Lecythidaceae

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaLecythidaceae
Descrição da castanha-do-Brasil em Scientific American Supplement, No. 598, junho 18, 1887
Descrição da castanha-do-Brasil em Scientific American Supplement, No. 598, junho 18, 1887
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Angiospermas
Clado: Eudicotiledôneas
Clado: Asterídeas
Ordem: Ericales
Família: Lecythidaceae
A.Rich. (1825)
Géneros
Ver texto.
Folhas de Lecythidaceae
Fruto de Eschweilera sp.
Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Lecythidaceae

Lecythidaceae é uma família botânica de angiospermas, ou seja, plantas que possuem flor. Um dos mais famosos gêneros é o Bertholletia, que inclui Bertholletia excelsa (castanha do Pará ou castanha do Brasil). Outro gênero pertencente à esta família é Lecythis, que engloba Lecythis pisonis (sampucaia). Esta família consiste aproximado de 20 gêneros e um número de 250-300 espécies. Variam desde árvores de grande porte até arbustos ou lianas que podem ocorrer ocasionalmente. Apresentam em seu caule feixes vasculares corticais às vezes com canais de mucilagem e substâncias de defesa como tanino. Possuem também saponinas triterpenoides, glicosídeos provenientes do metabolismo secundário vegetal, como no caso da Castanha-da-índia em que estes possuem propriedades anti-inflamatórias e antiedematosas.[1]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas podem ser dísticas, simples, inteiras ou denteadas. Apresentam venação peninérvea e estípulas pequenas e caducas ou ausência destas. [1]

Frutos[editar | editar código-fonte]

Os frutos da família são em cápsula, que normalmente é grande e dura e de deiscência circuncisa (com um opérculo). Às vezes esta cápsula pode ser indeiscente, em drupa ou em noz. Quando imaturo, apresenta um exudato na região de inserção do fruto com o pedúnculo. Possuem exocarpo de cor castanho escuro, mesocarpo castanho claro e mais espesso e endocarpo semelhante ao exocarpo, também de coloração castanho escura. [1]

Flores[editar | editar código-fonte]

As flores possuem inflorescências indeterminadas, terminais ou axilares, podendo às vezes encontrarem-se reduzidas à uma flor solitária. As flores são bissexuais, podendo ser radiais ou até mesmo bilaterais devido ao desenvolvimento incomum do androceu. São polinizadas por diversas abelhas e vespas e até mesmo morcegos. Apresentam pétalas 4, 6 ou 8, raramente 12 ou 18 e sépalas normalmente 4-6, em geral livres ou podendo estar ausentes. Há estames numerosos, onde os mais próximos do gineceu se desenvolvem antes. Em alguns gêneros mais especializados a porção fusionada é assimétrica e produzida em um lado da flor, formando uma estrutura aplanada que pode curvar-se sobre o ovário, onde alguns podem haver estames reduzidos e modificados em estaminódios. [1]

Flor de Couroupita guianensis, da popularmente conhecida Abricó-de-macaco.

Sementes[editar | editar código-fonte]

As sementes são grandes, providas de arilo carnoso ou achatadas na forma de asa. Apresentam embrião grande e oleoso, normalmente com hipocótilo muito espesso. Podem ser dispersas por uma grande variedade de animais (mamíferos, como roedores, macacos e morcegos, e diversas aves e peixes) que são atraídos pelas sementes ariladas. São constituídas por duas camadas de tegumento: a testa, mais externa, em tons castanhos claros, opaca, rugosa e com linhas de fratura por sua extensão, e o tégmen, mais interno, membranoso e castanho mais escuro que a testa.[1]

Semente de Lecythidaceae

Distribuição no Brasil[editar | editar código-fonte]

Os membros desta família estão espalhados em diversos ambientes com climas distintos. Os domínios fitogeográficos que são encontrados são Caatinga, Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia. Em relação às suas regiões de ocorrência, encontram-se em todas as regiões brasileiras, sendo registrados em 27 estados:

Norte, nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Nordeste, em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Centro-Oeste, no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Sudeste, no Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Sul, nos estados do Paraná e Santa Catarina. [2]

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Há caracteres morfológicos e sequências moleculares envolvendo nucleotídeos de cpDNA que sustentam a monofilia de Lecythidaceae. Esta família compõe-se de cinco clados principais, os quais às vezes podem ser considerados como subfamílias. Estes clados incluem: Napoleonaea e Crateranthus (Napoleonaedoidea), que constituem o grupo-irmão dos outros gêneros da família e formam um clado geralmente identificado pela presença de anteras extrosas, androceu incomum com uma fileira externa de estaminódios fusionados e formando uma pseudocorola radial, e também pela perda de pétalas. O segundo clado que distingue-se dos outros abrange Asteranthos, Oubanguia, Scytopetalum formando Scytopetaloidea; onde este clado é característico pela presença de sementes com endosperma ruminado. A maior parte das espécies pertence à Barringtonioideae (Barringtonia, Planchonia e taxa afins), que constitui um clado reconhecido pela presença de pólen com colpos fusionados e pela redução para uma única semente no fruto. Lecythidoideae se restringe aos neotrópicos e constitui a maior subfamília, contendo grandes gêneros como Bertholletia, Couroupita, Eschweilera, Grias, Gustavia e Lecythis, sendo a família que contém todos os gêneros com flores zigomórficas. O número cromossômico haploide 17 sustenta a monofilia do grupo. [1]

Dispersão[editar | editar código-fonte]

As flores de Lecythidaceae normalmente são grandes e vistosas, sendo polinizadas por abelhas e vespas. Há também a tendência evolutiva de flores radiais com muitos estames, que acabam disponibilizando o pólen como recompensa. No geral, até as flores zigomorfas com estames reduzidos (e muitos estaminódios) atraem abelhas à procura de néctar. O néctar é secretado por estaminódios modificados em algumas espécies derivadas. Ocorre também atração de diversos animais como mamíferos roedores e morcegos e aves e peixes em busca de suas sementes ariladas ou pelos frutos que possuem parede interna que pode ser consumida. Há também dispersão por meio da água em alguns taxa como Allantoma e alguns pequenos números de espécies como Cariniana e Couratari) que são dispersas pelo vento e apresentam arilo modificado em formato de asa.[1]

Gêneros[editar | editar código-fonte]

Gênero Abdulmajidia[editar | editar código-fonte]

Gênero Allantoma[editar | editar código-fonte]

Gênero Barrigntonia[editar | editar código-fonte]

Gênero Bertholletia[editar | editar código-fonte]

Gênero Careya[editar | editar código-fonte]

Gênero Cariniana[editar | editar código-fonte]

Gênero Couratari[editar | editar código-fonte]

Gênero Couroupita[editar | editar código-fonte]

Gênero Crateranthus[editar | editar código-fonte]

Gênero Eschweilera[editar | editar código-fonte]

Gênero Foetidia[editar | editar código-fonte]

Gênero Grias[editar | editar código-fonte]

Gênero Lecythis[editar | editar código-fonte]

Gênero Petersianthus[editar | editar código-fonte]

Gênero Planchonia[editar | editar código-fonte]

Gêneros no Brasil[3][editar | editar código-fonte]

  • Allantoma
  • Asteranthos
  • Berthollletia
  • Cariniana
  • Corythophora
  • Couratari
  • Couroupita
  • Eschweilera
  • Grias
  • Custavia
  • Lecythis

Algumas espécies importantes:

Eschweilera ovata

Lecythis lurida

L. pisonis

E. pedicellata

Gustavia augusta

Couratari macrosperma

Referências[editar | editar código-fonte]

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  1. a b c d e f g JUDD, W. et. al. Sistemática Vegetal. 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. 2. Mori, S. A., N.
  2. P. Smith, X. Cornejo, & G. T. Prance. 18 March 2010 onward. The Lecythidaceae Pages The New York Botanical Garden, Bronx, New York. 3. Lecythidaceae A. Rich.
  3. Mori, Scott (1990). «Diversificação e Conservação das Lecythidaceae neotropicais». The New York Botanical Garden