Ramal da Alfândega

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Ramal da Alfândega
Comprimento: 3,896 km
Bitola: Bitola larga
Unknown route-map component "CONTgq" Unknown route-map component "STR+r"
L.ª MinhoValença
Station on track
0,000 Porto-Campanhã
Unknown route-map component "KRW+l" Unknown route-map component "xKRWgr"
Unknown route-map component "LSTR" Unknown route-map component "exABZgl" Unknown route-map component "exKDSTeq"
Fábrica da Ceres
Unknown route-map component "LSTR" Unknown route-map component "exSKRZ-G2o"
× Rua do Freixo
Unknown route-map component "LSTR" Unknown route-map component "exSKRZ-G2o"
× Rua da China
Unknown route-map component "ABZgl" Unknown route-map component "xKRZhl" Unknown route-map component "hCONTfq"
L. Nortep. S. JoãoLsb.-S.A.
Unknown route-map component "LSTR" Unknown route-map component "extSTRa"
Túnel da Alfândega I (80 m)
Unknown route-map component "eABZgl" Unknown route-map component "extKRZ" Unknown route-map component "exCONTfq"
L. Nortep. D. MariaLsb.-S.A. (traj. abd.)
Continuation forward Unknown route-map component "extSTRe"
L. MinhoPorto S. Bento
Unknown route-map component "exTUNNEL2"
Túnel da Alfândega II (23 m)
Unknown route-map component "exTUNNEL2"
Túnel da Alfândega III (1327 m)
Urban stop on track Unknown route-map component "exDST"
3,896 Porto-Alfândegaelétrico T/1
Unknown route-map component "exLSTR"
(proj. abandonado)
Unknown route-map component "KDSTxa"
Leixões
Unknown route-map component "CONTgq" One way rightward
L. LeixõesContumil

O Ramal da Alfândega é uma curta via ferroviária, em bitola ibérica, que liga, no sudeste da cidade do Porto, em Portugal, a estação de Porto Campanhã ao Terminal de Porto-Alfândega; encontra-se, actualmente, totalmente encerrado ao tráfego.[1]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Este ramal tem uma extensão de 3,896 km[1], tendo sido utilizado, unicamente, por serviços de mercadorias.

As obras de arte presentes neste ramal são duas pontes, uma sobre a Rua do Freixo e outra sobre a Rua da China, e três túneis: Alfândega I (80 m), Alfândega II (23 m) e Alfândega III (1320 m).

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Linha do Minho

O primeiro troço da Linha do Minho, construído em bitola ibérica, foi inaugurado em 20 de Maio de 1875, unindo as cidades do Porto e Braga.

Construção e inauguração[editar | editar código-fonte]

A Alfândega do Porto era, no Século XIX, um local de grande movimento comercial marítimo, pelo que era de grande interesse a sua ligação à rede ferroviária nacional.[1]

Um decreto-lei, publicado em 23 de Junho de 1880, estabeleceu a construção de um ramal ferroviário entre a estação do Pinheiro, em Campanhã, e a Alfândega do Porto, e da respectiva estação terminal.[1][2]

O estudo do projecto foi da responsabilidade de Justino Teixeira, que se baseou num trabalho inicial de Mendes Guerreiro.[1] O projecto foi aprovado em 9 de Outubro de 1880[1] e os trabalhos de construção iniciaram-se a 17 de Julho de 1881[2], sendo o ramal inaugurado a 20 de Novembro de 1888.[1][2]

Prolongamento do Ramal até Leixões[editar | editar código-fonte]

O rio Douro na zona do Porto, em 1967. Ao fundo, sensivelmente a meia encosta, encontra-se a plataforma do Ramal da Alfândega, vendo-se, da esquerda para a direita da fotografia, as bocas de entrada dos Túneis da Alfândega II e I.

Uma Carta de Lei de 29 de Agosto do 1889 estabeleceu que a companhia que obtivesse a futura exploração do Porto de Leixões devia construir uma ligação ferroviária entre este porto e o Ramal da Alfândega; no entanto, uma representação de comerciantes e industriais do Porto publicou uma declaração no jornal O Primeiro de Janeiro em 28 de Setembro de 1904, pedindo ao governo para construir a ligação por Leixões através de Contumil em vez da Alfândega.[3] O argumento utilizado foi que esta solução seria mais vantajosa para as regiões do Minho e Douro, e que o Ramal da Alfândega não detinha capacidade para mais tráfego.[3]

Em 15 de Abril de 1903, o governo ordenou que a Direcção do Minho e Douro iniciasse a elaboração dos estudos e orçamentos necessários ao prolongamento do Ramal até Leixões, uma vez que a Companhia das Docas do Porto e dos Caminhos de Ferro Peninsulares tornou-se proprietária da exploração do Porto de Leixões, e, assim, incumbida da construção deste projecto.[4] O projecto, elaborado pelos engenheiros Eleutério da Fonseca e Alves de Sousa, incluía a construção de uma estação em Leixões, que servisse, igualmente, a Linha de Circunvalação do Porto, que ligava a área portuária à estação de Contumil, na Linha do Minho.[1][5] A 1 de Julho desse ano, foi publicado um decreto das Cortes Gerais, que previa que a ligação entre a Alfândega e Leixões devia ser construída pela Associação Commercial do Porto, caso a Companhia das Docas do Porto e dos Caminhos de Ferro Peninsulares não realizasse este projecto nos prazos estipulados.[6]

O prolongamento do Ramal até Leixões voltou a ser discutido com a construção do Porto de Leixões, em 1892, tendo sido defendido pela Associação Comercial de Porto.[1]

Declínio e Encerramento[editar | editar código-fonte]

A zona das Fontainhas, em 2010; o antigo leito da via do Ramal da Alfândega pode ser identificado pela plataforma, coberta de vegetação, que se encontra entre a Avenida Gustave Eiffel, junto ao Rio Douro, e a via dupla modernizada, pertencente ao troço da Linha do Minho entre as Estações de Porto-São Bento e Campanhã.

A inauguração do Porto de Leixões levou à perda de importância, como terminal de embarque e desembarque de mercadorias, da Alfândega do Porto[1], começando a pôr em causa a viabilidade do Ramal da Alfândega.[1]

Ainda assim, a ligação entre a Alfândega e Leixões era um dos projectos abrangidos numa lei de financiamento para construção de novas linhas, publicada em 14 de Julho de 1899[7]; e, em 1902, decorreram obras de duplicação da via neste ramal, como forma de reduzir os problemas de tráfego na estação de Campanhã.[8] O relatório de 1931-1932 da Direcção-Geral de Caminhos de Ferro incluiu, no seu programa de melhoramentos a realizar nas linhas do estado, a renovação de via entre Campanhã e Ermesinde e no Ramal da Alfândega.[9]

A cada vez mais reduzida actividade do ramal, aliada à dificuldade do traçado, bem como a pouca importância no sistema ferroviário nacional[1], levou ao seu encerramento em Junho de 1989.[10]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

O ramal está totalmente encerrado ao tráfego[2], mas o seu traçado, apesar de abandonado, está quase intacto.[11]

Um grupo de entusiastas, associados no GARRA - Grupo de Acção para a Reabilitação do Ramal da Alfândega,[12] defende a reabilitação do ramal, sugerindo, entre outros, o prolongamento do serviço de passageiros da Linha de Leixões até Porto-Alfândega, criando-se uma exploração comercial, pela CP Porto do itinerário Porto-Alfândega - Porto Campanhã - Contumil - São Gemil - Leixões.[13]

Encontra-se, também, em estudo, a construção da “Ciclovia das Fontaínhas” (com ligação à “Ciclovia da Marginal”) que transformaria parte do percurso do ramal em ciclovia.[14]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l Silva, J.R. e Ribeiro, M. (2009). Os comboios de Portugal - Volume II. 2ª Edição.Terramar.Lisboa
  2. a b c d «Ramal da Alfândega - Datas». Garra. Consultado em 1 de Janeiro de 2010 
  3. a b «Linha de Circumvallação do Porto» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 18 (424). 16 de Agosto de 1905. 243 páginas. Consultado em 22 de Abril de 2010 
  4. «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 18 (369). 1 de Maio de 1903. 146 páginas. Consultado em 22 de Abril de 2010 
  5. «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (373). 1 de Julho de 1903. 228 páginas. Consultado em 22 de Abril de 2010 
  6. «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (374). 16 de Julho de 1903. pp. 237, 238. Consultado em 23 de Abril de 2010 
  7. «A Proposta de Lei sobre Construcção de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (368). 16 de Abril de 1903. pp. 3,4. Consultado em 22 de Abril de 2010 
  8. «Balanço Ferro-viário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (361). 1 de Janeiro de 1903. pp. 5, 6. Consultado em 22 de Abril de 2010 
  9. «Direcção-Geral de Caminhos de Ferro Relatório de 1931-1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1109). 1 de Março de 1934. pp. 127–130. Consultado em 14 de Maio de 2012 
  10. MAYER, Jorge (21 de Fevereiro de 2005). «Ramal da Alfândega-Campanhã (existente desde 1888)». Consultado em 1 de Janeiro de 2010 
  11. «Ramal da Alfândega - Fotos». GARRA - Grupo de Acção para a Reabilitação do Ramal da Alfândega. Consultado em 1 de Janeiro de 2010 
  12. «GARRA - Grupo de Acção para a Reabilitação». Consultado em 1 de Janeiro de 2010 
  13. «Ramal da Alfândega - Propostas». GARRA - Grupo de Acção para a Reabilitação do Ramal da Alfândega. Consultado em 1 de Janeiro de 2010 
  14. OLIVEIRA, Carlos Manta (1 de Setembro de 2009). «Ramal da Alfândega». Consultado em 1 de Janeiro de 2010 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre o Ramal da Alfândega

Ligações externas[editar | editar código-fonte]