Estação Ferroviária de Figueira da Foz

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Figueira da Foz
Estação de Figueira da Foz, em 2013.
Inauguração 3 de Agosto de 1882
Linha(s) Linha do Oeste (PK 215,185)
R. de Figueira da Foz (PK 0,000)
Coordenadas 40° 8′ N 8° 50′ W
Concelho Figueira da Foz
Serviços Ferroviários Regional, Urbano, InterRegional
Serviços Ligação a autocarros Serviço de táxis Parque de estacionamento Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Lavabos adaptados Lavabos Sala de espera Telefones públicos Bar ou cafetaria

A Estação Ferroviária de Figueira da Foz é uma interface ferroviária da Linha do Oeste, que serve a cidade de Figueira da Foz, no Distrito de Coimbra, em Portugal. Foi inaugurada em 3 de Agosto de 1882 como a estação terminal da Linha da Beira Alta, que nessa altura se compreendia desde este ponto até Vilar Formoso.[1] Foi ligada à Linha do Oeste em 17 de Julho de 1888.[2] O Ramal da Figueira da Foz foi encerrado à circulação ferroviária em 5 de Janeiro de 2009, por motivos de segurança.[3][4]

Estação da Figueira da Foz, em 2013.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

Situa-se junto ao Largo da Estação, na localidade de Figueira da Foz.[5][6]

Vias e plataformas[editar | editar código-fonte]

Contava, em Janeiro de 2011, com 6 vias de circulação, com comprimentos entre os 246 e os 295 metros; as plataformas tinham 292 a 230 metros de extensão, e 30 a 60 centímetros de altura.[7]

Fotografia antiga da Estação de Figueira da Foz.

História[editar | editar código-fonte]

Planeamento e inauguração[editar | editar código-fonte]

Em 31 de Março de 1880, foi assinado o contrário provisório entre o governo e a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta, para a construção do lanço entre a Pampilhosa e a Figueira da Foz.[8] Esta linha entrou ao serviço em 3 de Agosto de 1882, sendo nessa altura considerado como parte da Linha da Beira Alta.[1]

Ligação à Linha do Oeste[editar | editar código-fonte]

Em 23 de Novembro de 1883, foi assinado o contrato com a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses para a construção da Linha do Oeste entre Torres Vedras e Figueira da Foz.[8] O lanço entre Leiria e a Figueira da Foz abriu à exploração em 17 de Julho de 1888.[9]

Aviso de 1903, relativo ao transporte de pedra entre Montemor (futura Santana - Ferreira) e a Figueira da Foz.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Década de 1900[editar | editar código-fonte]

Em 1903, a Estação de Figueira da Foz expedia sal para Coimbra e outras localidades próximas.[10]

Década de 1930[editar | editar código-fonte]

Em 1932, a Companhia da Beira Alta realizou grandes obras nesta estação, tendo sido construídas retretes para serem utilizadas pelo pessoal do depósito de máquinas, realizadas obras de reparação do telhado das Oficinas Gerais, reconstruídas cerca de 160 metros de via dentro daquelas instalações, modificada a instalação de ar comprimido, com a introdução de um grupo compressor Ingersoll Rand de 9000 litros por minuto, instalada a torre de refrigeração da central eléctrica, e demolida a antiga central, no interior das oficinas; no seu lugar, foi parcialmente deslocada e remodelada a zona das forjas, permitindo a instalação de um martelo pilão.[11] Nesse ano, previa-se a renovação de via desde esta estação até Alhadas, e a construção de novas carruagens nas oficinas, para a Companhia da Beira Alta.[11]

Em 1933, foram feitos cerca de 736 metros quadrados de calçada no caminho de acesso aos cais, substituído o soalho do dormitório dos maquinistas, forrado a madeira o dormitório do chefe de maquinistas, assente uma cancela de ferro de correr para vedar a arrecadação e o acesso ao cais para o peixe.[12] No ano seguinte, foram executadas grandes obras de reparação no edifício da estação, incluindo a pintura da marquise, e foram reconstruídas as duas plataformas de entre-vias.[13]

Década de 1940[editar | editar código-fonte]

Em 1946, a Companhia da Beira Alta foi integrada na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que começou a explorar a rede da Beira Alta em 1 de Janeiro de 1947.[14]

Décadas de 1970 e 1980[editar | editar código-fonte]

Entre 1979 e 1980, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses adquiriu várias automotoras Ferrobus, que foram utilizadas nas linhas em redor de Coimbra, incluindo da Figueira da Foz à Pampilhosa.[15]

Automotoras na Figueira da Foz, em 1990.

Década de 1990[editar | editar código-fonte]

Em 1990, esta estação passou a ser servida pelos comboios Intercidades da operadora Caminhos de Ferro Portugueses, e em 1995 começaram a ser utilizadas automotoras eléctricas entre Coimbra e a Figueira da Foz.[16]

Encerramento do Ramal da Figueira da Foz[editar | editar código-fonte]

Em 5 de Janeiro de 2009, o ramal foi encerrado ao tráfego ferroviário por motivos de segurança[3][4], tendo a operadora Comboios de Portugal organizado um serviço rodoviário de substituição, que terminou em 1 de Janeiro de 2012.[17]

Oficinas da Figueira da Foz, em 1990.

Grupo Oficinal de Figueira da Foz[editar | editar código-fonte]

Em finais de 1914, estavam a ser fabricadas várias carruagens para a Companhia da Beira Alta, nas oficinas da Figueira da Foz.[18]

Em 1933, continuaram-se os trabalhos de reparação do telhado Oficinas Gerais, onde foram construídas quatro clarabóias em ferro, foi instalada uma caldeira em ferro zincado em todo o comprimento do prédio, e foram colocados 729 vidros e 794 placas de ferro zincado.[12] Em 1934, a Direcção Geral de Caminhos de Ferro autorizou os projectos de construção de carruagens de terceira classe nas oficinas.[19] Nesse ano, foram instaladas quatro clarabóias de ferro e vidro nas oficinas de pintura.[13]

A Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário possuía, em Setembro de 2011, um complexo oficinal junto à Estação de Figueira da Foz; estas instalações, com o objectivo de manter, modificar e reparar material circulante, chegaram a empregar, em meados da Década de 1980, cerca de 340 trabalhadores.[20] Foram responsáveis pela transformação de uma unidade da Série 0300 na Automotora VIP, que entrou ao serviço em 1992.[21]

Em Setembro de 2011, as administrações da operadora Comboios de Portugal e da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário reafirmaram a decisão de encerrar estas oficinas, sendo alguns trabalhadores deslocalizados para as instalações na Estação do Entroncamento; naquela data, as oficinas de Figueira da Foz empregavam 34 pessoas.[20] Como estava previsto[20], as instalações na Figueira da Foz foram encerradas no dia 30 de Novembro.[22]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre a Estação de Figueira da Foz

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b TORRES, Carlos Manitto (16 de Março de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 71 (1686). p. 133-140. Consultado em 10 de Setembro de 2011 
  2. MARTINS et al, p. 249
  3. a b «BE quer obras em ramal ferroviário encerrado». Jornal de Notícias. 123 (220). Controlinveste Media SGPS, S. A. 7 de Janeiro de 2011. p. 19. ISSN 0874-1352 
  4. a b «PNR defende ramal ferroviário da Pampilhosa». Correio da Manhã. 4 de Setembro de 2011. Consultado em 5 de Julho de 2013 
  5. «Figueira da Foz - Linha do Oeste». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 29 de Setembro de 2011 
  6. «Figueira da Foz». Comboios de Portugal. Consultado em 19 de Novembro de 2014 
  7. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. pp. 71–85 
  8. a b MARTINS et al, p. 248
  9. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 26 de Fevereiro de 2017 
  10. «Tarifas de Transporte: As novas tarifas da Companhia Real» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (361). 1 de Outubro de 1903. p. 332. Consultado em 10 de Setembro de 2011 
  11. a b «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1081). 1 de Janeiro de 1933. p. 10-14. Consultado em 4 de Julho de 2013 
  12. a b «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1933» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1106). 16 de Janeiro de 1934. p. 49-52. Consultado em 28 de Outubro de 2011 
  13. a b «O que se fez nos caminhos de ferro em Portugal, em 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1129). 1 de Janeiro de 1935. p. 27-29. Consultado em 27 de Fevereiro de 2017 
  14. REIS et al, p. 62-63
  15. REIS et al, p. 166
  16. REIS et al, p. 150
  17. MADEIRA, Paulo (17 de Dezembro de 2011). «CP encerra linhas do Leste e Beja-Funcheira a 1 de Janeiro». Público. Consultado em 18 de Dezembro de 2011 
  18. «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 27 (647). 1 de Dezembro de 1914. p. 363. Consultado em 4 de Julho de 2013 
  19. «Direcção-Geral de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1116). 16 de Junho de 1934. p. 305. Consultado em 4 de Julho de 2013 
  20. a b c «CP reafirma encerramento «irreversível» de oficinas da EMEF». Diário Digital. 6 de Setembro de 2011. Consultado em 20 de Outubro de 2011 [ligação inativa] 
  21. BRAZÃO, Carlos (1992). «CP Automotor». Maquetren (em espanhol). 2 (8). Madrid: Resistor, S. A. p. 29 
  22. «Último dia das oficinas da EMEF na Figueira da Foz». Rádio Televisão Portuguesa. 30 de Novembro de 2011. Consultado em 5 de Julho de 2013 
Suburbanos - Coimbra
(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros,
na região de Coimbra)

Serviços: BSicon fBHFq.svg em funcionamento
BSicon BHFq black.svg extinto em 2009 • BSicon BHFq.svg extinto em 2004


 
Track turning from left Track turning from right
 
(ʟ) Lobazes 
Station on track Station on track
 Moinhos (ʟ)
(ʟ) Miranda do Corvo 
Station on track Station on track
 Trémoa (ʟ)
(ʟ) Padrão 
Station on track Station on track
 Vale de Açor (ʟ)
(ʟ) Meiral 
Station on track Station on track
 Ceira (ʟ)
(ʟ) Lousã-A 
Station on track Station on track
 Conraria (ʟ)
(ʟ) Lousã 
Station on track Station on track
 Carvalhosas (ʟ)
(ʟ) Prilhão-Casais 
Station on track Station on track
 S. José (Calhabé) (ʟ)
(ʟ) Serpins 
End station
End station + Hub
 Coimbra-Parque (ʟ)
(ʟ) Coimbra 
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(ʟ)(n) Coimbra-B 
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(n) Souselas 
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(f)(n) Pampilhosa 
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 Bencanta (n)
(f) Mala 
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 Espadaneira (n)
(f) Silvã-Feiteira 
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 Casais (n)
(f) Enxofães 
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 Taveiro (n)
(f) Murtede 
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 V. Pouca Campo (n)
(f) Cordinhã 
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 Amial (n)
(f) Cantanhede 
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 Pereira (n)
(f) Limede-Cadima 
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 Formoselha
(f) Casal 
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 Alfarelos (a)(n)
(f) Arazede 
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 Montemor (a)
(f) Bebedouro 
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 Marujal (a)
(f) Liceia 
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 Verride (a)
(f) Santana-Ferreira 
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 Reveles (a)
(f) Costeira 
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 Bif. de Lares (a)(o)
(f) Alhadas 
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 Lares (o)
(f) Carvalhal 
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 Fontela (o)
(f) Maiorca 
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 Fontela-A (o)
 
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 Figueira da Foz (f)(o)

Linhas: a R. Alfarelosf R. Figueira da Foz
ʟ R. Lousãn L. Norteo L. Oeste
Fonte: Diagrama oficial (2001)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 

Leitura recomendada[editar | editar código-fonte]

  • GOMES, Paulino (2002). Figueira da Foz: conhecimento, memória e inovação. Paços de Ferreira: Héstia Editores. 159 páginas. ISBN 972-8741-00-6 
  • HENRIQUES, Isabel (2005). Figueira da Foz: rotas do concelho. Figueira da Foz: Câmara Municipal da Figueira da Foz - Divisão de Cultura, Museu, Biblioteca e Arquivos e Figueira Grande Turismo - Empresa Municipal Centro de Artes e Espectáculos. 129 páginas. ISBN 972-9915-2-7 Verifique |isbn= (ajuda) 
  • VENTURA, António; SANTOS, José (2007). Figueira da Foz: evocação do centenário. Figueira da Foz: Câmara Municipal da Figueira da Foz. 68 páginas 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]



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