Fernão de Oliveira

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Fernão Doliveira)
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Fernão de Oliveira
Nascimento 1507
Aveiro
Morte 1581 (74 anos)
Cidadania Portugal
Ocupação linguista, historiador, escritor
Empregador Universidade de Coimbra
Grammatica da lingoagem portuguesa de Fernão Doliveira, editada em 27 de Janeiro de 1536, podendo-se visualizar no frontispício o brasão de armas dos Almadas.

Fernão de Oliveira, algumas vezes dito Fernando de Oliveira (Aveiro, 1507 — Aveiro, 1581), foi um frade, gramático, construtor bélico-naval renascentista, foi um dos expoentes renascentistas portugueses[1].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Foi ordenado frade dominicano. Em virtude de suas posições heterodoxas, logo caiu no desagrado do Tribunal da Santa Inquisição, tendo sido preso várias vezes por determinação daquele tribunal. Com efeito, consta que, em 26 de outubro de 1555, entre tantas outras prisões, "[...] Deu entrada nas masmorras da Inquisição, em Lisboa, o insigne aveirense Padre Fernão de Oliveira, clérigo dominicano e diplomata, escritor e filólogo, marinheiro e soldado, aventureiro e perseguido, «o primeiro gramático da língua portuguesa e porventura o primeiro tratadista naval de todo o mundo» [...]"(Rangel de Quadros, Aveirenses Notáveis, I, fl. 9).

Intelectual amplo, publicou a reputada primeira gramática portuguesa, a conhecida Grammatica da lingoagem portuguesa, editada em Lisboa, em 27 de Janeiro de 1536, e que dedicou a D. Fernando de Almada.

Em 1552 tomou o cargo de capelão da Casa Real Portuguesa e participou na expedição organizada por D. João III em auxílio do rei de Velez, no Norte de África, onde ficou prisioneiro. No ano seguinte voltou a Lisboa[2].

Em 1554, o mesmo rei de Portugal nomeou-o revisor tipográfico da Universidade de Coimbra e, com o título de licenciado, e aí ensinou a disciplina de Retórica[3].

Trabalhou ainda em um variado conjunto de atividades, sobressaindo a de piloto. Foi ainda teórico da guerra e da construção naval. Precisamente nestas duas áreas — arte bélica e construção naval — destacou-se sobremaneira.

As suas contribuições aí, com efeito, deram as bases da hegemonia portuguesa em diversos oceanos no século XVI.

Em Arte da guerra do mar (Coimbra, 1555), além do texto teórico, tece considerações morais condenatórias sobre a escravidão, o comércio de escravos e sobre a invenção e utilização de armas de fogo, devido à sua capacidade de destruir vidas humanas.

A Ars nautica (1570 [?]) é o primeiro tratado enciclopédico mundial de matérias referentes à navegação, guerra naval e construção de embarcações. O último tema foi substancialmente desenvolvido na obra seguinte, "Livro da fábrica das naus" (1580 [?]), em que fornece regras teóricas para a construção de navios e sublinha, sempre em diálogo com os autores clássicos, nomeadamente Plínio, as significativas contribuições lusitanas para o progresso nos métodos de construção naval.

Desempenhou ainda algumas funções relevantes de carácter diplomático em Inglaterra[4].

Pouco antes de falecer, em (1580), defendeu António I de Portugal, Prior do Crato, contra Filipe II, com duas obras historiográficas a sustentarem a legitimidade do candidato português e contestarem a solução da Monarquia Dual, aprovada nas Cortes de Tomar (1581).

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]