Jerónimo Corte-Real

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Estátua de Jerónimo Corte-Real na base do Monumento a Camões, Lisboa

Jerónimo Corte-Real (Lisboa?, 1530? – Évora, 1588), foi um poeta português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sabemos pouco da vida de Jerónimo Corte-Real. Terá nascido em Lisboa, outros advogam que tenha nascido na Ilha Terceira, Açores, por volta de 1530, no seio de uma família nobre, descobridores e colonizadores da Terra Nova (Canadá), os Corte-Real.

Segundo Sousa Viterbo, Jerónimo Corte-Real serviu como militar na Índia e em Marrocos, tendo, já com avançada idade, sido feito prisioneiro em Alcácer Quibir. Regressou a Portugal e retirou-se para a sua Quinta de Vale de Palma, nas proximidades de Évora.

Faleceu nesta cidade em 1588.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Sucesso do Segundo Cerco de Diu, estando D. João de Mascarenhas por capitão da fortaleza (Lisboa, 1574), que o celebrizou, uma composição em 21 Cantos dedicada a D. Sebastião. O poema enaltece os feitos militares de D. João de Mascarenhas no cerco que a cidade de Diu sofreu em 1546.
  • Naufrágio e Lastimoso Sucesso da Perdição de Manuel de Sousa Sepúlveda e Dona Leonor De Sá Sua Mulher (Lisboa, 1594), poema em 17 cantos que narra a viagem e o trágico fim de Manuel de Sousa Sepúlveda, esposa e filhos, nas terras dos cafres (em Moçambique).
  • Austríaca ou Felicissima Victoria Concedida del Cielo al Señor D. Juan de Austria en el golfo de Lepanto de la Poderosa Armada Otomana en el Año de Nuestra Salvación de 1572 (Lisboa, 1578), poema que celebra a vitória de D. João de Áustria sobre os turcos otomanos na Batalha de Lepanto, escrito em castelhano;
  • Auto dos Quatro Novíssimos do Homem, no Qual Entra também uma Meditação das Penas do Purgatório (Lisboa, 1768).

Os poemas são na sua quase totalidade em decassílabos soltos, ao gosto da poesia épica. O autor reflecte nestes poemas a decadência do império português nos finais do século XVI.

Corte Real cultivou também a música e a pintura, ilustrando ele mesmo os seus poemas.

Há um quadro de Corte-Real na igreja de Santo Antão, em Évora.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Vista do Monumento a Camões em Lisboa e da sua base

No Monumento a Camões inaugurado em Junho de 1867 em Lisboa, da autoria do escultor Victor Bastos, destaca-se a figura do poeta com quatro metros esculpida em bronze, que assenta sobre um pedestal oitavado, rodeado por oito estátuas com 2,40 metros de altura. Representam vultos notáveis da cultura e das letras dos Séculos XV e XVI: o historiador e cronista Fernão Lopes, o cosmógrafo Pedro Nunes, o cronista Gomes Eanes de Azurara, os historiadores João de Barros e Fernão Lopes de Castanheda e os poetas Vasco Mouzinho de Quevedo, Jerónimo Corte-Real e Francisco de Sá de Meneses.

Notas e referências

  • Frazão, Fernanda; Boavida, Maria Filomena: Pequeno Dicionário de Autores de Língua Portuguesa, 1983. Ed. Amigos do Livro
  • Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, I vol.; coord. José Costa Pereira; Ed. Publicações Alfa. ISBN 972-609-028-8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • O Naufrágio de Sepúlveda, na narrativa romântica do brasileiro Pereira da Silva [1] visto em 7 de Maio de 2009
  • Auto dos Quatro Novíssimos do Homem, por Luís Farinha [2] visto em 7 de Maio de 2009
  • Jerónimo Corte-Real, na Wiki-en Jerônimo Corte-Real visto em 7 de Maio de 2009
  • Corte-Real, a Evolução da sua Arte, por Hélio J. S. Alves [3] visto em 7 de Maio de 2009