Cesário Bonito

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Cesário Bonito (Peso da Régua, Peso da Regua, 1 de Agosto de 1909Porto, 4 de Setembro de 1987) foi presidente do Futebol Clube do Porto em três períodos diferentes: 1945—1948, 1955—1957 e 1965—1967.

Biografia[editar | editar código-fonte]

A relação de Cesário Bonito com o FC Porto remonta aos tempos em que jogou futebol na equipa de infantis do clube. Tendo mantido essa ligação, assume, em 1943, o cargo de vice-presidente na direcção presidida por Luís Ferreira Alves e, no ano seguinte de 1945, o de presidente, que exerce até 1948. Durante esta sua primeira presidência foram dados passos decisivos para a construção do Estádio das Antas. Na altura, as opiniões dos sócios dividiam-se entre duas possibilidades de localização para o novo estádio: a Vilarinha ou as Antas. Cesário Bonito foi um dos grandes defensores da segunda hipótese, tendo sido responsável pela escritura de promessa dos terrenos em 1947 e pela escritura definitiva de compra dos terrenos em 1948.

Desempenhou depois as funções de relator (1948) e presidente da Assembleia Geral (1950). Médico-Cirurgião de profissão, foi responsável pela operação à retina que em 1951 salvou Miguel Arcanjo da cegueira. O angolano viria a ser um dos maiores jogadores do FC Porto.

Cesário Bonito foi novamente eleito para a presidência do clube em 1955. Deste seu mandato, ficaram para a história a criação do Lar do Jogador em 1955 e a conquista do título nacional de futebol 16 anos depois e a primeira dobradinha da história do FC Porto (1955/56), com Dorival Yustrich no comando da equipa. Este período ficou também marcado pela inauguração do Lar do Jogador do FC Porto. Marcante foi ainda o episódio em que a Federação Portuguesa de Futebol decidiu adiar uma partida FC Porto x Sporting devido ao facto de José Travassos, um dos melhores jogadores dos visitantes, ter ficado retido em Madrid por causa do nevoeiro[1]. Tendo-se insurgido contra o adiamento, Cesário Bonito foi irradiado pela FPF, que suspendeu outros seis membros da direcção portista (incluindo o ex-presidente Miguel Pereira) por três anos[2]. A Federação acabaria por revogar a irradiação alguns meses depois. Cesário Bonito voltou a presidir ao clube entre 1965 e 1967, passando depois à presidência do Conselho Fiscal durante quatro anos.

Homenagem[editar | editar código-fonte]

Jorge Nuno Pinto da Costa descreve-o como "um homem de grande carácter, leal, destemido, inteligente, sem papas na língua, um verdadeiro líder". Segundo o actual presidente portista, Cesário Bonito "foi o primeiro dirigente capaz de se levantar contra o despotismo do poder central"[1]. Embora tenha sido agraciado com o título de Sócio Honorário do FC Porto em 1952, foi no mandato de Pinto da Costa que a Cesário Bonito foi atribuída a mais importante distinção do clube: a de Presidente Honorário, em 1983.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARBOSA, Alfredo. Dragão Ano 111 - História Oficial do Futebol Clube do Porto. Porto: O Comércio do Porto. 2004.
  • BARBOSA, J. Tamagnini e DIAS, Manuel. Figuras e Factos do F.C. do Porto - de A a Z - 1893/2005. Porto: New D - Notícias do Douro. 2005.
  • COSTA, Jorge Nuno Pinto da. Largos Dias Têm Cem Anos. Lisboa: Ideias & Rumos. 2004.
  • Glória e Vida de Três Gigantes - História Oficial do Futebol Clube do Porto. A Bola. 1995.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b COSTA, Jorge Nuno Pinto da. Largos Dias Têm Cem Anos. Lisboa: Ideias & Rumos. 2004. p.26.
  2. BARBOSA, Alfredo. Dragão Ano 111 - História Oficial do Futebol Clube do Porto. Porto: O Comércio do Porto. 2004. v.14. p.68.