SATU - Sistema Automático de Transporte Urbano

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SATU
Viaduto em Paço de Arcos
Viaduto em Paço de Arcos
Diagrama da linha
Diagrama da linha
Comprimento: 1,150 km
Continuation backward Unknown route-map component "uexhENDEa"
0000 L.ª CascaisCascais
Right side of cross-platform interchange Unknown route-map component "uexhHST AUSW"
0,000 Navegantes(Paço d’Arcos)
Continuation forward Unknown route-map component "uexhSTR"
L.ª CascaisCais do Sodré
Transverse water Unknown route-map component "uexhWSTR"
× Ribeira de Paço de Arcos
Unknown route-map component "uexhHST AUSW"
Tapada
Unknown route-map component "uexhHST AUSW"
1,150 Fórum
Unknown route-map component "uhENDExe" + Unknown route-map component "uexENDE"
0000 (término do troço construído)
Unknown route-map component "uexhHST AUSW"
Boa Viagem (2.ª fase)
Unknown route-map component "uexhHST AUSW"
2,520 Lagoas (2.ª fase)
Unknown route-map component "uexhSTRe"
Unknown route-map component "uexHST"
Penalvas (3.ª fase)
Unknown route-map component "uexHST"
Mercado (3.ª fase)
Unknown route-map component "numN180" Unknown route-map component "uexHST"
Ermida (3.ª fase)
Unknown route-map component "uexHST"
Leião (3.ª fase)
Unknown route-map component "uexHST"
Santa Bárbara (3.ª fase)
Unknown route-map component "uexHST"
TagusPark (3.ª fase)
Unknown route-map component "uexKBHFa" Unused straight waterway
São Marcos (4.ª fase)
Unknown route-map component "uexHST" Unused straight waterway
Cabanas (4.ª fase)
Unknown route-map component "uexKRWl" + Unknown route-map component "GRZq"
Unknown route-map component "uexKRWg+r" + Unknown route-map component "GRZq"
bandeiraOERbandeiraSNT
Unknown route-map component "uexHST"
Católica (4.ª fase)
Unknown route-map component "uexHST"
Casal Cotão (4.ª fase)
Continuation backward Unused straight waterway
L.ª SintraRossio
Right side of cross-platform interchange Unknown route-map component "uexCPICre"
Cacém (4.ª fase)
Continuation forward
L.ª SintraSintra

O SATU (ou SATUO, ou SATUOeiras [1]: Sistema Automático de Transporte Urbano de Oeiras) foi um sistema de transporte urbano de passageiros — uma ferrovia tracionada por cabo, sem tripulação, instalada em Paço de Arcos, no concelho de Oeiras, em Portugal. Funcionou entre 2004 e 2015; uma possível reabertura e expansão foi ventilada em 2017.[2]

Foi inaugurado em 7 de junho de 2004 e percorria pouco mais de um quilómetro, ligando “Navegantes”, na estação ferroviária de Paço de Arcos (Linha de Cascais), a “Forum” — no Centro Comercial Oeiras Parque. Estave previsto seu prolongamento para norte até à estação ferroviária de Agualva-Cacém (Linha de Sintra).[3] Nos primeiros meses de 2015 tinha uma média diária de 550 passageiros.[carece de fontes?]

História[editar | editar código-fonte]

Viaduto, carro e estação “Tapada”.

Planeamento e construção[editar | editar código-fonte]

O programa do SATU foi lançado durante a primeira presidência municipal de Isaltino Morais em Oeiras, tendo sido concluído durante o mandato de Teresa Zambujo, em 2004. Este resultou de uma parceria entre a Câmara Municipal Oeiras e a empresa Teixeira Duarte. Foi então criada a SATUOEIRAS - Sistema Automático de Transporte Urbano, E.M., detida a 51% pela Câmara Municipal de Oeiras sendo os restantes 49% detidos pela Teixeira Duarte. O investimento envolvido para a construção da 1.ª fase envolveu cerca de 23 milhões de euros.

Operação (2004-2015)[editar | editar código-fonte]

As vantagens do sistema não evitaram a formulação de críticas e processos judiciais por parte dos moradores do bairro da Tapada do Mocho, motivadas pelo ruído por este emitido, bem como pelo facto de a linha estar junto a janelas, rente a edifícios de habitação preexistentes, referindo também a sombra criada sobre os edifícios e a perda de vistas para o mar, e a inda a destruição de espaços verdes e praga de pombos que usam a estação como refúgio.[4]

Em 2007 os proveitos operacionais da SATUOEIRAS - Sistema Automático de Transporte Urbano, E.M. foram de 243 milhares de Euros, registando-se um aumento de 19% no número de utentes e 14% nas receitas.[5]

Os presidentes das câmaras municipais de Oeiras e de Sintra assinaram um protocolo de cooperação em julho de 2009, declarando que contam negociar com o Banco Europeu de Investimento, recorrer a fundos comunitários e solicitar apoio estatal para financiar a ligação dos dois concelhos pelo SATU. Segundo declarações ao Diário de Notícias:

Isaltino Morais arrisca que «a ligação ao Lagoas Park faz-se num ano e pouco e que havendo projectos e financiamento, em cinco ou seis anos chega ao Cacém». Já Fernando Seara diz esperar que o protocolo «tenha êxito nos próximos 10 anos».[3]

Encerramento[editar | editar código-fonte]

Carro e aspecto do trilho do SATUOeiras.

Nos termos de legislação aprovada em 2012, as empresas municipais que apresentem prejuízos durante três anos consecutivos devem ser extintas:[carece de fontes?] A 18 de outubro de 2014 foi anunciado que a empresa municipal SATUOeiras seria alvo de «dissolução oficiosa» por decisão do Ministério das Finanças de 29 de agosto desse ano, devido à «verificação de três das quatro situações de natureza financeira que implicam a dissolução obrigatória das empresas muncipais»,[6] inviabillizando, assim, a proposta e o financiamento do projecto de extensão da rede até à estação ferroviária do Cacém, aprovados pela Câmara de Oeiras a 25 de julho de 2013.[7]

Carruagem do SATU, junto à estação “Navegantes”.

Devido a prejuízos acumulados, a suspensão do serviço começou a ser equacionada em outubro de 2014 e a sua extinção foi anunciada em Abril de 2015, com efeitos a partir de 31 de Maio desse ano, data em que foi dissolvida a empresa municipal que operava o serviço.[8] Os prejuízos acumulados, segundo a C.M.O., passaram à responsabilidade «do parceiro privado» (a Teixeira Duarte).[9]

Não se sabe que destino será dado às infra-estruturas. Estas permanecem, mas estão trancadas, fechadas, e portanto, abandonadas.[carece de fontes?]

Possível reabertura[editar | editar código-fonte]

No âmbito das eleições autárquicas de 2017, o autarca Paulo Vistas (em fim de mandato e recandidatando-se) declarou que reativar o SATU seria criar um «buraco sem fundo»;[9]Isaltino Morais, que lançara o projeto em 2004 e viria a ser reeleito em outubro de 2017, afirmou em abril que, se fosse eleito, o SATU seria «mesmo para acabar de construir», pressupondo assim a reabertura.[2]

Rede e expansões[editar | editar código-fonte]

Carruagem e viaduto do SATUOeiras.

A rede estendia-se desde o centro histórico de Paço de Arcos (Estação “Navegantes”) até ao centro comercial Oeiras Parque (Estação “Forum”) passando pelo bairro da Tapada do Mocho (Estação “Tapada”).

Uma 2.ª fase, prevista desde a construção, previa o prolongamento até ao Lagoas Park em Porto Salvo.[10] Em sucessivos adiamentos e reformulações, este acrescento manteve-se sem alterações no projeto.

A 3.ª fase atingiria o TagusPark, com as estações intermédias de Penalvas (designada por Campo da Bola em versões anteriores do projeto[10]), Ermida, Mercado, Leião, e Santa Bárbara.[11]

A 4.ª fase, levaria a linha do SATU até ao Cacém,[11] possibilitando assim ligação entre a Linha de Sintra e a Linha de Cascais — um objetivo último frequentemente ventilado desde o início do projeto.[3] As novas estações intermédias seriam Católica e Casal do Cotão, a construir no prolongamento a partir do TagusPark.[11] Esta fase contemplava, desde 2013, um ramal com término em São Marcos e uma estação intermédia, Cabanas, que se inseriria na linha principal à esquerda à saída da estação “Católica”, no sentido oriundo do Cacém.[11]

Horário[editar | editar código-fonte]

O SATU funcionava todos os dias, das 08:00 às 00:30. A frequência máxima de passagem era de quatro minutos (com toda a frota de carruagens a circular ininterruptamente) mas nas horas de menos movimento as carruagens podem imobilizar-se passando a reagir por “chamada” (como um elevador) assim que fosse franqueada entrada a passageiros.

Características técnicas[editar | editar código-fonte]

Viaduto que se estende até Paço de Arcos.

Circulavam duas cabinas não-motorizadas, sem tripulação, com capacidade para 106 passageiros cada[12], ligadas a um cabo sem-fim traccionado centralmente (motor eléctrico na estação-base, “Navegantes”) e apoiadas sobre um trilho de dois carris num leito instalado sobre um viaduto de betão, atingindo uma velocidade máxima de 40 km/h[12]. A linha era de via única, cruzando-se as cabinas nas paragens (de ambos os lados da respectiva plataforma central), que eram antecedidas e precedidas de entroncamentos em "Y". Tecnicamente designado por um sistema APM (automatic people mover, transporte hectométrico),[12] pode ser considerado como um teleférico sobre carris.

Bilhética[editar | editar código-fonte]

Bilhete: frente, mostrando logótipo.
Bilhete: verso, mostrando diagrama da linha (fases 1.ª e 2.ª).

O título de transporte válido a bordo do SATU era exclusivo, não participando dos acordos respeitantes aos passes sociais da região de Lisboa.

Tarifário[editar | editar código-fonte]

  • 01,15 € - bilhete de ida, válido no dia da aquisição.
  • 01,65 € - bilhete de ida e volta, válido no dia da aquisição.
  • 02,85 € - bilhete sem limite de viagens, válido no dia da aquisição.
  • 06,15 € - bilhete de 10 viagens, válido por 90 dias (para utilização individual em diferido ou simultânea em grupo).
  • 10,25 € - bilhete de 20 viagens, válido por 90 dias (idem).

Na primeira aquisição, ao valor da tarifa acrescia o custo do cartão recarregável (0,50 €): «O cartão é recarregável, não o deite fora!»

O tarifário do SATU assentava nos seguintes pressupostos:

  • Os bilhetes de ida, ida e volta e 1 dia eram mais apropriados para serem adquiridos por passageiros ocasionais, sendo estes utilizados quando se viaja no SATU uma única vez ou menos que 2 a 3 vezes por mês.
  • Os bilhetes de 10 e 20 viagens eram mais apropriados para serem adquiridos por passageiros frequentes, sendo estes, utilizados quando se viaja no SATU pelo menos 1 ou 2 vezes por semana, ficando o custo unitário de cada viagem aproximadamente a 0,62 € e 0,51 € respectivamente.

Referências

  1. Estas três denominações podem ser constatadas em documentos emanados da (ou citados pela) própria Câmara Municipal de Oeiras: Uma procura efectuada a 2008.06.26 devolveu "SATU", "SATUO", e "SATUOeiras".
  2. a b Patrícia Martins CARVALHO “"Se estivesse satisfeito com Paulo Vistas não me candidatava"” 2017.04.21 NoticiasAoMinuto.COM. (entrevista)
  3. a b c «DN 01 Agosto 2009 - Autarcas unem Sintra a Oeiras através da linha ferroviária». Consultado em 15 de outubro de 2009 
  4. Protestos dos moradores da Tapada do Mocho, RTP
  5. «Teixeira Duarte (2007) Relatório de Gestão do Conselho de Administração (p. 78)» (PDF). Consultado em 15 de outubro de 2009 
  6. «Ministra das Finanças acabou com o sonho ferroviário de Isaltino Morais». Consultado em 18 de outubro de 2014 
  7. «Câmara de Oeiras garante dez milhões de euros para levar o SATU até ao Cacém». Consultado em 26 de julho de 2013 
  8. SATU de Oeiras fará a última viagem a 31 de Maio, Público, 9 de Abril de 2015. Vista em 9 de Abril de 2015.
  9. a b “Paulo Vistas alerta que reativar SATU é criar "buraco sem fundo"” 2017.09.26
  10. a b «Movimento Oeiras Mais à Frente (25-05-2009) SATU Fase II» (PDF). Consultado em 15 de outubro de 2009 [ligação inativa] 
  11. a b c d «Mapas Económico-Financeiros Previsionais Avaliação do Equilíbrio Plurianual de Resultados» (PDF). Consultado em 15 de setembro de 2013 
  12. a b c Especialização em Transportes e Vias de Comunicação da Ordem dos Engenheiros; CT 162 (Comissão Técnica de Normalização N.º 162 - Instalações por Cabo para o Transporte de Pessoas); CATIM (Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica) (3 de março de 2008). «Resumo do relatório do Painel dedicado ao tema: "Instalações por Cabo para Transporte de Pessoas (Funiculares, Teleféricos e APM's)"». Consultado em 1 de janeiro de 2009 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]