Francisco José do Nascimento

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Francisco José do Nascimento (Canoa Quebrada, Aracati 15 de Abril de 1839Fortaleza, 5 de Março de 1914), também conhecido como Dragão do Mar [1] ou Chico da Matilde, foi um líder jangadeiro, prático mor e abolicionista, com participação ativa no Movimento Abolicionista no Ceará, que foi o estado pioneiro na abolição da escravidão, doravante conhecido como Terra da Luz.

Em 18 de julho de 2017, o nome de Francisco José do Nascimento foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília, em virtude da Lei Nº 13.468/2017.

Vida[editar | editar código-fonte]

Capa da Revista Illustrada, v. 9, n. 376, 1884. Litogravura de Angelo Agostini.

Em 25 de março de 1884, o Ceará tornou-se a primeira província brasileira a abolir a escravidão. O Movimento Abolicionista Cearense, surgido em 1879, contribui – embora não decisivamente – para essa abolição pioneira.

As ações repercutiram no país e os abolicionistas cearenses, gente de elite econômica e intelectual, foram congratulados pela imprensa abolicionista nacional. Entre eles havia, porém, uma pessoa humilde, de cor parda, trabalhador do mar, o Chico da Matilde.

Chico Matilde nasceu em Canoa Quebrada em 15 de abril de 1839, filho de origem pobre e filho de pescadores. Após a morte precoce do pai, sua mãe buscou um emprego para ele, quando ainda criança, tornando-o um menino de recados em navios que iam do Maranhão ao Ceará[2]

Chefe dos jangadeiros, eles e seus colegas se engajaram à luta em janeiro de 1881, recusando-se a transportar para os navios negreiros os escravos que seriam vendidos para o Rio de Janeiro, tendo sida proferida, segundo algumas fontes, a celebre frase "No porto do Ceará não embarcam mais escravos"[3]. Posteriormente, em agosto de 1881, houve uma nova tentativa de embarcar escravos que seriam vendidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, contudo, novamente os jangadeiros, liderados por Chico da Matilde e pelo escravo liberto José Luis Napoleão, se recusaram a fazer o transporte e o porto do Ceará foi considerado, pelo movimento abolicionista, oficialmente fechado para o tráfico interprovincial[2].

Angelo Agostini registrou e homenageou o fato na capa da Revista Illustrada, [4] com uma litogravura com ilustração alegórica de Francisco Nascimento, com a seguinte legenda: «À testa dos jangadeiros cearenses, Nascimento impede o tráfico dos escravos da província do Ceará vendidos para o sul».

Assim, Chico da Matilde foi levado para corte com sua jangada, desfilou pelas ruas, recebeu homenagens da multidão e ganhou novo nome: Dragão do Mar ou Navegante Negro. De lá, escreveu à mulher: (...) seu velho está tonto com tanta festa e cumprimentos de tanta gente importante”.

Francisco do Nascimento é um símbolo da resistência popular cearense contra a escravidão, e foi homenageado pelo governo do Ceará, com seu nome dado ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, pelo que ele e seus colegas realizaram nome da liberdade, em 1881, na Praia de Iracema.

Além do já referido Centro Dragão do Mar, há uma escola pública estadual cujo nome também homenageia o Chico da Matilde, localizada no bairro do Mucuripe, Escola de Ensino Médio Dragão do Mar, que foi fundada em 1955, com o objetivo de alfabetizar os filhos de pescadores que moravam na região àquela época. Um tradicional grupo de estudos libertário com sede no Ceará também recebe o título Dragão do Mar em sua homenagem. Em Aracati, é homenageado com o nome da rua que dá acesso a cidade pela BR-304 (sentido Icapuí) e o aeroporto regional. Já em Canoa Quebrada pela praça central da praia.

Em 23 de agosto de 2013, a Petrobras, por meio de sua subsidiária Transpetro, lançou ao mar um novo navio petroleiro construído em Pernambuco e batizado Dragão do Mar. [5] A embarcação integrou uma nova geração de petroleiros construídos no Brasil. Foi o oitavo navio a ser construído depois do lançamento do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro, dos quais outros dois anteriores também receberam nomes de ícones da resistência negra: João Cândido e Zumbi dos Palmares.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «O dragão da liberdade». Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Consultado em 19 de setembro de 2014 
  2. a b Xavier, Patrícia (2009). «História, Memória e Historiografia: o Dragão do Mar na escrita de Edmar Morel (1949)». ANPUH – XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA. Consultado em 20 de maio de 2019 
  3. Xavier, Patrícia Pereira (2010). «O Dragão do Mar na "Terra da Luz": a construção do herói jangadeiro (1934-1958)». Dissertação de Mestrado. Consultado em 21 de maio de 2019 
  4. Agostini, Angelo (1884). «Ilustração de capa». Revista Illustrada. 9 (376) 
  5. N/T Dragão do Mar - PYYA [1].navios brasileiros. Acesso em11/03/2014
  6. Dilma já está no navio Dragão do Mar no complexo de suape [2] Arquivado em 15 de abril de 2014, no Wayback Machine.. Diario de Pernambuco. Acesso em 16 de abril de 2014

Ligações externas[editar | editar código-fonte]