Comboios de Portugal

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CP - Comboios de Portugal, E.P.E.
Logótipo da Comboios de Portugal
Slogan 'Próxima paragem: mudar a sua vida.'
Tipo Entidade Pública Empresarial
Fundação 11 de maio de 1860
Fundador(es) José de Salamanca y Mayol
Sede Calçada do Duque, 20
Encarnação, Lisboa
Página oficial www.cp.pt
Comboios urbanos da CP na Estação de São Bento no Porto.
Comboio Alfa Pendular da CP na Gare do Oriente em Lisboa.

A empresa Comboios de Portugal é uma empresa portuguesa de transporte ferroviário. Foi criada em 11 de maio de 1860 pelo empresário espanhol José de Salamanca y Mayol para construir as linhas ferroviárias que ligassem a cidade de Lisboa ao Porto e à fronteira com Espanha em Badajoz.[1] Mudou a sua designação após a Implantação da República Portuguesa, em 5 de Outubro de 1910.[2] Na primeira metade do Século XX, passou por um processo de expansão, tendo assimilado várias empresas ferroviárias privadas, e os caminhos que ferro que tinham estado sob a gestão do Governo Português.[3] No entanto, os efeitos da Segunda Guerra Mundial, e o avanço dos transportes rodoviário[4] e aéreo[5] deterioraram de tal forma a sua situação económica que, após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi necessário nacionalizar a Companhia, mudando novamente de nome, para Caminhos de Ferro Portugueses[6] Esta empresa foi profundamente modificada pelo Decreto-Lei n.º 137-A/2009, retirando-lhe a gestão das infra-estruturas, que foi entregue a uma nova entidade, a Rede Ferroviária Nacional, ficando somente com a exploração dos serviços ferroviários; em sequência desta alteração, foi modificada a denominação social, que passou a ser Comboios de Portugal, E. P. E.[7]

História[editar | editar código-fonte]

Capa dos primeiros Estatutos da Companhia Real, em 1860.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A primeira empresa nacional para a construção de caminhos de ferro foi a Companhia das Obras Públicas de Portugal, criada em 1844 pelo governo de Costa Cabral para promover o desenvolvimento dos transportes em Portugal; no entanto, esta tentativa falhou devido à instabilidade política.[1] Após o regresso a um ambiente mais estável, renovou-se o interesse pelo caminho de ferro, pelo que em 1851 o empresário inglês Hardy Hislop apresentou uma proposta para uma linha de Lisboa a Badajoz, que foi entregue no ano seguinte à Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro de Portugal, formada por Hislop para esse fim.[1] No entanto, em 1855 as obras foram paralisadas devido a conflitos entre a empresa e os empreiteiros, tendo a gestão das obras passado para o estado português.[1] Em 28 de Outubro de 1856, foi inaugurado o primeiro troço, até ao Carregado, mas a companhia continuou a sofrer de graves problemas financeiros e de gestão.[1] O empresário inglês Samuel Morton Peto, que se encontrava a dirigir as obras, foi encarregado de formar uma nova empresa, que substituísse a Companhia Peninsular, mas sem sucesso, tendo o seu contrato sido terminado em 6 de Junho de 1859.[1]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Assim, o governo elaborou um novo contrato, em 30 de Julho, com o empresário espanhol José de Salamanca y Mayol, que formou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, para construir a ligação ferroviária das Linhas do Norte e Leste; os estatutos desta empresa foram elaborados em 12 de Dezembro, e aprovados no dia 22 do mesmo mês, tendo a empresa sido formalmente constituída em 11 de Maio de 1860[1] , embora o decreto que oficializou este acto só foi publicado em 20 de Junho.[8]

Em 25 de Junho de 1865, a Companhia Real adquiriu os direitos de exploração da Linha do Norte a José de Salamanca;[1] no dia 10 de Novembro, a escritura pública foi aprovada, e o troço já construído, entre Lisboa e Ponte da Asseca, passou para a Companhia.[9]

Em Janeiro de 1902, já tinha chegado uma das locomotivas encomendadas pela Companhia à casa Fives-Lille para assegurar os serviços rápidos, encontrando-se, nesse mês, a ser montada nas oficinas de Lisboa.[10] O relatório de 1901, apresentado nesse mês, reportava que a situação financeira da Companhia era bastante favorável, devido, principalmente, à queda dos preços do carvão.[11]

Implantação da República[editar | editar código-fonte]

Após a Implantação da República Portuguesa, em 5 de Outubro de 1910, a Companhia Real vê o seu nome modificado, ainda nesse ano, para Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[2]

Aviso de 1915 da CP, informando o público acerca das sobretaxas.

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Após o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, verificou-se um forte aumento nos preços do carvão, o que levou a Companhia a reduzir os serviços, e utilizar lenhas para alimentar as suas locomotivas, o que gerava vários problemas de manutenção do material circulante; esse ano ficou, igualmente, marcado por várias greves gerais dos ferroviários, tendo sido praticados graves actos de sabotagem[12] que conduziram à necessidade de ser ordenada uma intervenção do Exército.[13]

Período entre as duas Guerras Mundiais[editar | editar código-fonte]

Após o final da Primeira Grande Guerra, permaneceram os problemas de exploração, devido ao aumento dos preços, aos quais as operadoras respondiam com a emissão de sobretaxas.[14] O carvão, em especial, continuava escasso e a preços excessivos, pelo que continuou a utilização de lenhas nas locomotivas.[14] Por outro lado, também continuaram os problemas sociais, agravados por novas medidas, com a introdução das 8 horas de trabalho diárias, que geraram vários conflitos e greves, como o encerramento das oficinas do Entroncamento em 1922, que tiveram efeitos nefastos no material motor.[14]

Em 11 de Maio de 1927, ganhou o concurso de arrendamento da exploração das ligações ferroviárias do Governo Português, até então geridas pela operadora Caminhos de Ferro do Estado; devido à falta de experiência na gestão de linhas de bitola reduzida, subarrendou a Linha do Tâmega à Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, e as Linhas do Corgo e Sabor à Companhia Nacional de Caminhos de Ferro.[15] Em 1929, a tendência de crescimento da Companhia inverteu-se, devido à concorrência do transporte rodoviário; na Década de 1930, verificou-se uma regressão no transporte, inicialmente apenas para passageiros, e depois para mercadorias, o que forçou a uma redução nas despesas, como na manutenção de via e na mão-de-obra.[14] Por outro lado, também se começaram a estudar novas técnicas e novos meios de tracção, como locomotivas e automotoras a gasóleo.[14]

Em 1932, verificou-se uma alteração nos estatutos, tendo a Companhia passado a ser uma Sociedade anónima de responsabilidade limitada.[3]

Exposição das novas carruagens da CP na Estação do Rossio, em Julho de 1940

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Durante a Segunda Guerra Mundial, verificou-se uma escassez de carvão, o que levou, novamente, à redução dos serviços.[3] Mesmo assim, em 1940, a Companhia iniciou o serviço rápido Flecha de Prata, entre Lisboa e o Porto.[16]

Do final da Segunda Guerra Mundial à Revolução dos Cravos[editar | editar código-fonte]

Em 1945, é publicada a Lei n.º 2008, sobre a coordenação de transportes terrestres, que determinou a concentração de todas as concessões de exploração ferroviária numa só empresa; no ano seguinte, foi realizada a escritura de transição das Companhias dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta, Nacional de Caminhos de Ferro e Portuguesa para a Construção e Exploração de Caminhos de Ferro para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[3] Esta empresa começou, assim, em 1947, a explorar todas as linhas em Portugal, de bitola larga e estreita, excepto a Linha de Cascais, que tinha sido arrendada à Sociedade Estoril até 1976.[3]

Verificou-se, no entanto, uma acentuada quebra nas receitas, tendo a Companhia sido forçada, em 1950, a pedir um empréstimo de 50 milhões de escudos.[17] No ano seguinte, entrou em vigor o contrato único, que reorganizou a gestão do transporte ferroviário, e alterou os estatutos da Companhia.[17]

Ainda assim, a Companhia conseguiu realizar vários investimentos, apoiados pelo I Plano de Fomento (1953-1958), no sentido de modernizar os seus serviços; destaca-se, principalmente, a viagem inaugural do serviço rápido Foguete, em 1953, e os projectos de electrificação da Linha de Sintra e do troço entre Lisboa e Carregado da Linha do Norte, concluídos em 1956.[17] Em 1958, foi introduzido, para o pessoal das oficinas, o regime de semana inglesa, e, em 1959, a empresa contratou com a Ericsson para a instalação de sinalização e comando centralizado na Linha de Vendas Novas.[17] Em 1966, são publicados novos estatutos para a Companhia, e é completada a electrificação entre Lisboa e o Porto; em 1968, é assinado um contrato com um consórcio da SOMAFEL e Somapre, para a renovação total da via.[17]

Em 1973, é publicado o Decreto-lei n.º 104/73, que autorizou o Ministro das Comunicações a estabelecer um novo contrato de concessão com a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[17]

Revolução dos Cravos e nacionalização[editar | editar código-fonte]

A situação da Companhia alterou-se profundamente após a Revolução de 25 de Abril de 1974; com efeito, várias inspecções levadas a cabo revelaram os graves problemas laborais, ocultados pela organização, e que tiveram de ser resolvidos, com efeitos nefastos sobre a já instável capacidade financeira da Companhia.[18] Esta situação foi piorada pelas Crises do petróleo de 1973 e 1978, e pelas novas prioridades do regime democrático, que reduziu substancialmente os apoios à Companhia, com os quais apenas se puderam fazer algumas obras de construção e manutenção de via, como a instalação dos acessos ferroviários ao Complexo Industrial de Sines, e prosseguir com o programa de substituição do material motor a vapor, que se tinha iniciado há cerca de 30 anos.[19] Em 1975, deu-se a nacionalização da Companhia, embora, na prática, este processo não tenha tido grandes efeitos, uma vez que a empresa já se encontrava quase totalmente subordinada ao Governo.[6]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Actualmente, a CP transporta cerca de 178 milhões de passageiros ( 107 milhões em 2013[20] ) e 9,3 milhões de toneladas de mercadorias por ano.
Encontra-se dividida em diferentes sub-empresas que representam unidades de negócio diferentes, cada uma com uma parte específica dos serviços prestados pela empresa:

LogoCPantigo.jpgLogotipo dos Caminhos de Ferro Portugueses.jpg
Logótipos da CP, antes e depois de 1981.


A CP actualmente dedica-se apenas ao transporte e actividades conexas. A gestão da rede ferroviária nacional, que lhe pertenceu até 1997, está hoje entregue a uma outra empresa pública, a REFER.
É liderada por Manuel Queiró, presidente do Conselho de Administração da CP desde 21 de Fevereiro de 2013.

Em Junho de 2011 a empresa apresentava um prejuízo de 195 milhões de euros e uma dívida de 3.3 milhões de euros[21] .

Linhas em que presta ou prestou serviços de transporte[editar | editar código-fonte]

Rede da Refer, onde circulam os serviços da CP.

Actuais:[editar | editar código-fonte]

Serviços extintos:[editar | editar código-fonte]

Serviços prestados[editar | editar código-fonte]

Alfa Pendular na estação da Pampilhosa

Alfa Pendular[editar | editar código-fonte]

O serviço mais rápido da CP é efectuado com automotoras eléctricas da série 4000, com capacidade de pendulação. Circulam no eixo Braga-Faro, sendo que alguns têm como estações terminais Porto-Campanhã e Lisboa-Santa Apolónia.

Comboio Intercidades à partida da estação de Porto-Campanhã

Intercidades[editar | editar código-fonte]

Serviço rápido da CP que liga as principais capitais de distrito do país. Efectua os seguintes percursos:

Inter-Regional[editar | editar código-fonte]

Comboio regional na zona de Alcaria, na Linha da Beira Baixa

É o serviço mais rápido de entre os regionais, efectuando paragens apenas nas estações das cidades e vilas de maior importância. Estes serviços efectuam-se nas linhas do Norte, Minho, Douro, Oeste e no Ramal de Tomar.

Regional[editar | editar código-fonte]

Os serviços locais da CP efectuam paragem em todas ou quase todas as estações e apeadeiros. São os únicos serviços de passageiros prestados na linha do Vouga e na Linha do Leste, e nos troços Guarda-Vilar Formoso da Linha da Beira Alta, Lagos-Tunes e Faro-Vila Real de Santo António da Linha do Algarve. Também são prestados nas linhas do Norte, Minho, Douro, Beira Alta, Beira Baixa, Oeste e Algarve, e no Ramal de Tomar.

Urbano[editar | editar código-fonte]

Comboios suburbanos de Lisboa

Serviços prestados nas três maiores aglomerações urbanas portuguesas. Estão divididos em três unidades:

Internacional[editar | editar código-fonte]

Existem dois serviços da CP que cruzam as fronteiras nacionais:

Conselho de Administração[editar | editar código-fonte]

Bilhete da CP

O Presidente do Conselho de Administração é o responsável máximo da empresa, liderando uma equipa geralmente constituída por cinco membros, contando com o próprio Presidente. Os membros do conselho de administração são nomeados diretamente pelo ministro da tutela e exercem geralmente um mandato trianual.

Sendo um cargo de confiança política, os nomeados são geralmente membros ou independentes próximos dos dois partidos que se alternam na chefia do Governo de Portugal, o PS e o PSD.

O atual Presidente do Conselho de Administração é Manuel Queiró, que sucedeu a José Benoliel a 21 de fevereiro de 2013.

Acompanham-no os vogais Nuno Sanches Osório e Maria João Calado Lopes.

Titular Partido Político Mandato
Francisco Neto de Carvalho Ind. 1969—1974
Walter Rosa PS 1974—1975
José Augusto Fernandes Ind. 1975—1976
Amílcar Marques Ind. 1976—1980
José Ricardo Marques da Costa Ind. 1980—1982
António Queirós Martins PSD 1982—1986
Carvalho Carreira PSD 1986—1993
Pedro Alves PSD 1993—1994
António Brito da Silva PSD 1994—1996
Manuel Frasquilho Ind. 1996—1997
Crisóstomo Teixeira PS 1997—2003
Ernesto Martins de Brito PSD 2003—2004
António Ramalho PSD 2004—2006
Francisco Cardoso dos Reis PS 2006—2010
José Benoliel Ind. 2010—2013
Manuel Queiró CDS-PP 2013—presente

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre a empresa Comboios de Portugal

Referências

  1. a b c d e f g h TORRES, Carlos Manitto. (1 de Janeiro de 1958). "A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário". Gazeta dos Caminhos de Ferro 70 (1681): 9-12. Visitado em 6 de Fevereiro de 2016.
  2. a b OJANGUREN, Arturo E. Sanchez. (Dezembro de 1979). "Portugal se Esfuerza en la Modernizacion de sus Ferrocarriles" (em Espanhol). Via Libre 16 (191): 16. Madrid: Gabinete de Información y Relaciones Externas de RENFE.
  3. a b c d e REIS et al, p. 62
  4. Martins et al, 1996:63, 64
  5. TAVARES, p. 107
  6. a b MARTINS et al, 1996:70
  7. PORTUGAL. Decreto-Lei n.º 137-A, de 5 de Junho de 2009. Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Publicado no Diário da República n.º 112, Série I, de 12 de Junho de 2009
  8. MARTINS et al, p. 16
  9. MARTINS et al, p. 18
  10. (1 de Janeiro de 1902) "Linhas portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (337): 11. Visitado em 6 de Fevereiro de 2016.
  11. (16 de Fevereiro de 1902) "Orçamento da Companhia Real". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (340): 51. Visitado em 6 de Fevereiro de 2016.
  12. REIS et al, p. 13
  13. REIS et al, p. 66
  14. a b c d e REIS et al, p. 63
  15. REIS et al, p. 62, 63
  16. REIS et al, p. 100
  17. a b c d e f REIS et al, p. 102
  18. MARTINS et al, 1996:68
  19. MARTINS et al, 1996:69
  20. http://www.cp.pt/StaticFiles/Institucional/2_gestao_sustentavel/1_RelatoriosSustentabilidade/relatorio2013.pdf
  21. «CP em crise dá carros de luxo a gestores». 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • TAVARES, João Fernando Cansado (2000). 100 Obras de Arquitectura Civil no Século XX. Portugal (Lisboa: Ordem dos Engenheiros). p. 286. ISBN 972-97231-7-6. 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006 CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. [S.l.] p. 238. ISBN 989-619-078-X. 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996 Caminhos de Ferro Portugueses [S.l.] p. 446. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Mais informações nos sites oficiais das empresas/entidades

  • Operador Ferroviário Português - CP - Comboios de Portugal, E.P.
  • Gestor das Infra-estruturas Ferroviárias Portuguesas - REFER - Rede Ferroviária Nacional, E.P.
  • Entidade Reguladora do Sector Ferroviário Português - IMTT - Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, I.P.
  • Material de Longo curso - Transportes XXI: CP- Longo Curso - Jul. 2012