Série 9300 da CP

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Uma automotora da Série 9300, parqueada na Estação de Sernada do Vouga.

A Série 9300 (9301-9310) refere-se a um tipo de automotora, que era utilizada pela companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses nas Linhas do Vouga, Dão, Porto à Póvoa e Famalicão, Guimarães e Tua, e nos Ramais de Aveiro e Matosinhos.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em meados da Década de 1950, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses iniciou um plano de substituição da tracção a vapor por automotoras nos serviços de passageiros, especialmente nas linhas estreitas a Norte do Rio Douro, e na Linha do Oeste; considerava-se, naquela altura, que a utilização destes veículos era mais económica, simples de gerir, e, devido à sua maior rapidez e conforto, atraíam mais passageiros.[1] Desta forma, encomendou um grande número de automotoras, a serem introduzidas ao serviço nos finais de 1955 ou inícios de 1956.[1]

Introdução ao serviço[editar | editar código-fonte]

As automotoras desta Série foram fabricadas em 1954, na cidade de Roterdão, pela companhia holandesa NV Allan.[2][3] Foram planeadas para ser uma versão de via estreita das automotoras da Série 0300, fornecida pela mesma empresa.[2][3] Chegaram a Portugal em 1955, para complementar a reduzida frota de automotoras de via estreita da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que nessa altura era composta essencialmente pelas unidades da Série 9100, sendo os restantes serviços efectuados por composições traccionadas por locomotivas a vapor.[4] No caso da Linha do Tua, o propósito era substituir as automotoras ME 7 e 8, cuja reduzida capacidade era insuficiente para a procura.[5]

A primeira automotora chegou a Bragança por volta das 13 horas do dia 3 de Setembro, com um atrelado, numa viagem de experiência.[5] Foi conduzida por Júlio dos Prazeres Pereira, e transportava os engenheiros António Monteiro e Celso Vasconcelos, da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, e outros dois engenheiros holandeses, representando o fabricante.[5]

Dois dias depois, realizou-se uma nova experiência, na qual a automotora seguiu com vários convidados a bordo, incluindo o director geral da Companhia, Roberto de Espregueira Mendes, e dois representantes da NV Allan, até à Estação de Tua; a viagem foi interrompida em Macedo de Cavaleiros, para o almoço.[5] Ambas as experiências foram bem sucedidas.[5]

Entraram ao serviço em 16 de Outubro de 1955, na Linha do Tua.[6] Ainda no mesmo ano, também começaram os seus serviços nas Linhas do Porto à Póvoa e Famalicão, Guimarães e no Ramal de Matosinhos.[4][2] Em 1975, foram introduzidas as primeiras unidades nas Linhas do Vouga e Dão e no Ramal de Aveiro; as outras automotoras da mesma série também ali colocadas, junto com os respectivos reboques, após terem sido substituídas por composições traccionadas por locomotivas da Série 9000 nas linhas métricas do Porto, e pelas automotoras da Série 9700 na Linha do Tua.[4][2]

As automotoras desta Série foram originalmente numeradas de MEy301 a 310.[4]

Remotorização e fim dos serviços[editar | editar código-fonte]

Unidade 9307 a servir como comboio de socorro, na estação de Sernada do Vouga em 2006.

Na Década de 1980, foram introduzidas, nas unidades motoras, novos motores diesel, da marca Volvo; em 1993, ainda se encontravam a circular, com reboque, na Linha do Vouga.[7][8] Foram abatidas ao serviço entre 2001 e 2002.[3]

A 9301 foi vendida em 2007 ao Museu Vasco del Ferrocarril[9], conservando o esquema de cores e o logótipo da companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[3] Esta aquisição teve dois objectivos: primeiro, ampliou o âmbito do museu ao território português, ao expor um exemplar de uma série que foi possivelmente a mais significativa na tracção a gasóleo no país; em segundo lugar, possibilitou a realização de comboios históricos em alturas de menor procura, uma vez que os seus custos de exploração são mais reduzidos, em relação aos comboios rebocados por locomotivas a vapor.[9] Estava previsto que esta automotora fosse fazer parte dos comboios históricos organizados pelo Museu, entre Azpeitia e Lasao.[2]

A 9307 foi convertida numa composição de socorro, e a 9310, preservada.[3][2]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Esta Série era composta por 10 automotoras numeradas de 9301 a 9310.[4] Cada unidade possuía capacidade para 32 passageiros sentados em terceira classe, e 12 na secção de primeira classe.[4] Cada automotora incluía dois lavabos, situados no centro, e uma pequena divisão para bagagens.[4] Cada um dos oito atrelados dispunha de 68 lugares sentados na terceira classe, não dispondo de um local próprio para bagagens.[4] O esquema de cores original, azul com uma faixa vermelha, foi, na Década de 1970, alterado para a pintura vermelha e branca, característica das composições da companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, tendo alguns dos veículos também ostentado uma decoração em azul escuro com faixas vermelhas.[4]

A propulsão das unidades motoras era assegurada por dois motores AEC de 200 cavalos a diesel, e a energia eléctrica, por quatro motores de 80 cavalos; o aquecimento nas motoras era feito a partir do sistema de circulação de água para o arrefecimento dos motores, enquanto que, nos reboques, era utilizada uma caldeira com um aparelho de ar quente pulsado.[4] A iluminação era eléctrica, e a frenagem era efectuada por um sistema misto de ar comprimido e vácuo de funcionamento eléctrico e manual na motora, e só a vácuo no reboque.[4]

Podiam atingir uma velocidade máxima de 70 quilómetros por hora, embora, inicialmente, por motivos de ordem técnica, a sua velocidade foi limitada a 50 quilómetros por hora.[6]

Apesar da sua excelente fiabilidade, tendiam a pender demasiado nas curvas e a incendiar-se, o que causou alguns acidentes, como o Desastre Ferroviário de Custóias, em 26 de Julho de 1964, no qual a unidade número 309 descarrilou numa curva da Linha do Porto à Póvoa e Famalicão, tendo-se incendiado em seguida, ou a destruição da 302 num acidente na Linha do Tua.[4]

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

  • Características de exploração
    • Ano de construção: 1954[3]
    • Entrada ao serviço: 1955[6]
    • Natureza do Serviço: Linha[5]
    • Número de automotoras: 10 (9301-9310)[10][11][2]
  • Dados gerais
  • Transmissão de movimento
    • Tipologia: Eléctrica[3]
  • Motores de tracção
    • Potência total: 538 kW[10]
    • Velocidade máxima: 70 km/h [10]
  • Lotação
    • Motora
      • Sentados:
        • Primeira classe: 12[10]
        • Terceira classe: 32[10]
    • Reboque
      • Sentados:
        • Terceira classe: 68[10]

Listagem de unidades motoras[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Companhia dos Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1622). 16 de Julho de 1955. 227 páginas. Consultado em 21 de Maio de 2012 
  2. a b c d e f g h «Breves». Via Libre (em espanhol). 44 (506). Madrid: Fundación de los Ferrocarriles Españoles. Março de 2007. 59 páginas. ISSN 1134-1416 
  3. a b c d e f g h i NUNES, Rui (23 de Outubro de 2008). «Automotoras». Transportes XXI. Consultado em 14 de Outubro de 2010 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o AMARO, Jaime (2005). «Automotoras Allan de Via Estreita - Meio Século de Existência». O Foguete. 4 (13). Entroncamento: Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário. pp. 8, 10. ISSN 124550 Verifique |issn= (ajuda) 
  5. a b c d e f «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1627). 1 de Outubro de 1955. 353 páginas. Consultado em 21 de Maio de 2012 
  6. a b c «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1632). 497 páginas. 16 de Dezembro de 1955. Consultado em 21 de Maio de 2012 
  7. «Grupo Oficinal do Porto». Maquetren (em espanhol). 3 (27). Madrid: A. G. B., s. l. 1994. 41 páginas. ISSN 1132-2063 
  8. «Concurso Fotografico». Maquetren (em espanhol). 4 (32). 1995. pp. VIII 
  9. a b c «Breves». Via Libre (em espanhol). 44 (513). Madrid: Fundación de los Ferrocarriles Españoles. Novembro de 2007. pp. 36–40. ISSN 1134-1416 
  10. a b c d e f g «CP withdrawn narrow gauge stock» (em inglês). Railfaneurope. 16 de Julho de 2010. Consultado em 14 de Outubro de 2010 
  11. Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 188

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 2006. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]