Melipona quadrifasciata

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Melipona quadrifasciata carregando pólen

Melipona quadrifasciata carregando pólen
Estado de conservação
200px
Pouco preocupante (IUCN3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Subclasse: Pterygota
Infraclasse: Neoptera
Superordem: Endopterygota
Ordem: Hymenoptera
Subordem: Apocrita
Família: Apidae
Subfamília: Apinae
Tribo: Meliponini
Género: Melipona
Espécie: M. quadrifasciata
Nome binomial
Melipona quadrifasciata
Lepeletier
Distribuição geográfica
Distribuição da M. quadrifasciata[2]
Distribuição da M. quadrifasciata[2]

Melipona quadrifasciata também chamada de Mandaçaia (palavra indígena que significa vigia bonito) é uma abelha social brasileira, da tribo Meliponini. A espécie mede de 10 mm a 11 mm de comprimento com o corpo mais robusto e volumoso que o das abelhas comuns do gênero Apis, tendo a cabeça e tórax pretos, abdome com faixas amarelas e asas ferrugíneas. Constrói seus ninhos dentro de cavidades existentes nos troncos ou galhos das árvores. Também é conhecida pelos nomes de amanaçaí, amanaçaia, manaçaia e mandaçaia-grande.

Subespécies[editar | editar código-fonte]

Existem duas subespécies de mandaçaia: M. quadrifasciata quadrifasciata, que possui quatro listras amarelas sobre o dorso negro, e M. quadrifasciata anthidioides, que também possui as quatro listras mas interrompidas no meio.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul.[3]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Abelhas mandaçaia.
Enxame de mandaçaias em volta de uma colméia artificial instalada no jardim de uma casa

São abelhas sociais extremamente mansas, que quando em colônias bastante fortes podem no máximo apresentar o comportamento defensivo de voar sobre as pessoas, esbarrando na pele, mas raramente beliscam. Seus ninhos são encontrados em ocos de árvores, sendo que a entrada possui raias convergentes de barro e o espaço permite que somente uma abelha passe de cada vez.

Os favos de cria são horizontais ou helicoidais e não ocorrem células reais. O invólucro está presente ao redor dos favos e é construído com cerume. Os potes de alimento são ovóides e apresentam de 3 a 4 cm de altura.[4] As colônias apresentam de 300 a 400 abelhas (Lindauer & Kerr, 1960).[5] Nesta espécie, a diferenciação de casta é determinada por fatores genéticos e alimentares e de 12 a 25% das crias originam rainhas.[6] O período completo de desenvolvimento para Melipona é de aproximadamente 38 dias, sendo 5 dias de desenvolvimento embrionário (ovo), 15 dias de estágio larval e 18 dias de estágio pupal.[7]

Apesar da população de cada colônia ser bastante pequena estas abelhas podem produzir quantidades expressivas de mel, chegando a 3 ou mesmo 4 litros por temporada se as condições forem apropriadas. Seu mel é bem mais claro e menos viscoso do que o mel das abelhas comuns, sendo também menos doce e com um toque cítrico. Seu sabor em geral é considerado muito agradável. Suas propriedades antimicrobianas são também mais pronunciadas que a do mel comum, e ele é empregado em algumas comunidades como remédio para afecções da boca, da garganta e dos olhos. Estudos com cobaias em laboratório demonstraram que ele realmente apresenta efetividade pelo menos no caso de conjuntivites[8].

O temperamento das mandaçaias é extremamente pacífico e tímido. Suas operárias tendem a deixar as colméias e imediatamente partir para a copa das árvores onde costumam procurar e recolher pólen, néctar e resinas vegetais para seu uso. Estas abelhas não frequentam estabelecimentos humanos como lanchonetes e padarias, nem recolhem material do lixo como ocorre com as abelhas comuns. Também não é usual que se vejam abelhas esvoaçando ao redor das colméias, embora às vezes o façam por curtos períodos de tempo. Durante o dia é normal que apenas uma abelha fique postada no início do túnel de entrada da colônia, em posição de vigia para evitar a entrada de insetos predadores ou parasitas. Quando a colméia em si é aberta para extração de mel ou outros propósitos a maior parte das abelhas simplesmente corre para se esconder nos cantos mais escuros, em um comportamento similar ao das baratas. Isso facilita bastante o trabalho do meliponicultor, que não precisa se preocupar com ataques por parte das abelhas, mas também faz com que fiquem indefesas contra predadores de maior porte e tem contribuído para que elas estejam desaparecendo da natureza.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

Melipona quadrifasciata é um membro da família Apidae e a ordem Hymenoptera. M. Quadrifasciata está na subfamília Meliponini que é comumente referida como "abelhas sem ferrão". O gênero Melipona inclui cerca de 50 outras espécies.[9] M. quadrifasciata pode ser categorizado em duas subespécies: M. quadrifasciata quadrifasciata que ocupa a faixa norte da espécie e M. quadrifasciata anthidioides que são mais frequentemente encontrados na faixa sul. No entanto, existe uma grande área híbrida onde as subespécies se sobrepõem.

Plantas utilizadas por esta espécie para forrageamento[editar | editar código-fonte]

[11][12][13]

Nidificação[editar | editar código-fonte]

Plantas utilizadas por esta espécie para nidificação[14][15].

Referências

  1. Nogueira, Juliano; et al. (2014). «Conservation study of an endangered stingless bee (Melipona capixaba—Hymenoptera: Apidae) with restricted distribution in Brazil». Journal of Insect Conservation. 18 (3): 317–326. doi:10.1007/s10841-014-9639-3 
  2. Marcelo Fidelis Marques Mendes; et al. (2007). «INTRA-POPULATIONAL VARIABILITY OF Melipona tquadrifasciata Lepeletier, 1836 (Hymenoptera, Meliponini) USING RELATIVE WARP ANALYSIS». Embrapa. 23 (1): 147–152 
  3. Silveira et al.. 2002. "Abelhas Brasileiras". Belo Horizonte
  4. NOGUEIRA; NETO; 1970. "A criação de abelhas indígenas sem ferrão". Tecnapis
  5. LINDAUER, M; KERR, WE; (1960). Communication between the workers of stingless bees. Bee World 41: 29-41 & 65-71
  6. KERR, WE; NIELSEN, RA; (1966). Evidences that genetically determined Melipona queens can become workers, Genetics 54: 859-866.
  7. ROSSINI, AS. Caracterização das mudas ontogenéticas e biometria dos corpora allata de Melipona quadrifasciata anthidioides Lep. (Hymenoptera, Apidae). 1989. Dissertação de Mestrado, IBCR-UNESP. São Paulo
  8. Ilechie AA, Kwapong PK, Mate-Kole E, Kyei S, Darko-Takyi C. The efficacy of stingless bee honey for the treatment of bacteria-induced conjunctivitis in guinea pigs.Journal of Experimental Pharmacology - Volume 2012:4 54: 63—68
  9. Ramírez, Santiago R.; Nieh, James C.; Quental, Tiago B.; Roubik, David W.; Imperatriz-Fonseca, Vera L.; Pierce, Naomi E. (1 de agosto de 2010). «A molecular phylogeny of the stingless bee genus Melipona (Hymenoptera: Apidae)». Molecular Phylogenetics and Evolution. 56 (2): 519–525. doi:10.1016/j.ympev.2010.04.026 
  10. MORGADO, L.N.; CARVALHO C.F.; SOUZA B. & SANTANA M.P. (2002) Fauna de abelhas (Hymenoptera: Apoidea) nas flores de Girassol Helianthus annuus L., MG. Ciênc. Agrotec. Lavras, 26(6): 1167-1177.
  11. AGUILAR, J.B.V. A comunidade de abelhas (Hymenoptera: Apoidea) da Reserva Florestal de Morro Grande, Cotia, São Paulo. 1998.PHD Thesis. Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
  12. MARTINS, C.F. Estrutura da comunidade de abelhas (Hym., Apoidea) na caatinga (Casa Nova, BA) e na Chapada Diamantina (Lençóis, BA.). 1990. PHD Thesis. Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
  13. CAMPOS, M.J. DE O. Estudo das interações entre a comunidade de Apoidea, na procura de recursos alimentares, e a vegetação de cerrado da Reserva de Corumbataí, SP. 1989. PHD Thesis. Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP
  14. CORTOPASSI-LAURINO, M.; ALVES, D.A. & IMPERATRIZ-FONSECA, V.L. 2003. Árboles para nidos de meliponíneos. In: Memorias III Seminario Mesoamericano sobre Abejas sin Aguijón: 99-101
  15. CASTRO, M.S. A comunidade de abelhas (Hymenoptera; Apoidea) de uma área de caatinga arbórea entre os inselbergs de Milagres (12º53'S; 39º51'W), Bahia. 2001. Tese de Doutoramento. Universidade de São Paulo, São Paulo, SP.
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