Clypeasteroida

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Como ler uma caixa taxonómicaClypeasteroida
bolacha-da-praia
Mellita quinquiesperforata (Pacífico, costa da Costa Rica).

Mellita quinquiesperforata (Pacífico, costa da Costa Rica).
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Echinodermata
Classe: Echinoidea
Subclasse: Euechinoidea
Superordem: Gnathostomata
Ordem: Clypeasteroida
Leske, 1778
Subordens e famílias
Ver texto.
Bolacha-da-praia (Mellita quinquiesperforata).
Uma bolacha-da-praia a escavar na areia em Playa Novillero (Pacífico, México).
Cílios na face inferior de uma bolacha-da-praia.

Clypeasteroida é uma ordem de equinodermos escavadores,[1] parentes próximos dos ouriços-do-mar e estrelas-do-mar, presente no registo fóssil desde o Paleoceno tardio à atualidade.[2] As espécies que integram este táxon caracteriza-se por um corpo disciforme, achatado como uma bolacha, daí serem designadas pelos nomes comuns de bolacha-da-praia ou bolacha-do-mar. Algumas espécies apresentam corpo achatado em extremo.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Os membros da ordem Clypeasteroida apresentam um esqueleto rígido, conhecido por testa, constituído por placas de carbonato de cálcio dispostas num padrão radial.[3] Nos espécimes vivos, a testa é recoberta por uma pele espinhosa de textura aveludada, com os espinhos recobertos por minúsculos cílios, com o aspecto de curtos cabelos.

O movimento coordenado dos espinhos permite a locomoção do animal sobre o fundo. Os espinhos são aveludados e apresentam coloração diversa em função da espécie, sendo comuns cores como o verde, o azul, o violeta e a púrpura.

Os esqueletos dos animais deste táxon aparecem com frequência arrojados nas praias, desprovidos da pele e esbranquiçados pela exposição à radiação solar, o que permite facilmente identificar a sua simetria radial, traço comum aos restantes membros da classe Echinoidea. Outro traço característico do esqueleto destes animais é a presença cinco pares de fileiras de poros, as quais criam um padrão petalóide centrado no meio do disco. Estes poros são perfurações no endoesqueleto através das quais se projectam podia utilizados para optimizar as trocas gasosas com o meio circundante.

Nas espécies pertencentes a este grupo, a boca está localizado na parte inferior do corpo, no meio do padrão petalóide que marca a região central do disco. Ao contrário dos outros ouriços-do-mar, o corpo dos Clypeasteroida também exibem simetria bilateral secundária entre a sua parte anterior e posterior. O ânus está localizado na parte posterior do corpo, em vez de na parte superior como ocorre na maioria dos ouriços, a que se juntam várias outras características bilaterais em algumas espécies. Esta relativa bilateralidade resulta das pressões da adaptação destas espécies no decurso da sua evolução, passando de criaturas que viveram originalmente sobre o fundo do mar, como organismos epibentónicos, para criaturas que escavam e se enterram nos sedimentos marinhos, transformando-se em organismos endobentónicos.

A espécie mais comum, Echinarachnius parma, tem distribuição natural generalizada nas regiões costeiras temperadas e subtropicais do Hemisfério Norte, desde a zona intertidal até profundidades consideráveis. Três espécies do género Mellita têm ampla distribuição nas costas do Mar das Caraíbas.

Habitat e ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

As espécies deste grupo preferem habitats arenosos ou de lodos soltos, ocorrendo imediatamente abaixo da superfície da areia ou da vasa. Distribuem-se desde a área imediatamente abaixo da linha da maré-baixa até profundidades de algumas dezenas de metros, mas algumas espécies ocorrem a profundidades consideráveis. Os minúsculos espinhos situados na parte inferior do corpo achatado do animal permitem que escave e rasteje lentamente através do sedimento. Para efeitos sensoriais e mover a vasa, existem Cílios finos, semelhantes a cabelos, que recobrem os espinhos.

Espinhos modificados, os podia (do latim podium, pé) revestem as ranhuras alimentares e transportam os alimentos para a abertura bucal, a qual está no centro das ranhuras em forma de estrela situadas na face inferior do animal, a chamada a superfície oral. A alimentação consiste de larvas de crustáceos, pequenos copépodes, diatomáceas, algas e detritos orgânicos,[4] predominando as partículas orgânicas da areia ou do lodo.

No fundo do oceano os membros destas espécies são frequentemente encontrados juntos. Isto é devido em parte à sua preferência por áreas de fundo mole, que são convenientes para o seu crescimento e reprodução, mas também demonstra a existência de tendência gregária, semelhantes ao que ocorrem com os ouriços-do-mar. Os sexos são separados e, como na maioria dos equinóides, os gâmetas são libertados para a coluna de água, sendo a fertilização externa. As larvas são nectónicas e sofrem várias metamorfoses, passando por várias etapas antes do esqueleto (ou o teste) se começar a formar, tornando-se então bentónicas, enterrando-se na superfície do sedimento.

As larvas de algumas espécies de Clypeasteroida apresentam um mecanismo de clonagem como forma de autodefesa. Neste caso a clonagem apresenta-se como um mecanismo de reprodução assexuada, onde o custo reprodutivo é suportado pela larva, tanto em recursos como no tempo de desenvolvimento. Este comportamento das larvas foi observado em situações em que o alimento é abundante ou as condições de temperatura são ideais. Também foi sugerido que a clonagem pode ocorrer como uma forma de fazer uso dos tecidos que normalmente são perdidos durante a metamorfose.

Também foi mostrado as larvas de algumas espécies sofrem clonagem quando detectam predadores pela presença de muco de peixes predadores dissolvido na coluna de água. Neste caso, as larvas expostas ao muco de espécies predatórias respondem à ameaça clonando-se a si mesmos, duplicando assim o seu número enquanto efetivamente reduzem para metade o seu tamanho. As larvas menores são mais capazes de escapar à detecção por peixes, mas podem ser mais vulneráveis à predação por animais menores, como estágios larvais planctónicos e pelágicos de crustáceos.[5][6]

Conhecem-se poucos predadores naturais que ataquem espécimes adultos, embora se tenha observado que os peixes da espécie Zoarces americanus e as estrelas-do-mar da espécie Pycnopodia helianthoides os comem ocasionalmente.[7]

Evolução[editar | editar código-fonte]

Os ancestrais dos Clypeasteroidea extantes divergiram dos outros equinóides irregulares, nomeadamente dos Cassiduloida, durante o princípio do Jurássico,[8] com o aparecimento do primeiro género, Togocyamus, a ocorrer no Paleoceno. Após o aparecimento de Togocyamus, mas já durante o Eoceno, emergiram outros grupos de Clypeasteroidea com características semelhantes aos dos grupos extantes.[2]

Subordens e famílias[editar | editar código-fonte]

A ordem Clypeasteroida inclui as seguintes subordens e famílias:[9]

Com base na informação contida na base de dados Catalogue of Life foi elaborado o seguinte cladograma:[9]

Echinoidea 
 Clypeasteroida 

Arachnoididae



Clypeasteridae



Dendrasteridae



Echinarachniidae



Fibulariidae



Laganidae



Mellitidae




Arbacioida



Cassiduloida



Cidaroida



Diadematoida



Echinoida



Echinothurioida



Holectypoida



Pedinoida



Salenioida



Spatangoida



Temnopleuroida



Nome comum[editar | editar código-fonte]

A designação bolacha-do-mar, tal como a versão espanhola galleta de mar, tem origem nas regiões costeiras da América do Sul onde os esqueletos destes organismos são uma presença frequente nas praias, já desprovidos de espinhos e branqueados pela radiação solar. O disco esbranquiçado resultante, com uma marca petalóide no centro, assemelha-se a um biscoito, daí o nome.

A versão do nome comum em língua inglesa, "sand dollar" ou dólar-da-areia, deriva também da aparência dos esqueletos esbranquiçados destes animais encontrados na areia das praias. A sua forma e dimensões eram semelhantes às das antigas moedas de um dólar de prata, usadas nas Caraíbas, como o dólar espanhol ou o Morgan Dollar norte-americano (diâmetro 38-40 mm). Outros nomes comuns aproximam-se do nome português (sand cake e cake urchin).[10] Na África do Sul, estes animais são conhecidos por pansy shells (conchas-amor-perfeito) por sugerirem uma flor de cinco pétalas semelhante a um amor-perfeito. A espécie Clypeaster rosaceus é mais espessa em altura do que a maioria das restantes espécies, sendo conhecida por biscoito-do-mar-inflado (inflated sea biscuit).

O aspecto incomum do esqueleto destes organismo, em especial a sua simetria radial e a presença de marcas petalóides que lhe conferem aspecto artificial, levaram ao desenvolvimento entre os povos costeiros de um rico folclore. Os esqueletos são por vezes referidos como moedas perdidas por sereias ou provenientes dos povos da Atlântida.

Os missionários cristão viam também simbolismo religioso no padrão radial de cinco pétalas e numa foram semelhante a um pombo estilizado existente na face interior do esqueleto. As perfurações existentes em algumas espécies foram consideradas como demonstrando que a estrutura era parte de uma lanterna (de Aristóteles).

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Sand Dollar Printout - Enchanted Learning Software». Enchanted Learning. 2000. 
  2. a b The Paleobiology Database
  3. «Sand Dollar Printout - Enchanted Learning Software». Enchanted Learning. 2000. 
  4. Monterey Bay Aquarium: Online Field Guide
  5. «Change for a Sand Dollar? -- Mason 2008 (313): 1 -- ScienceNOW». Consultado em 2008-03-14. 
  6. Vaughn D and Strathmann RR (2008). «Predators Induce Cloning in Echinoderm Larvae». Science [S.l.: s.n.] 319 (5869): 1503–1503. doi:10.1126/science.1151995. PMID 18339931. 
  7. Clypeasteroidea em GMA.org.
  8. Rapid Evolution in Echinoids
  9. a b Bisby F.A., Roskov Y.R., Orrell T.M., Nicolson D., Paglinawan L.E., Bailly N., Kirk P.M., Bourgoin T., Baillargeon G., Ouvrard D. (red.) (2011). «Species 2000 & ITIS Catalogue of Life: 2011 Annual Checklist.». Species 2000: Reading, UK. Consultado em 24 september 2012. 
  10. Frederick Converse Beach, George Edwin Rines - The Americana: a universal reference library, comprising the arts and sciences, literature, history, biography, geography, commerce, etc., of the world, Volume 4. The Americana: A Universal Reference Library, Comprising the Arts and Sciences, Literature, History, Biography, Geography, Commerce, Etc., of the World. Scientific American compiling department, 1912

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Galeria[editar | editar código-fonte]