Campo Entrincheirado de Lisboa

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Campo Entrincheirado de Lisboa
Mapa de Portugal - Distritos plain.png
Construção (Último quartel do século XIX)
Estilo
Conservação
Homologação
(IGESPAR)
N/D
Aberto ao público Não

O Campo Entrincheirado de Lisboa é um conjunto de fortificações localizado na Área Metropolitana de Lisboa, em Portugal.

Erguido entre o final do século XIX e o início do XX, constituía-se num sistema defensivo da capital portuguesa, tanto contra ataques terrestres, como de ataques marítimos.

História[editar | editar código-fonte]

As invasões francesas, a Guerra Civil e as diversas intervenções militares estrangeiras que assolaram Portugal no início do século XIX levaram ao desenvolvimento da doutrina de que era impossível defender a totalidade do território nacional com os meios de que se podia dispor. Ao mesmo tempo observou-se que, sendo Lisboa, além da capital, o mais destacado centro populacional e económico do país, a invasão de Portugal seria quase inútil sem a tomada desta cidade. Concluiu-se assim que a melhor forma de defender Portugal seria defender Lisboa com todos os recursos disponíveis.

A doutrina da defesa de Lisboa fez com que, no final do século XIX e início do século XX, quase todo o dispositivo militar português — tanto do Exército como da Marinha —, no território metropolitano, se concentrasse nessa defesa.

O principal meio estabelecido para a defesa da Capital foi o desenvolvimento de um sistema de fortificações envolvente. Para esse fim foi construída uma série de novas e modernas fortificações — além da adaptação de algumas já existentes — que deram origem ao chamado "Campo Entrincheirado de Lisboa". As fortificações foram dotadas de modernas peças de artilharia e interligadas por redes telefónicas e telegráficas, bastante avançadas para a época.

A partir de 1899, o Campo Entrincheirado passou a constituir um comando militar, organizado permanentemente em pé de guerra, cujo governador era um general, diretamente dependente do ministro da Guerra.

Após a Primeira Guerra Mundial, o conceito de defesa em que assentava o Campo Entrincheirado tornou-se obsoleto. Assim, na sequência da reorganização do Exército Português, levada a cabo em 1926, o Campo Entrincheirado de Lisboa e a 1.ª Divisão Militar territorial foram fundidos, dando origem ao Governo Militar de Lisboa.[1]

Caraterísticas[editar | editar código-fonte]

Vista do Forte do Monte Cintra em Sacavém, um dos componentes do Campo Entrincheirado de Lisboa.

O núcleo do Campo Entrincheirado de Lisboa formava um perímetro - que contornava os limites terrestres de Lisboa, numa linha que se estendia de Sacavém a Caxias - constituído pelas seguintes fortificações:

Para a interligação destes fortes foi aberta uma estrada de comunicação, que se tornou a Estrada Militar de circunvalação.

O perímetro terrestre do Campo Entrincheirado era complementado por fortificações que protegiam a linha do Tejo, a saber:

A frente marítima, a barra do Tejo, a margem sul e as aproximações a Lisboa eram protegidas por outras fortificações, onde se destacavam:

Diversos outros fortes, redutos, postos, baterias e outras fortificações secundárias, complementavam o sistema de fortificações terrestres.

A defesa do Campo Entrincheirado era ainda complementada, no mar, pelo couraçado de defesa de costa Vasco da Gama, que funcionava como uma bateria flutuante contra ataques marítimos. Além do Vasco da Gama, a Marinha de Guerra Portuguesa também contribuía para a defesa marítima do Campo com o seu Serviço de Torpedos Fixos (minas marítimas), com os seus torpedeiros e, mais tarde, com submarinos.[1]

Notas