Caminho de Ferro do Monte

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Caminho de Ferro do Monte
Subida para o Monte, após a Estação do Pombal
Subida para o Monte, após a Estação do Pombal
Bitola: Bitola estreita
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0,000 Pombal
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Americanos do Funchal
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1,000 Levada de Santa Luzia
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Livramento
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Sant'Ana
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Flamengo
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Confeitaria
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2,500 Monte (Largo da Fonte)
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3,911 Terreiro da Luta

O Caminho de Ferro do Monte (vulgarmente conhecido como Comboio do Monte ou Elevador do Monte) foi uma ferrovia de via única em cremalheira que ligava o Pombal, no Funchal, ao Terreiro da Luta, no Monte (Madeira, Portugal), numa extensão 3,911 km.

História[editar | editar código-fonte]

Estação do Monte.

Projecto e construção[editar | editar código-fonte]

Os estudos para o Caminho de Ferro do Monte foram feitos em 1886, pelo engenheiro Raul Mesnier Ponsard. A ideia para a construção de um elevador ou caminho de ferro partiu de António Joaquim Marques, que obteve o consentimento da Câmara Municipal do Funchal em 17 de Fevereiro de 1887.[1][2]

Vencidas algumas dificuldades em reunir o capital para a formação da Companhia do Caminho-de-Ferro do Monte,[2] as obras iniciaram-se a 13 de Agosto de 1891[3] e o primeiro troço, entre o Pombal e a Levada de Santa Luzia, foi inaugurado a 16 de Julho de 1893.[2][1]

No dia 5 de Agosto de 1894 o comboio chega ao lugar de Atalhinho na freguesia do Monte, situado a 577 metros de altitude.[4] É nesta fase que entra em funcionamento a locomotiva a vapor, importada da Alemanha.[1]

A 12 de Julho de 1910, a Companhia do Caminho-de-Ferro do Monte, em assembleia geral, decidiu prolongar o comboio até ao Terreiro da Luta.[4] A pretensão foi aprovada pela Câmara Municipal do Funchal em 4 de Agosto desse ano.[4]

Nos inícios de 1903, foi tornado público que algumas das locomotivas se encontravam em mau estado de funcionamento, pelo foi ordenado à Companhia que seguisse várias precauções, de forma a garantir a segurança pública.[5] Nesta altura, a Companhia possuía 3 locomotivas, uma delas nova, enquanto que as outras já eram antigas e tinham sofrido por um processo de reparação.[5] Na Rua do Pombal situava-se a estação principal e os escritórios da companhia.[4]

Estação-Restaurante do Terreiro da Luta.

A 24 de Julho de 1912 o comboio chega finalmente ao Terreiro da Luta, a 850 metros de altitude,[4] ficando, no total, com uma extensão de 3.911 metros[4] e as seguintes paragens:[3] Pombal, Levada de Santa Luzia, Livramento, Quinta Sant’Ana (Sant’Ana), Flamengo, Confeitaria, Atalhinho (Monte), Largo da Fonte, e Terreiro da Luta. Na mesma data, inaugura-se na estação do Tereiro da Luta o Chalet Restaurant-Esplanade, um restaurante panorâmico que era explorado pela própria Companhia do Caminho-de-Ferro do Monte, com capacidade para 400 clientes e considerado a par com o melhor nível internacional.[1][4]

Fases da construção[editar | editar código-fonte]

Entre as Estações Extensão Inauguração
Pombal - Levada de Santa Luzia 1000 m 16 de Julho de 1893[1]
Levada de Santa Luzia - Atalhinho (Monte) 1500 m 05 de Agosto de 1894
Atalhinho (Monte) - Terreiro da Luta 1411 m 24 de Julho de 1912

Declínio[editar | editar código-fonte]

Destroços do comboio após a explosão de 1919.

A 10 de Setembro de 1919 deu-se uma explosão na caldeira de uma locomotiva, quando o comboio subia em direcção ao Monte. Deste acidente resultaram 4 mortos e vários feridos,[6] entre os 56 passageiros a bordo.[1] Devido a este desastre, as viagens foram suspensas até 1 de Fevereiro de 1920. A 11 de Janeiro de 1932, aconteceu novo desastre, desta vez por descarrilamento. A partir de então, turistas e habitantes viraram as costas ao caminho de ferro, considerando-o demasiado perigoso. Aliando este facto à II Guerra Mundial, que se iniciou entretanto, verificou-se uma falta de turistas na Madeira e a companhia do caminho de ferro entrou em crise; a última viagem do comboio realizou-se em Abril de 1943[1] e a linha foi logo desmantelada. Parte do material resultante do desmantelamento, nomeadamente os carris, foi para a sucata e parte foi utilizado na reparação do Elevador do Bom Jesus, em Braga.[2]

Características e exploração[editar | editar código-fonte]

Funchal visto do caminho do comboio, podendo observar-se a via férrea de cremalheira.

Características técnicas[editar | editar código-fonte]

O Caminho de Ferro do Monte era uma via férrea de cremalheira (sistema Riggenbach).[5] Desenvolvia-se em via única de bitola métrica, excepto nas estações do Livramento e do Monte, onde havia um desvio para permitir o cruzamento de comboios.[4] As composições eram formadas por uma única carruagem, que era empurrada (no sentido ascendente) ou sustida (no descendente) pela locomotiva; o peso da carruagem mantinha-a em contacto com a locomotiva, pelo que não havia necessidade de atrelagem.[3]

Locomotiva e carruagem perto do Largo da Fonte, Monte.

Material circulante[editar | editar código-fonte]

A companhia possuía cinco locomotivas (quatro construídas pela Maschinen-Fabrick Esslingen[4] e uma pela SLM Winterthur[4]) e cinco carruagens de passageiros (com capacidade para 60 pessoas[4]). Existiam, ainda, alguns pequenos vagões (baixos) para transporte de grandes quantidades de bagagem.[4]

Actualidade[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 2003 a Câmara Municipal do Funchal lançou um concurso público internacional para a reconstrução do Caminho de Ferro do Monte — uma «mais valia patrimonial», de acordo com o presidente da edilidade.[1] O caderno de encargos, que consignava com um direito de exploração de 50 anos, pressupunha um troço em funicular entre o Largo do Monte e o Terreiro da Luta, e uma ligação por «comboio de animação turística daí até ao largo das Babosas (local de chegada do Teleférico do Monte), bem como a recuperação, com materiais da época, de edifícios de apoio.[1]

Está a ser implementado, actualmente, um projecto para a recuperação e reactivação deste serviço, num empreendimento conjunto da Câmara Municipal do Funchal e da empresa Teleféricos da Madeira.[7] O projecto contempla a construção de um caminho de ferro do tipo funicular entre as antigas estações do Terreiro da Luta e do Monte, seguindo o antigo traçado da linha.[7] Não se prevê, no entanto, a reconstrução do serviço até ao centro do Funchal. Este projecto está suspenso por dificuldades de financiamento face à conjectura económica actual, não se prevendo uma data para a sua concretização.[7]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i Tolentino da NÓBREGA: “Funchal reabilita antigo caminho-de-ferro: Concuso público a nível europeu” Público (local) (2003.10.03): p.50
  2. a b c d Octaviano Correia: (8 de setembro de 2007). «"Do Pombal ao Bom Jesus de Braga"». Jornal da Madeira / Revista Olhar (em prt) 
  3. a b c Jorge Bonito (2007). «Ranse-Wallis: Um fotógrafo entusiasta dos Caminhos de Ferro (II) - O Caminho de Ferro do Monte» (PDF). Consultado em 6 de Janeiro 2010 
  4. a b c d e f g h i j k l Silva, J.R. e Ribeiro, M. (2009). Os comboios de Portugal - Volume V. 1ª Edição.Terramar.Lisboa
  5. a b c «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (378). 320 páginas. 16 de Setembro de 1903. Consultado em 26 de Julho de 2012 
  6. Octaviano Correia (13 de Setembro de 2007). «O Comboio do Monte e o elevador do Bom Jesus». Consultado em 06 de Outubro de 2009  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. a b c Miguel Fernandes: (27 de setembro de 2009). «"Comboio do Monte é mais-valia para o turismo"». Jornal da Madeira (em prt) 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]