Prisco (general)

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Prisco
Nascimento século VI
?
Morte 613
Igreja de São Salvador em Chora
Nacionalidade Império Bizantino
Cônjuge Domência
Ocupação General
Religião Cristianismo

Prisco (em latim: Priscus; em grego: Πρῖσκος; transl.: Priskos; m. 613) foi um general do Império Bizantino durante o reinado dos imperadores Maurício I (r. 582–602), Focas (r. 602–610) e Heráclio (r. 610–641). Embora as fontes contemporâneas sejam marcadamente tendenciosas a seu favor, Prisco surge como um líder militar eficaz e capaz. Sob Maurício, distinguiu-se nas campanhas contra os ávaros e seus aliados eslavos nos Bálcãs.

Ausente da capital no momento da derrubada e assassinato de Maurício por Focas, foi um dos poucos assessores seniores de Maurício que lograram sobreviver ilesos no novo regime, mantendo suas funções e chegando até mesmo a se casar com a filha do novo imperador. Contudo, ele também negociou com Heráclio e o ajudou a derrubar Focas. Heráclio confiou-lhe o comando do exército que combateu os persas em 611–612, mas, após o fracasso de sua campanha, Prisco foi demitido e tonsurado. Morreu pouco depois.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sob Maurício[editar | editar código-fonte]

Dracma de Hormisda IV (r. 579–590)
Fronteira romano-persa na Antiguidade Tardia

Prisco aparece pela primeira vez nas fontes históricas quando foi nomeado, no final de 587 ou começo de 588, para comandar no Oriente o exército contra o Império Sassânida, então governado pelo Hormisda IV (r. 579–590), como mestre dos soldados do Oriente (magister militum per Orientem), substituindo Filípico. Só chegou ali na primavera e assumiu seu novo comando em Monocarto em abril.[1][2] Prisco teve imediatamente problemas com os soldados: seus modos arrogantes e sua recusa para se misturar com eles tornaram-o impopular e em 18 de abril de 588, dia da Páscoa, quando foi anunciado um decreto do imperador Maurício I (r. 582–602) que reduziu o pagamento do exército para um quarto, seus soldados se amotinaram. Prisco não apenas falhou em restaurar a ordem, mas foi atacado e forçado a fugir para Constantina, enquanto os soldados elegeram o duque de Fenícia, Germano, como seu líder. As tentativas de Prisco de acalmar a tropa a partir de Constantina, através do emprego de bispos locais como mediadores e da revogação do decreto, também falharam. Filípico foi restaurado no comando por Maurício, enquanto Prisco retornou para Constantinopla.[3][4][5][6]

Apesar do revés, no verão do mesmo ano foram-lhe confiados o posto de mestre dos soldados da Trácia (magister militum per Thracias) e a missão de fazer campanha contra os ávaros a frente de uma força improvisada. Seu vice (hipoestratego), Salviano, foi enviado com 1 000 cavaleiros para manter as passagens do monte Hemo, mas, após dois dias, foi forçado a se retirar pelos ávaros, que eram numericamente superiores.[7] Os inimigos saquearam a cidade de Anquíalo, mas foram travados na tentativa de cerco de Drizípera (perto da atual Lüleburgaz), marchando em seguida para sul, alcançando Heracleia Perinto e isolando as forças de Prisco de Constantinopla. Flanqueado, Prisco retirou-se para Tzurulo, onde foi sitiado. O historiador do século VII Teofilacto Simocata registra que, após alguns dias, Prisco inventou um estratagema para forçar os sitiantes a se retirarem: permitiu que um dos seus guardas fosse capturado portando uma carta falsa, supostamente vinda de Maurício, que informava sobre um ataque marítimo à pátria dos ávaros. O grande cã ávaro convenceu-se de que a carta era verdadeira e preparou-se para retornar para casa apressadamente, negociando uma trégua em troca da renovação do pagamento de um tributo anual. O historiador do século XII Miguel, o Sírio diz que o pagamento foi de cerca de 363 quilos de ouro (cerca de 60 000 soldos), uma soma consideravelmente reduzida se comparada com os 100 000 soldos acordados em 584. Os ávaros partiram para o seu país, enquanto Prisco dissolveu o exército e voltou para Constantinopla.[4] [8] Ele desapareceu nos anos seguintes, quando caiu em desgraça com Maurício. Por volta de 593, já havia recuperado sua posição, o que é testemunhado pela carta do papa Gregório I, na qual ele o parabeniza por ter conseguido retornar às graças do imperador. A carta do papa também testemunha que, naquela época, já havia sido dado a Prisco o título imperial honorífico supremo de patrício.[9][10][6]

Na primavera de 593, Prisco foi renomeado como mestre da cavalaria (magister equitum) na Trácia, com Gentzono liderando como mestre da infantaria (magister peditum).[11] Como o mais antigo dos dois, Prisco também manteve o comando geral. Ambos os generais marcharam para Dorostolo, no Danúbio, e levaram a cabo uma campanha vitoriosa contra as tribos eslavas que estavam se preparando para cruzar o rio sob seus líderes Ardagasto e Musócio. Ao cruzarem-no, ambos foram aniquilados em ataques noturnos. Ao mesmo tempo, contudo, Prisco teria brigado com seus homens sobre a distribuição dos despojos capturados, especialmente sobre a parcela considerável que Prisco alocou para a família imperial. Os soldados foram posteriormente aplacados e o butim foi enviado para a capital com uma escolta.[12][13][14] Maurício também enviou ordens para o exército invernar ao norte do rio, mas isto causou grande ressentimento e inquietação entre os soldados. Prisco decidiu desobedecer a ordem do imperador e cruzou o rio novamente com seu exército para invernar na margem sul.[15][16] No outono de 593, foi substituído por Pedro, o irmão de Maurício. Antes de o último assumir o comando, não obstante, Prisco negociou um acordo de paz com o grande cã, a quem devolveu todos os cativos ávaros, cerca de 5 000 homens, um fato que foi criticado por Maurício.[12] [17]

Territórios ávaros entre 582-612
Bálcãs no século VI

No final de 594, porém, após Pedro ser pesadamente derrotado pelos eslavos,[18][19] Prisco foi novamente nomeado para comandar como mestre dos soldados da Trácia, um posto que manteve continuamente por vários anos. Em 595, marchou até o Danúbio, cruzando o rio e dirigindo-se para Nova, apesar dos protestos do grande cã. Lá, soube que Singiduno havia sido capturada pelos ávaros. Navegou com seu exército para a cidade e, após falhar nas negociações com o grande cã, enviou o taxiarca Goduíno, que a recapturou. Os ávaros, tendo arrasado as muralhas da cidade, abandonaram-na quando a força bizantina se aproximava.[20][21] Em seguida, os ávaros lançaram um raide contra a Dalmácia. Goduíno foi enviado com 2 000 homens para interceptá-los. Ele conseguiu emboscar o destacamento ávaro que levava o butim, recuperando-o e enviando-o para Prisco. Após estes eventos, o grande cã voltou sua atenção para oeste para combater os bávaros e francos, deixando os territórios bizantinos em paz por um período de um ano e meio até o verão de 597. No entanto, Prisco e seu exército permaneceram vigilantes junto à fronteira do Danúbio.[22][23]

Quando os ávaros retomaram suas operações com uma grande invasão no outono de 597, eles parecem ter pego Prisco, que estava provavelmente operando com seu exército a leste de Stara Planina, desprevenido. Eles avançaram rapidamente, ao ponto de conseguirem reprimir e sitiar Prisco e seus homens no porto de Tomis (atual Constança), até que a aproximação de um exército recém-criado sob Comencíolo os forçou a abandonar o cerco no dia de Páscoa, 30 de março de 588.[22] [24][25] Prisco estranhamente permaneceu inativo e o exército inexperiente de Comencíolo foi derrotado na batalha que se seguiu. Os ávaros avançaram então para sul, em direção à Trácia, forçando Maurício a guarnecer o Muro Anastasiano para prevenir um ataque a Constantinopla. O exército ávaro, contudo, foi dizimado por uma praga, e uma trégua foi rapidamente concluída, pela qual os ávaros recuaram para além do Danúbio em troca de um aumento do tributo anual para 120 000 soldos.[26] Os bizantinos aproveitaram a ocasião para reagrupar suas forças e, no verão de 599, dois exércitos sob Prisco e Comencíolo marcharam ao longo da margem ocidental do Danúbio. Em Viminácio, Comencíolo adoeceu e Prisco assumiu o comando da campanha. Seu exército cruzou o rio e lutou em três sucessivas batalhas ao longo de dez dias. Estas foram vencidas pelos bizantinos, que, de acordo com o registro de Teofilacto Simocata, mataram 28 000 bárbaros no total, incluindo alguns dos filhos do grande cã. Prisco perseguiu o grande cã em fuga e invadiu o território ávaro na Panônia. Lá, uma quarta batalha, também vencida pelos bizantinos, foi travada próximo do rio Tisza. No dia seguinte, Prisco despachou uma força de reconhecimento através do rio, que atacou três assentamentos gépidas de surpresa. De acordo com Simocata, 30 000 foram mortos e muitos foram tomados cativos. Dezenove dias depois, outra grande batalha foi travada no Tisza, que terminou em uma vitória bizantina decisiva: os ávaros e especialmente seus aliados eslavos sofreram grandemente e Prisco tomou 3 000 ávaros, 8 000 eslavos e outros 6 200 bárbaros como cativos, que foram enviados para o sul como escravos. Maurício, que ainda não tinha percebido a extensão da vitória de seu exército, ordenou a liberação deles como gesto de boa vontade para o grande cã.[22][23] [27][28] No entanto, a campanha de Prisco foi um ato notável de defesa agressiva. Nas palavras de Michael Whitby, o principal especialista moderno sobre o reinado de Maurício, foi "sem paralelo no século VI" para a fronteira do Danúbio e "essencialmente decidiu a guerra a favor de Bizâncio."[25] [29]

Soldo de Maurício I (r. 582–602)

Após o sucesso, que assegurou os Bálcãs, Maurício pretendia consolidar o controle romano trazendo colonos armênios a quem seriam dadas terras em troca de serviço militar. Para este fim, Prisco foi enviado para a Armênia para recrutar homens e suas famílias. No entanto, essa missão foi interrompida por uma revolta em larga escala que provocou a queda de Maurício.[30][31] Em 602, Maurício ordenou mais uma vez que suas tropas na fronteira no Danúbio invernassem ao norte do rio, o que novamente resultou num descontentamento generalizado, agravado quando Pedro, que tinha substituído Prisco, recusou-se a anular a ordem. As tropas se amotinaram, escolheram o oficial Focas como seu novo líder e iniciaram a marcha para Constantinopla. Sem quaisquer forças militares significativas para defendê-lo, Maurício teve que fugir, mas foi capturado com sua família e executado por Focas, que tornou-se imperador.[32][33]

Sob Focas[editar | editar código-fonte]

Soldo de Focas (r. 602–610)

Devido à sua ausência de Constantinopla no momento da ascensão de Focas - e porque manteve em larga medida o apoio dos soldados - Prisco foi o único dos generais seniores de Maurício que foi mantido pelo novo regime,[34] ao passo que Comencíolo e Pedro foram executados e Filípico, banido para um mosteiro.[35] Uma possível explicação para isto vem do historiador posterior Paulo, o Diácono, que registra, possivelmente baseado em fontes do começo do século VII, que Focas tinha sido estribeiro (ou escudeiro) sob Prisco. De qualquer forma, Prisco foi rapidamente incluído entre os principais apoiantes do novo regime. No inverno de 602/603, foi feito conde dos excubitores, comandante da guarda imperial. Em 606 ou 607, também casou-se com a filha de Focas, Domência, tornando-se o efetivo herdeiro presuntivo do governante sem filhos. Nos jogos celebrados no Hipódromo em honra ao evento, contudo, Focas reagiu violentamente quando viu que os cidadãos levavam retratos de Prisco e Domência juntamente com o seu. Os cronistas relatam que, a partir desse momento, Prisco voltou-se contra Focas.[30][34] [36]

Dinar de ouro de Cosroes II (r. 591–628)

Ao governo de Focas faltava legitimidade e rapidamente ele passou a ser ressentido pela população e pelas elites do Império Bizantino. Seu prestígio diminuiu ainda mais quando o persa Cosroes II (r. 590–628) declarou guerra e quando as forças bizantinas começaram a sofrer suas primeiras derrotas.[37][38] De acordo com uma tradição posterior, Prisco enviou uma carta para o exarca da África, Heráclio, o Velho, instando-o à revolta. Isto é provavelmente uma invenção posterior, mas, se for verdade, seria um indicativo do nível de discordância mesmo na corte em Constantinopla.[39] Seja qual for a verdade sobre o assunto, em 608, a África revoltou-se e o filho do exarca, Heráclio, o Jovem, foi enviado contra Constantinopla à frente de uma frota. Sem enfrentar oposição pelas forças de Focas, ele aportou no subúrbio de Hebdomo em 3 de outubro e marchou para a capital, onde eclodiram revoltas pró-heraclianas.[40] Nesta conjuntura, Prisco fingiu estar doente e retirou-se para sua mansão no bairro de Baraidu, onde reuniu os excubitores e seus próprios milicianos (bucelários), privando assim Focas de seu principal suporte armado. João de Nikiu registrou que ele teria protegido as mulheres da família de Heráclio de represálias por parte de Focas.[41][42]

Sob Heráclio[editar | editar código-fonte]

Soldo de Heráclio (r. 610–641)

Após a queda de Focas, Heráclio tornou-se imperador bizantino. O patriarca Nicéforo I afirma, em sua "História Breve", que a coroa foi inicialmente oferecida a Prisco, que a recusou.[43][44] Como comandante dos excubitores, um protopatrício (primeiro entre os patrícios) e um dos poucos oficiais seniores e influentes com laços com os regimes passados, Prisco representava uma ameaça potencial para Heráclio.[45] No entanto, diante da situação crítica no Oriente, onde os persas tinham invadido muitos territórios e estavam atacando a Anatólia, Heráclio nomeou Prisco para o comando do exército armênio no outono de 611. O general persa Sain capturou Cesareia na Capadócia (a atual Kayseri), mas foi imediatamente bloqueado e sitiado ali mesmo por Prisco.[46][47][48]

O próprio Heráclio decidiu visitar o acampamento do exército em Cesareia durante o inverno, mas Prisco recusou-se a encontrar-se com ele sob o pretexto de uma doença. Esta afronta irritou Heráclio e, quando Sain e seu exército conseguiram escapar no verão, Prisco foi chamado de volta para Constantinopla, supostamente para ser padrinho do filho do imperador, Heráclio Constantino.[46][47][48] Na capital, foi removido de seu posto de conde dos excubitores, que foi passado para Nicetas, o primo de Heráclio, e do comando na Anatólia, que foi dado para outro general sobrevivente da época de Maurício, Filípico, trazido de volta de seu exílio. Prisco foi levado ao senado bizantino, onde foi acusado por Heráclio de traição. No final, foi tonsurado em 5 de dezembro de 612 e confinado no Mosteiro de Chora, onde morreu em 613.[30][34] [49][50]

Avaliação[editar | editar código-fonte]

Prisco é retratado nas fontes como um líder militar capaz e versátil. Em muitas ocasiões, suas operações contra os eslavos assemelham-se às prescrições do mais influente manual militar bizantino, o Strategicon, atribuído ao imperador Maurício.[51] Apesar de sua reputação como um disciplinador severo e de sua postura distante, que levou ao motim de 588,[30] nas campanhas posteriores ele mostrou-se hábil em lidar com os soldados ao aplacar seu descontentamento. Estas qualidades foram também empregadas contra o grande cã ávaro, por exemplo, durante o cerco de Tomis (atual Constança) em 598, quando Prisco conseguiu persuadir os ávaros a abastecer com cereais o exército bizantino, que estava de fato à beira da inanição. Como o estudioso Walter Kaegi comenta, a estratégia de Prisco ao defender a fronteira do Danúbio consistiu em manter a paz com o grande cã "através de negociações astutas", permitindo-lhe que se concentrasse em seus esforços contra as invasões eslavas no território imperial.[34]

A principal fonte bizantina do período, Teofilacto Simocata, mostra uma clara tendência em favor de Prisco, especialmente em seu registro das campanhas balcânicas, no qual os outros generais são denegridos e aparecem como incompetentes, com suas realizações constantemente menosprezadas, enquanto que os sucessos de Prisco são exaltados e suas derrotas acobertadas. Isto pode ser devido ao fato de que, para este período, Simocata se tenha baseado em um "diário de campanha" semi-oficial compilado durante o reinado do imperador Focas, quando Prisco foi preeminente, enquanto que seus rivais haviam sido executados ou exilados.[52][53]

Referências

  1. Martindale 1992, p. 1052–1053.
  2. Whitby 1986, p. 72.
  3. Greatrex 2002, p. 170.
  4. a b Martindale 1992, p. 1053.
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  7. Whitby 1986, p. 162–164.
  8. Whitby 1986, p. 162, 164–166.
  9. Martindale 1992, p. 1053–1054.
  10. Whitby 1986, p. 167.
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  14. Curta 2001, p. 100–102.
  15. Curta 2001, p. 103.
  16. Whitby 1986, p. 173.
  17. Whitby 1986, p. 176–178.
  18. Martindale 1992, p. 1009–1010.
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  20. Martindale 1992, p. 1054–1055.
  21. Whitby 1986, p. 186–188; 193–194.
  22. a b c Martindale 1992, p. 1055.
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  24. Whitby 1986, p. 196–197.
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  34. a b c d Kazhdan 1991, p. 1722.
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  38. Treadgold 1997, p. 236–239.
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  49. Kaegi 2003, p. 69–70.
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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