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Heráclio, o Velho

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Heráclio, o Velho
Soldo em ouro cunhado durante a revolta de Heráclio, com os bustos de Heráclio, o Velho, e seu filho, Heráclio, o Jovem, ambos barbados e com os trajes consulares.
Nascimento
Teodosiópolis (?)
Morte 610
Nacionalidade Império Bizantino
Etnia Grega
Cônjuge Epifânia
Filho(s) Heráclio, o Jovem
Teodoro
Maria
Ocupação General e governador
Título
Religião Catolicismo

Heráclio, o Velho (em latim: Heraclius; em grego: Ἡράκλειος) (m. 610) foi um oficial militar bizantino do final do século VI e começo do VII e pai do imperador Heráclio (r. 610–641). De origem armênia, tornou-se notório nas guerras bizantino-sassânidas da década de 580. Cerca de 600, foi nomeado exarca da África. Em 608, se rebelou com seu filho contra o usurpador Focas (r. 602–610). Utilizando-se da África como base, o jovem Heráclio conseguiu derrubar Focas e fundou a dinastia heracliana, que reinaria no Império Bizantino por um século. Heráclio, o Velho, morreu logo depois de receber a notícia da ascensão do filho.

Família[editar | editar código-fonte]

A "Historia syntomos" do patriarca Nicéforo I de Constantinopla menciona um único irmão de Heráclio, o Velho, chamado Gregoras, e que era pai de Nicetas.[1] Teófanes, o Confessor menciona Epifânia como mãe de Heráclio e, assim, a esposa de Heráclio, o Velho.[2] Heráclio, o Velho, é mencionado como sendo o pai do imperador Heráclio em diversas fontes, incluindo Teofilacto, João de Nikiu, Nicéforo I, Teófanes, Agápio, o Historiador, o "Suda", Jorge Cedreno, João Zonaras, Miguel, o Sírio, a "Crônica de 1234" e Nicéforo Calisto Xantópulo.[1]

O irmão de Heráclio, o Jovem melhor atestado nas fontes é Teodoro.[1] Maria, sua irmã, é citada por Nicéforo I e identificada como sendo a mãe de Martina, que se casaria com Heráclio, o Jovem. Deve-se notar, porém, que tanto Cedreno quanto Miguel, o Sírio, consideram que Martina era filha de um irmão não nomeado de Heráclio, o Jovem, lançando dúvidas sobre a relação precisa entre eles. Finalmente, Teófanes menciona brevemente outro Gregoras como irmão de Heráclio, o Jovem, por ocasião da morte do primeiro em Heliópolis (atual Baalbek) ca. 652–653. Este é a única menção deste irmão. Teófanes, porém, pode ter se confundido na relação entre Gregoras e o imperador.[2]

Vida[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

Heráclio era de origem armênia,[3] o que pode ser deduzido por uma passagem na obra de Teofilacto Simocata que o considera nativo da Armênia bizantina.[1] A passagem é: "E assim Filípico soube durante sua viagem que Prisco tinha sido feito general pelo imperador Maurício I; ao chegar em Tarso, enviou mensagens para Heráclio indicando que, após deixar o exército, deveria retornar para sua cidade natal quando viesse à Armênia, e lá deveria entregar o exército para Narses, o comandante da cidade de Constantina". A "cidade natal" de Heráclio não é mencionada especificamente. Maria e Miguel Whitby sugerem que Heráclio era na época o mestre dos soldados da Armênia (magister militum per Armeniam). Se for o caso, "sua cidade" seria Teodosiópolis (atual Erzurum), o quartel-general das forças romanas na Armênia.[4][5] Como principal fortaleza militar ao longo da fronteira noroeste do império, Teodosiópolis tinha uma grande importância estratégica e foi ferozmente disputada nas guerras entre os persas e os romanos. Os imperadores Anastácio I Dicoro e Justiniano I refortificaram a cidade e construíram novas defesas durante os seus reinados.[6]

Nada se sabe da ascendência específica de Heráclio, o Velho, o que não evitou que os historiadores modernos especulassem sobre o tema. Cyril Mango defende uma teoria que sugere que ele seria um descendente homônimo de Heráclio de Edessa, um general romano do século V. Uma passagem da História de Sebeos tem sido interpretada como sugerindo uma origem arsácida para Heráclio. Esta teoria tem sido defendida fortemente por Cyril Toumanoff e foi considerada plausível por Alexander Vasiliev e Irfan Shahîd. João de Nikiu e Constantino Manasses parecem considerar seu filho, Heráclio, o Jovem, como sendo capadócio, o que pode ser apenas uma indicação do local de seu nascimento e não a origem de seus ascendentes propriamente.[7]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Sob Filípico[editar | editar código-fonte]

Fronteira bizantino-sassânida em 565
Soldo do imperador Maurício I (r. 582–602)

Heráclio, o Velho, foi mencionado pela primeira vez em 586 como um general servindo sob Filípico durante a Guerra bizantino-sassânida de 572-591. Heráclio comandou o centro do exército bizantino na Batalha de Solacão na primavera de 586. Após a batalha, ele foi enviado numa missão exploratória para confirmar rumores da aproximação de reforços persas.[1][8][9]

A força bizantina então continuou a ação militar, invadiu Arzanena e Filípico cercou Clomaro, a principal cidade da área. Neste ponto, Jóvio e Marutas, dois líderes locais, desertaram para o lado bizantino. Eles prometeram ajudar a localizar posições ideais para construção de fortalezas inexpugnáveis que pudessem controlar a passagem pelos Montes Tauro e Hakkâri, permitindo o controle bizantino sobre as rotas comerciais que ligavam Arzanena com a Armênia persa e a Baixa Mesopotâmia. Filípico ordenou a Heráclio, que nesta época era o seu segundo no comando (hipoestratego), a seguir os pontos indicados pelos locais.[1][10][11]

Vinte homens acompanharam Heráclio nesta missão e eles partiram sem suas armaduras. O grupo logo encontrou Cardarigan liderando um novo exército persa. Teofilacto nota que "Cardarigan estava marchando contra os romanos, tendo alistado hordas que não eram soldados, mas homens inexperientes nas artes marciais; além disso, ele juntou uma caravana de animais de carga e camelos e estava avançando." Mesmo assim, Cardarigan tentou atacar o grupo mal armado de Heráclio e ele teve que escapar movendo-se de escarpa em escarpa. À noite, ele enviou um mensageiro para avisar Filípico da ameaça iminente.[1][12][13]

As forças de Filípico fugiram em desordem de volta para o território romano. Ele conseguiu alcançar Amida e então começou a restaurar as antigas fortalezas no monte Izalas. Lá, possivelmente por conta de uma enfermidade, ele entregou o comando do exército para Heráclio. Teofilacto conta que "Ele [Filípico] deu parte do exército para Heráclio, uma vez que ele estava tomado por dores e incapaz de lutar. Heráclio reuniu seus soldados e acampou do outro lado das colinas de Izalas ou nas margens do rio Tigre. Da mesma forma, Heráclio deixou Tâmano [um local na margem oriental do Tigre], avançou em direção à Média meridional e arrasou toda a região. Ele chegou mesmo a atravessar o Tigre e impeliu o exército adiante, queimando tudo o que tinha alguma importância naquela parte da Média. Então ele reentrou no território romano, deu a volta em Teodosiópolis e novamente se juntou aos homens que estavam com Filípico." Teofilacto indica que Filípico e Heráclio passaram o inverno juntos em Teodosiópolis.[14][15][16]

Na primavera de 587, Filípico estava novamente doente e incapaz de liderar a campanha em pessoa. Ele entregou dois terços de seu exército para Heráclio, o resto a dois generais, Teodoro e Andreas, e os enviou em raides contra o território persa. Heráclio cercou um forte de nome desconhecido, utilizando de forma incansável suas máquinas de cerco, dia e noite, até que ele caiu. Após guarnecer o recém-capturado forte, Teófanes, o Confessor, relata que ele seguiu adiante e se juntou ao general Teodoro no cerco de Biuda (Beioudes), o que parece ser um erro. Teófanes pode ter interpretado incorretamente uma passagem relevante de Teofilacto que relata que Teodoro e Andreas se juntando neste cerco.[17][18][19]

No final de 587, Filípico planejava retornar para Constantinopla deixando Heráclio responsável pelo exército durante a temporada de inverno. Heráclio imediatamente adotou medidas para restaurar a disciplina entre as tropas. De acordo com Teofilacto, "Heráclio decretou penas para deserção e vagabundagem nas forças romanas; e os que haviam se despedido do trabalho e que vagavam sem rumo de um lado para o outro retornaram ao bom senso por causa das punições". No início de 588, o imperador Maurício I (r. 582–602) substituiu Filípico por Prisco. Filípico escreveu para Heráclio, ordenando que ele deixasse o exército na região a cargo de Narses e retornasse para a Armênia. Mas estas mesmas cartas avisaram os soldados do decreto imperial que reduzia os seus pagamentos em um quarto[19][20] A notícia provocou um motim entre as tropas, que se recusaram a obedecer as ordens de Prisco. O motim só terminou quando a ordem foi rescindida e Filípico foi novamente nomeado como comandante do exército do oriente.[21][22][23]

Sob Comencíolo[editar | editar código-fonte]

Heráclio reapareceu um ano depois, sob o comando de Comencíolo, na Batalha de Sisarbano (outono de 589), nas redondezas de Nísibis. De acordo com o relato de Teofilacto, Comencíolo supostamente fugiu para Teodosiópolis ainda durante a batalha. Heráclio tomou o comando das tropas restantes e as levou à vitória. O cronista, porém, viveu e escreveu durante o reinado de Heráclio, o Jovem, e era fortemente enviesado em favor do pai do imperador. Seu relato é, por isso, suspeito ao exagerar (ou mesmo inventar) um ato de covardia de Comencíolo com o objetivo de engrandecer a memória de Heráclio. O contemporâneo Evágrio Escolástico, por exemplo, atesta que Comencíolo estava no meio do campo de batalha e sequer menciona Heráclio.[24][25]

Revolta armênia[editar | editar código-fonte]

Heráclio é mencionado novamente por volta de 595 como mestre dos soldados da Armênia, provavelmente sucedendo a João Mistacão. A História de Sebeos é a principal fonte para este período. Ele foi enviado para a região pelo imperador Maurício para enfrentar os rebeldes armênios liderados por Samuel Vevuni  e Atate Xorxoruni e contou com a ajuda de Amazaspes III Mamicônio.[24]

Então [o imperador] ordenou que o general Heráclio, que estava no país da Armênia, reunisse suas tropas e avançasse contra [os rebeldes] em batalha. ... Então [os rebeldes] saquearam o que quer que encontrassem, amealhando um grande espólio, e partiram para o seguro país de Corduates. Eles queriam se fortificar ali. Agora as forças bizantinas, com o general Heráclio e Amazaspo Mamicônio, os perseguiram. [Os rebeldes] se aproximaram da fortaleza, cruzando por uma ponte o rio chamado Jermai (que é do mesmo tipo da ponte de Daniel). Ele derrubaram a ponte e se fortificaram na passagem onde estava a ponte. [Os bizantinos] estavam na outra margem do rio imaginando o que fazer. Como eles foram incapazes de encontrar um vau por onde atravessar, quiseram partir. Mas, inesperadamente, um sacerdote viajante apareceu. Eles o prenderam e disseram: 'Se você não nos mostrar onde podemos atravessar este rio, te mataremos'. [O viajante] então mostrou às forças um local mais abaixo de onde estavam. Todas as tropas atravessaram o rio. Algumas delas ficaram pra trás para vigiar a fortaleza e outras, a cabeça de ponte. [Algumas] mantidas na entrada do vale, outras entraram na fortaleza e deram combate ao inimigo. A devastação foi enorme e [os rebeldes] foram destroçados
 
Sebeos, História, cap. 6 e 7[26]..
Mortos na batalha foram Nerses, Vatam e Samuel, que levaram consigo um número considerável [de guerreiros] em combate. Mas Sérgio e Varaz Narses foram presos, juntamente com alguns outros. Eles foram enviados para a cidade de Karin e, posteriormente, decapitados. Quando eles estavam para ser executados, Varaz disse a Sérgio: 'Vamos apostar pra ver quem eles matarão primeiro', ao que Sérgio respondeu: 'Eu sou um homem velho e culpado. Eu te imploro, me dê esta pequena honra de não ver a sua morte'. E assim eles o decapitaram primeiro. Agora Teodoro Tripatuni fugiu para a corte do rei iraniano (Cosroes II), em busca de refúgio. Mas [o rei] ordenou que ele fosse preso e entregue para os seus inimigos para ser morto. E [o rei] causou-lhe muitos infortúnios
 
Sebeos, História, cap. 6 e 7[26]..

Heráclio parece ter sido posteriormente substituído por Surena.[24] Seu período de serviço na Armênia foi breve, porém serviu para reforçar seus laços com a região[27]

Exarca da África[editar | editar código-fonte]

Heráclio é mencionado novamente em 608 como patrício e exarca da África. De acordo com o patriarca de Constantinopla Nicéforo I, Heráclio fora nomeado para a posição por Maurício, o que ocorreu antes da deposição e morte do imperador em 602. Ele pode ter substituído Inocêncio, um exarca temporário nomeado para o período de 598 até 600.[28] A nomeação sugere que Heráclio estava nas graças de Maurício e tinha motivos para se manter fiel a ele. Assim, Heráclio e sua corte lamentaram a morte e a execução de Maurício, celebrando honras póstumas ao imperador falecido.[29]

Os exarcas da África eram de fato os governadores-gerais da região, com poderes civis e militares. Sua capital era Cartago. Historiadores do final do século XIX e início do XX atribuíram muita importância a esta nomeação, chegando a sugerir que ela requereria laços fortes entre Heráclio e a África ou com o mais amplo Império Romano do Ocidente. Historiadores posteriores notaram, porém, que esta nomeação era parte de um padrão mais amplo. No século VI, diversos comandantes militares bizantinos iniciaram suas carreiras nas regiões orientais do império, geralmente nas redondezas da Alta Mesopotâmia. Após o seu período de serviço, eles eram transferidos para o Norte da África e não há indícios de que esta rotação entre as províncias orientais e ocidentais tenha sido pouco usual.[29]

Revolta contra Focas[editar | editar código-fonte]

Soldo do imperador Focas (r. 602–610)
Dinar de ouro de Cosroes II (r. 590–628)

Em 608, o Exarcado da África sob Heráclio, o Velho, se revoltou contra o imperador Focas.[30][31] A campanha subsequente contra ele foi relatada pelos historiadores bizantinos como sendo uma vingança contra a morte de Maurício, o que pode de fato ter sido um dos motivadores da revolta. A outra parte, porém, seria o que Walter Emil Kaegi chamou de "frios cálculos políticos":[29] Cartago estava a uma distância segura de Constantinopla e Focas não poderia facilmente atacar a cidade. A relativa riqueza do Exarcado da África era suficiente para financiar a revolta. O regime de Focas precisava dos grãos e das receitas da África, enquanto que o Exarcado se sustentava com relativa facilidade. Enquanto isso, o persa Cosroes II (r. 590–628) havia assegurado o controle de Dara e estava mobilizando suas tropas para uma invasão em larga escala ao Império Bizantino. Notícias desta campanha podem muito bem ter chegado até os ouvidos de Heráclio. Com Focas tendo que enfrentar inimigos em duas frentes, ele seria incapaz de concentrar suas forças em qualquer uma delas, o que encorajou Heráclio ao aumentar suas chances de sucesso.[32]

Após a revolta, Heráclio, o Velho, e seu filho, Heráclio, o Jovem, foram proclamados cônsules em conjunto. Não há indicações nas fontes de como eles atingiram este objetivo, ou seja, se Heráclio foi auto-nomeado ou oficialmente proclamado pelo senado de Cartago, "cujos membros não tinham direito legal de apontar um cônsul romano". Mesmo assim, o significado da nomeação é evidente. Nenhuma pessoa física havia sido proclamada cônsul desde o reinado de Justiniano I (r. 527–565). Desde então, o título era concedido exclusivamente ao imperador bizantino. Com esta proclamação, Heráclio estaria discutivelmente dando o primeiro passo para se tornar imperador, legitimando sua conexão com a longa história de Roma. As casas da moeda de Cartago e, posteriormente, de Alexandria cunharam moedas representando Heráclio e seu filho homônimo vestindo os trajes consulares.[33]

João de Antioquia e o patriarca Nicéforo reportam que Heráclio, o Velho, manteve uma correspondência com Prisco, o comandante dos excubitores e antigo comandante do exército. Nesta época, Prisco era o genro de Focas, mas supostamente tinha alguma rusga com o imperador. Ele alegadamente prometeu apoio a Heráclio no caso de uma revolta e confirmou-o assim que ela iniciou. A história é, porém, suspeita. Ainda que tenha havido grandes disputas em Constantinopla e Prisco de fato tenha desertado para o lado de Heráclio, não há nada que indique que ele o ajudou a incitar a revolta. Nicéforo relata que Heráclio, o Velho, se encontrou com seu irmão Gregoras antes de proclamar a revolta, possivelmente indicando que ele estaria atuando como conselheiro do irmão. Ele também reporta que Gregoras esperava promover seu próprio filho, Nicetas, ao trono, embora esta afirmação seja considerada quando muito improvável pelos historiadores modernos.[34]

A situação em 609-610 rapidamente foi se tornando difícil para Focas e seus aliados. Suas defesas contra o Império Sassânida falharam e havia forças persas na Mesopotâmia, Armênia, Síria e nas províncias da Anatólia. Forças bizantinas rebeldes controlavam a África e o Egito. Eslavos estavam ocupando a prefeitura pretoriana da Ilíria. Na Tessalônica e em várias cidades da Anatólia e da Síria, os "Azuis" e os "Verdes" (grupos armados de torcedores das corridas nos hipódromos) estavam resolvendo suas diferenças em conflitos abertos. Em algumas regiões da Síria, os judeus estavam se revoltando e linchando cristãos. Mesmo em Constantinopla, a multidão provocava Focas por conta de sua paixão pelas bebidas alcoólicas.[35]

Em 610, o general persa Sharbaraz estava se aproximando de Antioquia. Mas o fronte persa não era uma ameaça imediata: os rebeldes da África eram. Tendo assegurado o controle do Egito, eles avançaram e invadiram a Síria e Chipre, enquanto que uma grande frota sob o comando de Heráclio, o Jovem, navegou para a capital imperial. Aliados da Sicília, Creta e Tessalônica se juntavam à campanha. Os rebeldes alcançaram Constantinopla em outubro de 610. A única força que Focas tinha disponível para defender a cidade eram os excubitores de sua guarda-pessoal e as forças não regulares dos "Verdes" e "Azuis", as facções de torcedores das corridas do hipódromo. Prisco, o comandante dos excubitores, escolheu este momento para declarar sua afiliação a Heráclio. Os "Verdes" também mudaram de lado e Constantinopla caiu com relativa facilidade. Heráclio, o Jovem, se tornou o novo imperador e Focas, juntamente com diversos parentes e aliados, foi executado.[36] De acordo com João de Nikiu, Heráclio, o Velho, se alegrou com as notícias da ascensão do filho ao trono imperial, mas morreu logo depois.[37]

Importância[editar | editar código-fonte]

Heráclio, o Velho foi um importante general em sua época, mas suas conquistas foram modestas. Os historiadores bizantinos que cobriram sua carreira possivelmente tentaram aumentar a importância delas para dar a Heráclio, o Jovem uma ascendência mais brilhante.[7]

Notas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g Martindale 1992, p. 584.
  2. a b Cawley 2015.
  3. Cameron 2000, p. 561.
  4. Teofilacto Simocata século VI, p. III.1.1..
  5. Whitby 1986, p. 72.
  6. Arakelyan 1976, p. 232.
  7. a b Kaegi 2003, p. 21.
  8. Teofilacto Simocata século VI, p. III.5.9-11.
  9. Whitby 1986, p. 49-50.
  10. Teofilacto Simocata século VI, p. III.7.1; 7.6-11.
  11. Whitby 1986, p. 51-52.
  12. Teofilacto Simocata século VI, p. II.8.1-5.
  13. Whitby 1986, p. 52-53.
  14. Teofilacto Simocata século VI, p. II.9.16-10.1, 10.4-5.
  15. Whitby 1986, p. 55-56.
  16. Martindale 1992, p. 584-585; 1023.
  17. Teofilacto Simocata século VI, p. II.10.6-7, 18.1-6.
  18. Whitby 1986, p. 57, 68.
  19. a b Martindale 1992, p. 585; 1023.
  20. Teofilacto Simocata século VI, p. II.18.26, III.1.1–2.
  21. Martindale 1992, p. 1052-1053.
  22. Greatrex 2002, p. 170.
  23. Whitby 1988, p. 154, 286–288.
  24. a b c Martindale 1992, p. 585; 1023.
  25. Whitby 1988, p. 290.
  26. a b Bedrosian 1995.
  27. Kaegi 2003, p. 22.
  28. Martindale 1992, p. 511, 585, 622.
  29. a b c Kaegi 2003, p. 25.
  30. Kaegi 2003, p. 36.
  31. Treadgold 1997, p. 240.
  32. Kaegi 2003, p. 39.
  33. Kaegi 2003, p. 40.
  34. Kaegi 2003, p. 42-43.
  35. Treadgold 1997, p. 240-241.
  36. Treadgold 1997, p. 241.
  37. João de Nikiu 2007, cap. CX, 11–13.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Arakelyan, Babken N. (1976). «The Great Cities of Armenia». History of the Armenian People. III. Erevan: Academia de Ciências Armênia 
  • Cameron, Averil; Ward-Perkins, Bryan; Whitby, Michael (2000). The Cambridge Ancient History, Volume XIV - Late Antiquity: Empire and Successors, A.D. 425–600. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-32591-2 
  • Greatrex, Geoffrey; Samuel N. C. Lieu (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9 
  • João de Nikiu (2007). R. H. Charles, ed. Christian Roman Empire series vol. 4: The Chronicle of John, Bishop of Nikiu: Translated from Zotenberg's Ethiopic Text. Pennsauken, Nova Jérsei: Arx Publishing, LLC. ISBN 1-889758-87-6 
  • Kaegi, Walter Emil (2003). Heraclius, Emperor of Byzantium (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-81459-6 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). «Heraclius 3». The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8 
  • Treadgold, Warren (1997). A History of the Byzantine State and Society (em inglês). Stanford, Califórnia: Stanford University Press. ISBN 0-8047-2630-2 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]