Guerra bizantino-sassânida de 602-628

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
A página está num processo de expansão ou reestruturação.
Esta página está a atravessar um processo de expansão ou reestruturação. A informação presente poderá mudar rapidamente, podendo conter erros que estão a ser corrigidos. Todos estão convidados a dar o seu contributo e a editar esta página. Caso esta não tenha sido editada durante vários dias, retire esta marcação.

Esta página foi editada pela última vez por Renato de carvalho ferreira (D C) 4 dias atrás. (Recarregar)

Guerra bizantino-sassânida de 602-628
Parte da(o) Guerras bizantino-sassânidas
Piero della Francesca 021.jpg
Batalha entre exército de Heráclio e persas sob Cosroes II. Afresco de Piero della Francesca, c. 1452
Data 602628[a]
Local Cáucaso, Ásia Menor, Egito, Levante, Mesopotâmia
Desfecho Vitória pírrica bizantina
Mudanças
territoriais
Status quo ante bellum
Combatentes
Império Bizantino
 Canato Turco Ocidental
Derafsh Kaviani.png
Império Sassânida
 Principado da Ibéria
 Caganato Ávaro
Principais líderes
Império Bizantino Focas
Império Bizantino Filípico
Império Bizantino Germano
Império Bizantino Leôncio
Império Bizantino Domenciolo
Império Bizantino Comenciolo
Império Bizantino Prisco
Império Bizantino Teodoro
Império Bizantino Nicetas
Império Bizantino Bono
  Ziebel
Império Sassânida Cosroes II
Império Sassânida Sharbaraz
Império Sassânida Sain
Império Sassânida Cardarigan
Império Sassânida Sarablangas
Império Sassânida Razates
  Estêvão I da Ibéria

A guerra bizantino-sassânida de 602-628 foi a última e mais devastadora de uma série de guerras travadas entre o Império Bizantino e o Império Sassânida. A guerra anterior entre estas potência havia terminado em 591 após o imperador Maurício I ajudar o rei sassânida Cosroes II a recuperar seu trono. Em 602 Maurício foi assassinado por seu rival político Focas, e Cosroes, como consequência, declarou guerra, aparentemente para vingar a sua morte. Isto tornou-se um conflito de décadas, o mais logo da série, e foi travado em todo o Oriente Médio e Europa Oriental: no Egito, Levante, Mesopotâmia, Cáucaso, Anatólia, e mesmo diante das próprias muralhas de Constantinopla.

Enquanto os persas mostraram largamente sucesso durante o primeiro estágio da guerra, de 602 a 622, conquistando muito do Levante, Egito e partes da Anatólia, a ascensão do imperador Heráclio em 610 levou, apesar dos contratempos iniciais, a derrota persa. A campanha de Heráclio em territórios persas entre 622 e 626 forçou-os a manter-se na defensiva permitindo que suas forças recuperassem o momentum. Aliados com os avaros, os persas fizeram uma tentativa final de tomar Constantinopla em 626, mas foram derrotados. Em 627 Heráclio invadiu o coração de seu território o que os levou a pedir paz.

Até o final do conflito ambos os lados tinham esgotado seus recursos humanos e materiais. Consequentemente, eles estavam vulneráveis ao surgimento repentino do Califado Rashidun, cujas forças invadiram ambos os impérios apenas poucos anos após a guerra. As forças muçulmanas rapidamente conquistaram o Império Sassânida por completo e privaram o Império Bizantino de seus territórios no Levante, Cáucaso, Egito e Magrebe. Ao logo dos séculos seguintes, metade do Império Bizantino e o Império Sassânida ficaram sob domínio muçulmano.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Impérios Bizantino e Sassânida em 600.

Após décadas de combates inconclusivos, o imperador Maurício terminou a guerra bizantino-sassânida de 572-591 ajudando o príncipe sassânida exilado Cosroes, o futuro Cosroes II, a recuperar seu trono do usurpador Vararanes VI. Em retorno os sassânidas cederam aos bizantinos partes do nordeste da Mesopotâmia e vastas porções da Armênia persa e do Reino da Ibéria, embora os detalhes exatos são incertos.[1] [2] [3] Mais importante para a economia bizantina, eles já não teriam que pagar tributo aos sassânidas.[b] O imperador Maurício então começou novas campanhas nos Bálcãs para parar as incursões dos eslavos e ávaros.[4] [5]

A magnanimidade e campanhas do imperador Tibério II haviam eliminado o excedente do tesouro deixado desde a época de Justino II.[6] [7] [8] A fim de gerar uma reserva no tesouro, Maurício instituiu estritas medidas fiscais e cortes no pagamento do exército que ocasionaram quatro motins.[9] O motim final, em 602, resultou na ordem de Maurício para que suas tropas nos Bálcãs deixassem estas terras durante o inverno.[10] O exército proclamou Focas, um centurião trácio, como imperador.[1] [11] Maurício tentou defender Constantinopla armando os Azuis e os Verdes - dois dos principais times de corrida de bigas do Hipódromo - mas eles provaram ser ineficientes. Maurício fugiu mas foi logo interceptado e morto pelos soldados de Focas.[12] [13] [14] [15]

Início do conflito[editar | editar código-fonte]

Soldo com efígie do imperador Maurício (r. 582-602).
Soldo com efígie do imperador Focas (r. 602-610).

Após o assassinato de Maurício, Narses, governador bizantino da Mesopotâmia, rebelou-se contra Focas e sitiou Edessa, a principal cidade da província.[16] O imperador Focas instruiu o general Germano para cercas Edessa, levando Narses a solicitar ajuda do rei pera Cosroes II. Cosroes, que estava disposto a ajudar a vingar Maurício, o seu "amigo e pai", usou da morte de Maurício como um pretexto para atacar o Império Bizantino, tentando reconquistar a Armênia e a Mesopotâmia.[17] [18]

O general Germano morreu em batalha contra os persas. Um exército enviado por Focas contra Cosroes foi derrotado próximo de Dara na Mesopotâmia superior, o que levou a captura desta importante fortaleza em 605. Narses escapou de Leôncio, o eunuco apontado por Focas para lidar como ele, mas quando Narses retornou para Constantino para discutir os termos de paz, Focas ordenou que fosse preso e queimado vivo.[19] A morte de Narses juntamente com o fracasso em impedor os persas danificou o prestígio do regime militar de Focas.[20] [21]

Revolta de Heráclio[editar | editar código-fonte]

Em 608 o general Heráclio, o Velho, exarca da África, revoltou-se, instigado pelo comes excubitorum Prisco, genro de Focas.[21] [22] Heráclio proclamou a si mesmo imperador e seu filho de mesmo nome como cônsul - assim implicitamente reivindicando o título imperial - e cunhou moedas com os dois usando as vestes consulares.[23]

Cerca do mesmo período da revolta de Heráclio levantes aconteceram na Síria romana e na Palestina Prima. Em 609 ou 610 o patriarca de Antioquia, Anastácio II, morreu. Muitas fontes afirmam que os judeus estavam envolvidos na luta, embora é incerto onde envolveram-se em facções e onde eram inimigos dos cristãos.[24] Focas respondeu apontando Bono como comes Orientis (conde do Oriente) para parar a violência. Bono puniu os Verdes, um partido de corridas de cavalo, em Antioquia por seu papel na violência de 609.[25]

Heráclio, o Velho enviou seu sobrinho Nicetas para atacar o Egito. Bono foi lá na esperança de parar Nicetas, mas foi derrotado por ele fora de Alexandria. Em 610, Nicetas conseguiu capturar a província, estabelecendo uma poderosa base com a ajuda do patriarca João, o Clemente, que foi eleito com sua ajuda.[26] [27] [28] [29] [30] A força rebelde principal foi empregada em uma invasão naval de Constantinopla, liderada pelo jovem Heráclio, que era para ser o novo imperador.[31] A resistência organizada contra ele logo colapsou, e Focas foi entregue pelas mãos do patrício Probos (Fócio). Focas foi executado, embora não antes de uma celebrada troca de comentários antes ele e seu sucessor:

Soldo com representação de Heráclio, o Velho e Heráclio, ambos com trajes consulares. Ca. 608.
"É assim," perguntou Heráclio, "que você governou o Império?"
"Você vai," respondeu Focas, com espírito inesperado, "governá-lo melhor?"[32]

O Heráclio mais velho desapareceu logo depois das fontes,supostamente porque morreu, embora a data é desconhecida.[33] Após casar-se com sua sobrinha Martina e ser coroado pelo patriarca, Heráclio, agora com 35 anos, partiu para realizar seu trabalho como imperador. O irmão de Focas, Comentiolo, comandou uma força considerável na Anatólia central mas foi assassinato pelo comandante armênio Justino, removendo a principal ameaça a seu reinado.[27] Ainda assim, a transferência das forças comandadas por Comentiolo tinha sido adiada, permitindo que os persas avançassem ainda mais pela Anatólia.[34] Tentando aumentar as receitas e reduzir os custos, o imperador limitou o número de pessoas das Igreja de Constantinopla patrocinadas pelo Estado para não pagar novos funcionários do fisco imperial.[35] Ele usou cerimônias para legitimar sua dinastia,[36] e garantiu uma reputação de justiça para fortalecer seu controle sobre o poder.[37]

Supremacia persa[editar | editar código-fonte]

Fronteira bizantino-sassânida no Oriente Médio, em especial na região do Cáucaso.

Os persas aproveitaram-se da guerra civil no Império Bizantino para conquistarem cidades fronteiriças na Armênia e Mesopotâmia superior.[38] Ao logo do Eufrates, em 609, eles conquistaram Mardir e Amida (Diyarbakir). Edessa, que alguns cristão diziam que seria defendida pelo próprio Jesus em nome do rei Abgar V de Edessa contra todos os inimigos, caiu em 610.[21] [39] [40] Na Armênia, a cidade estrategicamente importante de Teodosiópolis (Erzurum) rendeu-se em 609 ou 610 para Ashat Yeztayar, devido a persuasão de um homem que dizia ser Teodósio, o filho mais velho do imperador Maurício, que supostamente fugiu para a proteção de Cosroes.[41] [42] Em 608, os persas lançaram um raide na Anatólia que atingiu a Calcedônia,[17] através do Bósforo para Constantinopla.[c][26] A conquista persa foi um processo gradual; pelo tempo da ascensão de Heráclio os persas tinham conquistado todas as cidades romanas a leste do Eufrates e a Armênia antes de moverem-se para a Capadócia, onde o general Sain tomou Cesareia Mazaca (Kayseri).[39] [41] [43] Lá, o genro de Focas, Prisco, que tinha encorajado Heráclio e seu pai a rebelar-se começou um cerco de um ano para prendê-lo dentro da cidade.[22] [44] [45]

A ascensão de Heráclio como imperador pouco reduziu a ameaça persa. Heráclio começou seu reinado na tentativa de fazer as pazes com os persas já que Focas, cujas ações foram o casus belli original, tinha sido derrubado. Todavia, os persas rejeitaram essas propostas, uma vez que seus exércitos eram amplamente vitoriosos. De acordo com o historiador Walter Kaegi, é concebível que o objetivo dos persas foi restaurar ou até mesmo ultrapassar as fronteiras do Império Aquemênida destruindo o Império Bizantino, embora devido as perdas de arquivos persas, nenhum documento sobrevivente pode provar isso.[38]

Moeda de prata do imperador persa Cosroes II (r. 590-628).

Por práticas estabelecidas, os imperadores bizantinos não lideraram pessoalmente as tropas em batalha.[d] Heráclio ignorou esta convenção e se juntou com seu general Prisco no cerco dos persas em Cesareia.[45] Contudo, Prisco fingiu estar doente e não atendeu ao imperador. Isto foi um insulto velado de Heráclio, que escondeu o seu desagrado por Prisco e retornou para Constantinopla, em 612. Enquanto isso, as tropas de Sain escaparam do bloqueio de Prisco e queimaram Cesareia, para tristeza de Heráclio.[46] Prisco foi logo removido do comando, juntamento com outros que serviram sob Focas.[47] Filípico, um velho general de Maurício, foi nomeado como comandante-em-chefe, mas ele se provou incompetente contra os persas, evitando compromissos de batalha. Heráclio então apontou ele mesmo como comandante junto com seu irmão Teodoro para finalmente solidificar o comando do exército.[48]

Cosroes tomou vantagem da incompetência dos generais de Heráclio para lançar um ataque na Síria bizantina, sob a liderança do general persa Sharbaraz.[49] Heráclio tentou impedir a invasão de Antioquia, mas apesar da benção de Teodoro de Siceão,[48] as forças do imperador e Nicetas sofreram uma séria derrota nas mãos de Sain.[50] Detalhes da batalha não são conhecidos. Após esta vitória os persas saquearam a cidade, matara o patriarca e deportaram muitos cidadãos. As forças bizantinas perderam novamente enquanto tentavam defender a região a norte de Antioquia nas Portas da Cilícia, apesar de alguns sucessos iniciais. Os persas então capturaram Tarso e a planície ciliciana. Esta derrota cortou o Império Bizantino ao meio, separando Constantinopla e a Anatólia da Síria, Palestina, Egito e o Exarcado de Cartago.[51]

Dominação persa[editar | editar código-fonte]

Captura de Jerusalém[editar | editar código-fonte]

Campanhas militares de ambas as potências entre 611 e 624.

A resistência aos persas na Síria Palestina não era forte; embora os locais construíram fortificações, eles geralmente tentaram negociar com os persas.[51] As cidades de Damasco, Apameia e Emesa (Homs) caíram rapidamente em 613, dando aos persas uma chance de atacar mais ao sul. Nicetas continuou a resistir aos persas mas foi derrotado em Daraa. Ele conseguiu uma pequena vitória próximo de Emesa, contudo, ambos os lados sofreram pesadas baixas - o número de mortos foi de 20000.[52] Mais seriamente, a fraqueza da resistência permitiu aos persas capturar Jerusalém em três semanas, apesar de sua determinada resistência.[53] Em algum lugar entre 57.000 e 66.500 pessoas foram assassinadas lá; outras 35.000 foram escravizadas, incluindo o patriarca Zacarias.[52] Muitas igrejas na cidade (incluindo o Santo Sepulcro) foram queimadas, e numerosas relíquias, incluindo a Vera Cruz, a Lança do destino e a Esponja Sagrada, foram levadas para Ctesifonte, a capital persa. A perda destas relíquias foi pensado por muitos bizantinos cristãos como uma marca clara do descontentamento divino.[32] Alguns capturaram judeus por esta desgraça e pela perda de Síria em geral.[54] Houve relatos de que os judeus ajudaram os persas a capturar algumas cidades e que eles tentaram abater os cristãos nestes locais, mas foram encontrados e frustrados. Estes relatórios são susceptíveis de ser grandemente exagerados e o resultado da história geral.[51]

Egito[editar | editar código-fonte]

Em 616 as forças de Sharbaraz invadiram o Egito, uma província que havia sido praticamente intocada pela guerra durante três séculos. O monofisistas que viviam no Egito estavam descontentes com a ortodoxia da Calcedônia e não estavam ansiosos para ajudar as forças imperiais bizantinas.[55] [56] No entanto, apesar de apoiados por Cosroes, eles não resistiram as forças imperiais entre 600 e 638, devido a muitos verem a ocupação persa em termos negativos.[57] [58] A resistência bizantina em Alexandria foi liderada por Nicetas. Após um certo de um ano, a resistência na cidade colapsou, supostamente após um traidor contar aos sitiadores acerca de um canal não utilizado, permitindo que eles invadissem a cidade. Nicetas fugiu para o Chipre junto com o patriarca João, o Clemente, que foi o primeiro defensor de Nicetas no Egito.[59] O destino de Nicetas é incerto, uma vez que desapareceu dos registros após isso, mas Heráclio foi presumivelmente privado de um comandante confiável.[60] A perda do Egito foi um duro golpe para o Império Bizantino, já que Constantinopla contava com o embarque dos grãos do fértil Egito para alimentar as multidões da capital. A provisão livre de grãos na cidade, que foi um eco da prática anteriormente adotada em Roma, foi abolida em 618.[61]

Após conquistar o Egito, Cosroes enviou a Heráclio a seguinte carta:

Cosroes, o maior dos deuses, e mestre da terra, para Heráclio, seu escravo vil e insensível. Por que você ainda recusa a submeter-se a nosso domínio, e chama a si mesmo de rei? Eu já não destruí os gregos? Você diz que acredita em seu Deus. Por que ele não retirou de minha mão Cesareia, Jerusalém e Alexandria? E não hei de também destruir Constantinopla? Mas eu perdoarei suas falhas, se você submeter-se a mim, e vir cá com sua esposa e filhos, e eu lhe darei terras, vinhas e oliveiras, e olharei para você com um aspecto amável. Não se engane com a vã esperança de que Cristo, que não foi capaz de salvar a si mesmo dos judeus, que o mataram, pregando-o na cruz. Mesmo se você se refugiar nas profundezas do mar, eu estenderei minha mão e levarei você, se você for ou não.
 
Cosroes II[62] [63] ,

Anatólia[editar | editar código-fonte]

Império Sassânida em 622. Os territórios representam as conquistas efetuadas ao longo da guerra.

As coisas começaram a parecer ainda mais sombrias para os bizantinos quando a Calcedônia caiu em 617 a Sain, tornando Constantinopla visível aos persas.[64] Sain cortesmente recebeu uma delegação de paz, mas afirmou que ele não tem autoridade para se envolver em negociações de paz, direcionando Heráclio para Cosroes, que rejeitou a oferta.[65] [66] As forças invasoras logo se retiraram, provavelmente para se concentrar em sua invasão do Egito,[67] [68] mas não sem antes manter sua vantagem capturando Ancira (Ancara), uma importante base militar na Anatólia central, em 620 ou 622. A base naval de Rodes pode ter caído em 622 ou 623, ameaçando um ataque naval em Constantinopla, embora este evento é difícil de confirmar.[69] [70] Tal era o desespero na capital bizantina que Heráclio pensou em mudar seu governo para Cartago na África.[61]

Ressurgimento bizantino[editar | editar código-fonte]

Reorganização[editar | editar código-fonte]

A carta de Cosroes não intimidou Heráclio, mas levou-o a tentar um ataque desesperado contra os persas.[64] Agora reorganizou o restante de seu império para permitir que suas que suas forças lutem. Já em 615 uma nova moeda leve (6,82 gramas) de prata aparece com a imagem usual de Heráclio e seu filho Heráclio Constantino, mas unicamente contêm a inscrição Deus adiuta Romanis (Deus pode ajudar os romanos"); Kaegi acredita que isso mostra o desespero do império neste tempo.[71] O follis de cobre também caiu em peso de 11 gramas para algo entre 8 e 9 gramas. Heráclio enfrentou receitas severamente diminuídas devido à perda de províncias; além disso, uma praga irrompeu em 619, o que prejudicou ainda mais a base tributária e também aumentou o temor da retribuição divina.[72] O aviltamento da cunhagem permitiu que os bizantino mantivessem em despesas em face da queda nas receitas.[71]

Heráclio agora reduziu pela metade o pagamento de oficiais, aplicou uma tributação acrescida, empréstimos forçados e ampliou as multas extremas em funcionários corruptos, a fim de financiar sua contra-ofensiva.[73] Apesar de divergências sobre o casamento incestuoso de Heráclio com sua sobrinha Martina, o clero do Império Bizantino fortemente apoiou seus esforços contra os persas, proclamando o dever de todos os cristãos para lutar e oferecer como empréstimo de guerra todo os objetos banhado em ouro e prata de Constantinopla. Metais preciosos e bronze foram retirados de monumentos e até da Santa Sofia.[74] Esta campanha militar tem sido vista por muitos historiadores como a primeira "cruzada", ou ao menos como um antecedente das cruzadas, começada por Guilherme de Tiro,[63] [75] [76] embora alguns, como Kaegi, desacordam deste apelido porque a religião foi apenas um componente da guerra.[77] Milhares de voluntários foram reunidos e equipados com dinheiro da Igreja. O próprio Heráclio decidiu comandar o exército nas linhas de frente. Assim, as tropas bizantinas tinham sido reabastecidas, re-equipadas, e agora lideradas por um general competente, mantendo um tesouro cheio.[64]

O historiador George Ostrogorsky acreditava que voluntários foram coletados por meio da reorganização da Anatólia em quatro tema, onde os voluntários receberam doações inalienáveis de terra na condição de serviço militar hereditário.[78] No entanto, os estudiosos modernos geralmente desacreditam essa teoria, colocando a criação dos temas posteriormente, sob o sucessor de Heráclio, Constante II.[79] [80]

Contra-ofensiva bizantina[editar | editar código-fonte]

Por 622, Heráclio estava pronto para montar uma contra-ofensiva. Ele deixou Constantinopla no dia da celebração da Páscoa no domingo, em 4 de abril de 622.[81] Seu jovem filho, Heráclio Constantino, foi deixado para trás como regente sob o comando do patriarca Sérgio e do patrício Bono. Ele gastou o verão treinando para melhorar as habilidades de seus homens e seu próprio generalato. No outono ameaçou as comunicações persas do vale do Eufrates para a Anatólia, marchando para a Capadócia.[73] Isto obrigou as forças persas da Anatólia sob Sharbaraz recuarem da Bitínia e Galácia para a Anatólia oriental a fim de bloquear seu acesso a Pérsia.[82]

Bálcãs entre 582-612.

O que se seguiu não é totalmente claro, mas Heráclio certamento ganhou uma vitória esmagadora sobre Sharbaraz no inverno de 622.[83] O fator-chave desta vitória foi o fato de ter descoberto as forças persas escondidas e respondido fingindo que iria se retirar durante a batalha. Os persas, então, deixaram sua cobertura para perseguir os bizantinos onde, juntamento com a elite dos Optimates, Heráclio lançou um ataque que os obrigou a fugir.[82] Assim, ele salvou Constantinopla. Mantendo suas armas alojadas no Ponto durante o inverno, o imperador retornou para Constantinopla devido a ameaça dos ávaros nos Bálcãs.[73] [84]

Ameaça ávara[editar | editar código-fonte]

Enquanto os bizantino estavam ocupados com os persas, os ávaros e eslavos invadiram os Bálcãs, capturando várias cidades bizantinas, incluindo Singiduno, Viminácio, Naisso, Serdica, enquanto destruíram Salona em 614. Isidoro de Sevilha afirma que os eslavos tomaram a "Grécia" dos bizantinos. Os ávaros também começaram a invadir a Trácia, ameaçando o comércio e a agricultura, mesmo próximo dos portões de Constantinopla.[85] Contudo, inúmeras tentativas por parte dos invasores para tomar Tessalônica, a cidade bizantina mais importante dos Bálcãs depois de Constantinopla, terminaram em fracasso, permitindo ao império agarrar um reduto vital da região.[86] Outras cidades menores da costa adriática como Jadar (Zadar), Tragúrio (Trogir), Bútua (Budva), Scodra (Shkodër) e Lisso (Lezhë) também sobreviveram as invasões.[87]

Por causa da necessidade de defender contra essas incursões, os bizantinos não podiam se dar ao luxo de usas todas as suas forças contra os persas. Heráclio enviou um emissário ao khagan ávaro, deixando que os bizantinos pagariam um tributo em troca de eles se retirarem ao norte do Danúbio.[64] O khagan respondeu pedindo uma reunião em 5 de junho de 623, em Heracleia (Marmara Ereğlisi) na Trácia, onde os exércitos ávaros estavam situados; Heráclio concordou com esta reunião, indo com sua corte imperial.[88] O khagan, contudo, colocou cavaleiros na rota de Heracleia para emboscar e capturar o imperador, para que então pudessem pedir resgate.[89] Todavia, Heráclio foi informado a tempo e conseguiu fugir, perseguido pelos cavaleiros inimigos durante todo o percurso para Constantinopla. Muitos membros da corte imperial, assim como supostos 70.000 camponeses da Trácia que teriam vindo ver seu imperador, foram capturados e/ou mortos.[90] Apesar desta traição, o Império Bizantino foi forçado a dar a eles um subsídio de 200.000 solidi junto com o Estêvão (sobrinho de Heráclio), o filho ilegítimo de João Atalarico, e o filho ilegítimo de Bono como reféns em troca da paz. Isto deixou o império capaz de concentrar seus esforços de guerra completamente nos persas.[89] [91]

Assalto bizantino na Pérsia[editar | editar código-fonte]

Heráclio ofereceu paz a Cosroes, presumivelmente em 624, ameaçando de outra forma invadir a Pérsia, mas este rejeitou a oferta. Em 25 de março de 624 o imperador bizantino deixou Constantinopla para atacar o coração persa. Ele voluntariamente abandonou qualquer tentativa de assegurar sua retaguarda ou suas comunicações com o mar,[92] marchando pela Armênia e Azerbaijão para assaltar as principais terras diretamente persas.[73] De acordo com Walter Kaegi, Heráclio liderou um exército de não mais que 40.000, e mais provavelmente entre 20.000-24.000. Antes de viajar ao Cáucaso, recuperou Cesareia em desafio da carta que Cosroes tinha enviado a ele.[93]

Heráclio avançou ao logo do rio Arax, destruindo Dvin, a capital da Armênia, e Naquichevão. Em Ganzaca encontrou o exército de Cosroes que possuía uma força de ca. 40.000. Usando árabes leais, capturou e matou alguns guardas de Cosroes, levando a desintegração do exército persa. Heráclio então destruiu o templo de fogo de Takht-e Sulaiman, um importante santuário do zoroastrismo.[e] As invasões dos bizantinos foram tão longe quanto Gaichawan, a residência do imperador persa em Atropatene.[94]

Campanhas de Heráclio em 624, 625 e 627-628 através da Armênia, Anatólia e Mesopotâmia.

Heráclio invernou na Albânia caucásica, reunindo forças para o ano seguinte.[95] Cosroes não estava contente em deixar Heráclio descansar tranquilamente na Albânia. Ele enviou três exércitos, comandados por Sharbaraz, Sain e Sarablangas, para tentar interceptar e destruir as forças bizantinas. Sarablangas retomou terras tão longo quanto Siunique, objetivando capturar as passagens das montanhas. Sharbaraz foi enviado para bloquear o retiro de Heráclio através da Ibéria, e Sain foi enviado para bloquear a passagem Bitlis. Planejando envolver os exércitos persas em combate separadamente, o imperador bizantino falou para seus aliados e soldados em Lázica, Abecásia e Ibéria "Não deixem que o número de nossos inimigos nos perturbe. Pois, se Deus quiser, um perseguirá dez mil."[96]

Dois soldados que fingiram desertar foram enviados para Sharbaraz, alegando que os bizantinos estavam fugindo ante Sain. Devido ao ciúme entre os comandantes persas, Sharbaraz correu com seu exército para tomar tomar parte na glória da vitória. Heráclio os encontrou em Tigranocerta e derrotou as forças de Sarablangas e Sain uma após a outra. Sain perdeu seu trem de bagarem, e Sarablangas (de acordo com as fontes) foi morte, embora ele reapareceu posteriormente.[96] Após esta vitória Heráclio cruzou Arax e acampou nas planícies do outro lado. Sain, com o resto de seus exércitos e dos de Sarablangas, juntou-se com Sharbaraz na busca por Heráclio, mas os pântanos os desacelerou.[97] Em Aliovit, Sharbaraz dividiu suas forças e enviou cerca de 6000 soldados para emboscas Heráclio, enquanto o restante de suas tropas hospedaram-se em Aliovit. Heráclio lançou um ataque surpresa noturno no principal acampamento persa em fevereiro de 625, destruindo-o. Sharbaraz escapou por pouco, nu e sozinho, tendo perdido seu harém, bagagem e homens.[98]

Heráclio passou o resto do inverno ao norte do lago Van.[98] Em 625, suas forças tentaram empurrar seus inimigos através do Eufrates. Em apenas sete dias, evitou o monte Ararate e os 320 quilômetros[f] ao logo do rio Arsanias para capturar Amida e Martirópolis, importantes fortalezas do Tigre superior.[73] [99] Heráclio então marchou em direção ao Eufrates, perseguido por Sharbaraz. Segundo fontes árabes, ele foi parado em Satidama ou no rio Batman e derrotado; fontes bizantinas, contudo, não mencionam este incidente.[100] Houve, então, outra pequena escaramuçada entre Heráclio e Sharbaraz no rio Saro, próximo de Adana.[101] Sharbaraz estacionou suas forças através do rio dos bizantinos. Uma ponte o atravessava o rio, e os bizantinos imediatamente a atravessaram. Sharbaraz fingiu se retirar para levar os bizantinos a uma emboscada, e a vanguarda do exército e Heráclio foi destruída em poucos minutos. Os persas, contudo, tinham se esquecido de cobrir a ponte, e Heráclio atravessou com a retaguarda, sem medo das flechas que os persas disparavam, transformando a maré da batalha contra eles. Sharbaraz expressou sua admiração por Heráclio para um renegado grego "Veja seu imperador! Ele teme essas flechas e lanças não mais do que seria uma bigorna!". A batalha de Saro foi uma retirada bem sucedida para os bizantinos que os panegíricos enalteceram.[101] No recalco da batalha, o exército bizantino invernou em Trebizonda.[102]

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^  Todas as datas, especialmente entre 602-620, são apenas aproximadas. Isso ocorre principalmente porque muitas fontes populares como as crônicas de Teófanes, o Confessor são todas desenhadas a partir de uma fonte comum, que se acredita ser uma história de Teófilo de Edessa. Assim, há poucos testemunhos independentes dos eventos seguintes, tornando a datação confiável difícil.[103]
[b] ^  A guerra havia começado originalmente quando Justino II recusou-se a pagar aos sassânidas o usual tributo que data da época de Justiniano I. A conclusão bem-sucedida da guerra fez com que o tributo não fosse mais pago.[104]
[c] ^  Alguns autores, incluindo Dodgeon, Greatrex e Lieu tem expressado a crença de que o raide em Calcedônia é fictício.[41] De qualquer maneira, por 610, os persas capturaram todas as cidades bizantinas do leste do Eufrates.
[d] ^  Desde o tempo de Teodósio I, nenhum imperador romano tinham pessoalmente liderado tropas em batalha, sendo Heráclio o primeiro imperador-soldado desde então.
[e] ^  Tebarmes, descrito na crônica de Teófanes, o Confessor, é usualmente identificada como Takht-i-Suleiman.[105]
[f] ^  Na versão anglófona do artigo o valor é dado em milhas (200 milhas).

Referências

  1. a b Norwich 1998, p. 87
  2. Oman 1893, p. 151
  3. Dodgeon 2002, p. 174
  4. Dodgeon 2002, p. 175
  5. Oman 1893, p. 152
  6. Norwich 1998, p. 86
  7. Oman 1893, p. 149
  8. Treadgold 1998, p. 205
  9. Treadgold 1998, p. 205-206
  10. Luttwak 2009, p. 401
  11. Oman 1893, p. 153
  12. Treadgold 1997, p. 235
  13. Oman 1893, p. 154
  14. Norwich 1998, p. 88
  15. Ostrogorsky 1969, p. 83
  16. Dodgeon 2002, p. 183-184
  17. a b Oman 1893, p. 155
  18. Foss 1975, p. 722
  19. Norwich 1998, p. 89
  20. Dodgeon 2002, p. 184
  21. a b c Kaegi 2003, p. 39
  22. a b Kaegi 2003, p. 37
  23. Kaegi 2003, p. 41
  24. Kaegi 2003, p. 55
  25. Dodgeon 2002, p. 187
  26. a b Oman 1893, p. 156
  27. a b Kaegi 2003, p. 53
  28. Kaegi 2003, p. 87
  29. Dodgeon 2002, p. 194
  30. Martindale 1992, p. 942
  31. Kaegi 2003, p. 49
  32. a b Norwich 1998, p. 90
  33. Kaegi 2003, p. 52
  34. Kaegi 2003, p. 54
  35. Kaegi 2003, p. 60
  36. Kaegi 2003, p. 63
  37. Kaegi 2003, p. 64
  38. a b Kaegi 2003, p. 65
  39. a b Kaegi 2003, p. 67
  40. Brown 2002, p. 176
  41. a b c Dodgeon 2002, p. 186
  42. Kaegi 2003, p. 67-68
  43. Dodgeon 2002, p. 185
  44. Kaegi 2003, p. 68
  45. a b Dodgeon 2002, p. 188
  46. Kaegi 2003, p. 69
  47. Kaegi 2003, p. 71
  48. a b Kaegi 2003, p. 75
  49. Kaegi 2003, p. 74
  50. Kaegi 2003, p. 76-77
  51. a b c Kaegi 2003, p. 77
  52. a b Kaegi 2003, p. 78
  53. Ostrogorsky 1969, p. 95
  54. Kaegi 2003, p. 80
  55. Oman 1893, p. 206
  56. Fouracre 2006, p. 296
  57. Kaegi 2003, p. 30
  58. Reinink 2002, p. 235
  59. Kaegi 2003, p. 91
  60. Kaegi 2003, p. 92
  61. a b Kaegi 2003, p. 88
  62. Oman 1893, p. 206-207
  63. a b Davies 1998, p. 245
  64. a b c d Oman 1893, p. 207
  65. Kaegi 2003, p. 84
  66. Kaegi 2003, p. 85
  67. Foss 1975, p. 724
  68. Luttwak 2009, p. 398
  69. Foss 1975, p. 725
  70. Kaegi 2003, p. 111
  71. a b Kaegi 2003, p. 90
  72. Kaegi 2003, p. 105
  73. a b c d e Norwich 1998, p. 91
  74. Kaegi 2003, p. 110
  75. Chrysostomides 2003, p. 219
  76. Runciman 2005, p. 5
  77. Kaegi 2003, p. 126
  78. Ostrogorsky 1969, p. 95-98; 101
  79. Treadgold 1997, p. 316
  80. Haldon 1997, p. 211-217
  81. Kaegi 2003, p. 112
  82. a b Kaegi 2003, p. 115
  83. Kaegi 2003, p. 114
  84. Kaegi 2003, p. 116
  85. Kaegi 2003, p. 95
  86. Ostrogorsky 1969, p. 93
  87. Ostrogorsky 1969, p. 94
  88. Kaegi 2003, p. 118
  89. a b Oman 1893, p. 208
  90. Kaegi 2003, p. 119
  91. Kaegi 2003, p. 120
  92. Kaegi 2003, p. 122
  93. Kaegi 2003, p. 125
  94. Kaegi 2003, p. 127
  95. Kaegi 2003, p. 128
  96. a b Kaegi 2003, p. 129
  97. Dodgeon 2002, p. 204
  98. a b Kaegi 2003, p. 130
  99. Oman 1893, p. 210
  100. Kaegi 2003, p. 131
  101. a b Kaegi 2003, p. 132
  102. Norwich 1998, p. 92
  103. Dodgeon 2002, p. 182-183
  104. Ostrogorsky 1969, p. 79-80
  105. Dodgeon 2002, p. 200

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Brown, Phyllis Rugg; Laurie J. Churchill; Jane E. Jeffrey. Women Writing Latin: Women writing in Latin in Roman antiquity, late antiquity, and early modern Christian era. [S.l.]: Taylor & Francis US, 2002. ISBN 0-415-94183-0
  • Chrysostomides, J.; Charalambos Dendrinos; Judith Herrin. Porphyrogenita. [S.l.]: Ashgate Publishing, 2003. ISBN 0-7546-3696-8
  • Davies, Norman. Europe: a history. [S.l.]: HarperCollins, 1998. ISBN 0060974680
  • Dodgeon, Michael H.; Geoffrey Greatrex; Samuel N. C. Lieu. The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363-630 AD). [S.l.]: Routledge, 2002. ISBN 0-415-00342-3
  • Foss, Clive. (1975). "The Persians in Asia Minor and the End of Antiquity". The English Historical Review 90. Oxford University Press. DOI:10.1093/ehr/XC.CCCLVII.721.
  • Fouracre, Paul. The New Cambridge Medieval History: c. 500-c. 700. [S.l.]: Cambridge University Press, 2006. ISBN 0-521-36291-1
  • Haldon, John. Byzantium in the Seventh Century: the Transformation of a Culture. [S.l.]: Cambridge University Press, 1997. ISBN 0-521-31917-X
  • Martindale, John R.; A. H. M Jones. The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. [S.l.]: Cambridge University Press, 1992. ISBN 0-521-20160-8
  • Reinink, Bernard H.; Geoffrey Stolte; Rijksuniversiteit te Groningen. The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363-630 AD). [S.l.]: Peeters Publishers, 2002. ISBN 90-429-1228-6
  • Runciman, Steven. The First Crusade. [S.l.]: Cambridge University Press, 2005. ISBN 0-521-61148-2
  • Treadgold, Warren T.. A History of the Byzantine State and Society. [S.l.]: Stanford University Press, 1997. ISBN 0-8047-2630-2
  • Treadgold, Warren T.. Byzantium and Its Army, 284-1081. [S.l.]: Stanford University Press, 1998. ISBN 0-8047-3163-2