Forte de São Caetano (Santa Cruz)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Searchtool.svg
Esta página foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa. Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo.
Planta do Forte de São Caetano (Damião Pego, Agosto de 1881).

O Forte de São Caetano localizava-se na freguesia de Santa Cruz, no concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro e do antigo canal de acesso ao Paul, contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico. Cooperava com o Forte de São José e o Forte de Santo Antão.

História[editar | editar código-fonte]

Acredita-se seja um dos doze fortes edificados no contexto da crise de sucessão de 1580, em 1581, por determinação do então corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, conforme o plano de defesa da ilha elaborado por Tommaso Benedetto.[1]

Não consta no relatório "Fortificações nos Açores existentes em 1710",[2] na do Sargento-mor Engenheiro João António Júdice (1767),[3] nem na do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776).[4] Também não consta da coleção de plantas de José Rodrigo de Almeida, o que deixa dúvidas acerca de se foi um dos fortes reparados ou reconstruídos pelo Capitão-general dos Açores, Francisco António de Araújo e Azevedo, entre 1818 e 1820,[5] conforme afirmado no tombo de 1881. Estas obras terão sido executadas com projeto e sob a direção do engenheiro militar, José Rodrigo de Almeida, ao tempo coronel de Milícias da Vila da Praia.[6]

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) teve parte ativa na Batalha da Praia (11 de Agosto de 1829) contra as forças de Miguel I de Portugal, então derrotadas.

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontrava em estado de ruína.[7]

Quando do tombo de 1881 foi encontrado abandonado e arruinado, em grande parte pela erosão marinha.[8]

Esta estrutura não chegou até aos nossos dias.

Características[editar | editar código-fonte]

Apresentava planta no formato poligonal irregular, adaptado ao terreno, em alvenaria de pedra grossa, argamassada. O conjunto ocupava uma área total de 600 metros quadrados.

À época de sua construção, esteve artilhado com 5 peças: 3 em seus reparos em canhoneiras rasgadas nas muralhas pelo lado do mar, e duas jogando à barbeta nos vértices.

Externamente, adossadas ao muro, encontravam-se as dependências de casa da guarda e paiol.

Referências

  1. DRUMMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira. tomo I.
  2. CASTELO BRANCO, António do Couto de, 1719. in Arquivo dos Açores, v. IV, p. 178.
  3. JÚDICE, João António. Revista que fez... nos fortes e redutos que defendem a costa... desta Ilha Terceira. 1767.
  4. Revista aos Fortes que Defendem a costa da Ilha Terceira - 1776 in IHIT.pt. Consultado em 3 dez 2011.
  5. No contexto da crise entre Portugal e Espanha em 1817, suscitada pela ocupação de Montevidéu na América do Sul.
  6. FARIA, 2000:156.
  7. BASTOS, 1997:267.
  8. Damião Pego. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira".

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anónimo. "Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que se achão ao prezente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defeza do Pais, com declaração d'aquelles que se podem desde ja desprezar." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 267-271.
  • CASTELO BRANCO, António do Couto de; FERRÃO, António de Novais. "Memorias militares, pertencentes ao serviço da guerra assim terrestre como maritima, em que se contém as obrigações dos officiaes de infantaria, cavallaria, artilharia e engenheiros; insignias que lhe tocam trazer; a fórma de compôr e conservar o campo; o modo de expugnar e defender as praças, etc.". Amesterdão, 1719. 358 p. (tomo I p. 300-306) in Arquivo dos Açores, vol. IV (ed. fac-similada de 1882). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 178-181.
  • DRUMMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira (fac-simil. da ed. de 1859). Angra do Heroísmo (Açores): Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981.
  • FARIA, Manuel Augusto. "Plantas dos Fortes da Ilha Terceira". Atlântida, vol. LXV, 2000. p. 154-171.
  • JÚDICE, João António. "Revista dos Fortes da Terceira". in Arquivo dos Açores, vol. V (ed. fac-similada de 1883). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 359-363.
  • MOTA, Valdemar. "Fortificação da Ilha Terceira". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Arthur Teodoro de (coord.). "Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião; ALMEIDA JR., António de. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LIV, 1996.
  • VIEIRA, Alberto. "Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]