João Carlos de Oliveira

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João Carlos de Oliveira
João do Pulo quebrando o recorde mundial do salto triplo nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, em 1975.
Athletics pictogram.svg Atletismo
Apelido 'João do Pulo'
Modalidade salto triplo e salto em distância
Nascimento 28 de maio de 1954
Pindamonhangaba,  São Paulo
Nacionalidade Brasil brasileiro
Falecimento 29 de maio de 1999 (45 anos)
São Paulo,  São Paulo
Compleição Peso: 76 kg Altura: 1,86 m
Clube EC Pinheiros
Medalhas
Jogos Olímpicos
Bronze Montreal 1976 Salto Triplo
Bronze Moscou 1980 Salto Triplo
Jogos Pan-Americanos
Ouro Cidade do México 1975 Salto Triplo
Ouro Cidade do México 1975 salto em distância
Ouro San Juan 1979 Salto Triplo
Ouro San Juan 1979 salto em distância

João Carlos de Oliveira, conhecido como João do Pulo, (Pindamonhangaba, 28 de maio de 1954São Paulo, 29 de maio de 1999) foi um atleta saltador, militar e político brasileiro, ex-recordista mundial do salto triplo.[1] [2] [3]

Órfão de mãe, começou a trabalhar aos sete anos de idade, como lavador de carros. Em 1973, treinado pelo então professor da USP Pedro Henrique de Toledo, o Pedrão, quebrou o recorde mundial junior de salto triplo no Campeonato Sul-Americano de Atletismo com a marca de 14,75 m. Em 1975, já como atleta adulto nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, o cabo do Exército Brasileiro conquistou a medalha de ouro no salto em distância com a marca de 8,19 m e, em 15 de outubro, também a medalha de ouro no salto triplo, com a incrível marca de 17,89 m, quebrando o recorde mundial desta modalidade em 45 cm, e que pertencia ao soviético Viktor Saneyev.[1] [2] [3]

Era o favorito à medalha de ouro no salto triplo nos Olimpíada de Montreal mas, convalescendo de uma cirurgia na barriga, saltou apenas 16,90 m e foi superado pelo soviético Viktor Saneyev (17,29 m) e pelo norte-americano James Butts (17,18 m), ficando com a medalha de bronze. De quebra, foi quarto colocado no salto em distância. Nos Jogos Pan-americanos de Porto Rico, João tornou-se bicampeão tanto do salto triplo como do salto em distância. Neste último, derrotou ninguém menos que o futuro tetracampeão olímpico da prova, Carl Lewis.

Em 1980, novamente favorito a vencer o salto triplo na Olimpíada de Moscou, ficou uma vez mais com a medalha de bronze (17,22 m), superado respectivamente pelos soviéticos Jaak Uudmae (17,35 m) e Viktor Saneyev (17,24 m). Os árbitros da prova anularam 3 de suas 6 tentativas, incluindo uma em que teria ultrapassado a marca de 18 metros, o que lhe daria não apenas a medalha de ouro, mas também um novo recorde mundial e olímpico. Passadas três décadas da competição, suspeitas de favorecimento da organização da prova aos atletas da casa continuam a ecoar em órgãos de imprensa esportiva em todo o planeta.[1] [2] [3]

Em contraponto à falta de sorte em Olimpíadas, João do Pulo foi tricampeão mundial do salto triplo em 1977 (em Düsseldorf, na Alemanha), 79 (em Montreal) e 81 (em Roma, com 17,37 m, vencendo Jaak Uudmae e o futuro recordista mundial Willie Banks). Porta-bandeira do Brasil no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos em Montreal-76 e em Moscou-80, João foi o principal ídolo do esporte dito amador brasileiro entre 1975 e 1981.

Acidente e Morte[editar | editar código-fonte]

João Carlos de Oliveira teve a carreira de atleta brutalmente interrompida em 22 de dezembro de 1981, quando sofreu um grave acidente automobilístico na Via Anhanguera, no sentido Campinas-São Paulo. Após quase um ano de internação na UTI, sua perna direita teve de ser amputada, no que significou o encerramento de sua carreira de atleta. Nos seguintes, estudou Educação Física e entrou na vida política, tendo sido eleito deputado estadual em São Paulo pelo Partido da Frente Liberal, em 1986, e reeleito em 1990. Não conseguiu se reeleger em 1994 e 1998.

João do Pulo morreu em 1999 devido a cirrose hepática e infecção generalizada. Abandonado por parentes e amigos que se refestelavam às suas custas nos tempos de glória, passou os últimos anos de vida solitário, sofrendo de depressão, alcoolismo e com problemas financeiros—chegou a ser preso por não pagar pensão alimentícia a um de seus dois filhos. Sua única fonte de renda era o soldo de segundo tenente reformado do Exército, instituição que sempre reconheceu seus feitos pelo esporte nacional e o homenageou em vida em diversas ocasiões.

Seu recorde mundial somente foi batido quase dez anos depois, pelo norte-americano Willie Banks, com 17,90 m, em Indianápolis, em 16 de junho de 1985. Seu recorde brasileiro e sul-americano só foi batido mais de vinte e um anos depois, por Jadel Gregório, com 17,90 m, em Belém, no dia 20 de maio de 2007 (que coincidentemente também foi atleta do antigo técnico de João do Pulo, Pedrão). Eleito pela Federação Mundial de Atletismo como o 4.º maior triplista da história, João também teve seu nome marcado na MPB: foi homenageado pelos compositores Aldir Blanc e João Bosco com a canção "João do Pulo".

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências