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Canário (futebolista)

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(Redirecionado de Darcy Silveira dos Santos)
Canário
Informações pessoais
Nome completo Darcy Silveira dos Santos
Data de nascimento 24 de maio de 1934
Local de nascimento Rio de Janeiro, Distrito Federal, Brasil
Nacionalidade brasileiro
espanhol
Destro
Apelido Canário
Informações profissionais
Posição Ex-ponta-direita
Clubes de juventude
Olaria
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1954–1959
1959–1962
1962–1963
1963–1968
1968–1969
America-RJ
Real Madrid
Sevilla
Real Zaragoza
Mallorca
? (?)[1]
59 (13)
30 0(5)
150 (44)
16 0(1)
Seleção nacional
1956 Brasil 7 (2)

Darcy Silveira dos Santos, universalmente conhecido como Canário (Rio de Janeiro, 24 de maio de 1934), é um ex-futebolista brasileiro naturalizado espanhol que atuava como ponta-direita.[2] Notabilizou-se por sua velocidade estonteante e um chute potente, características que o levaram ao sucesso no futebol espanhol, onde vive até hoje. Foi um dos primeiros futebolistas brasileiros a conquistar a Taça dos Clubes Campeões Europeus, pelo Real Madrid em 1960, e é considerado um dos maiores ídolos da história do Real Zaragoza, clube pelo qual liderou o lendário ataque conhecido como "Los Cinco Magníficos".[3][4]

Biografia e Início de Carreira

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Nascido e criado no Rio de Janeiro, Canário iniciou sua trajetória no futebol nas categorias de base do Olaria Atlético Clube.[5] Sua velocidade e habilidade logo chamaram a atenção de clubes maiores, e em 1954, transferiu-se para o America-RJ, um dos grandes do futebol carioca na época. Canário chegou ao clube rubro para integrar um elenco já talentoso, que contava com jogadores como o goleiro Pompéia e o atacante Leônidas da Silva.[5]

America-RJ (1954–1959)

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No America, Canário rapidamente se firmou como titular da ponta-direita. Em seu primeiro ano completo, 1955, foi peça fundamental em uma das melhores equipes da história do clube. O America realizou uma campanha memorável no Campeonato Carioca de Futebol de 1955, terminando como vice-campeão em um certame disputado ponto a ponto com o Flamengo.[6] A equipe rubra, que também contava com Alarcón, Ferreira e Romeiro, ficou marcada pelo futebol ofensivo e envolvente.[5]

Ainda em 1955, Canário participou de uma vitoriosa excursão do America ao Peru, onde a equipe conquistou um torneio amistoso internacional que incluía adversários como o Universitario e o Alianza Lima. A final simbólica do torneio foi contra o Santos de Zito e Pepe, com o America sagrando-se campeão.[5] Apesar das grandes campanhas e do futebol de alto nível apresentado durante sua passagem, Canário não conseguiu conquistar o título estadual pelo America, que vivia um período de forte concorrência no Rio de Janeiro. Sua performance consistente, no entanto, o credenciou para a Seleção Brasileira e atraiu o interesse do futebol europeu.

Carreira na Espanha

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Real Madrid (1959–1962)

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Em 1959, Canário foi contratado pelo poderoso Real Madrid, dando início a uma década de sucesso na Espanha. Sua adaptação foi rápida, e ele se tornou uma figura importante no futebol espanhol, obtendo a dupla nacionalidade, embora nunca tenha atuado pela seleção espanhola.[2]

Canário chegou ao Real Madrid no auge da era de ouro do clube, que dominava o futebol europeu. Ele se juntou a um elenco estelar que incluía lendas como Alfredo Di Stéfano, Ferenc Puskás, Francisco Gento e Raymond Kopa.[7]

Seu momento mais emblemático com a camisa merengue ocorreu na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1960, em Glasgow, contra o Eintracht Frankfurt. Naquela que é considerada por muitos a maior partida da história do futebol, o Real Madrid venceu por 7 a 3, e Canário foi o titular da ponta-direita, formando um ataque avassalador ao lado de Luis del Sol, Di Stéfano, Puskás e Gento.[8][9] Com essa vitória, Canário e seu compatriota Didi tornaram-se os primeiros brasileiros a conquistar o principal torneio de clubes da Europa.[3]

Além do título europeu, Canário também conquistou o primeiro Mundial Interclubes em 1960, dois títulos do Campeonato Espanhol (1960–61 e 1961–62) e uma Copa do Generalíssimo (1962).[10]

Sevilla (1962–1963)

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Após três temporadas de sucesso em Madrid, Canário transferiu-se para o Sevilla em busca de mais minutos em campo. Em uma única temporada na Andaluzia (1962–63), ele manteve seu bom nível de atuações, disputando 30 partidas e marcando 5 gols, ajudando o clube a uma posição intermediária na tabela.[10]

Real Zaragoza e "Los Cinco Magníficos" (1963–1968)

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Foi no Real Zaragoza que Canário atingiu o auge de sua carreira e se tornou uma lenda. Em 1963, ele se juntou ao clube aragonês e tornou-se a peça final na formação de uma das linhas de ataque mais famosas da história do futebol espanhol: "Los Cinco Magníficos".[4]

A linha de frente era composta por Canário (ponta-direita), Santos (meia-direita), Marcelino (centroavante), Villa (meia-esquerda) e Carlos Lapetra (ponta-esquerda).[11] Juntos, eles lideraram o Zaragoza a seu período mais glorioso, praticando um futebol de velocidade, técnica e poder de fogo que encantou a Espanha e a Europa. O historiador e escritor espanhol José Luis Melero descreveu o impacto daquela equipe: "Eles representavam um futebol alegre e desinibido, uma lufada de ar fresco para uma cidade que aprendeu a sonhar".[12]

Com Canário como um de seus principais expoentes, o Zaragoza conquistou a Copa del Rey duas vezes (1964 e 1966) e o título mais importante de sua história: a Taça das Cidades com Feiras (precursora da Liga Europa da UEFA) de 1964, derrotando o Valencia na final.[13] Durante cinco temporadas, Canário foi uma figura central, marcando 44 gols em 150 partidas pelo clube.[10]

Mallorca (1968–1969)

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Canário encerrou sua carreira profissional no Mallorca, onde jogou a temporada 1968–69, ajudando a equipe a conquistar o acesso à primeira divisão espanhola antes de se aposentar dos gramados.[10]

Seleção Brasileira

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Apesar de seu sucesso nos clubes, a carreira de Canário na Seleção Brasileira foi curta, mas muito eficiente. Ele foi convocado em 1956, em uma época de intensa competição por uma vaga na ponta-direita, disputando posição com futuros campeões mundiais como Garrincha e Julinho Botelho, além de outros craques como Telê Santana.[14]

Canário disputou sete partidas pela seleção, todas como titular, obtendo cinco vitórias, um empate e apenas uma derrota. Ele marcou dois gols nesse período e conquistou a Copa do Atlântico e a Copa Oswaldo Cruz de 1956.[15] Sua ida para o futebol espanhol em 1959, em uma época em que jogadores que atuavam no exterior raramente eram convocados, encerrou sua trajetória na seleção.

Jogos pela Seleção

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Jogo Data Competição Local Adversário Placar Gols
1 12 de junho de 1956 Copa Oswaldo Cruz Estádio Defensores del Chaco, Assunção Paraguai Paraguai 2–0 0
2 17 de junho de 1956 Copa Oswaldo Cruz Estádio Defensores del Chaco, Assunção Paraguai Paraguai 5–2 1
3 24 de junho de 1956 Copa do Atlântico Maracanã, Rio de Janeiro Uruguai Uruguai 2–0 0
4 1 de julho de 1956 Amistoso Maracanã, Rio de Janeiro Itália Itália 2–0 1
5 8 de julho de 1956 Copa do Atlântico Estádio El Cilindro, Avellaneda Argentina Argentina 0–0 0
6 5 de agosto de 1956 Copa do Atlântico Maracanã, Rio de Janeiro Checoslováquia Tchecoslováquia 0–1 0
7 8 de agosto de 1956 Amistoso Pacaembu, São Paulo Checoslováquia Tchecoslováquia 4–1 0

Fonte: National-Football-Teams.com[15]

Estilo de Jogo

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Canário era um ponta-direita clássico, cuja principal arma era a velocidade explosiva. Era capaz de superar os defensores na corrida, chegando à linha de fundo para efetuar cruzamentos precisos. Além da velocidade, possuía um drible eficaz e um chute muito potente com a perna direita, o que lhe permitia marcar gols importantes, muitas vezes em finalizações de longa e média distância. No Real Madrid, sua função era dar amplitude ao campo e servir os prolíficos atacantes centrais. No Zaragoza, como um dos "Magníficos", teve um papel de maior protagonismo, não apenas como criador de jogadas, mas também como um finalizador letal.[4]

Vida Pós-Carreira

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Após pendurar as chuteiras, Canário escolheu a cidade de Saragoça, onde viveu seu auge como jogador, para se estabelecer definitivamente. Distanciou-se do mundo do futebol e investiu no setor de hotelaria, abrindo um café e, posteriormente, trabalhando na administração de um bingo local.[16] Ele mantém uma vida discreta na cidade, onde ainda é reverenciado como um dos maiores heróis da história do Real Zaragoza.

Estatísticas

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Clube Temporadas Jogos Gols
America 1954–1959 N/D[17] N/D
Real Madrid 1959–1962 59 13
Sevilla 1962–1963 30 5
Real Zaragoza 1963–1968 150 44
Mallorca 1968–1969 16 1
Total na Carreira (Espanha) 1959–1969 255 63

Fonte: BDFutbol[10]

Seleção Brasileira

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Ano Jogos Gols
1956 7 2
Total 7 2

Fonte: National-Football-Teams.com[15]

Real Madrid
Real Zaragoza
Seleção Brasileira

Referências

  1. As estatísticas completas para este período não estão consistentemente disponíveis nas fontes pesquisadas.
  2. a b «Que fim levou? CANÁRIO... Ex-ponta do América-RJ, Real Madrid e Zaragoza». Terceiro Tempo. Consultado em 16 de junho de 2025 
  3. a b «Primeiro brasuca campeão europeu, ídolo do Real aposta no Barcelona». G1. 29 de abril de 2011. Consultado em 16 de junho de 2025 
  4. a b c Alfredo Relaño (25 de março de 2014). «'Los cinco magníficos'». El País. Consultado em 16 de junho de 2025 
  5. a b c d «O início de Canário no America». O Curioso do Futebol. 24 de maio de 2021. Consultado em 16 de junho de 2025 
  6. «America Football Club - RJ - Jogos». Futebol 80. Consultado em 16 de junho de 2025 
  7. «Canário». Real Madrid C.F. Consultado em 16 de junho de 2025 
  8. «Real Madrid 7-3 Frankfurt: 1959/60». UEFA.com. Consultado em 16 de junho de 2025 
  9. «The greatest match in history: Real Madrid 7-3 Eintracht Frankfurt». The Guardian. 23 de maio de 2013. Consultado em 16 de junho de 2025 
  10. a b c d e «Canário: Darcy Silveira dos Santos». BDFutbol. Consultado em 16 de junho de 2025 
  11. «55 años del punto de partida de 'Los Cinco Magníficos'». Real Zaragoza. 25 de setembro de 2017. Consultado em 16 de junho de 2025 
  12. José Luis Melero (18 de abril de 2021). «Los Magníficos del Real Zaragoza, la memoria de una leyenda». Heraldo de Aragón. Consultado em 16 de junho de 2025 
  13. «1963/64: O Saragoça de Marcelino triunfa». UEFA.com. Consultado em 16 de junho de 2025 
  14. «O primeiro campeão e o artilheiro: as memórias de Canário e Mazzola». G1. 11 de maio de 2015. Consultado em 16 de junho de 2025 
  15. a b c «Canário». National Football Teams. Consultado em 16 de junho de 2025 
  16. «Canario, el exótico magnífico». El Periódico de Aragón. 24 de maio de 2020. Consultado em 16 de junho de 2025 
  17. As estatísticas completas para este período não estão consistentemente disponíveis nas fontes pesquisadas.