos Caminhos de Ferro 47 (1131): 64. Visitado em 6 de Setembro de 2014.
  23. (16 de Maio de 1936) "Há Quarenta Anos". Gazeta dos Caminhos de Ferro 68 (1161): 259. Visitado em 21 de Junho de 2016.
  24. (16 de Janeiro de 1902) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (338): 26. Visitado em 6 de Setembro de 2014.
  25. (1 de Agosto de 1902) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (351): 234-235. Visitado em 6 de Setembro de 2014.
  26. (1 de Setembro de 1903) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (377): 304. Visitado em 6 de Setembro de 2014.
  27. (1 de Janeiro de 1956) "A Viagem do Último Rei de Portugal a Espanha e Inglaterra". Gazeta dos Caminhos de Ferro 68 (1633): 17-20. Visitado em 15 de Junho de 2016.
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996 (Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses). p. 446. 
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  • SANTOS, José (1989). O Palácio de Cristal e Arquitectura de Ferro no Porto em Meados do Século XIX (Porto: Fundação Engenheiro António de Almeida). p. 387. 
  • VITERBO, Sousa (1988). Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses 3 2 ed. (Lisboa: Imprensa Nacional). p. 491. 
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