Classe H

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Classe H
Classe H, por Richard Allison.png
Ilustração artística de um couraçado da Classe H, por Richard Allison
Origem  Alemanha
Operador(es) Kriegsmarine
Precedida por Classe Bismarck
Planejados 6
Construídos 0
Características gerais
Tipo Couraçado
Deslocamento H-39: 56.444 t
H-41: 68.800 t
H-42: 90.000 t
H-43: 111.000 t
H-44: 131.000 t
Comprimento H-39: 277,8 m
H-41: 282 m
H-42: 305 m
H-43: 330 m
H-44: 345 m
Boca H-39: 37 m
H-41: 39 m
H-42: 42,8 m
H-43: 48 m
H-44: 51,5 m
Calado H-39: 10 m
H-41: 11,1 m
H-42: 11,8 m
H-43: 12 m
H-44: 12,7 m
Propulsão 12 motores a diesel de 9 cilindros
Velocidade H-39: 30 nós (56 km/h)
H-41: 28,8 nós (53,3 km/h)
H-42: 32,2 nós (59,6 km/h)
H-43: 31 nós (57 km/h)
H-44: 30,1 nós (55,7 km/h)
Autonomia H-39: 19.200 milhas náuticas a 19 nós
(35.600 km a 35 km/h)
H-41–44: 20.000 milhas náuticas a 19 nós (37.000 km a 35 km/h)
Armamento H-39:
8 canhões de 406 mm
12 canhões de 150 mm
16 canhões antiaéreos de 105 mm
16 canhões antiaéreos de 37 mm
12 canhões antiaéreos de 20 mm
6 tubos de torpedo de 533 mm

H-41:
8 canhões de 420 mm
12 canhões de 150 mm
16 canhões antiaéreos de 105 mm
32 canhões antiaéreos de 37 mm
12 canhões antiaéreos de 20 mm
6 tubos de torpedo de 533 mm

H-42 & H-43:
8 canhões de 480 mm
12 canhões de 150 mm
16 canhões antiaéreos de 105 mm
28 canhões antiaéreos de 37 mm
40 canhões antiaéreos de 20 mm
6 tubos de torpedo de 533 mm

H-44:
8 canhões de 508 mm
12 canhões de 150 mm
16 canhões antiaéreos de 105 mm
28 canhões antiaéreos de 37 mm
40 canhões antiaéreos de 20 mm
6 tubos de torpedo de 533 mm
Aeronaves 4–9 hidroaviões Arado Ar 196

A Classe H foi uma série de projetos de navios couraçados para a Kriegsmarine da Alemanha Nazista. Eles tinham a intenção de cumprir as necessidades do Plano Z, o rearmamento da marinha alemã. A primeira variação foi a H-39 e pedia pela construção de seis embarcações, essencialmente versões maiores da Classe Bismarck com canhões de 406 milímetros. O projeto H-41 foi feito sobre a H-39 com armas maiores, possuindo oito canhões de 420 milímetros. Os dois planos seguintes, H-42 e H-43, aumentaram ainda mais a artilharia principal com canhões de 480 milímetros, enquanto o H-44 resultou e canhões de 508 milímetros. O tamanho dos projetos também cresceu, de 277,8 metros de comprimento da H-39 para 345 metros da H-44. A maioria dos projetos manteve uma velocidade média acima de trinta nós.

Nenhum dos navios propostos chegou a ser completado devido o começo da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939; apenas as duas primeiras embarcações da H-39 tiveram suas construções iniciadas. Os trabalhos que já tinham sido realizados foram paralisados; o aço construído permaneceu no local das obras até novembro de 1941, quando o Alto Comando da Marinha ordenou que fossem desmontados a fim de serem utilizados para outros propósitos. Os contratos dos outros quatro H-39 tinham sido acertados, porém nenhum trabalho chegou a ser feito antes de serem cancelados. Nenhum dos outros projetos progrediu além das fases de planejamento.

Projeto inicial[editar | editar código-fonte]

Os primeiros estudos de projeto para o chamado "Couraçado H" datam de 1935 e eram quase repetições dos primeiros projetos para os navios da Classe Bismarck, só que inicialmente armados com canhões de 350 milímetros. A inteligência indicou que a Marinha Soviética estava planejando que a Classe Sovetsky Soyuz tivesse armamentos de 380 milímetros, fazendo com que os alemães aumentassem o calibre de suas armas para o mesmo número em 5 de outubro de 1936.[nota 1] O Alto Comando da Marinha emitiu diretrizes no final de outubro para um navio de 36 mil toneladas, armado com oito canhões de 380 milímetros e capaz de alcançar velocidade de trinta nós (56 quilômetros por hora). O raio da ação da embarcação seria pelo menos igual ao dos cruzadores da Classe Deutschland.[1]

O projeto que seria designado como H-39 começou em 1937.[2] A equipe de desenho foi instruída a melhorar o projeto da Classe Bismarck; um dos requisitos era uma bateria principal de alto calibre a fim de derrotar qualquer couraçado construído por um adversário em potencial. Na época parecia que o Japão não iria ratificar o Segundo Tratado Naval de Londres, que continha uma cláusula que permitia que os signatários armassem seus couraçados com armas de até 406 milímetros.[3] A Alemanha Nazista era considerada parte de outros tratados internacionais de limitação navais por virtude do Acordo Naval Anglo-Germânico.[4] O Japão recusou-se a assinar o tratado em abril; a Marinha dos Estados Unidos anunciou pouco depois que iria armar sua nova Classe North Carolina com canhões de 406 milímetros.[3]

O almirante Werner Fuchs, responsável pela seção de equipe do Alto Comando que determinou os requisitos operacionais dos navios, discutiu o novo projeto com Adolf Hitler, o líder da Alemanha. Hitler exigiu armas maiores do que qualquer adversário em potencial, porém os canhões e calibre desejados por ele necessitariam de um deslocamento de mais de oitenta mil toneladas e calados tão fundos que impediriam o uso de qualquer porto alemão sem uma dragagem considerável. Fuchs conseguiu convencer Hitler de que canhões de 406 milímetros eram a melhor escolha para o projeto H-39.[3] O Alto Comando desenvolveu em 1938 o Plano Z, um programa de construção para a Kriegsmarine. Uma força de seis couraçados H-39 seriam as peças centrais da frota.[5] O Plano Z foi finalizado em janeiro de 1939, quando o grande almirante Erich Raeder, o comandante da marinha, o apresentou a Hitler. Este aprovou o plano em 18 de janeiro e concedeu à Kriegsmarine poder ilimitado para realizar o programa de construção.[6]

Apenas quatro estaleiros na Alemanha tinham espaço o bastante para construir os navios.[6] O Alto Comando emitiu ordens em 14 de abril de 1939 para a construção das duas primeiras embarcações, H e J. Os contratos para os outros quatro, K, L, M e N, seguiram-se em 25 de maio.[7] As quilhas dos dois primeiros couraçados foram batidas na Blohm & Voss em Hamburgo e na Deschimag em Bremen, respectivamente em 15 de julho e 1 de setembro.[8] O início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939 interrompeu as construções. Os trabalhos foram suspenso e os outros quatro nem tiveram seus trabalhos iniciados, já que acreditava-se que não ficariam prontos antes do fim do conflito.[7] A quilha do H tinha oitocentas toneladas de aço instalado e 3500 tonelada tinham sido produzidos, das 5800 toneladas entregues para a Blohm & Voss até aquele momento.[8] Apenas quarenta toneladas tinham sido trabalhadas na quilha do J, das 3500 toneladas entregues para a Deschimag.[9] Aço para as outras quatro embarcações já tinham sido encomendos e parcialmente produzidos.[8] Era esperando que os trabalhos recomeçasse após a vitória da Alemanha na guerra.[7]

Os navios também nunca foram nomeados ou tiveram propostas oficiais de nomes publicados. Nomes que apareceram em algumas publicações (Hindenburg, Friedrich der Grosse e Grossdeutschland) são puras especulações. Especialmente o muito mencionado Grossdeutschland (em português: "Grande Alemanha") é altamente improvável, já que Hitler sempre temeu a perda de uma embarcação com o nome da Alemanha (dai a mudança de nome do cruzador pesado Deutschland para Lützow).[10] Os únicos indícios de nomes foram dados pelo próprio Hitler, que os mencionou durante conversas não oficiais, propondo os nomes Hutten e Berlichingen, já que estes não estavam conectados com pessoas do governo ou ao próprio país, assim uma possível perda não teria um impacto psicológico e propagandístico grande.[10][11]

H-39[editar | editar código-fonte]

Maquinário[editar | editar código-fonte]

O projeto H-39 tinha 277,8 metros de comprimento. A boca seria de 37 metros com um calado de dez metros. No deslocamento padrão, que era de 53.400 toneladas, o calado ficava no limite em 9,6 metros. Já totalmente carregado, com 63.600 toneladas, o calado chegava a 11,2 metros.[8] O casco seria construído em armações de aço transversais e longitudinais, além de mais de noventa por cento de solda. O casco conteria 21 compartimentos a prova d'água e um fundo duplo que estendia-se por quase noventa por cento do comprimento da quilha. Quatro quilhas de sentina foram adicionadas a fim de melhorar a estabilidade.[2] As embarcações teriam uma tripulação estimada em 2600 homens.[12]

Os navios seriam impulsionados por doze motores a diesel MAN de dupla ação com 9 cilindros. Os motores seriam dispostos em grupos de quatro em três eixos, movimentando três hélices triplas de 4,8 metros de diâmetro. Quatro caldeiras auxiliares seriam instaladas para proporcionar potência de reserva; quatro eram alimentadas por combustível e ficariam localizadas entre as salas de transmissão centrais. As outras duas tinham a intenção de serem caldeiras a exaustão de gás que ficariam acima das outras.[2] A usina de energia foi calculada em 165 mil quilowatts e 260 rotações por minuto; isto proporcionaria uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora). As embarcações poderiam carregar até 8.700 toneladas de combustível diesel, permitindo assim um alcance de sete mil milhas náuticas a 28 nós (treze mil quilômetros a 52 quilômetros por hora).[8] O projeto pedia por um leme atrás da hélice central e dois lemes laterais menores.[9]

Armamento[editar | editar código-fonte]

Um dos canhões de 406 milímetros instalado na Bateria Lindemann.

A bateria principal da Classe H consistiria em oito canhões SK C/34 de 406 milímetros em quatro torres duplas.[2] Elas teriam um calibre cinquenta e disparariam em uma velocidade de saída de 810 metros por segundo.[13] As armas teriam um abastecimento de 980 cartuchos de munição ou 120 por canhão;[2] cada projétil pesava uma 1030 quilogramas.[13] As armas uusariam um bloco de culatra corrediço, como era comum em armas navais alemãs do período; cada culatra seria selada com um cartucho de latão de 91 quilogramas que continha 128 quilogramas de carga propulsora. Uma carga inicial de 134 quilogramas suplementaria o explosivo principal. As torres poderiam chegar até uma elevação de trinta graus, permitindo um alcance máximo de 36,4 quilômetros.[nota 2][14] Esperava-se que a cadência de tiro fosse de dois disparos por minuto.[15] Nunca foi especificado o radar de controle de fogo, porém presumi-se que os navios seriam equipados com um arranjo similar ao instalado no Tirpitz em 1943.[16] Vários dos canhões de 406 milímetros foram construídos antes da paralisação das obras nas embarcações; estes foram posteriormente empregados em canhões costeiros, incluindo a Bateria Lindemann na França.[nota 3][12]

A bateria secundária seria composta por doze canhões L/55 C28 de 150 milímetros montados em doze torres de artilharia.[17] Esta era a mesma composição das baterias secundárias instaladas nos navios das classes Scharnhorst e Bismarck.[18] Estas torres permitiam uma elevação de quarenta graus para um alcance máximo de 23 quilômetros. Elas disparavam projéteis de 43,3 quilogramas a uma velocidade de saída de 875 metros por segundo,[13] com a intenção principal sendo que elas fossem usadas contra alvos de superfície.[15] As embarcações também seriam armadas com seis tubos de torpedos de 533 milímetros, todos abaixo da linha d'água.[17] Estes tubos estariam localizados na proa e divergiriam da linha central do navio em dez graus.[19]

Dezesseis canhões L/65 C33 Flak de 105 milímetros proporcionariam a defesa antiaérea de longa distância.[17] Diferentemente daquelas nas classes Scharnhorst e Bismarck, estas armas seriam blindadas para proteger suas equipes de estilhaços e metralhadas de aviões inimigos. Estas novas torres tinham uma maior elevação quando comparadas a versões anteriores.[15] A defesa antiaérea de proximidade consistiria em uma bateria de dezesseis canhões L/83 C33 de 37 milímetros e 24 canhões C38 de vinte milímetros. As armas de 37 milímetros seriam montadas em oito torres duplas, enquanto as de vinte milímetros ficariam em seis torres quádruplas.[17] Os canhões de 37 milímetros ficariam localizados na parte central do navio. Os historiadores William Dulin e Robert Garzke escreveram que a bateria antiaérea era muito fraca para defender as embarcações das aeronaves de alta performance que entraram em serviço no final da década de 1930 e começo da de 1940, especulando que elas "seriam aprimoradas antes dos navios serem completados".[19]

Blindagem[editar | editar código-fonte]

A equipe de projeto imaginou os navios da Classe H lutando a relativa curta distância, dessa forma selecionando uma blindagem que havia sido usada em embarcações alemãs desde a Classe Nassau de 1907. O cinturão lateral seria vertical e preso diretamente no casco, diferentemente da blindagem inclinada colocada por dentro da parede que era usada por engenheiros norte-americanos e franceses.[19] O cinturão, que seria composto por aço Krupp, teria trezentos milímetros de espessura na parte central, cobrindo depósitos de munição e maquinários. Ele seria reduzido para 220 milímetros nas extremidades; a popa e a proa ficariam desprotegidas.[2] O cinturão lateral superior teria 145 milímetros de espessura. A marinha alemã não preservou estimativas oficiais da zona de imunidade, porém Garzke e Dulin criaram uma estimativa baseada na performance de um canhão norte-americano de 410 milímetros disparando um projétil de pouco mais de uma tonelada. A blindagem dos navios lhes deixariam protegidos contra disparos realizados entre onze e 21 quilômetros de distância.[19] A projétil poderia penetrar o cinturão lateral superior a qualquer distância, deixando os navios expostos acima da linha d'água.[20]

O sistema de proteção debaixo d'água seria bem similar a aquele empregado na Classe Bismarck.[21] Uma antepara contra torpedo de 45 milímetros de espessura feita de aço Wotan Weich complementaria a blindagem lateral e proporcionaria defesa contra armas subaquáticas.[2][nota 4] As anteparas seriam colocadas 5,5 metros de distância do casco, embora a par da frente das torres e mais na proa e popa; esta distância não pode ser determinada. A distância entre a antepara e a lateral do navio seria reduzida para 3,25 metros nessas áreas; os projetistas compensaram o espaço reduzido ao aumentar a espessura da antepara para sessenta milímetros nessas áreas.[21]

Dois conveses blindados feitos de aço Woltan Hart protegeriam as embarcações de disparos vindos de cima.[2] O convés superior teria oitenta milímetros de espessura acima dos depósitos de munição e cinquenta milímetros acima dos espaços dos maquinários. O principal convés blindado teria entre cem e 120 milímetros, com a espessura sendo maior sobre as partes mais vitais do navio. Sobre os depósitos de munição, a espessura seria de 150 milímetros, enquanto sobre as máquias o valor seria de 120 milímetros.[23] Os projetistas optaram por colocar uma proa relativamente bem blindada para a Classe H devido preocupações sobre o destino do cruzador de batalha SMS Lützow na Batalha da Jutlândia.[24][nota 5] Um outro cinturão que teria entre sessenta a 150 milímetros de espessura protegeria a proa de estilhaços. Foi pensado que acertos diretos causariam danos localizados que poderiam ser melhor isolados do que danos causados por estilhaços, que poderiam causar grandes inundamentos.[26]

Os torres principais de artilharia seriam blindadas com 385 milímetros na frente, 240 nas laterais e 130 no teto.[2] A parte de traz da torre teria 325 milímetros; além da proteção oferecida pela espessura maior, a blindagem também alteraria o centro de gravidade da torre para trás, o que ajudaria a equilibrá-la e melhorar sua operação. As barbetas sobre as quais as torres ficariam seriam blindadas com 365 milímetros de aço endurecido acima da blindagem superior do convés, enquanto teriam 240 milímetros de aço abaixo do convés.[27] As torres de artilharia dos canhões de 150 milímetros teriam uma blindagem frontal de cem milímetros, quarenta nas laterais e 35 no teto.[2] Suas barbetas teriam uma proteção de oitenta milímetros.[27] Os canhões de 105 milímetros seriam blindados com escudos frontais de vinte milímetros.[2] A torre de comando teria laterais de 350 milímetros de espessura e teto de duzentos milímetros. A torre de comando traseira teria laterais e teto de cem milímetros.[26]

Projetos seguintes[editar | editar código-fonte]

Hitler ordenou em julho de 1940 que a marinha examinasse novos projetos e como as experiências de guerra poderiam ser incorporadas. Um estudo foi completado em 15 de julho e continha recomendações para a Classe H, incluindo o aumento da borda livre e fortalecimento da proteção horizontal. A equipe de projeto criou um desenho informal, conhecido como "Esquema A", para que o deslocamento e velocidade fossem mantidos e acomodassem o aumento de peso e blindagem. Este removia uma das torres de artilharia principais para equilibrar o peso; o sistema de propulsão também teve sua potência aumentada para que fosse mantida a velocidade do projeto original. O sistema a diesel foi substituído por um arranjo híbrido de diesel e turbina a vapor. A equipe também preparou um segundo projeto, "Esquema B", que mantinha a quarta torre de artilharia e aceitava um deslocamento muito maior. Este também incorporava o sistema de propulsão misto.[28] Estes estudos foram abandonados em 1941 quando Hitler decidiu paralisar a construção de couraçados até o final da guerra. A equipe assim tentou melhorar a blindagem da Classe H.[29] Os projetos de 1940 não fazem parte dos desenhos que resultaram no H-41 até o H-44.[30]

H-41[editar | editar código-fonte]

Danos de bombas sofridos pelo Scharnhorst em julho de 1941 foram o ímpeto pelo esforço para aumentar a proteção horizontal da Classe H.[nota 6] Os projetistas confrontaram-se com um problema: qualquer aumento na blindagem poderia corresponder a um aumento no deslocamento e, mais importante, ao calado. Era necessário manter o calado em 11,5 metros para os navios H-39 devido operações no relativamente raso Mar do Norte. A única opção que permitiria que o deslocamento fosse mantido mesmo com um aumento na espessura da blindagem era reduzir os suprimentos de combustível. Um corte de 25 por cento era necessário, porém isto foi considerado inaceitável pelo Alto Comando. Foi determinado que um aumento no calado era aceitável já que pontos de ancoragem mais profundos na costa do Atlântico estavam disponíveis. O novo projeto inicial teria um aumento de apenas 5,1 mil toneladas, quarenta por cento das quais eram blindagem adicional, com o resto sendo do aumento do calibre da bateria principal.[29]

Uma das mudanças mais significativas foi a decisão de mudar os canhões de 402 milímetros para 420 milímetros. Os projetistas determinaram que modificações nos guindastes e equipamentos de carga das munições podiam ser realizadas facilmente e que as torres originais podiam ser mantidas.[29] O Alto Comando sabia que os britânicos tinham escolhido uma bateria principal de 406 milímetros para a proposta Classe Lion; dessa forma, as armas de 420 milímetros do projeto H-41 teriam vantagem sobre esses adversários.[32] O resto dos armamentos permaneceram inalterados, com a exceção de um aumento no número das armas antiaéreas de vinte milímetors, que agora chegariam em 34.[8]

A blindagem dos conveses foi fortalecida substancialmente: a espessura do convés foi aumentada de 120 milímetros para duzentos milímetros, enquanto as extremidades passaram de 150 para 175 milímetros.[8] Experiências de guerra com a Classe Scharnhorst indicaram que o sistema de defesa de torpedo não era suficientemente forte para proteger o projeto H-39 de danos abaixo d'água. A boca foi aumentada, com uma maior largura nas extremidades da citadela a fim de deixar uma distância maior entre a lateral da parede e as anteparas de torpedo. A seção da popa da antepara também foi fortalecida estruturalmente para que detivesse melhor a força de uma explosão submarina.[32] Um fundo triplo também foi incluído no projeto, a primeira vez que isso seria usado em um navio de guerra alemão.[8] A perda do Bismarck em maio de 1941 também influenciou o projeto; dois ailerons foram adicionadas às laterais do casco com o objetivo de proteger as hélices e aumentar o suporta da popa em doca. O sistema do leme também foi redesenhado com cargas explosivas para que os lemes pudessem ser separados caso emperrassem.[33]

O projeto finalizado foi aprovado por Raeder em 15 de novembro de 1941.[33] Ele tinha 282 metros de comprimento, boca de 39 metros e um calado carregado de 12,2 metros. O aumento do peso, enquanto a propulsão manteve-se a mesma, reduziu a velocidade prevista para 28,8 nós (53,3 quilômetros por hora).[8] O Alto Comando planejava começar a construção de seis a nove meses depois do fim da guerra, inicialmente na Blohm & Voss e na Deutsche Werke. A Deschimag, que tinha ficado com o contrato de "J", não podia mais ser usada por causa do aumento do calado, que impediria a passagem da embarcação pelas águas rasas do rio Weser. O trabalho poderia ser realizado na Kriegsmarinewerft em Wilhelmshaven depois da finalização de uma doca maior.[34] O aumento do tamanho dos navios teria alongado o tempo de construção de quatro para cinco anos.[35]

H-42 a H-44[editar | editar código-fonte]

Albert Speer foi nomeado Ministro dos Armamentos e Munições em 8 de fevereiro de 1942, ganhando influência sobre os programas de construção da marinha. Ele colocou alguns membros da equipe de projeto da Classe H para trabalharem em novos U-boots e outras tarefas consideradas críticas para o esforço de guerra.[35] A Comissão de Construção de Novos Navios,[34] que tinha a intenção de servir de ligação entre Speer e o Alto Comando, foi criada e colocada sob a direção do almirante Karl Topp. O grupo ficou responsável pelo projeto que resultou no tipo H-42, além dos desenhos posteriores. O Escritório de Construção do Alto Comando formalmente concluiu seus trabalhos em novos couraçados com o H-41, não tendo desempenhado mais nenhuma função em outros desenvolvimentos.[35]

Hitler emitiu um pedido depois da finalização do projeto H-41 pedindo por um couraçado maior e não colocou restrições sobre o calibre das armas ou deslocamento. Os únicos requisitos eram uma velocidade de trinta nós, proteção horizontal e submarina suficiente para proteger a embarcação de todos os ataques e uma bateria principal devidamente equilibrada com o tamanho do navio.[35] Os resultados foram apenas estudos de projetos que tinham a intenção de determinar do tamanho de uma embarcação com blindagem suficiente para resistir o poder cada vez maior das bombas usadas pelos Aliados.[34] A Comissão não discutiu suas atividades com Raeder e seu sucessor, o grande almirante Karl Dönitz, ou com outros ramos do Alto Comando.[35] Os projetos H-42, H-43 e H-44 foram puramente conjecturais e nenhum trabalho real foi iniciado. A marinha alemã nunca considerou seriamente a construção de qualquer um dos projetos, que eram tão grandes que não poderiam ser construídos de maneira convencional. De fato, o Escritório de Construção e o Alto Comando procuraram se desassociar dos projetos, que achavam de mérito duvidoso e desnecessários para a vitória alemã.[36]

O primeiro projeto, H-42, teria 305 metros de comprimento entre perpendiculares, uma boca de 42,8 metros e um calado de 11,8 metros, podendo este último chegar a 12,7 metros totalmente carregado. O projeto teria um deslocamento de noventa mil toneladas e em velocidade máxima chegava a 98 mil. As dimensões para o H-43 aumentaram, 330 metros entre perpendiculares, boca de 48 metros e calado de doze metros normalmente e treze metros carregado. O deslocamento projetado seria de 111 mil toneladas e estimados 118,1 mil quando carregado. Para o último projeto, o H-44, o comprimento entre perpendiculares seria de 345 metros, boca de 51,5 metros e calado de 12,7 metros normais e até 13,5 carregado. Seu deslocamento poderia chegar a 131 mil toneladas ou quase 140 mil quando totalmente carregado.[34]

Detalhes sobre os sistemas de propulsão para esses projetos são fragmentados e em alguns casos contraditórios. Erich Gröner escreveu que "alguns [teriam] motores de propulsão puramente [a diesel], outros [teriam] sistemas de propulsão híbridos motor/turbina", porém não falou o tipo e o desempenho desses sistemas.[34] William Garzke e Robert Dulin afirmam que todos os projetos teriam usinas híbridas diesel/vapor, cada uma proporcionando 198 quilowatts para velocidades de 31,9 nós (59,1 quilômetros por hora), 30,9 nós (57,2 quilômetros por hora) e 29,8 nós (55,2 quilômetros por hora) para, respectivamente, H-42, H-43 e H-44. Segundo os dois, os projetos, com turbinas apenas a diesel, teriam velocidades máximas de 24 nós (44 quilômetros por hora), 23 nós (43 quilômetros por hora) e 22,5 nós (41,7 quilômetros por hora), respectivamente.[37] Ambas as fontes concordam em um alcance máximo de vinte mil milhas náuticas (37 mil quilômetros) a uma velocidade de dezenove nós (35 quilômetros por hora).[37][34]

Informações sobre os conjuntos de armamento são igualmente contraditórias. Ambas as fontes concordam sobre o armamento dos navios H-44, que seria de oito canhões de 508 milímetros. Gröner indicou que os projetos H-42 e H-43 seriam armados com oito canhões de 408 milímetros, porém Garzke e Dulin afirmaram que H-42 teria mantido as armas de 420 milímetros do projeto H-41 e que H-43 também seria armado com os canhões de 508 milímetros. Ambos concordam que as baterias secundárias em todos os projetos consistiriam de doze canhões L/55 de 120 milímetros e dezesseis canhões L/65 de 105 milímetros assim como em H-39 e H-41, porém há certas incertezas sobre as armas de 105 milímetros. Gröner afirmou que os três projetos seriam equipados com 28 armas antiaéreas de 37 milímetros e quarenta de vinte milímetros, enquanto Garzke e Dulin relataram apenas dezesseis armas de 37 milímetros e as quarenta de vinte apenas para H-43 e H-44; H-42 teria exclusivamente quarenta armas de vinte milímetros. Ambas as fontes concordam que as embarcações teriam seis tubos de torpedo submersos de 533 milímetros.[37][34]

Características[editar | editar código-fonte]

De acordo com Erich Gröner[38]
Projeto H-39 H-41 H-42 H-43 H-44
Deslocamento
56.444 t
68.800 t
90.000 t
111.000 t
131.000 t
Comprimento
277,8 m
282 m
305 m
330 m
345 m
Boca
37 m
39 m
42,8 m
48 m
51,5 m
Calado
10 m
11,1 m
11,8 m
12 m
12,7 m
Bateria principal
8 canhões de 406 mm
8 canhões de 420 mm
8 canhões de 480 mm
8 canhões de 480 mm
8 canhões de 508 mm
Bateria secundária
12 canhões de 150 mm
e 16 canhões de 105 mm
12 canhões de 150 mm
e 16 canhões de 105 mm
12 canhões de 150 mm
e 16 canhões de 105 mm
12 canhões de 150 mm
e 16 canhões de 105 mm
12 canhões de 150 mm
e 16 canhões de 105 mm
Bateria antiaérea
16 canhões de 37 mm
e 12 canhões de 20 mm
32 canhões de 37 mm
e 12 canhões de 20 mm
28 canhões de 37 mm
e 40 canhões de 20 mm
28 canhões de 37 mm
e 40 canhões de 20 mm
28 canhões de 37 mm
e 40 canhões de 20 mm
Torpedos
6 tubos de 533 mm
6 tubos de 533 mm
6 tubos de 533 mm
6 tubos de 533 mm
6 tubos de 533 mm

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A Classe Sovetsky Soyuz na verdade seria armada com canhões de 406 milímetros.[1]
  2. Estes números são de acordo com John Campbell. Erich Gröner afirma que o alcance era de 36,8 quilômetros em trinta graus de elevação,[2] enquanto William Garzke e Robert Dulin especificam um alcance de 37,8 quilômetros com uma elevação de 33 graus.[13]
  3. A Bateria Lindemann foi nomeada em homenagem ao capitão de mar e guerra Ernst Lindemann, o oficial comandante do Bismarck.
  4. "Wotan Weich" ("Odin Suave") era um tipo de blindagem de aço desenvolvido pela marinha alemã. Tinha uma força de 65–75 milímetros quadrados e expandia-se em até 25 por cento. "Wotan Hart" ("Odin Duro") era mais rígido e tinha uma força de 85–96 milímetros quadrados e expandia-se em até 20 por cento.[22]
  5. O Lützow foi perdido durante a batalha por inundações incontroláveis causadas por sérios danos em sua proa desprotegida.[25]
  6. O Scharnhorst foi atacado por bombardeiros britânicos enquanto estava ancorado em La Pallice. Ele foi atingido por cinco bombas, todas as quais penetraram pelos conveses blindados.[31]

Referências

  1. a b Whitley 1998, p. 90
  2. a b c d e f g h i j k l Gröner 1990, p. 35
  3. a b c Garzke & Dulin 1985, p. 311
  4. Maiolo 1998, pp. 35–36
  5. Garzke & Dulin 1985, pp. 311–312
  6. a b Garzke & Dulin 1985, p. 312
  7. a b c Whitley 1988, p. 91
  8. a b c d e f g h i Gröner 1990, p. 37
  9. a b Garzke & Dulin 1985, p. 327
  10. a b Picker 1965, p. 411
  11. Jochmann 1980, p. 402
  12. a b Gardiner & Chesneau 1980, p. 225
  13. a b c d Garzke & Dulin 1985, p. 329
  14. Campbell 1985, p. 228
  15. a b c Garzke & Dulin 1985, p. 331
  16. Garzke & Dulin 1985, p. 337
  17. a b c d Sturton 1987, p. 48
  18. Sturton 1987, pp. 43–44
  19. a b c d Garzke & Dulin 1985, p. 332
  20. Garzke & Dulin 1985, pp. 332–333
  21. a b Garzke & Dulin 1985, p. 336
  22. Gröner 1990, p. x
  23. Garzke & Dulin 1985, p. 333
  24. Garzke Dulin, pp. 333–334
  25. Gröner 1990, p. 57
  26. a b Garzke & Dulin 1985, p. 334
  27. a b Garzke & Dulin 1985, p. 335
  28. Garzke & Dulin 1985, pp. 315–317
  29. a b c Garzke & Dulin 1985, p. 318
  30. Breyer 1973, p. 318
  31. Breyer 1990, p. 26
  32. a b Garzke & Dulin 1985, p. 319
  33. a b Garzke & Dulin 1985, p. 320
  34. a b c d e f g Gröner 1990, p. 38
  35. a b c d e Garzke & Dulin 1985, p. 322
  36. Garzke & Dulin 1985, p. 343
  37. a b c Garzke & Dulin 1985, p. 323
  38. Gröner 1990, pp. 35–38

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Breyer, Siegfried (1973). Battleships and Battle Cruisers 1905–1970. Garden City: Doubleday & Company. ISBN 978-0-385-07247-2 
  • Breyer, Siegfried (1990). The German Battleship Scharnhorst. West Chester: Schiffer Publishing. ISBN 978-0-88740-291-3 
  • Campbell, John (1985). Naval Weapons of World War II. Londres: Conway Maritime Press. ISBN 978-0-87021-459-2 
  • Gardiner, Robert; Chesneau, Roger (1980). Conway's All the World's Fighting Ships, 1922–1946. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-0-87021-913-9 
  • Garzke, William H.; Dulin, Robert O. (1985). Battleships: Axis and Neutral Battleships in World War II. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-0-87021-101-0 
  • Gröner, Erich (1990). German Warships: 1815–1945. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-0-87021-790-6 
  • Jochmann, Werner (ed.) (1980). Adolf Hitler. Monologe im Führerhauptquartier 1941–1944. Hamburgo: Albrecht Knaus. OCLC 600768897 
  • Maiolo, Joseph (1998). The Royal Navy and Nazi Germany, 1933–39 A Study in Appeasement and the Origins of the Second World War. Londres: Macmillan Press. ISBN 978-0-312-21456-2 
  • Picker, Henry (1965). Hitlers Tischgespräche im Führerhauptquartier. Stuttgart: Seewald. OCLC 73631668 
  • Sturton, Ian (1987). Conway's All the World's Battleships: 1906 to the Present. Londres: Conway Maritime Press. ISBN 978-0-85177-448-0 
  • Whitley, M. J. (1998). Battleships of World War II. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-1-55750-184-4