Emoção em animais

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Um esquilo da espécie funambulus palmarum partilha sentimentos emocionais (amor, afeição, medo) com a sua cria que se encontra enjaulado. Foto de junho de 2011 em Batticaloa, Sri Lanka.

Não existe um consenso científico sobre as emoções dos animais, no entanto algumas evidências sustentam a afirmação de que os animais não-humanos possuem afectividade e que as emoções humanas evoluíram a partir dos mesmos mecanismos.[1] [2] [3] A emoção dos animais está inerente ao estudo sobre a suposição da existência de emoções em alguns animais vertebrados e outros invertebrados, principalmente sobre aves e mamíferos.[4]

Evidência[editar | editar código-fonte]

Beijo de um cavalo demostra capacidade de afeição e carinho entre animais e humanos.

Nos últimos anos, pesquisas foram desenvolvidas em larga escala, ampliando o entendimento anterior da linguagem animal, cognição, uso de ferramentas e sexualidade animal.

Os vertebrados são seres sencientes. Têm a capacidade de avaliar as ações dos outros, lembrarem-se das suas próprias ações e consequências, avaliar riscos e ter certos sentimentos e grau de consciência.

Segundo César Ades, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em comportamento animal, os primatas cujos filhotes morrem, são capazes de os carregarem durante dias, às vezes até que estes se decomponham. Segundo um estudo da pesquisadora inglesa Jane Goodall - que conviveu por anos com chimpanzés em seu habitat natural, revelou-se que algumas crias, quando perdem a sua mãe, revelam emoções semelhantes à dos humanos, sentindo-se deprimidos por longos períodos de tempo.

Um exemplo de laço extremo entre os animais lembrado por Ades está entre o ganso macho e a fêmea, onde há um vínculo que dura a vida inteira. Quando morre a fêmea, o macho perde a sua combatividade e se mostra bastante perturbado e sem energia.

Outro estudo realizado na Universidade de Bristol mostra que as vacas têm uma forte vida sentimental que inclui emoções como a amizade, o rancor ou a frustração. Os bovinos são ainda capazes de sentir emoções fortes como dor, medo e até ansiedade – o que sugere que se preocupam com o futuro. Entretanto, a felicidade pode ser facilmente expressa nestes animais quando encarados a condições adequadas e propícias a si mesmos. Este estudo, coordenado por John Webster, professor de Produção Animal em Bristol e autor do livro Bem-Estar Animal: a Coxear em Direcção ao Éden (Animal Welfare: Limping Towards Éden) desmistificou ainda a ideia comummente aceite de que a inteligência está directamente relacionada com a capacidade de sofrer e que os animais, porque têm cérebros mais pequenos, sofrem menos do que os humanos.[5]

De acordo com Christine Nicol, professora de bem-estar animal na Universidade de Bristol, os animais estão mais próximos dos seres humanos sob o ponto de vista emocional do que até aqui se acreditava. Esta investigadora afirmou ainda que "O nosso desafio é ensinar aos outros que todos os animais que tencionamos comer ou usar são indivíduos complexos, e ajustar a nossa cultura de exploração animal em conformidade".[6]

O escritor contemporâneo e veterinário Richard Pitcairn reitera as afirmações de Charles Darwin: "É uma verdade inegável o fato de que os animais têm estados emocionais e sentimentos. Quem convive com eles pode ver isso facilmente, embora não seja algo de que as pessoas precisam estar intelectualmente convencidas. Não existe dúvida, na minha mente, de que os animais apresentam o mesmo leque de emoções que as pessoas: amor, medo, raiva, tristeza, alegria, e assim por diante".[7] Apesar de não ser ainda possível provar, por meio de observação, se um animal possui sentimentos conscientes, como também não se pode provar o que uma pessoa sente no seu íntimo. Porém, pesquisas indicam que pelo menos alguns animais dispõem da capacidade de autoconsciência. Podemos supor que talvez tenham consciência de suas emoções.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Behavioral and Brain Sciences (em inglês) (2010). Página visitada em 12 de agosto de 2013.
  2. http://www.bristol.ac.uk/news/2010/7165.html%7Ctítulo=Emotions help animals to make choices|data=2010|acessodata=12 de agosto de 2013|língua=inglês}}
  3. Scientific American (7 de julho de 2013). How to Identify Grief in Animals: Many species mourn the passing of loved ones, but not every animal response to death qualifies as grief. Página visitada em 12 de agosto de 2013.
  4. Emoções nos animais: uma ponte para a ética? (PDF) (em português) pp. 9. Página visitada em 12 de agosto de 2013.
  5. Centro Vegetariano (5 de abril de 2005). Animais têm emoções, revelam estudos (em português). Página visitada em 12 de agosto de 2013.
  6. Jornal The Sunday Times (27 de Fevereiro de 2005). Página visitada em 12 de agosto de 2013.
  7. a b Emoções nos animais. anda.jor.br (31 de maio de 2009). Página visitada em 12 de agosto de 2013.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • DURHAM, Eunice Ribeiro. Chimpanzés também amam: a linguagem das emoções na ordem dos primatas 2002.
  • FELIPE, Sônia. O fim da inocência: ética na alimentação.
  • MATURANA, Humberto. Emoções e linguagem na educação e na política.Belo hotizonte, UFMG, 2005.
  • RAPCHAM, Eliane Sebeika; NEVES, Walter Alves. Chimpanzés não amam! Em defesa do significado. (2005)


References[editar | editar código-fonte]