Engenharia eletrônica

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Placa eletrônica de circuito impresso

A engenharia eletrônica (português brasileiro) ou engenharia eletrónica (português europeu) é uma subárea da Engenharia Elétrica que lida com grandezas elétricas de pequena amplitude e de elevadas frequências, os chamados sinais elétricos ou eletrônicos[1]. A engenharia eletrônica cuida da energia elétrica sob os aspectos de computação, controle, e telecomunicação.

O estudo da engenharia eletrônica fornece meios para o desenvolvimento de componentes, dispositivos, sistemas e equipamentos como: transistores, circuitos integrados e placas de circuito impresso.[2] Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, os cursos de engenharia eletrônica são em grande parte baseados nos conteúdos da engenharia elétrica.[3]

No Brasil seus requisitos são definidos em normas do MEC[4] e pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea/Crea).[5]

Parte dos cursos tem se voltado para o foco no desenvolvimento de produtos eletrônicos, se baseando fortemente em competências de projeto[6] além dos conteúdos teóricos/técnicos[7][8].

História[editar | editar código-fonte]

Chip FTDI num Arduino

A engenharia eletrônica surgiu a partir do desenvolvimento tecnológico nas indústrias do telégrafo, no final do século XIX;[9] e do rádio e telefone no início do século XX.[10] A maior parte do desenvolvimento dessa disciplina ocorreu durante o período da segunda guerra mundial, com o advento do radar, do sonar,[11] dos sistemas de comunicação e de outros sistemas com fins de aplicação bélica.[12] Durante os anos que precederam a segunda guerra o assunto era conhecido como "engenharia de rádio" e apenas no final dos anos 50 o termo engenharia eletrônica começou a surgir.[13][14]

Em 1948 surgiu o transistor e em 1960 o circuito integrado (CI) viria a revolucionar a indústria eletrônica.[15][16]

Historicamente considerada mera subdivisão da engenharia elétrica, especialmente durante a "era da válvula", ganhou autonomia plena com o advento da "era do semicondutor",[17] rapidamente sucedida pela era da miniaturização em larga escala.[18][19]

A história da Eletrônica no Brasil[editar | editar código-fonte]

A história da eletrônica brasileira surge na década de 20 do século XX, com a instalação das primeiras empresas de produtos eletrônicos: uma fabricante de rádios elétricos (marca Proteus), em 1923; a primeira indústria nacional de motores, a Motores Elétricos Brasil, em 1928; no ano seguinte, a GE, como fabricante de lâmpadas.

Em 1940, as empresas do recém-criado setor eletroeletrônico chegavam a contar com cerca de cinco mil trabalhadores, aproximadamente 0,6% do total dos empregos da indústria de transformação.

A partir de 1950, vigorou no Brasil uma política de industrialização por substituições de importação. Isso levou o país a apresentar uma taxa de crescimento média de 7,4% ao ano do PIB até 1980. Em específico, a expansão da indústria eletroeletrônica chegou a atingir uma taxa média de crescimento de 21% ao ano entre 1970 e 1974. O setor eletroeletrônico passou de 2,9%, em 1959, para 6,2%, em 1970, chegando a 10% de participação na indústria de transformação em 1978. O nível de ocupação da indústria alcançou um recorde de 90% em 1973. [20]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

A engenharia eletrônica liga-se atualmente a várias subdivisões e ramos de engenharia, em constante avanço tecnológico. Algumas das especialidades e áreas de estudos incluem:

Competências do profissional[editar | editar código-fonte]

As novas diretrizes curriculares nacionais (DCN's) para os cursos de engenharia direcionam a formação dos novos profissionais em uma abordagem baseada em competência. As DCN's definem então 8 competências básicas para todos os engenheiros e requisita que cada instituição de ensino superior defina àquelas mais adequadas para o perfil do seu egresso.

Uma das primeiras definições de competência disponíveis para a formação do profissional de engenharia eletrônica, em acordo com as novas DCN's e as atribuições do item 9 do CREA, é dada por 12 competências[21]. Ao fim das descrições são apresentados os níveis esperados dos engenheiros segundo a Taxonomia Revisada de Bloom, entre parênteses.

  1. Usabilidade: formular e conceber soluções desejáveis de engenharia, analisando e compreendendo os usuários dessas soluções e seu contexto (4C);
  2. Matemática, Física e Química: analisar e compreender os fenômenos físicos e químicos por meio de modelos simbólicos, físicos e outros, verificados e validados por experimentação (3B);
  3. Projetista: conceber, projetar e analisar sistemas, produtos (bens e serviços), componentes ou processos (6C);
  4. Gestão de Projeto: implantar, supervisionar e controlar as soluções de Engenharia (5B);
  5. Comunicação: comunicar-se eficazmente nas formas escrita, oral e gráfica (3C);
  6. Trabalho em Equipe: trabalhar e liderar equipes multidisciplinares (5C);
  7. Legislação e Ética: conhecer e aplicar com ética a legislação e os atos normativos no âmbito do exercício da profissão (3B);
  8. Autoaprendizagem: aprender de forma autônoma e lidar com situações e contextos complexos, atualizando-se em relação aos avanços da ciência, da tecnologia e aos desafios da inovação (5D);
  9. Desenvolvimento de Hardware: conceber, projetar, fabricar e testar produtos eletrônicos, escolhendo os melhores processos, métodos e técnicas para o desenvolvimento de um produto eletrônico (6C);
  10. Programação de Dispositivos: organizar, codificar, programar, implementar e testar algoritmos para microcontroladores e lógicas para FPGAs, escolhendo os melhores processos, métodos e técnicas para o desenvolvimento (5C);
  11. Instrumentação: implementar, escolher e testar circuitos para leitura de sensores, conhecendo os princípios de instrumentação e condicionamento de sinais (5B);
  12. Conectividade: implementar, escolher e testar sistemas de comunicação, conhecendo os princípios de redes e transmissão de dados (5B).

Referências

  1. Braga, N.C. Eletrônica Digital Vol I. São Paulo: NCB, 2012.
  2. Boylestad, Robert L., Nashelsky, Louis. Dipositivos Eletrônicos e Teoria de Circuitos 8º ed. São Paulo: Pearson, 2005.
  3. GUSSOW, M. Eletricidade Básica - 2ª ed. São Paulo: Bookman, 2008.
  4. Diretrizes Nacionais Curriculares das Engenharias
  5. CONFEA - Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. Resolução nº 218 , 29 jun, 1973. Discrimina atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia.
  6. AHMED, A. Eletrônica de Potência. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2000.
  7. Informações sobre o curso de Engenharia Eletrônica da Unifei
  8. FILONI, E. Eletrônica: Eletricidade -16ª edição. São Paulo: Érica, 2018.
  9. CRUZ, E. C. Eletrônica aplicada - 2ª edição. São Paulo: Érica, 2009.
  10. RASHID, Muhammad H. Eletrônica de Potência, Dispositivos, Circuitos e Aplicações. 4 ed. São Paulo: Pearson, 2014.
  11. Ronan, Colin. A. História Ilustrada da Ciência. Universidade de Cambridge. III - Da Renascença à Revolução Científica. São Paulo: Circulo do livro, 1987.
  12. LANDER, Cyrill W. Eletrônica Industrial, Teoria e Aplicações. 2 ed. Editora Makron Books, 1996.
  13. Radio Engineering Principles
  14. Floyd, T. Sistemas Digitais 9ª edição. São Paulo: Bookman, 2007.
  15. Daniel Todd The World Electronics Industry, p. 55, Taylor & Francis, 1990 ISBN 978-0415024976
  16. Silicon Destiny
  17. Frenzel, J. Eletrônica Moderna - 1ª edição. São Paulo: AMGH, 2015.
  18. Malvino, Albert P., Bates, David J. Eletrônica, Vol 1. São Paulo: McGrawHill, 2016.
  19. Brindley, Keith. Starting Electronics 4th edition. NC: Newnes, 2011.
  20. Abinee, A Voz da Indústria Elétrica e Eletrônica do Brasil, São Paulo: Bellini Cultural, 2008.
  21. Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia Eletrônica - Competências e Habilidades


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