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Geração Z

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Geração Z (abreviado gen-Z) [1](coloquialmente alcunhada em inglês de zoomers,[2][3] centennials e/ou igeneration)[4] é a coorte demográfica que sucede a Geração Y e precede a Geração Alfa. Pesquisadores e a mídia popular usam meados e o final da década de 1990 como anos iniciais de nascimento e o início da década de 2010 como anos finais de nascimento, sendo a geração normalmente definida como pessoas nascidas entre 1997 e 2012.[5] A maioria dos integrantes da Geração Z são filhos da Geração X, e espera-se que muitos sejam os pais da futura Geração Beta.[6]

Como crianças em meados e no final dos anos 2000 e nos anos 2010, a Geração Z foi a primeira geração social a crescer com a Web 2.0 e a tecnologia digital como algo consolidado.[7] Desde jovens, eles assistiram a vídeos e séries online (muitas vezes pelo YouTube),[8] e jogaram jogos online como Club Penguin e Minecraft.[9] Como adolescentes e jovens adultos nas décadas de 2010 e 2020, os membros da geração foram apelidados de "nativos digitais",[10] mesmo que não tenham sido necessariamente alfabetizados digitalmente[11] e possam ter dificuldades em um local de trabalho digital.[12]

A Geração Z foi descrita como "mais bem-comportada e menos hedonista" do que as gerações anteriores.[13][14] Eles têm menos gravidezes na adolescência, consomem menos álcool (mas não necessariamente outras drogas psicoativas),[15][16][17] e estão mais focados nos estudos e nas perspectivas de emprego.[13][18] Eles também são melhores em adiar a gratificação do que os adolescentes da década de 1960.[19] O sexting tornou-se popular durante a adolescência da Geração Z, embora os efeitos psicológicos a longo prazo ainda não sejam totalmente compreendidos.[20]

Há maior conscientização e diagnóstico de transtornos mentais entre a Geração Z,[18][17][21][22] e a privação de sono é relatada com mais frequência.[23][24][25] Além disso, os efeitos negativos do tempo gasto em frente às telas no final da década de 2010 foram mais pronunciados em adolescentes, em comparação com crianças mais novas.[26] As subculturas juvenis não desapareceram, mas tornaram-se mais silenciosas.[27][28] A nostalgia é um tema importante da cultura jovem nas décadas de 2010 e 2020.[29][30]

Descrição

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As pessoas da Geração Z são conhecidas por serem nativas digitais, muito familiarizadas com a internet, compartilhamento de arquivos, telefonia móvel, não apenas acessando a rede de suas casas, mas também pelo celular, estando assim extremamente conectadas.[31] Suas principais características são: compreensão da tecnologia e abertura social às tecnologias.[32]

Um Tablet, um grande lançamento das indústrias de informática e telefonia nos anos 2000.

Alguns especialistas sugerem que, por estarem passando pela Grande Recessão, a primeira grande crise econômica desde a Grande Depressão — porém não maior[33] — e que atinge sobretudo os jovens, as gerações Y e Z passaram a ser dominadas por um sentimento de insatisfação e insegurança quanto à realidade e ao futuro da economia e da política. Esta geração é confrontada com uma diferença de renda cada vez maior em todo o mundo[34] e uma classe média encolhendo, o que tem levado ao aumento dos níveis de estresse nas famílias.[35]

O habitat da Geração Z, assim como o da Geração Y, é o do desemprego e da precariedade.[36] A Geração Z presenciou o surgimento de indivíduos, grupos e movimentos políticos e sociais anti-establishment, resultado do aprofundamento da polarização ideológica na sociedade,[37][38][39][40] através da chamada ciberpolítica e que atrai uma parcela — ainda que minoria — dessa geração, parcela essa constitutiva a uma "geração bloqueada", segundo o sociólogo João Teixeira Lopes.[37]

Por outro lado, ao contrário de todas as outras gerações anteriores, esta geração é tida como a mais tolerante que já existiu,[41] a mais aberta à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo,[42] e inclusive sendo também a mais favorável à igualdade de gênero.

Duas jovens tirando uma selfie em 2016.

O ano de 2020 marca a entrada dessa geração na corrida eleitoral brasileira, com o grupo mais jovem estando entre 16 e 20 anos.[43]

Por país

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Investigando o contexto brasileiro, as pesquisadoras Milhome e Rowe, da Universidade Federal da Bahia, identificaram os nascidos entre 1992 e 2005, que chegaram a vivenciar no começo de seu período de formação macro o governo Dilma Rousseff seguido de seu impeachment, Governo Temer, Bolsonaro, junto da pandemia de COVID-19, como parte da geração 4.0.[44]

O navio-hospital USNS Comfort entrou no porto de Nova Iorque em março de 2020 em resposta à pandemia de COVID-19, uma grande crise global que ocorreu durante os anos de formação da Geração Z.[45]

Estados Unidos

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Considerando os seus anos de nascimento, os membros da geração Z não têm memória do período anterior aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e à subsequente Guerra ao Terror.[46][47][48] No entanto, mesmo vinte anos após os ataques terem ocorrido, as preocupações com a segurança nacional e a segurança pessoal permanecem.[46] Mas a maioria dos membros da geração Z estava nos seus anos de formação durante a crise financeira de 2008.[49] Um inquérito de 2013 revelou que 47% da geração Z nos Estados Unidos (considerada aqui como sendo aqueles com idades compreendidas entre os 14 e os 23 anos) estavam preocupados com a dívida estudantil, enquanto 36% estavam preocupados com a possibilidade de pagar um ensino superior.[50]

Ver também

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Referências

  1. Cachón, Iñaki Ortega (22 de agosto de 2017). «Tribuna | Una generación que se enfrenta al mundo». Cinco Días (em espanhol). Consultado em 18 de abril de 2018 
  2. «Words We're Watching: 'Zoomer'». Merriam-Webster. Outubro de 2021. Consultado em 25 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 11 de fevereiro de 2020 
  3. «zoomer». Dictionary.com. Consultado em 14 de junho de 2020. Cópia arquivada em 26 de janeiro de 2021 
  4. Zambrana, Carolina Oliveira (2020). Mudanças Curriculares no Ensino Médio na Percepção e Vivência dos Alunos em Colégio Particular de São Paulo (PDF). São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) 
  5. «What Gen Z thinks of Sydney Sweeney's American Eagle ad». Newsweek (em inglês). 4 de agosto de 2025. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  6. «Welcome Gen Beta - McCrindle». McCrindle (em inglês). 19 de janeiro de 2025. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  7. «Gen Z | Years, Age Range, Meaning, & Characteristics | Britannica». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  8. «How younger voters will impact elections: Meet the Plurals». Brookings (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  9. «From Pixels To Paychecks: How Minecraft Is Launching Gen Z's Careers». Yahoo Finance (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  10. Turner, Anthony (2015). «Generation Z: Technology and Social Interest». The Journal of Individual Psychology (2): 103–113. ISSN 2332-0583. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  11. «Perspective | Today's kids might be digital natives — but a new study shows they aren't close to being computer literate». The Washington Post (em inglês). 16 de novembro de 2019. ISSN 0190-8286. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  12. Demopoulos, Alaina (28 de fevereiro de 2023). «'Scanners are complicated': why Gen Z faces workplace 'tech shame'». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  13. a b «Teenagers are better behaved and less hedonistic nowadays». The Economist. ISSN 0013-0613. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  14. Twenge, Jean (19 de setembro de 2017). «Why today's teens aren't in any hurry to grow up». The Conversation (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  15. Schepis, Ty (19 de novembro de 2020). «College-age kids and teens are drinking less alcohol – marijuana is a different story». The Conversation (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  16. «Access Restricted». www.telegraph.co.uk. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  17. a b «Access Restricted». www.telegraph.co.uk. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  18. a b «Generation Z is stressed, depressed and exam-obsessed». The Economist. ISSN 0013-0613. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  19. Protzko, John (1 de maio de 2020). «Kids These Days! Increasing delay of gratification ability over the past 50 years in children». Intelligence. 101451 páginas. ISSN 0160-2896. doi:10.1016/j.intell.2020.101451. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  20. Del Rey, Rosario; Ojeda, Mónica; Casas, José A.; Mora-Merchán, Joaquín A.; Elipe, Paz (2019). «Sexting Among Adolescents: The Emotional Impact and Influence of the Need for Popularity». Frontiers in Psychology. 1828 páginas. ISSN 1664-1078. PMC 6712510Acessível livremente. PMID 31496968. doi:10.3389/fpsyg.2019.01828. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  21. «Mental health issues increased significantly in young adults over last decade». ScienceDaily (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  22. «Is young people's mental health getting worse?» (em inglês). 11 de fevereiro de 2019. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  23. Twenge, Jean (19 de outubro de 2017). «Teens are sleeping less – but there's a surprisingly easy fix». The Conversation (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  24. Kansagra, Sujay (1 de maio de 2020). «Sleep Disorders in Adolescents». Pediatrics (em inglês) (Supplement_2): S204–S209. ISSN 0031-4005. doi:10.1542/peds.2019-2056I. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  25. «Parents aren't powerless when it comes to sleep-deprived teenagers». ScienceDaily (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  26. Adelantado-Renau, Mireia; Moliner-Urdiales, Diego; Cavero-Redondo, Iván; Beltran-Valls, Maria Reyes; Martínez-Vizcaíno, Vicente; Álvarez-Bueno, Celia (1 de novembro de 2019). «Association Between Screen Media Use and Academic Performance Among Children and Adolescents: A Systematic Review and Meta-analysis». JAMA pediatrics (11): 1058–1067. ISSN 2168-6211. PMC 6764013Acessível livremente. PMID 31545344. doi:10.1001/jamapediatrics.2019.3176. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
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  28. Watts, Peter (10 de abril de 2017). «Is youth culture a thing of the past?». Apollo Magazine (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  29. Arana, Ixone (14 de outubro de 2023). «Modern nostalgia: Why do young people ache for a past they never lived?». EL PAÍS English (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  30. «Escape Into Cottagecore, Calming Ethos for Our Febrile Moment (Published 2020)» (em inglês). 10 de março de 2020. Consultado em 8 de dezembro de 2025 
  31. «The Generation Z Connection: Teaching Information Literacy to the Newest Net Generation». Redorbit (em inglês). 19 de fevereiro de 2006. Consultado em 1 de março de 2023 
  32. Amiama-Espaillat, Cristina; Mayor-Ruiz, Cristina (2017). «Digital Reading and Reading Competence – The influence in the Z Generation from the Dominican Republic». Comunicar (em espanhol). 25 (52): 105–114. ISSN 1134-3478. doi:10.3916/c52-2017-10 
  33. Ribeiro, Ana (4 de junho de 2015). «Crises globais: do 'crash' de 1929 à Grande Recessão». O Globo. Consultado em 2 de abril de 2025 
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  36. Santos, Catarina Fernandes Martins, Nuno Ferreira (13 de fevereiro de 2016). «A geração que quer "transformar isto tudo"». PÚBLICO. Consultado em 2 de abril de 2025 
  37. a b Macedo, Gina (26 de abril de 2006). «Condições de vida levam jovens a ingressar na extrema-direita - JPN». JPN - JornalismoPortoNet. Consultado em 2 de abril de 2025 
  38. Tostes, Ana Paula (junho de 2009). «A Intolerância desavergonhada: por que a nova extrema-direita cresce?». Dados (2). ISSN 0011-5258. doi:10.1590/S0011-52582009010200001. Consultado em 2 de abril de 2025 
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  43. «A estreia dos candidatos da geração Z». 28 de setembro de 2020. Consultado em 5 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 5 de outubro de 2020 
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  49. Turner, Anthony (2015). «Generation Z: Technology And Social Interest». Journal of Individual Psychology. 71 (2): 103–113. doi:10.1353/jip.2015.0021 
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Ligações externas

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