Série 9000 da CP

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Disambig grey.svg Nota: Se procura a série de automotoras do Metropolitano de Madrid, veja Série 9000 (Metrô de Madrid).
Locomotiva n.º 9002 na Estação de Livração, em 1993.

A Série 9000 refere-se a um tipo de locomotiva a tracção diesel eléctrica, que foi utilizada pela companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses nas Linhas do Vouga, Corgo, Tâmega, Porto à Póvoa e Famalicão e Guimarães, e no Ramal de Aveiro.

História[editar | editar código-fonte]

Locomotiva da Série 1000 da operadora espanhola FEVE, também derivada do modelo BB44t da Alsthom.

Serviço em Espanha[editar | editar código-fonte]

Em 7 de Abril de 1959, o Ministerio de Obras Públicas espanhol entregou à operadora ferroviária de mercadorias Ferrocarril del Tajuña a primeira de um conjunto de locomotivas, como forma de auxiliar esta companhia; esta intervenção fez parte de um plano do estado espanhol para ajudar, principalmente através da dotação de material circulante, as operadoras de via estreita daquele país que tinham pedido o apoio do estado.[1] Fabricada em 1958 pela empresa Euskalduna, em Bilbau, contava com peças originais da Alsthom, e componentes eléctricos da General Eléctrica Española.[1] Entre 1964 e 1967, esta organização decidiu adquirir, sem apoio do estado, mais 5 locomotivas semelhantes à original, de forma a substituir o seu parque a vapor, cuja capacidade de tracção já não se coadunava às necessidades.[1] De acordo com a política desta empresa, a numeração das novas locomotivas era atribuída de forma decrescente, pelo que estas novas unidades receberam os números 1026 a 1022; as motoras 1026 e 1025, recebidas em 1964, eram iguais à original, com a numeração 1027, enquanto que as 1024 e 1023, adquiridas em 1966, e a 1022, admitida em 1977, possuíam uma potência ligeiramente superior.[1]

No entanto, depressa se verificou que, mesmo utilizando o método de comando em unidades múltiplas, estas novas máquinas dificilmente logravam a tracção suficiente para rebocar as composições mais pesadas, o que resultava em velocidades de circulação muito reduzidas; assim, as unidades desta série foram, em 1974, vendidas à Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, para proceder à sua substituição por locomotivas mais potentes.[1][2]

Serviço em Portugal[editar | editar código-fonte]

Locomotiva da Série 9000 com o esquema de cores azul e branco, debaixo do telheiro, na Estação de Régua.

Após a sua chegada a Portugal, estas locomotivas receberam uma numeração adaptada à sua nova operadora, tendo as 1022, 1023, 1024, 1025, 1026 e 1027 adoptado, respectivamente, os números 9001, 9002, 9003, 9004, 9005 e 9006. Em 1990, as 9001, 9003 e 9004 encontravam-se adscritas ao depósito de Porto-Boavista, instalado na antiga estação com o mesmo nome, enquanto que as 9002, 9005 e 9006 estavam sujeitas, respectivamente, aos depósitos de Livração, Sernada do Vouga e Mirandela.[1]

Estas foram as primeiras locomotivas a tracção diesel a circular em via de bitola métrica em Portugal, tendo entrado ao serviço em 1975 para substituir o material motor a vapor nas composições de passageiros e mercadorias; 5 destas unidades foram para as Linhas do Tua e Corgo, enquanto que a sexta ficou nas oficinas da antiga Estação Ferroviária de Porto-Boavista. Serviram, posteriormente, em toda a Linha do Tâmega, no Ramal de Aveiro e na Linha do Vouga, tendo sido, na Década de 1990, com o encerramento ou redução da maior parte destas ligações, transferidas para as Linhas do Porto à Póvoa e Famalicão[1] e Guimarães, aonde foram substituir as automotoras da Série 9300;[3] no entanto, só foram utilizadas esporadicamente, devido ao excesso de material que circulava naquela zona.[1]

Em 2013, a CP disponibilizou para venda as locomotivas 9005 e 9006,[4] parqueadas há 12 anos em Guifões[5] e apresentando alguma degradação.[6] Em 2017 a locomotiva 9004, pintada nas suas cores de origem, encontrava-se a tracionar o comboio histórico da Linha do Vouga, cuja composição tinha sido utilizada na Linha do Corgo até ao seu encerramento, em 2009.

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

  • Características de exploração
    • Entrada ao serviço (em Portugal): 1975[1]
    • Número de unidades: 6[3][2]
  • Dados gerais
  • Motores de tracção
    • Potência total: 435 kW[7]
    • Tipo:
      • Números 9001 - 9003: MGO V12 ASHR[1]
      • Números 9004 - 9006: MGO V12 SHR[1]
  • Características de funcionamento
    • Velocidade máxima: 70 Km/h [7]
    • Potência de utilização:
      • Números 9001 - 9003: 850 Cv (626 kW)[1][2]
      • Números 9004 - 9006: 775 Cv (570 kW)[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n «El Ferrocarril del Tajuña». Maquetren (em espanhol). 5 (42): 15-26. 1996 
  2. a b c d GONZALO, E. (Março de 1985). «Oporto, una interesante red suburbana de los ferrocarriles del Norte lusitano». Madrid: GIRE. Via Libre (em espanhol). 22 (250): 29, 31 
  3. a b AMARO, Jaime (2005). «Automotoras Allan de Via Estreita - Meio Século de Existência». Entroncamento: Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário. O Foguete. 4 (13): 8, 10. ISSN 124550 Verifique |issn= (ajuda) 
  4. «Alienação de duas locomotivas diesel, de via estreita (bitola métrica = 1.000mm)» [ligação inativa] 
  5. «Alienação de duas locomotivas diesel, de via estreita (bitola métrica = 1.000mm): Anexo I» (PDF) [ligação inativa] 
  6. «Alienação de duas locomotivas diesel, de via estreita (bitola métrica = 1.000mm): Anexo III» (PDF) [ligação inativa] 
  7. a b c d e «CP withdrawn narrow gauge stock» (em inglês). Railfaneurope. 16 de Julho de 2010. Consultado em 28 de Outubro de 2010. 
  8. «FEVE 1600». Barcelona: Associació d'Amics del Ferrocarril-Barcelona. Carril (em espanhol) (1). 16 páginas. Setembro de 1982 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]



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