Estação Ferroviária de Tunes

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Tunes
Estação de Tunes, em 2009.
Linha(s) Linha do Algarve (PK 301,889)
Linha do Sul (PK 301,889)
Coordenadas 37° 9′ N 8° 15′ W
Concelho Silves
Serviços Ferroviários Intercidades, Regional, Alfa Pendular
Serviços Serviço de táxis Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Lavabos Bar ou cafetaria Lavabos adaptados Telefones públicos Elevadores Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Sala de espera

A Estação Ferroviária de Tunes é uma interface ferroviária da Linha do Algarve, que funciona como ponto de entroncamento com a Linha do Sul, e serve a localidade de Tunes, no Distrito de Faro, em Portugal.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Vista geral da estação, em 2008.

Vias e plataformas[editar | editar código-fonte]

Em 2005, esta interface tinha a classificação C da Rede Ferroviária Nacional.[1] Nesse ano, contava com 5 vias de circulação e encontrava-se habilitada para a realização de manobras de material circulante.[1] Em 2007, as extensões das vias, eram, correspondentemente, de 242, 272, 375, 393 e 180 metros, tendo as 4 plataformas 306, 300, 300 e 90 metros de comprimento.[2] Em 2011, as linhas já tinham sido alteradas, passando a apresentar 278, 292, 369, 401 e 181 metros de comprimento; as plataformas tinham 300 a 90 metros de extensão, e 65 a 30 centímetros de altura.[3]

A informação aos passageiros, em 2005, era feita na própria estação[1], mas em 2007 já era realizada a partir de Faro.[2] Esta estação possuía, nesse ano, uma subestação de tracção, utilizada para fornecer energia eléctrica ao material circulante.[2]

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

Esta interface situa-se junto ao Largo 1.º de Dezembro, na localidade de Tunes[4], na Freguesia de Algoz.[5]

Heráldica[editar | editar código-fonte]

A Estação está simbolizada por uma locomotiva, no brasão da Junta de Freguesia de Tunes.[6]

Antiga torre de água da estação de Tunes, em 2015.

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Linha do Algarve

Planeamento, construção e inauguração[editar | editar código-fonte]

Desde 1858 que se discutiu como continuar o Caminho de Ferro do Sul, que na altura terminava em Beja, até Faro[7]; no entanto, só em 21 de Abril de 1864 é que foi assinado um contrato entre o governo e a Companhia dos Caminhos de Ferro de Sul e Sueste, a contratar a construção da ligação ferroviária entre Beja e o Algarve.[8] Em 25 de Janeiro de 1866, uma carta de lei estabeleceu que a linha deveria estar concluída até 1 de Janeiro de 1869, e terminar em Faro.[9] O governo abriu concurso para a construção deste caminho de ferro a 26 de Janeiro de 1876.[10]

Nos finais de 1876, a via entre Faro e São Bartolomeu de Messines encontrava-se totalmente assente.[11] A 1 de Julho de 1889, foi aberto à exploração o troço entre Faro e Amoreiras.[12][13]

Ligação a Algoz[editar | editar código-fonte]

Em 10 de Agosto de 1897, foi apresentado um projecto de lei para a construção de vários caminhos de ferro, incluindo um de Tunes a Portimão e Lagos.[14] Em 11 de Novembro do mesmo ano, o Conselho Superior de Obras Públicas e Minas aprovou o projecto para o troço até Portimão.[15]

Nos princípios de 1899, foi realizado um inquérito administrativo, para a apreciação do público sobre os projectos ferroviários dos Planos das Redes Complementares ao Norte do Mondego e Sul do Tejo; entre os projectos, estava o ramal de Tunes a Lagos, que já se encontrava em construção.[16] A primeira secção deste ramal, até Algoz, entrou ao serviço em 10 de Outubro desse ano.[17][18] O comboio inaugural, constituído pela locomotiva n.º 14, um furgão e carruagens de passageiros, saiu de Tunes às 5 horas e 15 minutos da manhã, e chegou a Algoz cerca de um quarto de hora depois.[19] Originalmente, não existia a concordância entre o ramal e a Linha do Sul, pelo que os comboios com destino ou origem no sentido de Lisboa tinham de fazer a inversão de marcha em Tunes.[19]

Comboio de passageiros na Estação de Tunes, em 1999.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em Setembro de 1926, o Ministério do Comércio publicou uma portaria, ordenando a compra de um terreno anexo à estação, de forma a construir casas para os funcionários da Companhia dos Caminhos de Ferro de Sul e Sueste.[20] Em Dezembro do mesmo ano, o governo autorizou a Companhia a adquirir outro terreno, para expandir a estação e construir habitações para o pessoal.[21]

Em 11 de Maio de 1927, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses passou a explorar as redes do Sul e Sueste e Minho e Douro, que até então faziam parte dos Caminhos de Ferro do Estado.[22]

Em 1929, Brito Camacho fez uma viagem de comboio entre Tunes e Portimão.[23]

A estação de Tunes foi ligada à rede rodoviária nacional na primeira metade da Década de 1930[24] Em finais de 1933, a Comissão Administrativa do Fundo Especial de Caminhos de Ferro aprovou a instalação de um reservatório de 100 m. c. em Tunes.[25]

Um diploma publicado no Diário do Governo n.º 106, II Série, de 8 de Maio de 1940, aprovou o projecto para a ampliação e deslocação do cais do carvão na estação de Tunes[26]

Em 1 de Novembro de 1954, a Companhia iniciou os serviços de automotoras entre Lagos e Vila Real de Santo António; inicialmente, existiam 8 circulações diárias, incluindo uma em cada sentido entre Lagos e Tunes.[27]

Em 4 de Junho de 1969, o Conselho de Administração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses aprovou a criação de comboios especiais, no regime de excursão, para tentar combater a concorrência do transporte rodoviário.[28]

Em 1990, foi realizado o concurso para o projecto SISSUL - Sistemas integrados de sinalização do Sul, que previa a modernização dos sistemas de sinalização nas estações e plena via nos troços do chamado Itinerário do Carvão, de Ermidas-Sado até à Central do Pego; em 1996, previa-se que este sistema seria prolongado até Faro.[29]

Comboio Alfa Pendular em Tunes, em 2007.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Em 2003, a Rede Ferroviária Nacional instalou, nesta interface, a Estação de Concentração de Sinalização de Tunes. [30]

Entre os dias 27 e 30 de Maio de 2006, a Junta de Freguesia de Tunes acolheu uma exposição sobre os caminhos de ferro, tendo estado exposta uma maqueta da estação de Tunes, na época entre os anos 60 e 70.[31]

Em Maio de 2009, um jovem de 26 anos foi detido pela Guarda Nacional Republicana nesta estação, devido à posse de heroína e cocaína.[32]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Directório da Rede Ferroviária Portuguesa 2005». Rede Ferroviária Nacional - REFER, E.P. 13 de Outubro de 2004: 67, 83 
  2. a b c «Directório da Rede 2007 1.ª Adenda». Rede Ferroviária Nacional - REFER, E.P. 26 de Junho de 2007: 61, 75, 90 
  3. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Rede Ferroviária Nacional. Directório da Rede 2012: 71-85. 6 de Janeiro de 2011 
  4. «Tunes - Linha do Algarve». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 19 de Outubro de 2015 
  5. OLIVEIRA, 1987:88
  6. «Heráldica». Junta de Freguesia de Tunes. Cópia arquivada desde o original em 28 de Setembro de 2013. Consultado em 22 de Março de 2010 
  7. SANTOS, 1995:120-121
  8. MARTINS et al, 2006:243
  9. SANTOS, 1995:125
  10. MARTINS et al, 2006:247
  11. SANTOS, 1995:132
  12. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. pp. 528–530. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  13. SANTOS, 1997:181
  14. «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 50 (1204). 16 de Fevereiro de 1938. pp. 86–100. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  15. «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1198). 16 de Novembro de 1937. pp. 541–542. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  16. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 61 (1466). 16 de Janeiro de 1949. p. 112. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  17. REIS et al, 2006:12
  18. TORRES, Carlos Manitto (1 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1683). pp. 75–78. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  19. a b «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1238). 16 de Julho de 1939. p. 339. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  20. «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (930). 16 de Setembro de 1926. p. 287. Consultado em 7 de Fevereiro de 2012 
  21. «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (936). 16 de Dezembro de 1926. p. 363. Consultado em 2 de Agosto de 2012 
  22. REIS et al, 2006:63
  23. MENDES, 2010:69
  24. «Publicações recebidas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1177). 1 de Janeiro de 1937. p. 21. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  25. «Direcção Geral de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1105). 1 de Janeiro de 1934. p. 29. Consultado em 1 de Maio de 2012 
  26. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1260). 16 de Junho de 1940. pp. 403–406. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  27. «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 67 (1606). 16 de Novembro de 1954. p. 334. Consultado em 6 de Fevereiro de 2016 
  28. MARTINS et al, 1996:272
  29. MARTINS, 1996:158-167
  30. «Relatório e Contas 2003». Rede Ferroviária Nacional - REFER, E.P. 2004: 19 
  31. «Exposição "um olhar sobre os caminhos de ferro"». Junta de Freguesia de Tunes. 27 de Maio de 2006. Consultado em 22 de Março de 2010  [ligação inativa]
  32. «Jovem detido com 2520 doses de heroína e cocaína». Sol. 27 de Maio 2009. Consultado em 22 de Março de 2010  [ligação inativa]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel et al. O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. [S.l.]: Caminhos de Ferro Portugueses, 1996. 446 p.
  • MENDES, António Rosa. Faro: Roteiros Republicanos. col: Roteiros Republicanos, Matosinhos: Quidnovi, Edição e Conteúdos, S. A. e Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, 2010. 95 p. ISBN 978-989-554-726-5
  • OLIVEIRA, Ataíde. Monografia do Algoz. Faro: Algarve em Foco Editora, 1987. 258 p.
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto et al. Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A., 2006. 238 p. ISBN 989-619-078-X
  • SANTOS, Luís Filipe Rosa. Os Acessos a Faro e aos Concelhos Limítrofes na Segunda Metade do Séc. XIX. Faro: Câmara Municipal de Faro, 1995. 213 p.
  • SANTOS, Luís Filipe Rosa. Faro: um Olhar sobre o Passado Recente: (Segunda Metade do Século XIX). Faro: Câmara Municipal, 1997. 201 p.
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]