Carlos Eduardo Stuart
| Carlos Eduardo | |||||
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Retrato por Allan Ramsay, c. 1745 | |||||
| (como Carlos III) Pretendente ao trono da Inglaterra, Escócia e Irlanda (e também...) | |||||
| Período | 31 de janeiro de 1788 a 13 de julho de 1807 | ||||
| Antecessor(a) | Jaime Francisco Eduardo Stuart (como Jaime III & VIII) | ||||
| Sucessor(a) | Henrique Benedito Stuart (como Henrique IX) | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 31 de dezembro de 1720 Roma, Estados Papais | ||||
| Morte | 31 de janeiro de 1788 (67 anos) Roma, Estados Papais | ||||
| Sepultado em | Basílica de São Pedro, Vaticano Catedral de Frascati, Frascati, Itália (coração) | ||||
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| Esposa | Luísa de Stolberg-Gedern | ||||
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| Casa | Stuart | ||||
| Pai | Jaime Francisco Eduardo Stuart | ||||
| Mãe | Maria Clementina Sobieska | ||||
| Religião | Catolicismo Romano | ||||
| Assinatura | |||||
| Brasão | |||||
Carlos Eduardo Luís Casimiro Silvestre Stuart (em inglês: Charles Edward Louis Casimir Sylvester Stewart; Roma, 31 de dezembro de 1720 – Roma, 31 de janeiro de 1788), conhecido como Bonnie Prince Charlie, filho de Jaime Francisco Eduardo Stuart e de Maria Clementina Sobieska, foi um pretendente Stuart ao trono da Inglaterra, Escócia (unidos desde 1707 no Reino da Grã-Bretanha) e Irlanda. Seus partidários o reconheciam como rei Carlos III.[nota 2] Era neto do rei católico Jaime II de Inglaterra (VIII da Escócia), deposto pela Revolução Gloriosa e exilado na França.
Ele nasceu em Roma e passou a maior parte de sua vida na Itália. Em 1744, ele viajou para a França para participar de uma invasão planejada para restaurar a monarquia Stuart sob seu pai. Quando a frota francesa foi parcialmente destruída por uma tempestade, Carlos Eduardo, após discussões com líderes jacobitas, decidiu viajar para a Escócia. Isso levou ao desembarque de Carlos Eduardo na costa oeste da Escócia e ao Levante jacobita de 1745. Suas forças jacobitas inicialmente alcançaram algumas vitórias no campo de batalha, como a Batalha de Prestonpans em setembro de 1745 e a Batalha de Falkirk Muir em janeiro de 1746. No entanto, Carlos Eduardo foi derrotado na Batalha de Culloden em abril de 1746, efetivamente encerrando a reivindicação Stuart.[4] Apesar das tentativas subsequentes, como a invasão francesa planejada de 1759, Carlos Eduardo não obteve êxito em devolver o trono à sua dinastia.[5] Ele fugiu da Escócia após a rebelião e foi retratado como um símbolo romântico de uma causa perdida.
Uma vez derrotado, Carlos Eduardo passou o restante de sua vida no continente europeu, exceto por uma visita secreta a Londres.[6] Após retornar, residiu brevemente na França até ser expulso em 1748, conforme os termos do Tratado de Aquisgrão. Carlos Eduardo acabou voltando à Itália, onde passou a maior parte de seus últimos anos vivendo entre Florença e Roma. Antes de se casar, em 1772, com a princesa Luísa de Stolberg-Gedern, teve diversas amantes. Em sua velhice, sua saúde deteriorou-se significativamente, sendo frequentemente descrito como alcoólatra. No entanto, suas fugas durante o levante de 1745 e sua evasão da Escócia contribuíram para a construção de sua imagem como um herói romântico melancólico.[7] Sua vida e a possibilidade, ainda que breve, de restauração da dinastia Stuart, originaram uma lenda histórica duradoura que continua a ser transmitida até os dias atuais.[8][9]
Primeiros anos
[editar | editar código]Nascimento e educação
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Antonio David, 1725. Na Galeria Nacional da Escócia
Carlos Eduardo nasceu em 31 de dezembro de 1720, Palácio Muti, em Roma — residência oferecida ao seu pai pelo Papa Clemente XI.[1][10] Historiadores divergem sobre quem realizou sua cerimônia de batismo.[1][11][12] Susan Maclean Kybett afirma que foi o próprio Clemente XI quem presidiu;[1] já Hugh Douglas e Peter Pininski dizem que foi o bispo de Montefiascone.[11][12] Ele foi nomeado Carlos em homenagem ao seu bisavô, o rei Carlos I de Inglaterra, Eduardo em homenagem a Eduardo, o Confessor, Luís em homenagem ao rei Luís XV de França, Casimiro em homenagem aos reis poloneses e Silvestre em homenagem ao seu nascimento no dia da festa de São Silvestre.[12]

Atribuído a Antonio David, c. 1729. Na Galeria Nacional da Escócia
Ele era filho de Jaime Francisco Eduardo Stuart, conhecido como "o Velho Pretendente", sendo neto do rei exilado Jaime II de Inglaterra (VIII da Escócia). Sua mãe, Maria Clementina, era neta do rei João III Sobieski da Polônia, famoso por derrotar os turcos otomanos na Batalha de Viena, em 1683.[13] Seu avô, Jaime II & VII, reinou de 1685 atê 1688, ano em foi deposto pela Revolução Gloriosa[10] e o parlamento convidar o príncipe Guilherme de Orange, um protestante holandês, e sua esposa Maria, a filha mais velha do primeiro casamento de Jaime, para assumir o trono.[14] Muitos protestantes, incluindo parlamentares, temiam que Jaime quisesse restaurar o catolicismo na Inglaterra.[14] Desde o exílio de Jaime e com o Ato de Sucessão de 1701, o movimento jacobita passou a lutar pela restauração da Casa de Stuart nos tronos da Inglaterra, Irlanda e Escócia, reinos unificados formalmente em 1707 pelo Ato de União, formando o Reino da Grã-Bretanha. Carlos Eduardo desempenharia um papel central nessa causa.[15][16]
Segundo relatos, Carlos Eduardo teve fraqueza nas pernas durante a infância, possivelmente devido ao raquitismo.[17][18] Contudo, ele recebeu treinamento físico e aulas de dança, o que melhorou seu condicionamento com o tempo.[17] Ele passou a maior parte da infância entre Roma e Bolonha, cercado por um pequeno séquito e por uma família amorosa, porém com muitos conflitos.[19] Seu irmão mais novo, Henrique Benedito Stuart, nasceu cinco anos depois, em março de 1725. Os pais de Carlos Eduardo frequentemente brigavam.[20] Após o nascimento de Henrique, Maria Clementina deixou o palácio e se retirou para um convento, onde permaneceu até 1727.[21][22] Apesar de haver alguns protestantes na casa, e do Papa inicialmente ter mostrado preocupação com sua formação religiosa, Carlos Eduardo foi educado como católico.[23] Como herdeiro legítimo dos tronos da Inglaterra, Escócia e Irlanda, Jaime e sua família viviam com um forte senso de orgulho e crença no direito divino dos reis.[13] Durante a maior parte de sua juventude, Carlos Eduardo conviveu principalmente com homens mais velhos, muitos dos quais atuaram como seus tutores.[21] O responsável principal por sua educação foi James Murray, conde (jacobita) de Dunbar.[19] Seus outros tutores incluíam o cavaleiro Ramsay,[23] Sir Thomas Sheridan[24] e o padre católico Vincenzo Girella.[25] Carlos Eduardo logo aprendeu inglês, francês e italiano,[25] embora relatos indiquem que ele nunca dominou completamente nenhum idioma e que era parcialmente analfabeto.[26] Na infância, ele gostava de caçar, cavalgar, jogar golfe, ouvir música e dançar.[27]
Viagens pela Europa: 1734-1745
[editar | editar código]Em 1734, seu primo, o duque de Liria, que havia se juntado ao lado do príncipe Carlos da Espanha na disputa pelo trono de Nápoles, passou por Roma.[28] Ele propôs levar Carlos Eduardo para a expedição, e o garoto de treze anos foi nomeado general de artilharia por Carlos.[29] Em 30 de julho, ele deixou Roma escoltado, partindo com o primo em direção à França e à Espanha para o cerco de Gaeta; esse foi seu primeiro contato com a guerra.[29][30] Em Gaeta, ele observou as etapas finais do cerco, e diz-se que chegou a ser alvo de fogo inimigo nas trincheiras. Ele retornou a Roma no final de 1734.[31] Pouco depois do seu aniversário de quatorze anos, em janeiro de 1735, sua mãe, Maria Clementina, morreu de escorbuto.[32] Ela já vinha com a saúde debilitada há meses, mas diz-se que Carlos Eduardo ficou profundamente abalado com sua morte.[33]

Atribuído a Jean-Étienne Liotard, 1737. Na Galeria Nacional da Escócia
Ao crescer, Carlos Eduardo foi apresentado à sociedade italiana por seu pai e pelo Papa.[34] Em 1737, Jaime enviou seu filho em uma viagem pelas principais cidades da Itália para completar sua educação como príncipe e homem experiente.[34] Carlos Eduardo visitou Gênova, Florença, Parma, Bolonha e Veneza.[34][35] Essa viagem o deixou frustrado, pois ele esperava ser recebido como um príncipe real.[34] No entanto, a maioria das cortes europeias apenas o reconhecia como "Duque de Albany", um título histórico adotado pela realeza escocesa do século XIV.[36] Apesar de ser católico, muitos países europeus queriam evitar confrontos com a Grã-Bretanha; Veneza foi a única exceção.[34]
Aos vinte anos, Carlos Eduardo já era uma figura proeminente na alta sociedade romana, desenvolvendo um gosto por bebidas alcoólicas e roupas elegantes; gastos que frequentemente excediam sua pensão.[37] Como seu irmão Henrique se dedicava à oração e aos estudos religiosos, os dois tornaram-se cada vez mais distantes.[38] Seu pai continuava a depender de apoio estrangeiro para recuperar os tronos da Inglaterra e da Irlanda, mas Carlos Eduardo passou a apoiar mais a ideia de uma revolta sem invasão nem ajuda externa.[26] Em 1743, como não podia ir pessoalmente à Grã-Bretanha, Jaime nomeou Carlos Eduardo como regente, dando-lhe poder para agir em seu nome.[39]
Em janeiro de 1744, Jaime acreditou, erroneamente, que havia recuperado o apoio de fato do governo francês reorganizado.[40] Baseado nessa falsa crença, Carlos Eduardo partiu secretamente de Roma rumo à França, inicialmente com o pretexto de uma viagem de caça.[41][42] No entanto, o governo francês e o rei Luís XV nunca haviam convidado oficialmente Carlos Eduardo.[43] Em fevereiro, porém, o governo francês concordou com um plano para invadir a Inglaterra, na esperança de forçar os britânicos a retirarem suas tropas da Guerra da Sucessão Austríaca.[44] Carlos Eduardo então foi a Dunquerque com a intenção de acompanhar as tropas francesas na travessia da Inglaterra.[45] No entanto, a invasão nunca aconteceu, pois a frota francesa foi dispersada por uma tempestade durante o equinócio da primavera, perdendo 11 navios.[46] Quando a frota conseguiu se reagrupar, a marinha britânica já havia descoberto a manobra e estava em alerta no Canal da Mancha.[47][48]
Após o fracasso da invasão, Carlos Eduardo permaneceu na França, vivendo em vários locais, como Gravelines, Chantilly e Paris. Em maio de 1744, alugou uma casa no alto de Montmartre.[49][50] Seus gastos com roupas, empregados e bebidas o levaram a contrair uma dívida de 30.000 livres.[51] Com essa notícia, e o fracasso da invasão, os franceses tentaram forçá-lo a retornar à Itália, recusando-se a continuar pagando sua pensão mensal.[52] Sem condições de continuar pagando o aluguel da casa em Montmartre, o arcebispo de Cambrai aceitou emprestar-lhe uma propriedade rural perto de Paris, onde Carlos Eduardo permaneceu até janeiro de 1745.[53] Depois de várias tentativas dos franceses de persuadi-lo a deixar a região parisiense, ele acabou se refugiando na casa de campo de lady Anne, esposa do seu primo, o duque de Liria, em Soissons.[54] Ainda assim, durante esse período, Carlos Eduardo continuava a visitar Paris regularmente, muitas vezes sob identidade falsa, frequentando hotéis da cidade e encontrando-se com apoiadores.[55]
Levante jacobita de 1745
[editar | editar código]Preparação e viagem para a Escócia
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Em Roma e Paris, Carlos Eduardo encontrou muitos apoiadores da causa Stuart e sabia que havia representantes jacobitas em todas as cortes europeias.[50] Ele então começou a assumir uma parte significativa da correspondência e de outros trabalhos práticos relacionados à promoção dos interesses dele e de seu pai.[56] Em Paris e Soissons, Carlos Eduardo buscou financiamento e apoio para restaurar a monarquia.[57] Após dialogar com exilados irlandeses e escoceses como Sir Thomas Sheridan, que lhe assegurou o apoio do movimento jacobita escocês, e receber uma petição entregue por Sir Hector MacLean pedindo intervenção, Carlos Eduardo decidiu iniciar uma expedição à Escócia.[58] O objetivo final era lançar uma rebelião para colocar seu pai nos tronos da Inglaterra, Escócia e Irlanda.[59] Para financiar essa expedição, Carlos Eduardo contraiu um empréstimo de cerca de 180.000 libras francesas com os banqueiros parisienses John e George Waters.[60][61] Parte desse valor foi levantada com o apoio de simpatizantes britânicos, como Sir Henry Bedingfield, de Oxburgh Hall.[62] Como garantia do empréstimo, Carlos Eduardo ofereceu as joias da coroa da dinastia Sobieski, herdadas de seu bisavô materno João III Sobieski.[61] Ele usou esses fundos para adquirir armamentos,[50] equipando o navio de guerra veterano Elizabeth, com 66 canhões, e o navio corsário Du Teillay com 16 canhões.[63]

Encorajado pela vitória francesa na Batalha de Fontenoy em maio de 1745, Carlos Eduardo e sua comitiva zarparam em direção à Escócia em 5 de julho.[64] Enquanto navegavam para o norte, Carlos Eduardo e sua comitiva foram bombardeados pelo HMS Lion no Mar Céltico.[65][66] O Du Teillay, onde estava Carlos Eduardo, conseguiu escapar, enquanto o Elizabeth enfrentou o HMS Lion em combate direto.[65][66] Com a retirada do Lion, o Elizabeth teve que retornar a Brest para reparos, levando consigo a maior parte dos suprimentos de Carlos Eduardo, incluindo cerca de 1.800 espadas, 8 canhões e a maioria dos 1.500 mosquetes adquiridos.[65][50] O Du Teillay, porém, continuou a missão e, em 23 de julho, desembarcou Carlos Eduardo e sete companheiros na ilha de Eriskay.[65] Esse grupo ficou conhecido como "Os Sete de Moidart", e incluía exilados irlandeses como o ex-oficial francês John O'Sullivan e o secretário de Carlos, George Kelly. Muitos clãs das Terras Altas, tanto católicos quanto protestantes, ainda apoiavam as reivindicações jacobitas, e Carlos Eduardo esperava uma recepção calorosa, acreditando que os jacobitas se levantariam por todo o Reino Unido.[67] No entanto, foi recebido com frieza pelos líderes locais. Muitos, como os MacDonalds de Sleat e Norman MacLeod, aconselharam-no a voltar à França.[68] Conscientes das consequências de um fracasso e da ausência de apoio militar francês, eles não viram em Carlos Eduardo a liderança prometida.[69] Apesar disso, Carlos Eduardo não se deixou abater e seguiu viagem até Loch nan Uamh.[56] Sem o apoio esperado da marinha francesa, decidiu levantar um exército na Escócia.[70]
Estágios iniciais e a vitória em Prestonpans
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Embora, no início, muitos chefes de clãs tenham tentado dissuadi-lo, Carlos Eduardo obteve o apoio crucial de Donald Cameron de Lochiel, líder do clã Cameron, ao prometer garantir o valor total de suas propriedades caso a revolta fracassasse.[71] A partir de então, seu apoio continuou a crescer.[72] Segundo registros, durante esse período, Carlos Eduardo começou a aprender conversação em gaélico sob a orientação de Alasdair MacMhaighstir.[73] Em 19 de agosto, ele hasteou o estandarte de seu pai em Glenfinnan, formando um grande exército para marchar rumo a Edimburgo.[74] O exército avançou para o leste, chegando a Castelo de Invergarry na última semana de agosto.[75] Continuaram através da passagem de Corryairack, cuja posse forçou as tropas do governo a recuar.[75] Após breve parada no Castelo de Blair,[76] Carlos Eduardo chegou a Perth em 4 de setembro, onde se juntaram mais simpatizantes, incluindo o Lorde George Murray.[77] Murray havia participado das revoltas de 1715 e 1719, mas fora perdoado. Com melhor conhecimento das práticas militares das Terras Altas, ele substituiu O’Sullivan, e os jacobitas reorganizaram o exército durante a semana seguinte.[78] Em 14 de setembro, Carlos Eduardo ocupou Falkirk e hospedou-se na Casa de Callendar, onde convenceu o Conde de Kilmarnock a juntar-se a ele.[nota 3][79]
O comandante do exército britânico, Sir John Cope, marchou rumo a Inverness, deixando o sul desguarnecido, o que facilitou o avanço de Carlos Eduardo.[56] Em 16 de setembro, Carlos Eduardo e seu exército acamparam em Gray Mill, em Longstone, nos arredores de Edimburgo.[80] O prefeito Archibald Stewart controlava a cidade, que logo se rendeu, embora o Castelo de Edimburgo, sob o comando de George Preston, tenha resistido e sido sitiado até que Carlos Eduardo, por falta de artilharia, abandonou o cerco.[81] Em 17 de setembro, Carlos Eduardo entrou em Edimburgo acompanhado de cerca de 2.400 homens. [82] Durante sua estadia em Edimburgo, Carlos Eduardo também concedeu troféus a seus apoiadores, sendo um exemplo notável o "Escudo Solar do Príncipe Carlos". O pintor Allan Ramsay fez um retrato de Carlos Eduardo nesse período.[83] Esse retrato agora pertence à coleção do Conde de Wemyss, em Gosford House, e foi exibido em 2016 na Galeria Nacional de Retratos da Escócia.[84]
Enquanto isso, Sir John Cope havia trazido suas tropas por mar até Dunbar — decisão da qual logo se arrependeria.[85] Em 20 de setembro, Carlos Eduardo reuniu e organizou seu exército em Duddingston.[86] No dia 21, ele derrotou o único exército do governo na Escócia na Batalha de Prestonpans, comandada por Cope.[56][nota 4] Diz-se que Carlos Eduardo estava a apenas 50 passos da linha de frente,[87] e mais tarde expressou pesar pela morte de súditos seus na batalha.[88] Vale notar que, durante o combate, Carlos Eduardo e Lorde Murray teriam discutido sobre a disposição das tropas,[89] algo que, segundo o historiador Hugh Douglas, levou ao desgaste contínuo da relação entre ambos — fator que contribuiu para a derrota final em Culloden.[89]
Invasão da Inglaterra
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Depois da Batalha de Prestonpans, com o ânimo elevado, Carlos Eduardo retornou a Edimburgo e estabeleceu sua corte no Palácio de Holyrood.[90] Em meados de outubro, a França enviou um enviado que trouxe fundos e armas, fazendo o moral jacobita subir ainda mais, o que parecia confirmar o apoio francês.[91] No entanto, Lorde Elcho afirmou depois que os escoceses estavam preocupados com o estilo autoritário de Carlos Eduardo e temeram que ele fosse excessivamente influenciado por conselheiros irlandeses.[92] Foi formado um "comitê do príncipe", composto por líderes mais velhos; Carlos Eduardo ressentia-se disso, pois via nisso uma imposição dos escoceses a um monarca por direito divino, e as reuniões diárias aprofundaram as cisões entre facções.[93] Diz-se que membros do comitê incluíam o Duque de Perth, Lorde George Murray, Thomas Sheridan, John O’Sullivan, Murray de Broughton, Lochiel, Keppoch, Clanranald, Glencoe, Argyll, e Lochgarry.[94] Depois de várias discussões, Carlos Eduardo conseguiu convencer o parlamento a aprovar uma invasão da Inglaterra. Em novembro, ele levou cerca de 6.000 homens rumo ao sul. Em 10 de novembro, Carlisle se rendeu a Carlos Eduardo.[95] No dia 21, ele e seus homens seguiram para Penrith,[96][95] no dia 26 chegaram a Preston,[97] e em 29 de novembro estavam em Manchester.[98] Em 4 de dezembro, seu exército avançou ao sul até o rio Trent, chegando à ponte de Swarkestone, Derbyshire.[95][99]
Ao chegar a Derby, por falta de apoio dos jacobitas da Inglaterra e da França, e havendo rumores de que forças governamentais estavam se reunindo em grande número, apesar da oposição de Carlos Eduardo, o comitê em Exeter decidiu retornar à Escócia.[100][101] Carlos Eduardo admitiu que, após deixar a França, nunca recebeu notícias dos jacobitas ingleses; isso significava que ele teria mentido ao alegar outras disposições, e sua relação com alguns escoceses tornou-se irremediavelmente prejudicada.[100] Em 6 de dezembro, os jacobitas e Carlos Eduardo deixaram Derby e iniciaram a marcha norte rumo à Escócia.[102] A rota de Carlos Eduardo para o norte era a mesma que havia usado na invasão para o sul.[103] Ele voltou a Manchester em 9 de dezembro, enfrentou resistência local leve, exigiu de Manchester £5.000, conseguindo £2.500.[104] Em seguida, Carlos Eduardo continuou passando por Preston, Lancaster e Kendal, até que em 18 de dezembro as tropas jacobitas encontraram o exército governamental em Clifton, no condado de Cumbria. Os jacobitas venceram o pequeno escaramuça em Clifton Moor, permitindo que seguissem para o norte através de Carlisle, de volta à Escócia.[105]
Carlos Eduardo e seu exército chegaram a Glasgow em 26 de dezembro, onde descansaram até 3 de janeiro de 1746.[106] Depois decidiram sitiar Stirling e o Castelo de Stirling.[107] Porém, apesar da rendição imediata da cidade, o fogo do castelo era forte demais, e os jacobitas não conseguiram aproximar-se para tomá-lo.[107] O exército governista também tentou romper o cerco, o que resultou na vitória de Carlos Eduardo em Falkirk Muir, em janeiro de 1746.[108][109] No entanto, a falha ao tomar o castelo resultou no abandono do cerco; as forças jacobitas seguiram para o norte até Cree, depois para Inverness.[107] Antes que o clima piorasse, as operações cessaram, e o exército de Carlos Eduardo descansou em Inverness.[56] Mas depois foram perseguidos pelo exército do Duque de Cumberland, filho de Jorge II.[110]
Derrota e retorno à França
[editar | editar código]Em 16 de abril, o exército do governo britânico alcançou Carlos Eduardo e suas tropas na Batalha de Culloden. Carlos Eduardo ignorou o conselho de seu subordinado, o general George Murray, e escolheu lutar em um terreno plano e pantanoso, onde suas tropas foram expostas ao intenso fogo do exército governista.[111] Para garantir sua segurança, os oficiais ordenaram que Carlos Eduardo comandasse a batalha da retaguarda, o que o impediu de ter uma visão clara do campo de batalha.[112] Esperando que o exército de Cumberland atacasse primeiro, Carlos Eduardo deixou suas tropas sob o fogo direto das baterias do inimigo. Percebendo o erro, ordenou um ataque, mas o mensageiro foi morto antes de transmitir a ordem.[112] O ataque jacobita, feito sob fogo de mosquetes de cano liso e canhões disparando balas de metralha, foi desorganizado e mal coordenado, com pouco progresso. Eles conseguiram romper a primeira linha do exército governista no centro, mas foram repelidos pela segunda linha.[112] Os sobreviventes da linha de frente fugiram logo em seguida.[113] No entanto, as forças jacobitas no flanco nordeste, assim como as tropas regulares irlandesas e escocesas da segunda linha, bateram em retirada de forma ordenada, permitindo que Carlos Eduardo e sua comitiva escapassem para o norte.[114]

Após a derrota, Murray liderou um grupo de jacobitas até Ruthven, com intenção de continuar a luta.[115] No entanto, Carlos Eduardo, sentindo-se traído, decidiu abandonar a causa jacobita.[nota 5] A cerca de 32 km do campo de batalha, Carlos Eduardo descansou brevemente na casa de Lorde Lovat, um aliado em Gorthleck, e em 16 de abril, recuou por Fort Augustus até o Castelo de Invergarry.[116] Carlos Eduardo escondeu-se nas Terras Altas antes de fugir para as ilhas Hébridas, sempre um passo à frente das tropas governistas.[117] Muitos habitantes das Terras Altas ajudaram em sua fuga, e nenhum deles o traiu, apesar da recompensa de 30 mil libras.[118] Carlos Eduardo recebeu ajuda de apoiadores como o arrais Donald MacLeod de Gualtergill, e do general Con O'Neill, que o levou até Benbecula.[119] Entre 16 de abril e 28 de junho, Carlos Eduardo passou por Benbecula, South Uist, North Uist, Harris e Lewis.[120] Em 28 de junho, Flora MacDonald o ajudou a escapar disfarçado como empregada chamada "Betty Burke", levando-o até a ilha de Skye e depois à ilha de Raasay.[121] Carlos Eduardo permaneceu em Skye até 8 de julho, e então retornou ao continente, em Morar.[120] Com a ajuda de alguns servos fiéis e aliados locais, Carlos Eduardo permaneceu escondido por semanas nas montanhas ocidentais de Grampian.[122] Ele finalmente conseguiu escapar, e em setembro, embarcou na fragata francesa L’Heureux (A Alegre), sob o comando de Richard Warren, deixando a Escócia para sempre.[123][124] O marco conhecido como "Cairn do Príncipe" na baía de Loch nan Uamh, em Lochaber, assinala o local tradicional de sua partida final da Escócia.[123]
Vida posterior
[editar | editar código]Período errante
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Após retornar à França, Carlos Eduardo teve muitas amantes.[125][126] Ele manteve um relacionamento com sua prima, Maria Luísa de La Tour de Auvérnia, esposa de Júlio de Rohan, Principe de Guémené, de quem teve um filho, Carlos, o Jovem (1748–1749), que morreu na infância.[127] Em dezembro de 1748, ele foi preso pelas autoridades francesas enquanto assistia a uma ópera no Palácio Real.[128][129] Nesse ínterim, foi sugerido que Carlos Eduardo se casasse com a princesa Luísa Maria, filha mais nova do rei Luís XV de França. Todavia, a princesa não estava interessada; ela dificilmente apoiava os esforços do rei e de seus diplomatas, chegando a frustrá-los ao exagerar sua corcunda sempre que encontrava um deles em alguma galeria do castelo, para barrar qualquer chance de casamento.[130] Luísa Maria, na realidade, desejava seguir a vida religiosa, chegando a declarar: Não tenho razão de estar inquieta, já que me destinam um esposo, quando eu não quero outro senão Jesus Cristo?[131] De qualquer forma, qualquer chance de um casamento entre Carlos Eduardo e a princesa francesa foi arruinada com a assinatura do Tratado de Aquisgrão, que encerrou a Guerra da Sucessão Austríaca, no qual a França concordou em expulsar Carlos Eduardo de seu território para satisfazer a Grã-Bretanha e a dinastia hanoveriana.[132][133]
Por conseguinte, Carlos Eduardo se mudou primeiro para Avinhão, então território papal, e depois, em 1749, para Lunéville, no Ducado da Lorena.[134][nota 6] Nos anos seguintes, foi relatado que ele fez várias visitas secretas a Paris, sem ser detectado pelas autoridades francesas.[135] Após a derrota, Carlos Eduardo informou aos jacobitas que permaneceram na Inglaterra que aceitava a realidade de que, sendo católico, não conseguiria restaurar os tronos da Inglaterra e da Escócia e que estaria disposto a se converter ao protestantismo em troca da coroa.[136] Em 1750, ele entrou secretamente em Londres, permanecendo por algumas semanas, principalmente na residência da viúva do terceiro visconde Primrose, na Essex Street.[137][138]

Cosmo Alexander, 1752. No Castelo de Edimburgo
Durante sua estadia em Londres, Carlos Eduardo teria renunciado à fé católica romana e aderido ao protestantismo ao participar da Comunhão Anglicana (possivelmente em uma das capelas não juramentadas remanescentes).[139] A casa do bispo Robert Gordon, um fervoroso jacobita, na Theobalds Road, tornou-se um dos refúgios de Carlos Eduardo e foi, muito provavelmente, o local onde o ritual foi realizado,[140] embora já em 1788 se tenha apontado uma capela usada por não juramentados na Gray's Inn como o verdadeiro local da cerimônia.[a] Isso teria refutado a alegação de David Hume, que sugeria que a cerimônia teria ocorrido em uma igreja em Stirling, [141] assim como a de biógrafos como Kybett, que afirmavam ter sido realizada na igreja de St Martin-in-the-Fields.[139]
Ele viveu um tempo no exílio com sua amante escocesa, Clementina Walkinshaw (mais tarde conhecida como "Condessa d'Albany"), que possivelmente conheceu durante o levante de 1745.[142] Muitos dos apoiadores de Carlos Eduardo suspeitavam que ela fosse uma espiã infiltrada pelo governo hanoveriano da Grã-Bretanha.[143] Em 1753, nasceu a filha do casal, Carlota Stuart.[144][145][146] Incapaz de reverter o declínio do movimento jacobita, Carlos Eduardo mergulhou no alcoolismo, e com o consentimento de seu pai, Jaime, Clementina e a filha se afastaram dele.[147][nota 7]
Em 1759, durante a Guerra dos Sete Anos, Carlos Eduardo foi convocado em Paris pelo ministro das Relações Exteriores da França, o Duque de Choiseul.[148] Por causa de discussões e de seu idealismo excessivo, Carlos Eduardo deixou uma má impressão.[149] Choiseul planejava uma invasão em larga escala da Inglaterra com 100 mil soldados,[150] esperando envolver os jacobitas sob a liderança de Carlos Eduardo. No entanto, decepcionado com ele, o ministro acabou desistindo de buscar o apoio do movimento jacobita.[149] Assim, a última esperança de Carlos Eduardo de restaurar os tronos da Inglaterra, Escócia e Irlanda; uma invasão francesa unificada acabou frustrada com as derrotas navais francesas nas batalhas da baía de Quiberon e de Lagos.[151]
Chefe da Casa de Stuart
[editar | editar código]Em 1 de janeiro de 1766, Jaime Francisco Eduardo Stuart, pai de Carlos Eduardo e anteriormente reconhecido pelo Papa Clemente XI como rei "Jaime III e VIII, Rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda", morreu.[152] No entanto, mais de 40 anos depois, o Papa Clemente XIII não reconheceu Carlos Eduardo como "Carlos III".[153] Apenas em 23 de janeiro, com a permissão do papa, Carlos Eduardo mudou-se para o Palácio Muti, onde seu pai havia vivido por mais de quarenta anos.[154] Ao assumir a chefia da Casa de Stuart, Carlos Eduardo escreveu aos reis da França e da Espanha, mas nenhum deles o reconheceu como rei Carlos III.[155] Carlos Eduardo retomou sua vida social em Roma, visitou o Papa e se entregou a atividades recreativas como caça, tiro, bailes, concertos, óperas e peças teatrais. Um momento notável foi seu encontro no dia 6 de abril com Wolfgang Amadeus Mozart, no Palácio Chigi, onde assistiu a uma apresentação do jovem compositor. Apesar disso, Carlos Eduardo frequentemente se isolava em seu quarto e, segundo relatos, não fez novas amizades em seus últimos anos.[156] Em 1770, ele visitou Florença e Pisa, onde frequentou os banhos termais da cidade.[157] No início de 1771, Carlos Eduardo retornou a Paris, com a permissão do Duque de Choiseul, que ainda demonstrava interesse em discutir uma possível invasão jacobita.[157] No entanto, no dia do encontro, Carlos Eduardo estava tão embriagado que mal conseguia falar com coerência, e assim, as conversas foram abandonadas.[157]
Casamento
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Quando Carlos Eduardo completou 51 anos, tanto os apoiadores jacobitas quanto os franceses estavam preocupados com o fato de o príncipe ainda não ter se casado; sendo seu único herdeiro masculino o irmão mais novo, um padre que havia feito voto de celibato.[158][159] Os franceses também desejavam continuar utilizando a Casa de Stuart como um possível trunfo contra o governo britânico.[158][160] Em 1771, quando estava em Paris, Carlos Eduardo enviou o oficial irlandês Sir Edmund Ryan, do Regimento de Berwick, para procurar uma noiva.[158] Apesar de algumas negociações terem sido iniciadas com potenciais pretendentes, ele não teve sucesso em encontrar uma esposa.[158] Poucos meses depois, seu amigo, o Duque de Aiguillon, e seu primo Charles FitzJames Stuart sugeriram como pretendente a cunhada de FitzJames, a princesa Luísa de Stolberg-Gedern.[160] Assim, em 28 de março de 1772, Carlos Eduardo casou-se com Luísa por procuração.[161] Pouco depois, o casal se encontrou pela primeira vez em Macerata, em 17 de abril de 1772, ocasião na qual, segundo relatos, o casamento foi consumado.[161]

Eles se estabeleceram inicialmente em Roma, mudando-se para Florença em 1774, onde, em 1777, foram alojados no Palácio San Clemente pelo Príncipe Corsini; residência que mais tarde passaria a ser chamada de "Palácio do Pretendente" em homenagem a Carlos Eduardo.[162] Em Florença, Carlos Eduardo usava o pseudônimo "Conde de Albany", título que passou a figurar frequentemente em publicações europeias. Sua esposa Luísa também era geralmente referida como "Condessa de Albany".[nota 8][163] Em 1777, Carlos Eduardo e Luísa deixaram Florença e retornaram a Roma.[164] A relação entre os dois tornou-se cada vez mais conturbada.[165] Um dos motivos, segundo relatos, foram rumores de que Luísa estaria tendo casos extraconjugais com Karl von Bunau, seu cortesão, e com o poeta italiano Conde Vittorio Alfieri.[164][166] Outro motivo foi o comportamento de Carlos Eduardo, cada vez mais irracional e alcoólatra.[167]
Em novembro de 1780, Luísa deixou Carlos Eduardo oficialmente.[167] Após a separação, ela alegou ter sido vítima de abuso físico, alegação amplamente aceita por seus contemporâneos.[168][166] O historiador Douglas sugere que, após uma celebração do Dia de Santo André, embriagado, Carlos Eduardo teria acusado Luísa de infidelidade e tentado estuprá-la; ela gritou e os empregados intervieram.[167] Nos anos seguintes, o Papa decidiu atribuir metade da pensão papal de Carlos Eduardo a Luísa, e a reputação internacional do príncipe sofreu sérios danos.[168] Diz-se que ele se tornou cada vez mais isolado e amargo, sobretudo quando seu irmão, o cardeal de Iorque, acolheu Luísa em uma de suas propriedades.[169]
Em abril de 1784, o rei Gustavo III da Suécia, durante uma visita, convenceu Carlos Eduardo a conceder a Luísa uma separação formal.[170] Embora não tenha sido um divórcio oficial, já que os Estados Papais não previam esse tipo de procedimento legal, a separação foi legitimada, mesmo que o casal já vivesse separado havia algum tempo.[170]
Declínio da saúde
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Hugh Douglas Hamilton, 1775. Na Galeria Nacional Escocesa de Retratos
Na velhice, a saúde de Carlos Eduardo deteriorou-se consideravelmente. Ele sofria, segundo relatos, de asma, hipertensão, inchaços e úlceras nas pernas.[162] Por exemplo, em 1774, enquanto estava em Florença, frequentemente era acometido por ataques de asma e problemas nas pernas, a ponto de precisar ser carregado por seus criados até sua carruagem.[171] Carlos Eduardo também era amplamente conhecido por seu alcoolismo, problema que se agravava com o passar dos anos.[158][172]
Em 1783, a saúde de Carlos Eduardo continuou a se deteriorar, e por um período ele ficou tão gravemente doente que recebeu a Unção dos Enfermos.[169] Embora tenha se recuperado, Carlos Eduardo concordou em redigir um novo testamento e assinou um documento que legitimava sua filha ilegítima, Carlota, conferindo-lhe oficialmente esse estatuto.[169] Ele também concedeu a ela o título de "Duquesa de Albany", pertencente à nobreza escocesa,[173] junto ao tratamento de "Alteza". No entanto, isso não foi suficiente para garantir a Carlota qualquer direito sucessório ao trono britânico.[174] Durante os cinco anos seguintes, Carlota permaneceu ao lado de Carlos Eduardo em Florença. Ela acabou falecendo solteira em novembro de 1789, em Bolonha, sobrevivendo ao pai por pouco mais de um ano.[175][nota 9]
Carlos Eduardo passou a maior parte de seus últimos anos entre Florença e Roma, mas em 1785 deixou Florença pela última vez e retornou definitivamente a Roma.[177] Segundo relatos, por conta de sua fragilidade física, seu médico passou a limitar até mesmo suas viagens mais leves.[177]
Morte e enterro
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Em 30 de janeiro de 1788, Carlos Eduardo, aos 67 anos, morreu em Roma vítima de um derrame.[178] Seu irmão, o cardeal de Iorque, testemunhou sua morte. Registros indicam que Carlos Eduardo teria morrido na manhã de 31 de janeiro, pois anunciar sua morte no mesmo dia da execução de seu infeliz bisavô, Carlos I de Inglaterra, seria considerado de mau agouro.[178][179] Em seu testamento, Carlos Eduardo deixou a maior parte de seus bens para sua filha e herdeira, Carlota.[180] Houve algumas exceções, incluindo um conjunto de louças deixado para seu irmão e pensões vitalícias para alguns de seus criados.[180]
Após sua morte, foi feito um molde em gesso de seu rosto, e seu corpo foi embalsamado e colocado em um caixão de cipreste.[181] O caixão foi decorado com a insígnia da Ordem do Cardo, com a Cruz de Santo André, e a Ordem da Jarreteira, com a Cruz de São Jorge.[181] Carlos Eduardo foi inicialmente sepultado na Catedral de Frascati, perto de Roma, onde seu irmão era bispo.[180] Em 1807, com a morte do cardeal de Iorque, os restos mortais de Carlos Eduardo (com exceção do coração) foram transferidos para a Basílica de São Pedro, no Vaticano, e sepultados na cripta, ao lado de seu pai e irmão.[182] Seu túmulo está localizado sob o Monumento Real aos Stuart, obra de Antonio Canova.[183] Sua mãe, Maria Clementina, também está enterrada nas proximidades da basílica.[184] O coração de Carlos Eduardo foi preservado na Catedral de Frascati, onde foi colocado em uma pequena urna sob o chão, abaixo de um monumento.[180][182]
Carlos Eduardo não deixou descendência legítima sobrevivente, o que fez com que seu irmão, o cardeal de Iorque, fosse reconhecido pelos jacobitas como "Henrique IX". No entanto, como Henrique era sacerdote e permaneceu solteiro por toda a vida, sua morte marcou o fim da linha direta dos pretendentes Stuart. A partir de então, os jacobitas passaram a apoiar Carlos Emanuel IV, rei da Sardenha da Casa de Saboia, descendente da filha mais nova de Carlos I de Inglaterra, Henriqueta Ana Stuart, como "Carlos IV da Grã-Bretanha". Contudo, os sucessores apoiados pelos jacobitas nunca reivindicaram ativamente o trono britânico.
Representações na cultura
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Desde o século XVIII, Carlos Eduardo tem sido retratado em pinturas, a maioria pertencente ao romantismo, e mais tarde como um representante dos jacobitas na era vitoriana.[185][186] A partida de Carlos Eduardo da Escócia em 1746 foi retratada em um retrato de Francis William Topham, Charles Edward, Prince Farewell to His Friends.[nota 10] Em 1892, John Pettie pintou a cena da entrada de Carlos Eduardo no Palácio de Holyrood. Carlos Eduardo e os jacobitas também foram representados em muitas pinturas, impressões e objetos, e seu retrato e brasão foram até gravados em copos de vidro para beber.[188][189]
Carlos Eduardo também foi representado no teatro, cinema e televisão. Ele foi interpretado por David Niven no filme semi-biográfico de 1948 Prince Charlie[190] Andrew Gower também interpretou Carlos Eduardo na série histórica Outlander, baseada na série de livros de Diana Gabaldon.[191] Sua vida inspirou muitas peças históricas, incluindo Handsome Prince Charlie (1897), The Young Pretender (1996) e The Glory (2000).[192][193][194]
O legado de Carlos Eduardo Stuart e seu papel no movimento jacobita também influenciaram canções e músicas. Exemplos incluem as canções folclóricas This is the Golden Life of Your Family, Handsome Prince Charlie, Who but King Charlie?, e Charlie is My Darling.[195][196][197] A canção escocesa The Skye Boat Song, do escritor britânico Sir Harold Edwin Bolton, e a canção irlandesa My Brave Lover de Séan Clara McDonnell, comemoram a fuga de Carlos Eduardo da Escócia.[196] A canção popular My Bonnie Lies over the Ocean pode se referir a ele, ou a qualquer mulher.[198] Em 1961, Tony Sheridan e The Beatles fizeram uma versão cover da canção.
Heráldica
[editar | editar código]Estandartes
[editar | editar código]Brasão
[editar | editar código]Em sua reivindicação como Príncipe de Gales, Carlos Eduardo ostentava o mesmo brasão de armas do soberano da Inglaterra, Escócia e Irlanda, apenas eriçadas para diferenciá-las, neste caso com um lambel com três brincos de prata.[199]
Ancestrais
[editar | editar código]Notas e referências
Notas
- ↑ Fontes referem-se a ele também como Carlos Eduardo Luís João Silvestre Maria Casimiro Stuart[2]
- ↑ Esse nome foi posteriormente usado por Carlos III (Charles III), filho da rainha Elizabeth II da Casa de Windsor, quando subiu ao trono.[3]
- ↑ Antes da Batalha de Falkirk Muir, Carlos Eduardo voltaria a se hospedar na Casa de Callendar. O conde, contudo, foi executado em agosto de 1746 por seu apoio a Carlos Eduardo.
- ↑ Cope e sua desastrosa defesa contra os jacobitas foram imortalizados na canção Johnnie Cope.
- ↑ Esses eventos foram relatados em primeira mão por Cavaleiro de Johnstone em suas Memórias da Rebelião de 1745–1746.
- ↑ O ducado foi incorporado à França em 1766.
- ↑ Carlota mais tarde teve três filhos ilegítimos (um menino e duas meninas) com o padre da família Rohan, Ferdinand de Rohan. O único filho homem foi Carlos Eduardo Stuart, Conde Roehenstart.
- ↑ Esse título era comumente utilizado por ele em publicações europeias
- ↑ Mais tarde, John Sobieski Stuart e Charles Edward Stuart, cujos nomes verdadeiros eram John Hay Allen e Charles Manning Allen, alegaram falsamente que seu pai, Thomas Allen, era o filho legítimo de Carlos Eduardo e Luísa. [176]
- ↑ Fisher's Book of Parlor Trash, publicado em 1839, com ilustrações de poemas de Letitia Elizabeth Langdon.[187]
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- Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
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Ligações externas
[editar | editar código]- Príncipe Carlos Eduardo Stuart na Galeria Nacional da Escócia
- A Rebelião Jacobita Arquivado em 4 de dezembro de 2020, no Wayback Machine., discussão na BBC Radio 4 com Murray Pittock, Stana Nenadic e Allan Macinnes (In Our Time, 8 de maio de 2003).
Príncipe Charles Edward. por Francis William Topham, gravura feita para o *Fisher's Drawing Room Scrap Book* de 1839, com ilustração poética de Letitia Elizabeth Landon.
| Carlos Eduardo Stuart Casa de Stuart 31 de dezembro de 1720 – 31 de janeiro de 1788 | ||
|---|---|---|
| Precedido por Jaime Francisco Eduardo Stuart (como Jaime III & VIII) |
Pretendente ao trono da Inglaterra, Escócia e Irlanda (como Carlos III) 1 de janeiro de 1766 – 31 de janeiro de 1788 |
Sucedido por Henrique Benedito Stuart (como Henrique IX) |





