Estádio das Antas

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Estádio das Antas

Nome Estádio do Futebol Clube do Porto
Características
Local Avenida Fernão de Magalhães, Porto
Capacidade 55 000[1]
Construção
Inauguração
Data 28 de maio de 1952
Partida inaugural Porto 2 x 8 Benfica (28 de Maio de 1952)
Outras informações
Demolido Março de 2004
Proprietário FC Porto
Arquiteto Oldemiro Carneiro
(engenheiro: Miguel Resende)

O Estádio das Antas foi o estádio do Futebol Clube do Porto durante 52 anos, após ser substituído pelo Estádio do Dragão, inaugurado no ano de 2003.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Foi numa Assembleia Geral em 1933 que surgiu a proposta de construção de um novo estádio, já que o Campo da Constituição começava a revelar-se pequeno para o FC Porto. A proposta foi aprovada por unanimidade, mas só em 1937 começaram a ser tomadas medidas no sentido de concretizar o objectivo, com a criação de um empréstimo obrigacionista. Dez anos depois foi comprada uma área de 48.000 metros quadrados na zona das Antas, na parte leste da cidade do Porto. A primeira pedra foi lançada em acto simbólico em Dezembro de 1969, tendo a obra começado cerca de um mês depois.

Escolha dos terrenos das Antas[editar | editar código-fonte]

Chegou a falar-se que o Estádio do FC Porto poderia ser construído na Quinta da China. Chegou, mesmo, a dar-se um «sinal» de compra pelo terreno. Mas, depois, houve um certo «desinteresse». Em meados de 1937 constitui-se a chamada Comissão Pró-Campo (Domingos Ferreira, José Donas, Sebastião Ferreira Mendes, Carlos Lello e António Martins). Após demoradas negociações, o Clube dispunha-se a construir o seu estádio em cerca de 65mil metros quadrados na Vilarinha, no entanto tudo se complicou mais tarde, e…nasceu o «duelo» – Vilarinha/Antas. O tempo foi decorrendo até que em 1943 Manuel Correia Monteiro amparado nos seus passos pelo dr. Cesário Bonito, aponta com o dedo para as Antas. Talvez por estar mais perto do local onde o Clube deu os primeiros passos.

E a ideia parece ter triunfado… Em princípios de 1944 o Arquitecto Oldemiro Carneiro embrenhou-se nos primeiros estudos. E em Março do ano seguinte o anteprojecto do Estádio foi apresentado em assembleia geral, que nunca caiu mesmo que tomando em conta que a Comissão Pró-Campo se demitiu em 1946. Em Maio de 1946 , o sr Engenheiro Cancela de Abreu, então titular do Ministério das Obras Públicas emitiu a sua autorizada opinião. Havia na Areosa, uns terrenos admiráveis para o efeito. Mas não pôde levar-se por diante essa sugestão por várias dificuldades. E voltaram a centrar todas as atenções nas Antas. Já em 1948 o Ministro das Obras públicas, sr Engenheiro José Frederico do Casal Ribeiro Ulrich, que chegou a fazer parte da Assembleia Delegada como associado portista, aprovou o anteprojecto do Estádio, que compreendia uma área de 65mil metros quadrados. Apesar de tudo continuavam a surgir entraves para a transformação do sonho em realidade. Clube e proprietários do terreno nem sempre estiveram de acordo. E um destes levou longe de mais a sua intransigência. Mas o precioso despacho ministerial de 1 Setembro de 1949, colocou ponto final nas dissidências, mandando expropriar os terrenos. Desde essa hora o sr Engenheiro Frederico Ulrich entrou no coração de todos os portuenses, e não mais o esqueceram.

Outra data importante de assinalar é a de 4 de Dezembro de 1949. Pela manhã desse domingo o FC porto toma posse dos terrenos das Antas. O Dr. Miguel Pereira, ao tempo, presidente do Clube, orgulhoso, lê o discurso de agradecimento, não esquecendo os cooperadores do Estado e da Câmara, os cooperadores anónimos e os dos clubes que ajudaram a viver aquele momento inesquecível. O engenheiro Frederico Ulrich fala também frequentemente interrompido por aplausos:

Obras do estádio[editar | editar código-fonte]

José Bacelar, sócio n.º 1 do FC Porto na altura, pagou o salário do primeiro dia de trabalho a todos os operários. A solidariedade da população da cidade e da região para com o FC Porto ficou também marcada por dois "cortejos de materiais", em que dezenas de camionetas, autocarros e furgonetas seguiram em cortejo para o estádio levando material de construção. Ao longo do processo foi necessário comprar terrenos adjacentes aos originais, pois concluiu-se que 48 000 metros quadrados não seriam suficientes para o complexo desportivo que o clube pretendia construir. Comprados os referidos terrenos, a área total ascendeu aos 63 220 metros quadrados. A capacidade original do estádio era de 44 000 espectadores, distribuídos por três bancadas - duas superiores e uma lateral. O lado leste do campo não tinha bancada, sendo chamado de "Porta da Maratona".

No final da obra tinham sido consumidos mais de sete mil e quinhetos contos, um facto e uma cifra que ajuda a compreender o prestígio do FC Porto.

No dia 28 de Maio de 1952 o estádio foi inaugurado numa cerimónia pomposa que contou com a presença do General Craveiro Lopes, então presidente de Portugal. Urgel Horta presidia ao FC Porto na altura. Após a cerimónia foi realizado um jogo inaugural efectuado perante os rivais S.L. Benfica. A partida terminou com a vitória do S.L. Benfica, por 2-8.

Modificações[editar | editar código-fonte]

  • 1960 - inauguração da pista de ciclismo
  • 1962 - inauguração da iluminação artificial
  • 1976 - fecho da Porta da Maratona, ou seja, construção de uma bancada ao longo da lateral leste do campo, acrescida de um segundo anel - a arquibancada, que aumentou a capacidade do estádio para 65 000 lugares. estando apenas 30% da bancada encadeirada.
  • 16 de dezembro de 1986 - a capacidade do estádio aumentou para 95 000 lugares. Rebaixamento do campo - a bancada avança na direcção do campo, substituindo a pista de ciclismo e atletismo.
  • na década seguinte o estádio foi sendo gradualmente encadeirado - terminado o procedimento, a capacidade do estádio diminuiu para cerca de 55 000 lugares.

O complexo[editar | editar código-fonte]

Quando se fala no Estádio das Antas, nem sempre se fala apenas no estádio em si; a expressão pode designar também todo o complexo desportivo que, ao longo das cinco décadas de existência do estádio, foi sendo construído à sua volta. Esse complexo incluía, entre outros:

  • o Pavilhão Américo de Sá (com capacidade para 7 000 pessoas), onde actuavam as equipas de andebol, basquetebol e hóquei em patins do FC Porto (a de basquetebol passaria a jogar no Pavilhão Rosa Mota em meados dos anos noventa)
  • o Pavilhão Afonso Pinto de Magalhães
  • uma piscina coberta (utilizada quer pela equipa de natação do FC Porto, quer por utilizadores pagantes)
  • três campos de treinos relvados
  • a primeira Loja Azul
  • o Bingo do FC Porto
  • a sala-museu do FC Porto
  • a Torre das Antas, onde foi instalada a sede do FC Porto

Momentos especiais[editar | editar código-fonte]

  • 19 de Outubro de 1977 - FC Porto 4 x 0 Manchester United, 1ª mão da 2ª eliminatória da Taça das Taças 1977/78
  • 11 de Junho de 1978 - FC Porto 4 x 0 SC Braga, vitória na última jornada do campeonato 1977/78, que permitiu ao FC Porto sagrar-se novamente campeão nacional após um jejum de 19 anos
  • 28 de Maio de 1987 - recepção, de madrugada, aos vencedores da Taça dos Clubes Campeões Europeus que chegavam directamente de Viena
  • 13 de Janeiro de 1988 - FC Porto 1 x 0 AFC Ajax, 2ª mão da Supertaça Europeia 1987, vencida pelo FC Porto
  • 15 de Junho de 1997 - FC Porto 3 x 0 Gil Vicente, a festa do primeiro Tricampeonato na história do clube
  • 30 de Junho de 1999 - FC Porto 2 x 0 Estrela da Amadora, a festa do Penta, feito inédito no futebol português
  • 10 de Abril de 2003 - FC Porto 4 x 1 SS Lazio, 1ª mão das meias-finais da Taça UEFA 2002/03, que o FC Porto viria a ganhar
  • 22 de Maio de 2003 - recepção, de madrugada, aos vencedores da Taça UEFA vindos de Sevilha

Por outro lado, o dia mais negro da história do Estádio das Antas foi 16 de Dezembro de 1973, dia em que Pavão, grande jogador e ídolo dos adeptos, caiu por terra ao minuto 13 da jornada 13, contra o Vitória de Setúbal. Tinha apenas 26 anos.

O fim[editar | editar código-fonte]

A arquibancada foi a última a cair.

O complexo das Antas começou a ser demolido em 2001; nessa altura, as equipas de andebol, hóquei em patins e natação do FC Porto passaram a competir em casa "emprestada": o Pavilhão Municipal de Santo Tirso, o Pavilhão Municipal de Fânzeres e a Piscina de Campanhã, respectivamente. Também a equipa de basquetebol deixou o Pavilhão Rosa Mota, passando a jogar no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos. Estas equipas continuam deslocadas mesmo após a inauguração do Estádio do Dragão, uma vez que este não inclui pavilhão nem piscina. Existe agora um pavilhão junto ao estádio, o Dragão Caixa, que ficou concluído em meados de 2008.

O Estádio das Antas propriamente dito permaneceria intacto até à inauguração do Estádio do Dragão, em Novembro de 2003, e mesmo para além dela: devido a um grave problema com a relva do novo estádio, este não pôde começar a ser utilizado para jogos oficiais logo após a inauguração, pelo que o Estádio das Antas foi ainda palco de oito jogos oficiais, o último deles contra o Estrela da Amadora a 24 de Janeiro de 2004. A demolição começaria cerca de um mês e meio depois, colocando assim o fim a um estádio com 52 anos de história. Atualmente, no local onde existia o estádio, foram feitas novas ruas, e o único vestígio que sobra do estádio, é um dos seus quatro holofotes de iluminação.

Balanço final[editar | editar código-fonte]

No Estádio das Antas o FC Porto jogou 1002 jogos, tendo vencido 803, empatado 119 e perdido 80.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARBOSA, Alfredo. Dragão Ano 111 - História Oficial do Futebol Clube do Porto. Porto: O Comércio do Porto. 2004.
  • José Rodrigues Teles (1958). Volume III da História dos 50 anos do FC Porto (1906-1956). Portugal: [s.n.] p. 1090 e 1091 

Referências