Metro Ligeiro de Mirandela

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Metro de Mirandela
Linha do Tua Mirandela train station.jpg
Informações
Local Mirandela
Tipo de transporte Ferroviário (Metropolitano Ligeiro ou LVT)
Número de linhas 1
Número de estações 6
Funcionamento
Início de funcionamento 1995
Dados técnicos
Extensão do sistema 4 km
Bitola 1000 mm
Metro de Mirandela
Urban head station
Carvalhais
Urban station on track
Jean Monnet
Urban stop on track
São Sebastião
Urban stop on track
Jacques Delors
Urban stop on track
Tarana
Urban station on track
Mirandela(ant. Piaget)
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Mirandela(est. original)
Urban stop on track
Latadas
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Frechas
Urban end station, unused through track
Cachão
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Vilarinho
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Ribeirinha
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Abreiro
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Codeçais
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Brunheda
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Tralhão
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São Lourenço
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Santa Luzia
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Castanheiro
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Tralhariz
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Tua
Ver diagrama detalhado.

O Metropolitano Ligeiro de Mirandela é uma empresa criada pela Câmara Municipal de Mirandela para transporte coletivo de passageiros em meio ferroviário ligeiro de superfície. O grupo societário é constituído pela Câmara Municipal de Mirandela (90%) e pela CP (10%).

História[editar | editar código-fonte]

A criação da Metro de Mirandela ocorreu em 1995, firmada no Decreto-Lei nº24/95 de 8 de Fevereiro, e surgiu em resposta a um conjunto de «medidas de racionalização das linhas de baixa procura» que a CP pôs em prática no início da década de 1990, neste caso, com a amputação da Linha do Tua, que antes ligava a Linha do Douro (na estação do Tua) a Bragança, e que em 1990 viu encerrado o troço entre esta cidade e Mirandela.

A partir de 28 de junho de 1995, a nova empresa passou a explorar o troço entre Mirandela e Carvalhais, no qual criou mais paragens (Mirandela-Piaget, Tarana, Jacques Delors e Jean Monet). Por concessão da CP, esta empresa passou a assegurar também, desde 21 de outubro de 2001, o serviço no restante troço activo da Linha do Tua (de Tua a Mirandela).

A 12 de fevereiro de 2007, perto do apeadeiro de Castanheiro, a automotora Bruxelas sofreu um grave acidente, no qual morreram 3 pessoas, e outras 2 ficaram feridas. A automotora viria a ser desmantelada, desfalcando a frota do Metro de Mirandela.

A 22 de agosto de 2008, outro grave acidente causou a morte a uma pessoa e ferindo outras 43. A partir deste dia a circulação do Metro de Mirandela foi interrompida entre a estação do Cachão e a do Tua.[1][2] Com a suspensão da ligação, a CP contratou uma frota de 4 taxis para realizar oito ligações diárias a cobrir todas as estações até ao Tua.

Em 16 de agosto de 2010 foi reportado que a população local queixava-se do mau serviço prestado pela ligação de taxis, que foi incumbida de prestar a ligação desde o acidente de 2008. [3] [4] Entre as queixas foi apontada a redução das ligações e horários, que seriam incompatíveis com as necessidades da população, a reduzidíssima oferta de lugares, e o mau trato por parte de alguns taxistas .[4] De acordo com José Silvano, presidente do metro de Mirandela, cerca de 125 mil euros são gastos anualmente com o serviço de taxi, que levam o metro de Mirandela a acumular um prejuízo de 10 mil euros mensais.[4]

Em 22 de setembro de 2011 foi noticiado que o metro ligeiro de Mirandela poderia deixar de fazer a ligação entre a cidade e o Cachão a partir do início de 2012.[5] O corte seria motivado por um prejuízo mensal de 10 mil euros suportado apenas pela autarquia de Mirandela, bem como o adiamento da implementação do plano de mobilidade previsto para o Vale do Tua.[5]

No dia 28 de dezembro de 2011 foi assinado um protocolo de entendimento entre as autarquias de Tua, Mirandela, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Alijó e Murça, a administração da CP e a Refer, que permitiu que o Metro Ligeiro de Mirandela continuasse a efectuar a ligação entre Mirandela e Cachão.[6]

A 1 de julho de 2012 a CP deixou de financiar a frota de taxis que foi contratada em 2008 como substituição de emergência à ligação do metro de Mirandela entre a estação do Cachão e a estação do Tua, e em consequência o serviço de taxis alternativo deixou de circular a partir desse dia.[7] A suspensão do serviço deveu-se à CP ter deixado de ter qualquer responsabilidade pela Linha do Tua, por esta ter sido oficialmente desactivada e ter deixado de pertencer à Rede Ferroviária Nacional.[7]

A 3 de Janeiro de 2013 foi noticiado que o metro ligeiro de Mirandela poderia acabar. António Branco, o presidente da Câmara de Mirandela e também presidente do metro ligeiro de Mirandela, afirmou que a possibilidade do fim da empresa devia-se à nova legislação do sector empresarial da administração local que forçava a dissolução de empresas municipais que acumulassem prejuízos e dívidas avultadas. António Branco também terá manifestado que a Câmara Municipal de Mirandela não tinha condições para assumir os encargos, tendo sugerido que estes fossem assumidos por outras entidades como a agência de desenvolvimento do Vale do Tua.[8]

Dados da empresa[editar | editar código-fonte]

  • Capital Social: 125 000 €[9][10]
  • Custos anuais globais: 240 000 € [11]
  • Funcionários: 5

Devido à constante instabilidade sobre o futuro da Linha do Tua e da empresa, introduzidas pela construção da barragem do Tua e o seu Plano de Mobilidade, 3 funcionários do quadro da empresa e 1 funcionário em regime de trabalhador independente viram-se forçados a abandonar a empresa entre 2010 e 2012, reduzindo o seu efectivo a 3 Operadores de Sistemas de Transporte (assim designados graças à sua habilitação tanto para as funções de maquinista como de revisor) e 1 secretária.

A empresa terminou os exercícios económicos de 2012 e 2013 com as contas a positivo.

Frota[editar | editar código-fonte]

A frota do Metro de Mirandela é composta por 2 automotoras LRV 2000, adquiridas à CP (Série 9500) — descendentes das Xepas, compradas à então Jugoslávia, e que após servirem nas Linhas do Corgo e do Tua, foram requalificadas nas oficinas ferroviárias de Guifões.

Inicialmente eram quatro automotoras, que foram pintadas de verde (as afetas à CP são vermelhas) e batizadas com nomes de cidades europeias: Bruxelas, Lisboa, Estrasburgo e Paris. A automotora Bruxelas foi desmantelada in situ após o acidente de 12 de Fevereiro de 2007, e a Lisboa encontra-se nas oficinas de Guifões aguardando uma decisão sobre a sua recuperação ou desmantelamento.

Rede - Linha do Tua[editar | editar código-fonte]

Incialmente, o Metro de Mirandela pretendia explorar os 16 km da Linha do Tua que vão da estação de Carvalhais - reabrindo assim o troço de 4 km de Mirandela a Carvalhais, encerrado a 15 de Dezembro de 1991 alegadamente por razões de segurança - à estação do Cachão, que é a última estação a Sul no concelho de Mirandela.

No entanto, esta expectativa ficou-se mesmo pelos 4 km de via entre Mirandela e Carvalhais, que continuam a ser até hoje os únicos quilómetros cuja responsabilidade de manutenção é da inteira responsabilidade do Metro de Mirandela, a qual é realizada com recurso a pessoal e material da REFER apenas em questões ligadas às obras de arte (túnel e pontão de Mirandela) e à deservagem química da via. O facto da CP continuar a explorar o troço Tua - Mirandela, no qual se inclui o troço Cachão - Mirandela, poderá ter contribuído para que o Metro de Mirandela passasse os seus primeiros 6 anos de vida a explorar apenas o troço Mirandela - Carvalhais.

A velocidade aqui praticada situar-se-ia inicialmente entre os 50 e os 60 km/h, atestando uma vez mais que apenas as condições da via, e não o seu traçado, impediam que os comboios na Linha do Tua não circulassem acima dos 45 km/h com que o troço Tua - Mirandela se viu restrito desde a década de 1980 até 2007, degradando as condições de conforto a bordo e o tempo de viagem.

Aqui, para além das estações de Mirandela, São Sebastião e Carvalhais, foram construídas as estações de Mirandela-Piaget (que viria a substituir integralmente a centenária estação de Mirandela em 2009, e que serve também como central de camionagem de Mirandela, tornando-a a única estação rodo-ferroviária de Trás-os-Montes), Tarana, Jacques Delors, e Jean Monnet. Se a gestão das novas estações está a cargo da Câmara Municipal de Mirandela, a das estações de São Sebastião e de Carvalhais continuam a ser, caricatamente, alvo de discussão.

Foi só a 21 de Outubro de 2001 que o Metro de Mirandela viria a explorar não só o troço que lhe faltava dos seus planos originais (Mirandela - Cachão), mas toda a Linha do Tua de Mirandela ao Tua.

Referências

  1. Quarto acidente no metro de Mirandela em menos de dois anos
  2. metro_mirandela_desconhece_relatorio.html Acidentes podem provocar o encerramento definitivo do metro de Mirandela
  3. Fernando Pires (4 de setembro de 2008). «Linha do Tua: Táxis que substituem o metro circulam às moscas». Jornal de Notícias. Consultado em 20 de junho de 2012 
  4. a b c Marta F. Reis (16 de agosto de 2010). «Utentes da linha do Tua queixam-se dos táxis alternativos ao comboio». jornal i. Consultado em 26 de novembro de 2012 
  5. a b «Metro de Mirandela pode deixar de circular». Rádio Brigantina. 22 de setembro de 2011. Consultado em 20 de junho de 2012 
  6. «CP, Refer e autarquias "seguram" Metro de Mirandela». Diário de Notícias. 28 de dezembro de 2011. Consultado em 25 de novembro de 2012 
  7. a b «Transportes alternativos no Tua acabaram». Sol. 2 de julho de 2012 
  8. «Metro de Mirandela pode acabar e deixar Vale do Tua sem transportes». Público. 3 de janeiro de 2013. Consultado em 25 de novembro de 2012 
  9. [1]
  10. [2]
  11. José António Cardoso (28 de dezembro de 2011). «CP, Refer e autarquias "seguram" Metro de Mirandela». Diário de Notícias 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]