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John Cassavetes

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
John Cassavetes
Nascimento9 de dezembro de 1929
Nova Iorque
Morte3 de fevereiro de 1989 (59 anos)
Los Angeles
SepultamentoPierce Brothers Westwood Village Memorial Park and Mortuary
Nacionalidadenorte-americano
CidadaniaEstados Unidos
Estatura1.70
Progenitores
  • Katherine Cassavetes
CônjugeGena Rowlands (1954 - 1989)
Filho(a)(s)Nick
Alexandra
Zoe
Alma mater
  • Universidade Colgate
  • Academia Americana de Artes Dramáticas
  • Academia Blair
  • Paul D. Schreiber Senior High School
OcupaçãoCineasta, ator, roteirista, produtor
Causa da mortecirrose hepática

John Nicholas Cassavetes[nota 1] (Nova Iorque, 9 de dezembro de 1929 – Los Angeles, 3 de fevereiro de 1989) foi um cineasta e ator estadunidense. Iniciou a carreira como ator no cinema e na televisão antes de se tornar um pioneiro do cinema independente moderno nos Estados Unidos, atuando frequentemente como roteirista, diretor, produtor e distribuidor de seus próprios filmes.[2] Recebeu indicações a três Oscares, dois BAFTA, quatro Globo de Ouro e um Emmy.

Após estudar na American Academy of Dramatic Arts, Cassavetes começou a carreira atuando em séries de televisão. Entre 1959 e 1960, interpretou o papel-título na série policial Johnny Staccato, da NBC. Atuou em filmes notáveis como o noir Um Homem Tem Três Metros de Altura (1957), de Martin Ritt; o filme de guerra Os Doze Condenados (1967), de Robert Aldrich; o filme de terror O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski; e o drama policial Mikey e Nicky (1976), de Elaine May. Por Os Doze Condenados, foi indicado ao Óscar de melhor ator coadjuvante.[3][4]

Como diretor, Cassavetes ficou conhecido por uma série de dramas independentes aclamados pela crítica, como Sombras (1959), Faces (1968), Os Maridos (1970), Uma Mulher Sob Influência (1974), Noite de Estreia (1977) e Amantes (1984).[5] Seus filmes empregavam uma abordagem centrada no ator, priorizando relações humanas brutas e "pequenos sentimentos", enquanto rejeitavam a narrativa hollywoodiana tradicional, o método de atuação e o estilização excessiva. Suas obras são associadas a uma estética de improvisação e a uma sensação de cinema verdade.[nota 2] Recebeu indicações ao Óscar de Melhor Roteiro Original (por Faces) e de Melhor Diretor (por Uma Mulher Sob Influência).

Colaborou frequentemente com a atriz americana Gena Rowlands (com quem foi casado de 1954 até sua morte, em 1989) e com os amigos Peter Falk, Ben Gazzara e Seymour Cassel. Muitos de seus filmes foram rodados e editados na própria casa do casal, em Los Angeles. Cassavetes e Rowlands tiveram um filho, Nick, e duas filhas, Alexandra e Zoe, todos seguiram carreira como atores e cineastas.

Primeiros anos e educação

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John Nicholas Cassavetes nasceu em Nova Iorque em 9 de dezembro de 1929, filho da atriz Katherine Demetriou e do imigrante grego Nicholas John Cassavetes. Passou os primeiros anos de vida na Grécia com a família; ao retornar a Nova Iorque aos sete anos, não falava inglês.[7] Foi criado em Long Island, onde estudou na Paul D. Schreiber Senior High School de 1945 a 1947, participando do jornal escolar, de peças teatrais, do time de futebol americano e do anuário.

Estudou na Blair Academy, em Nova Jérsia, e depois passou um semestre no Champlain College, em Burlington, Vermont, de onde foi expulso devido às notas baixas.[nota 3][10] Após viajar de carona para a Flórida, transferiu-se para a American Academy of Dramatic Arts, incentivado por amigos que lhe disseram que a escola estava "cheia de garotas".[11] Formou-se em 1950 e conheceu sua futura esposa, Gena Rowlands, durante a audição dela para ingressar na Academia, em 1953.[12] Casaram-se quatro meses depois, em 1954.[13] Cassavetes continuou atuando no teatro, fez pequenos papéis no cinema e começou a trabalhar na televisão, em séries antológicas como Alcoa Theatre.

Oficina de atuação

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Em 1956, Cassavetes começou a ensinar uma alternativa ao método de atuação em sua própria oficina — fundada com o amigo Burt Lane em Nova Iorque — na qual a performance era baseada na criação do personagem, e não na história prévia ou nas exigências narrativas.[14] Cassavetes desprezava especialmente o Actors Studio de Lee Strasberg, e a abordagem Cassavetes-Lane defendia que a atuação deveria ser uma expressão de alegria criativa, e não a “angústia sombria e melancólica” associada ao ensino de Strasberg.[14]

Pouco depois de abrir a oficina, Cassavetes foi convidado para uma audição no Actors Studio. Ele e Lane pregaram uma peça: fingiram apresentar uma cena de uma produção teatral recente, mas na verdade improvisaram uma performance no local, enganando um impressionado Strasberg.[14] Cassavetes então inventou uma história sobre seus problemas financeiros, levando Strasberg a oferecer-lhe uma bolsa integral para o Studio; Cassavetes recusou imediatamente, achando que Strasberg não sabia nada sobre atuação se havia sido enganado tão facilmente pelas duas artimanhas.[14]

Um exercício de improvisação na oficina inspirou a ideia de sua estreia como roteirista e diretor, Sombras (1959; primeira versão 1957). Cassavetes arrecadou os fundos para a produção com amigos, familiares e ouvintes do programa de rádio Night People, de Jean Shepherd. Seu objetivo declarado era fazer um filme sobre “pessoas comuns” de renda modesta, diferindo das produções dos estúdios de Hollywood, que focavam em histórias sobre ricos. Cassavetes não conseguiu distribuição americana para Shadows, mas o filme ganhou o Prêmio da Crítica no Festival de Veneza. Distribuidores europeus posteriormente lançaram o filme nos Estados Unidos como uma importação. Embora a bilheteria de Shadows nos EUA tenha sido modesta, o filme chamou a atenção dos estúdios hollywoodianos.

Televisão e trabalhos como ator

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Cassavetes no trailer de Edge of the City (1957)

Cassavetes interpretou pequenos papéis em filmes B e seriados de televisão até ganhar notoriedade em 1955 como um assassino cruel em The Night Holds Terror e como um delinquente juvenil no drama televisivo ao vivo Crime in the Streets. Repetiu essa atuação creditado como protagonista “em estreia” na versão cinematográfica de 1956, que também incluía outro futuro diretor, Mark Rydell, como seu companheiro de gangue. Seu primeiro papel principal em um longa-metragem foi Edge of the City (1957), ao lado de Sidney Poitier. Teve um breve contrato com a Metro-Goldwyn-Mayer e coestrelou com Robert Taylor o faroeste Saddle the Wind, escrito por Rod Serling. No final dos anos 1950, participou do inovador drama policial de Beverly Garland, Decoy, sobre uma detetive policial disfarçada de Nova Iorque. Posteriormente, interpretou Johnny Staccato, o personagem-título de uma série de televisão sobre um pianista de jazz que também trabalha como detetive particular. No total, dirigiu cinco episódios da série, que também contou com uma participação especial de sua esposa, Gena Rowlands. A série foi exibida pela NBC entre setembro de 1959 e março de 1960, e depois adquirida pela ABC; embora aclamada pela crítica, foi cancelada em setembro de 1960. Cassavetes também apareceu no programa de entrevistas da NBC Here's Hollywood.

Década de 1960

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Em 1961, Cassavetes assinou um contrato de sete anos com a Paramount.[15] Dirigiu dois filmes para Hollywood no início dos anos 1960: A Canção da Esperança (1961) e Minha Esperança É Você (1963), com Burt Lancaster e Judy Garland. Estrelou o episódio Incident Near Gloomy River (1961) da série faroeste Rawhide, da CBS. Na temporada 1963–1964, atuou no drama médico sobre psiquiatria Breaking Point, da ABC. Em 1964, coestrelou novamente com sua esposa, desta vez em um episódio da série antológica The Alfred Hitchcock Hour, e em 1965 apareceu na série faroeste The Legend of Jesse James, da ABC. No mesmo ano, também participou da série da Segunda Guerra Mundial Combat!, no episódio "S.I.W.", e interpretou o cientista nuclear insano Everett Lang em Voyage to the Bottom of the Sea, temporada 2, episódio "The Peacemaker".

Com o pagamento por seu trabalho na televisão, além de alguns papéis no cinema, conseguiu se mudar para a Califórnia e fazer seus filmes subsequentes de forma independente de qualquer estúdio, como havia feito com Shadows. Entre os filmes em que atuou com essa intenção estão The Killers (1964), de Don Siegel; o filme de gangues de motociclistas Devil's Angels (1967); Os Doze Condenados (1967), pelo qual foi indicado ao Óscar de melhor ator coadjuvante; o protagonista Guy Woodhouse (originalmente destinado a Robert Redford) em O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski; e The Fury (1978), de Brian De Palma. Cassavetes interpretou o assassino em um episódio de 1972 da série policial Columbo, intitulado "Étude in Black". Cassavetes e o astro da série, Peter Falk, já haviam estrelado juntos o thriller de ação Machine Gun McCain (1969). Os dois mais tarde estrelaram o filme de Elaine May Mikey and Nicky (1976).

Faces (1968) foi o segundo filme a ser dirigido e financiado independentemente por Cassavetes. O filme estrelava sua esposa Gena Rowlands — com quem se casara durante seus dias de ator em ascensão —, John Marley, Seymour Cassel e Val Avery, além de vários atores estreantes, como a atriz principal Lynn Carlin, e figuras marginais da indústria, como Vince Barbi. O filme retrata a lenta desintegração de um casamento contemporâneo. A produção supostamente levou três anos para ser concluída e foi feita principalmente na casa de Cassavetes. Faces foi indicado a três Oscares: Melhor Roteiro Original,[16] Melhor Ator Coadjuvante[17] e Melhor Atriz Coadjuvante.[18] Naquela época, Cassavetes formou a "Faces International" como uma empresa distribuidora para lidar com todos os seus filmes.

Década de 1970

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Em 1970, Cassavetes dirigiu e atuou em Os Maridos, com os atores Peter Falk e Ben Gazzara. Eles interpretam um trio de homens casados que saem em uma farra em Nova Iorque e Londres após o funeral de um de seus melhores amigos.[19] Cassavetes afirmou que este era um filme pessoal para ele; seu irmão mais velho havia morrido aos 30 anos.[20]

Assim Falou o Amor (1971), sobre dois amantes improváveis, contou com Rowlands e Cassel. Uma Mulher Sob Influência (1974) estrela Rowlands como uma dona de casa cada vez mais perturbada. Rowlands recebeu uma indicação ao Óscar de Melhor Atriz, enquanto Cassavetes foi indicado a Melhor Diretor.[21] Em A Morte de um Bookmaker Chinês (1976), Gazzara interpreta o dono de uma casa de striptease com um hábito de jogo incontrolável, pressionado por mafiosos a cometer um assassinato para pagar sua dívida.

Em Noite de Estreia (1977), Rowlands atua como protagonista ao lado de Cassavetes; o filme também estrela Gazzara e Joan Blondell. Rowlands interpreta uma estrela de cinema envelhecida chamada Myrtle Gordon, que trabalha no teatro e sofre uma crise pessoal. Sozinha e não amada por seus colegas, com medo de envelhecer e sempre afastada dos outros devido à sua fama, ela sucumbe ao álcool e a alucinações após testemunhar a morte acidental de uma fã jovem. No final, Gordon luta contra tudo, entregando a performance de sua vida em uma peça. Rowlands ganhou o Urso de Prata de melhor atriz no 28.º Festival Internacional de Cinema de Berlim por sua atuação.[22]

Década de 1980

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Cassavetes dirigiu o filme Glória (1980), com Rowlands como uma amante da máfia que tenta proteger um menino órfão que a Máfia quer matar, papel que lhe rendeu outra indicação ao Óscar de Melhor Atriz.[23][24] Em 1982, Cassavetes estrelou Tempest, de Paul Mazursky, ao lado de Rowlands, Susan Sarandon, Molly Ringwald, Raúl Juliá e Vittorio Gassman.

Cassavetes escreveu a peça teatral Knives, cuja versão mais antiga permitiu que fosse publicada na edição de estreia da revista On Stage (1978), publicação da American Community Theatre Association. A peça foi produzida e dirigida como parte de sua trilogia Three Plays of Love and Hate no Center Theater de Hollywood, Califórnia, em 1981. O trio de peças incluía versões de The Third Day Comes e Love Streams, do dramaturgo canadense Ted Allan, sendo que esta última serviu como base para o filme homônimo de Cassavetes em 1984.[25]

Cassavetes estrelou Marvin & Tige (1983), também intitulado Like Father & Son, um drama americano dirigido por Eric Weston e baseado em um romance de Frankcina Glass. Cassavetes interpreta Marvin, um viúvo alcoólatra que conhece dias melhores e sobrevive com bicos, e encontra o jovem suicida Tige (interpretado pelo ator mirim Gibran Brown). Billy Dee Williams também apareceu no filme em um papel coadjuvante.

Cassavetes realizou o filme financiado pela Cannon Films Amantes (1984), no qual interpreta um playboy envelhecido que sofre com o carinho opressivo de sua irmã recentemente divorciada. O filme foi inscrito no 34.º Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde ganhou o Urso de Ouro.[26] O filme é frequentemente considerado o “último filme” de Cassavetes, pois reúne muitos aspectos de seus filmes anteriores. Ele detestava o filme Problemas em Dobro (1986), que assumiu durante as filmagens de Andrew Bergman, autor do roteiro original. Cassavetes passou a se referir ao filme como “O apropriadamente intitulado 'Problemas em Dobro'”, pois o estúdio vetou muitas de suas decisões e acabou editando a maior parte do filme de uma maneira com a qual Cassavetes discordava.[27]

Em janeiro de 1987, Cassavetes enfrentava problemas de saúde, mas escreveu a peça em três atos Woman of Mystery e a levou aos palcos em maio e junho no Court Theatre, em Los Angeles.[28]

Cassavetes trabalhou durante o último ano de sua vida para produzir um último filme, intitulado She's Delovely. Ele conversou com Sean Penn para estrelar, mas obstáculos legais e financeiros se mostraram intransponíveis, e o projeto foi esquecido até após a morte de Cassavetes, quando seu filho Nick finalmente o dirigiu como She's So Lovely (1997).[29]

Estilo cinematográfico

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Cassavetes passou a maior parte de sua carreira como diretor trabalhando “fora do sistema” e em uma atmosfera comunal “livre das preocupações comerciais de Hollywood”.[30] Seus filmes buscam capturar “pequenos sentimentos” frequentemente reprimidos pelo cinema hollywoodiano, enfatizando o exame íntimo dos personagens e seus relacionamentos em vez de enredo, história prévia ou estilização.[16] Frequentemente apresentava personagens difíceis, cujos comportamentos não eram facilmente compreendidos, rejeitando explicações psicológicas ou narrativas simplistas para suas ações.[31] Cassavetes também desconsiderava a “cinematografia impressionista, a edição linear e a construção de cenas centradas em estrelas” em voga em Hollywood e nos filmes de arte.[32] Muitas vezes incapaz de interessar os estúdios de Hollywood em financiar seu trabalho, Cassavetes normalmente trabalhava com uma pequena mas dedicada equipe de amigos e técnicos. Ele disse: “A coisa mais difícil para um cineasta, ou para uma pessoa como eu, é encontrar pessoas… que realmente queiram fazer algo.”[33]

Cassavetes trabalhava para criar um ambiente confortável e informal onde os atores pudessem experimentar livremente suas performances e ir além dos clichês de atuação ou “comportamentos programados”.[31] Ele desprezava o método de atuação como “mais uma forma de psicoterapia do que de atuação”, que resultava em clichês sentimentais e emoção autoindulgente.[14] Em vez disso, defendia que a atuação deveria ser uma expressão de alegria e exuberância criativas, com ênfase na criação de “máscaras” pelo personagem no processo de interação com outras pessoas.[14] Cassavetes também disse que se esforçava “para colocar [os atores] em uma posição onde possam fazer papel de tolos sem sentir que estão revelando coisas que eventualmente serão usadas contra eles”.[34] Ele frequentemente filmava cenas em tomadas longas e ininterruptas, explicando que:

O drama das cenas vem naturalmente da passagem real do tempo vivida pelos atores […] A câmera não se contenta em apenas seguir as palavras e ações dos personagens. Eu me concentro em gestos e maneirismos específicos. É focando nessas pequenas coisas — os humores, os silêncios, as pausas, os momentos de ansiedade — que a forma surge.[35]

Cassavetes também rejeitava a dominância da visão singular do diretor, acreditando que cada personagem deveria ser a “criação individual” do ator e recusando-se a explicar os personagens a seus atores em detalhes significativos.[36] Ele afirmava que “a unidade estilística drena a humanidade de um texto […] As histórias de muitas pessoas diferentes e potencialmente inarticuladas são mais interessantes do que uma narrativa forjada que existe apenas na imaginação de um homem articulado.”[36] A maneira como Cassavetes empregava a improvisação é frequentemente mal compreendida: com exceção da versão original de Shadows, seus filmes eram rigorosamente roteirizados.[6] No entanto, ele permitia que os atores interpretassem os personagens à sua própria maneira e frequentemente reescrevia os roteiros com base nos resultados dos ensaios e performances.[6] Ele explicava: “Acredito em improvisar com base na palavra escrita e não na criatividade indisciplinada.”[6]

Cassavetes trabalhou com os músicos de jazz Charles Mingus e Shafi Hadi para compor a trilha sonora de Sombras. Diane Dorr-Dorynek, amiga de Mingus, descreveu a abordagem cinematográfica de Cassavetes em termos jazzísticos:

O roteiro formava o esqueleto em torno do qual os atores podiam mudar ou improvisar falas de acordo com sua resposta à situação no momento, de modo que cada performance fosse ligeiramente diferente. Um músico de jazz trabalha dessa maneira, usando um esqueleto musical dado e criando a partir dele, construindo um todo musical relacionado a um momento particular, ouvindo e interagindo com seus colegas músicos. Músicos de jazz trabalhando com atores poderiam concebivelmente proporcionar ao público alguns dos teatros mais comoventes e vivos que já experimentaram.[37]

Quando perguntado por André S. Labarthe durante a produção de Faces se tinha desejo de fazer um filme musical, Cassavetes respondeu que queria fazer apenas um musical: Crime e Castigo, de Dostoiévski.[38] Cassavetes era apaixonado por uma ampla gama de músicas, do jazz ao clássico ao rock, dizendo: “Gosto de toda música. Ela faz você sentir vontade de viver. O silêncio é a morte.”[39]

Cassavetes trabalhou com o compositor Bo Harwood de 1970 a 1984 em seis filmes, em várias funções, embora Harwood inicialmente tivesse se comprometido apenas a fazer “uma pequena edição” para Husbands e “uma pequena edição de som” para Assim Falou o Amor. Harwood compôs músicas comoventes para os três filmes seguintes de Cassavetes e também foi creditado como “Som” em dois deles. Durante esses projetos, Harwood escreveu várias canções, algumas com Cassavetes contribuindo com letras e melodias rudimentares.[40] Durante seu trabalho com Cassavetes, Harwood afirmou que o diretor notoriamente imprevisível preferia usar a versão “scratch track” de suas composições, em vez de permitir que Harwood as refinasse e regravasse com uma orquestra. Algumas dessas gravações preliminares foram feitas no escritório de Cassavetes, com piano ou violão, como demos, e acabaram incluídas no filme final. Embora isso combinasse com a sensação crua e não polida que marca a maioria dos filmes de Cassavetes, Harwood ficava às vezes surpreso e constrangido.[41]

A relação entre Harwood e Cassavetes terminou amigavelmente. Quando perguntado pelo documentarista Michael Ventura durante a produção do último filme de Cassavetes, Amantes, o que havia aprendido trabalhando com Cassavetes, Harwood respondeu:

Aprendi muito com John. Fiz muita edição para ele. Edição de imagem, edição de som, edição de música, gravação de som, composição de trilha, e aprendi muito sobre integridade… Acho que você sabe o que quero dizer. Sabe, daqui a trinta anos, poderei dizer que andei com Billy the Kid.[42]

Vida pessoal

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Cassavetes com sua esposa, a atriz Gena Rowlands, em 1959

Casamento

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Cassavetes foi casado com a atriz americana Gena Rowlands de 1954 até sua morte em 1989. Muitos de seus filmes foram rodados e editados na própria casa do casal em Los Angeles. Eles tiveram um filho, Nick, e duas filhas, Alexandra e Zoe, todos os quais seguiram seus passos como atores e cineastas.

Cassavetes era um alcoolista de longa data.[43] Ele morreu em Los Angeles devido a complicações da cirrose hepática em 3 de fevereiro de 1989, aos 59 anos.[44][45] Está enterrado no Cemitério Westwood Village Memorial Park, em Los Angeles.

No momento de sua morte, Cassavetes havia acumulado uma coleção de mais de 40 roteiros não produzidos, além de um romance, Os Maridos.[46] Ele também deixou três peças inéditas: Sweet Talk, Entrances and Exits e Begin the Beguine. Esta última, em tradução para o alemão, foi coproduzida pela Needcompany da Bélgica e pelo Burgtheater de Viena, e estreou no palco do Akademietheater de Viena em 2014.[47][48]

Legado e recepção

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Túmulo de Cassavetes

Cassavetes é tema de várias biografias. Cassavetes on Cassavetes é uma coleção de entrevistas coletadas ou conduzidas pelo estudioso de cinema Ray Carney da Universidade de Boston, nas quais o cineasta relembra suas experiências, influências e visão sobre a indústria cinematográfica. Na edição de Hollywood de 2005 da revista Vanity Fair, um artigo apresenta uma homenagem a Cassavetes por três membros de sua companhia habitual: Rowlands, Gazzara e Falk.[49]

Muitos dos filmes de Cassavetes são propriedade da Faces Distribution, uma empresa supervisionada por Gena Rowlands e Julian Schlossberg, distribuída pela Jumer Films (própria empresa de Schlossberg), com vendas e distribuição adicionais pela Janus Films. Em setembro de 2004, The Criterion Collection produziu um box de DVD região 1 com cinco de seus filmes independentes: Sombras, Faces, Uma Mulher Sob Influência, A Morte de um Bookmaker Chinês e Noite de Estreia. O conjunto também inclui um documentário sobre a vida e obra de Cassavetes, A Constant Forge, e um livreto com avaliações críticas e homenagens de amigos. A Criterion lançou uma versão em Blu-ray do box em outubro de 2013. Em 2005, um box com os mesmos filmes foi lançado na região 2 pela Optimum Releasing. O DVD da Optimum de Sombras inclui um comentário em voz de Seymour Cassel. Em 2014, o acervo da Faces/Jumer tornou-se propriedade da Shout! Factory, que adquiriu a empresa controladora dos filmes, a Westchester Films.

O filho de Cassavetes, Nick, seguiu os passos do pai como ator e diretor, adaptando o roteiro She's Delovely — escrito por John — no filme de 1997 She's So Lovely, estrelado por Sean Penn, como Cassavetes desejava. Alexandra Cassavetes dirigiu o documentário Z Channel: A Magnificent Obsession em 2004 e, em 2006, atuou como diretora da segunda unidade no filme de seu irmão Nick, Alpha Dog. A filha mais nova de Cassavetes, Zoe, escreveu e dirigiu o filme de 2007 Broken English, com Rowlands e Parker Posey.

The New Yorker escreveu que Cassavetes “pode ser o diretor americano mais influente da segunda metade do século XX” — isso ao anunciar que todos os filmes que ele dirigiu, além de outros em que atuou, seriam exibidos em uma retrospectiva no Brooklyn Academy of Music durante julho de 2013.[50] O AllMovie descreveu Cassavetes como “um maverick iconoclasta”.[16]

Os Independent Spirit Awards batizaram uma de suas categorias em homenagem a Cassavetes: o Independent Spirit John Cassavetes Award. Um monólogo sobre John Cassavetes intitulado Independent[51] estreou no Essential Theatre em Atlanta em agosto de 2017. A peça foi escrita por John D. Babcock III e estrelada pelo ator Dan Triandiflou como Cassavetes. A música “What's Yr Take on Cassavetes?” da banda Le Tigre aborda temas misóginos nos filmes de John Cassavetes e questiona se eles ainda podem ser elogiados após a identificação desses temas.[52] A música “Cassavetes” da banda Fugazi paraleliza a independência de Cassavetes em relação à indústria cinematográfica com a independência da banda em relação à indústria fonográfica.[53] Em shows, o vocalista Guy Picciotto a apresentava como “uma música sobre fazer seu próprio caminho”.[54]

Filmografia

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Como diretor

Ano Título Título no Brasil
1959 Shadows Sombras
1961 Too Late Blues A Canção da Esperança
1963 A Child Is Waiting Minha Esperança É Você
1968 Faces Faces
1970 Husbands Os Maridos
1971 Minnie and Moskowitz Assim Falou o Amor
1974 A Woman Under the Influence Uma Mulher Sob Influência
1976 The Killing of a Chinese Bookie A Morte de um Bookmaker Chinês
1977 Opening Night Noite de Estreia
1980 Gloria Glória
1984 Love Streams Amantes
1986 Big Trouble Problemas em Dobro

Prêmios e indicações

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Como cineasta, foi indicado ao Óscar de melhor roteiro original por Faces (1968)[55][56] e ao Óscar de melhor diretor por Uma Mulher Sob Influência (1974).[57][58] Os Independent Spirit Awards batizaram o Prêmio John Cassavetes em sua homenagem.

Ano Premiação Categoria Obra indicada Resultado Ref.
1960 Festival de Veneza Pasinetti Award Sombras Indicado [59]
1960 BAFTA Melhor Filme Indicado
Un Award Indicado
1967 Óscar Melhor Ator Coadjuvante Os Doze Condenados Indicado
1968 Globo de Ouro Melhor Ator Coadjuvante Indicado
1968 Óscar Melhor Roteiro Original Faces Indicado
1968 Festival de Veneza Pasinetti Award Venceu
Leão de Ouro Indicado
1969 Writers Guild of America Melhor Roteiro Original Indicado
1969 National Society of Film Critics Melhor Roteiro Venceu
1969 New York Film Critics Circle Melhor Diretor Indicado
1973 Writers Guild of America Melhor Roteiro Original Assim Falou o Amor Indicado
1974 Óscar Melhor Diretor Uma Mulher Sob Influência Indicado
1974 Globo de Ouro Melhor Diretor Indicado
Melhor Roteiro Indicado
1975 Writers Guild of America Melhor Roteiro Original Indicado
1978 Festival de Berlim Urso de Ouro Noite de Estreia Indicado
1980 Festival de Veneza Leão de Ouro Glória Venceu
Menção Honrosa Venceu
1980 Emmy Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme Flesh & Blood Indicado
1984 Festival de Berlim Urso de Ouro Amantes Venceu
Prêmio FIPRESCI Venceu
1986 Los Angeles Film Critics Association Prêmio de Conjunto da Obra John Cassavetes Venceu
Premiações recebidas pelos filmes de Cassavetes
Ano Filme Óscar BAFTA Globo de Ouro
Indicações Vitórias Indicações Vitórias Indicações Vitórias
1959 Sombras 4
1968 Faces 3
1970 Os Maridos 1
1974 Uma Mulher Sob Influência 2 4 1
1977 Noite de Estreia 2
1980 Glória 1 1
Total 6 4 8 1

Notas

  1. en KASS-ə-VET-eez;[1] em grego: Γιάννης Κασσαβέτης el
  2. O uso da improvisação por Cassavetes é frequentemente mal compreendido; seus filmes eram quase inteiramente roteirizados, mas ele não ditava as interpretações de seus atores, permitindo que desenvolvessem suas próprias leituras das falas. Além disso, frequentemente reescrevia os roteiros com base nos ensaios e sugestões dos atores.[6]
  3. Cassavetes frequentou a faculdade Champlain College, criada para veteranos da Segunda Guerra Mundial.[8] A instituição funcionou nas antigas Plattsburgh Barracks de 1946 a 1953, fechando quando o exército dos EUA retomou o local para usar como parte da Plattsburgh Air Force Base.[8] Ele não frequentou a atual Champlain College situada em Burlington.[9]

Referências

  1. «Martin Scorsese on John Cassavetes». YouTube (em inglês). 19 de abril de 2012. Consultado em 17 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 2 de novembro de 2021 
  2. «John + Gena: dynamite on screen and off». British Film Institute (em inglês). 30 de maio de 2013. Consultado em 21 de maio de 2016. Cópia arquivada em 7 de junho de 2016 
  3. «George Kennedy winning Best Supporting Actor». YouTube (em inglês). 29 de março de 2011. Consultado em 17 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 2 de novembro de 2021 
  4. «The 40th Academy Awards (1968)». Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (em inglês). 4 de outubro de 2014. Consultado em 24 de julho de 2020. Cópia arquivada em 19 de agosto de 2016 
  5. José Geraldo Couto (2 de abril de 2015). «O cinema visceral de John Cassavetes». Instituto Moreira Salles. Consultado em 2 de abril de 2015 
  6. a b c d Carney, Ray. Cassavetes on Cassavetes. Londres: Faber and Faber, 2001. p. 217.
  7. Ventura, Michael. Cassavetes Directs: John Cassavetes and the Making of Love Streams. 2007. ISBN 1-84243-228-1. p. 176.
  8. a b «Champlain College, Plattsburgh, New York, 1946–1953». Associated Colleges of Upper New York, Hobart, Plattsburgh, and Utica, NY (em inglês). Lost Colleges.com. Consultado em 28 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 29 de setembro de 2020 
  9. Fine, pp. 4, 10, 16.
  10. Fine, Marshall (2005). Accidental Genius: How John Cassavetes Invented the American Independent Film. Nova Iorque: Miramax Books. pp. 4, 10, 16. ISBN 978-1-4013-5249-3. Consultado em 14 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 13 de abril de 2023 
  11. A Constant Forge. Documentário, 2000. Escrito e dirigido por Charles Kiselyak.
  12. Feinberg, Scott (29 de março de 2015). «Gena Rowlands: 'I Never Wanted to Be Anything But an Actress' (Q&A)». The Hollywood Reporter (em inglês). Consultado em 29 de março de 2015. Cópia arquivada em 13 de agosto de 2017 
  13. A Constant Forge. Documentário, 2000. Escrito e dirigido por Charles Kiselyak.
  14. a b c d e f Carney, Ray. Cassavetes on Cassavetes. Londres: Faber and Faber, 2001. pp. 52-53.
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Fontes consultadas

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  • Carney, Raymond; Francis, Junior, The Films of John Cassavetes: Pragmatism, Modernism, and the Movies, Cambridge University Press, 1994.
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  • Warren, Charles, "Cavell, Altman and Cassavetes" in the Stanley Cavell special issue: Crouse, Jeffrey (ed.) Film International, Issue 22, Vol. 4, No. 4, 2006, pp. 14–20.

Ligações externas

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