Kátia de Queirós Mattoso

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Katia Mytilineou de Queirós Mattoso (nascida Kyriacoula Katia Demetre Mytilineou; Vólos, 8 de abril de 1931 - Paris, 11 de janeiro de 2011[1]) foi uma historiadora greco-brasileira.[2] especialista em história econômica e social da Bahia (1750-1889) e em história social da escravidão no Brasil (1549-1888).

Kátia Mattoso foi professora titular nas Universidades Católica de Salvador e Federal da Bahia (1963-1988), professora visitante nas Universidades de Minessota (1978), Paris IV (1982) e de Columbia (1983). Foi também visiting fellow na Universidade de Cambridge (Reino Unido). Em 1988, assumiu a cadeira de História do Brasil na Universidade Paris IV - Sorbonne, da qual foi a primeira titular. Professora emérita.[2] da mesma Universidade, é autora de diversos livros, dos quais se destacam: Bahia: a cidade do Salvador e seu mercado no século XIX (São Paulo: Hucitec, 1978), Être esclave au Brésil, XVIe-XIXe siècles (Paris: Hachette, 1979; Paris: L’Harmattan, 1995), com edições em português (Ser escravo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1982; 3.ed. 1990) e em inglês (To be a slave in Brazil. New Brunswick, N.J.: Rutgers University Press, 1986; 7.ed. 2002), Família e sociedade na Bahia do século XIX (São Paulo: Corrupio, 1988) e Bahia, século XIX. Uma província no Império (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992; 2.ed. 1994).

Vida[editar | editar código-fonte]

Filha de Demetre e Photini Mytilineou, Kátia nasceu em Vólos, Grécia, em 8 de abril de 1931. Ela e sua irmã gêmea, Vera, eram as mais velhas das quatro irmãs de uma família burguesa e de tradição intelectual. [1] Concluiu seus estudos secundários em 1949 no Lycée de Jeunes filles de Vólos. Seguiu seus estudos na Universidade de Lausanne (Suíça), graduando-se em 1953 e doutorando-se em 1955 em Ciência Política. Na Universidade Paris-Sorbonne (França) recebeu o título de doutora em Letras e Ciências Humanas em 1986 (mention Très honorable à l'unanimité et avec les felicitations du Jury).

Transferiu-se para o Brasil em 1956 e trabalhou no Comitê Intergovernamental Para as Migrações Européias, em São Paulo, onde conheceu o engenheiro brasileiro Sylvio de Queirós Mattoso, descendente do Conselheiro Eusébio de Queirós, com quem se casou e teve duas filhas.[2]

Em 1957 seguiu para a Bahia, cuja paixão rendeu passagens pelas universidades Católica de Salvador e Federal da Bahia - UFBA, além de livros como Bahia, Século XIX: Uma Província no Império (1992) que levou à criação, em 1988, da cadeira de história brasileira na Sorbonne, comandada por ela até a aposentadoria em 1999.[2]

Em 1987 foi agraciada com o título de Cidadã de Salvador e em 1990 recebeu o título de Cidadã do Estado da Bahia.

Em 2010, doou sua biblioteca particular à Universidade Federal da Bahia.

Faleceu na manhã de 11 de janeiro de 2011, aos 79 anos, em Paris, em decorrência de um câncer, e foi sepultada na Grécia. Deixou duas filhas, sete netos e um bisneto.

Condecorações[editar | editar código-fonte]

  • Medalha de Mérito Castro Alves. Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia - Brasil (1987);
  • Notório Saber. Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (1987);
  • Cidadã da cidade de Salvador. Bahia, Brasil (1987);
  • Medalha de Ouro da Cidade de Recife, Brasil, pelo centenário da abolição da escravidão, 1888-1988 (1988);
  • Medalha de Ouro da Universidade de São Paulo, Brasil (1989);
  • Cidadã do Estado da Bahia, Brasil (1990);
  • Membro do Instituto de História e Geografia do Brasil, Rio de Janeiro (1990);
  • Comendador da Ordem do Rio Branco, Brasil (2000) - Oficial em 1994;
  • Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (antiga Universidade do Brasil), Brasil (1995);
  • Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia, Brasil (1995);
  • Cavaleiro da Ordem das Palmas Acadêmicas - l'ordre des Palmes Académiques, França (1997);
  • Cavaleiro da Ordem da Legião de Honra - l'ordre de la Légion d´Honneur, França (1998);
  • Membro da Academia Européia (1999);
  • Comendador da Ordem do Mérito do Estado da Bahia, Brasil (2000).

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Presença Francesa no Movimento Democrático Baiano de 1798 (1969)
  • Dirigentes Industriais na Bahia. Vida e carreira profissional (1975)
  • Textos e documentos para o estudo da história contemporânea (1789-1963) (1977)
  • Bahia: a cidade do Salvador e seu mercado no século XIX (1978)
  • Família e Sociedade na Bahia do Século XIX (1988)
  • Ser Escravo no Brasil (1982)
  • Bahia, Século XIX: Uma Província no Império (1992)
  • L'Angleterre et le monde - XVIIIe - XXe siècles - L'histoire entre l'économique et l'imaginaire. Hommage à François Crouzet (1999)
  • Da Revolução dos Alfaiates à Riqueza dos Baianos no Século XIX - Itinerário de Uma Historiadora (2004)
  • Les Inégalités socio-culturelles au Brésil - XVI-XXe siècles (2006)

Livro-homenagem a Katia Mattoso[editar | editar código-fonte]

  • Crouzet, François ; Rolland, Denis; Bonnichon, Philippe (org).Pour l'histoire du Brésil, Mélanges offerts à K. de Queiros Mattoso. L'Harmattan, 2000.[1].

Referências

  1. a b Katia Mytilineou de Queirós Mattoso (Volos, 1931 – Paris, 2011), por João José Reis e Evergton Sales Souza.
  2. a b c d Bertoni, Estevão. (12 de janeiro de 2011). Greco-baiana que lecionou em Paris. Folha de S.Paulo, Caderno Cotidiano
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